Localizada há 250 km da capital paulista, Ubatuba é o 82º município com mais casos de aids no Estado. Segundo dados da Prefeitura, 226 pessoas estão registradas na Secretaria Municipal da Saúde como portadoras do HIV. A faixa etária que vai dos 35 aos 49 anos representa 48% do total de notificações da doença.
O vendedor Ahmad Chahin, casado e pai de dois filhos, se enquadra neste perfil. Portador do vírus há 18 anos, ele contou à Agência de Notícias da Aids sobre os problemas vivenciados por ele para fazer o tratamento em Ubatuba. “A assistência sempre pode ser melhor. Tanto por parte do governo quanto pelo interesse dos próprios pacientes”, disse.
Chahin conta que já notou a falta de papel higiênico, água para beber e papel para secar as mãos no serviço que atende pessoas com HIV e aids na cidade. “Tudo isso interfere na qualidade do atendimento. Na verdade, quando tenho algo mais grave, acabo saindo daqui e indo para o CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids) de São Paulo. Lá, o atendimento é muito melhor e encontramos todos os tipos de exames”, afirma.
Ele acredita que a Prefeitura poderia apoiar mais na reinserção das pessoas vivendo com HIV e aids no mercado de trabalho.
A coordenadora Municipal de DST/Aids, Marina Gregorio, confirma a queixa de Chahin sobre a falta de materiais de higiene no serviço que atende pessoas com HIV, mas garante que o problema já foi resolvido. “No começo do ano ficamos sem receber esses materiais por dois dias, mas a situação foi resolvida rapidamente”, disse.
Para ela, os principais desafios do município no enfrentamento da epidemia são ampliar a equipe de saúde especializada e combater o preconceito para com os portadores do vírus.
Além de Marina, que é coordenadora e assistente social, o serviço de DST/aids de Ubatuba conta com um infectologista, uma psicóloga, uma farmacêutica, dois técnicos de enfermagem e dois auxiliares administrativos. “Estamos, por exemplo, sem nenhum enfermeiro. A única profissional da área que tínhamos foi transferida para outro setor da saúde, mas estamos lutando para ampliar nossa equipe”, declarou.
Sobre a reinserção dos soropositivos no mercado de trabalho, Marina disse que eles têm dificuldades em aceitar sua condição sorológica, o que dificulta a parceria com empresas e outras Secretarias do governo. “Já tentamos formar grupos de auto-ajuda e de geração de renda, mas não há muito interesse deles em participar. Eles têm medo de ser rotulados”, finaliza.
De acordo com os dados do Boletim Epidemiológico do Estado, em 2008, Ubatuba registrou 37 casos de aids; em 2009 foram 36; em 2010, 29; e em 2011; 16.
Fonte: Agência de Notícias da AIDS
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