Golden Cross demora seis dias para atender paciente com aids, informa Folha de S.Paulo

A operadora de saúde Golden Cross demorou seis dias para autorizar atendimento adequado a um paciente com aids em São Paulo, informa nesta sexta-feira, 10 de fevereiro, o jornalFolha de S.Paulo.

Segundo a reportagem de Cláudia Colluci, um professor de 44 anos teve a doença diagnosticada há 15 dias, depois de chegar ao hospital Nossa Senhora de Lourdes com febre alta, enjoo e anemia severa, sintomas decorrentes de um sarcoma de Kaposi no estômago.

O advogado Guilherme Lacombe, amigo da família, contou ao jornal que na sexta-feira passada os médicos recomendaram a transferência do paciente para outro hospital porque não havia infectologistas no Nossa Senhora de Lourdes. “Ligamos várias vezes para a Golden Cross. O plano dizia que mandaria um infectologista para examiná-lo, o que nunca ocorreu”, disse à Folha de S.Paulo.

Ainda segundo o jornal, Carlos Henningsen, da ouvidoria da Golden Cross, afirma que, embora o pedido de transferência esteja datado de sexta, a empresa só o recebeu na segunda e, desde então, iniciou o processo de mudança. A operadora negou ao jornal negligência, mas informou que os fatos estão sendo apurados.

Problema antigo

Em 1993, a Golden Cross se recusou a atender o irmão da jornalista Roseli Tardelli, Sérgio Tardelli, que estava internado no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, em decorrência da aids. Roseli expôs o assunto na mídia, liderou manifestações e conseguiu por decisão judicial o direito de ter seu irmão atendido. Mas as poucas possibilidades de tratamento da aids na época impediram a recuperação de Sérgio, que faleceu em novembro de 1994.

“Meu irmão nunca tinha precisado usar o convênio. Era disciplinado, praticava esportes, se alimentava bem, mas quando precisamos recorrer à internação, eles negaram…”, lembra Roseli. Desde então, ela se engajou no assunto e, em 2003, criou a Agência de Notícias da Aids.

Os defensores dos direitos das pessoas vivendo com HIV e aids obtiveram outra grande conquista contra as operadoras em 1998, quando foi aprovada a Lei 9656/98, obrigando os planos de saúde a atenderem os portadores do vírus.

Mas até hoje, segundo levantamento feito pela Agência Aids, pacientes soropositivos que usam planos de saúde queixam-se do atendimento.

Fernanda (pediu para não ter seu nome verdadeiro divulgado) diz que quando solicita um exame relacionado ao tratamento da aids, como as análises de carga viral no sangue, há mais demora na liberação por parte das operadoras. “Cheguei a esperar três dias para receber o aval da realização desse exame, enquanto que para um ultra-som sai no mesmo dia”, comentou.

Já Marcos (também nome fictício), contou que o atendimento dos infectologistas especializados em aids, cadastrados nos planos de saúde, é muito superficial. “Para atender mais pessoas, as consultas médicas duram apenas 10 minutos. O médico nem encosta no paciente”, reclamou.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

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