Cientistas anunciam mais um avanço na luta contra a Aids

Cientistas anunciaram mais um avanço na luta contra a Aids: um grupo de 14 adultos se livrou do vírus com um tratamento precoce e não voltou a apresentar sinais da doença, mesmo depois de deixar de tomar o coquetel de remédios.

Os cientistas acreditam que foi fundamental detectar a doença na fase inicial do contágio e começar o tratamento imediatamente. O Instituto Pasteur, em Paris, analisou 70 pessoas contaminadas pelo HIV que passaram a tomar os medicamentos de 35 a 70 dias após a infecção.

Os cientistas usaram um coquetel de drogas antirretrovirais para tratar os pacientes. Os remédios funcionaram como de costume, reduzindo o vírus a um nível baixo em todos os infectados. Quando o tratamento foi interrompido por longo prazo, o vírus voltou a se multiplicar no organismo da maioria dos pacientes. Mas 14 pessoas – dez homens e quatro mulheres – conseguiram manter o vírus sob controle.

Eles tiveram a chamada “cura funcional”. Continuam contaminados pelo HIV, só que mesmo sem tomar remédios, a Aids não se manifesta.

Segundo o cientista-chefe da pesquisa, o espanhol Asier Sáez-Cirión, entender como alguns pacientes conseguem regular o vírus pode apontar para o caminho dessa cura funcional. Mas doutor Asier alerta: “Ninguém deve suspender os remédios sem orientação médica”. Ele destaca a importância do exame periódico para detectar o HIV o quanto antes.

Há duas semanas, médicos americanos anunciaram que um bebê do Mississipi havia sido curado da Aids. E, neste caso, o tratamento precoce também foi crucial. O bebê soropositivo começou a tomar os remédios contra o HIV 30 horas depois de nascer. Um mês após o início do tratamento, o vírus não foi mais detectado.

Fonte: Jornal Nacional

“Coquetel do dia seguinte” pode evitar infecção pelo HIV, mas estratégia é pouco difundida no país

Um tratamento disponível em serviços de atendimento especializado e em emergências de hospitais públicos de todo o país pode evitar a infecção pelo HIV em pessoas que passaram por algum tipo de situação de risco – como sexo desprotegido ou rompimento do preservativo.

A chamada profilaxia pós-exposição, também conhecida como coquetel do dia seguinte, tem como base uma combinação de três medicamentos antirretrovirais e deve ser iniciada até 72 horas após o evento considerado de risco.

O infectologista do departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal, lembra que, até 2010, o tratamento era indicado apenas para casos de acidente entre profissionais de saúde (quando há exposição ao vírus), para vítimas de violência sexual e para casais sorodiscordantes (quando apenas um dos parceiros é soropositivo).

Atualmente, o serviço está disponível para toda a população. Segundo Hallal, é preciso passar por uma avaliação de risco, feita por um profissional de saúde, antes de iniciar o uso do coquetel, que deve ser mantido por um período de quatro semanas. Os efeitos colaterais, apesar de fracos, incluem náusea, vômitos, sensação de fraqueza e cansaço.

“O papel da profilaxia é tentar evitar que a pessoa se infecte com o HIV. Além disso, ela traz alguns outros ganhos, já que acaba atraindo as pessoas aos serviços de saúde, o que permite trabalhar também o diagnóstico, o aconselhamento e as estratégias de prevenção, de redução de risco e de vulnerabilidade”, explica.

O coordenador do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Pedro Chequer, avalia que o coquetel do dia seguinte é uma estratégia pouco difundida no país. “Falta informação. As pessoas não conhecem”, diz. “E, nesses casos, quanto mais rápido começar o tratamento, melhor. O ideal é que seja em menos de 48 horas”, completa.

Chequer alerta, entretanto, que a estratégia não pode se transformar em rotina e que as pessoas não podem abrir mão do preservativo. Trata-se, segundo ele, de uma medida de exceção, uma vez que não há 100% de eficácia no bloqueio ao vírus. “Não é uma vacina”, ressalta.

Dados do Unaids apontam aumento de novas infecções por HIV no Brasil entre mulheres jovens e gays jovens, sobretudo com idade entre 15 e 24 anos. Essa faixa etária, de acordo com o coordenador, precisa de uma abordagem de prevenção “continuada, objetiva e sem preconceito”, para que busquem os serviços de saúde quando houver necessidade.

“A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) recomenda que a educação sexual seja iniciada a partir dos 5 anos. No Brasil, isso acontece a partir dos 12 anos. Essa onda conservadora e forte preocupa, já que a necessidade é cada vez maior de abordarmos temas como a diversidade sexual”, destaca.

Fonte: UOL Notícias

Morre em Sorocaba/SP, primeira criança a tomar coquetel contra Aids

Morreu na madrugada desta quinta-feira (5) em Sorocaba (SP) Luciane Aparecida Conceição, conhecida como a primeira criança do mundo a tomar coquetel contra a Aids.

Luciane, de 24 anos, estava internada no Hospital Regional há uma semana, com insuficiência renal e pressão baixa. Na segunda-feira (1º) ela entrou em coma e foi transferida para a UTI.

Segundo familiares, ela tinha parado de tomar remédios contra a doença há cinco anos e estava bastante debilitada, tendo sido internada mais de 10 vezes só neste ano. “Infelizmente ela não aceitava mais tomar o remédio, e não dizia o motivo. Simplesmente não queria mais se tratar. A gente insistia para que ela voltasse a usar a medicação, adiantava”, conta a irmã Andreia Cristina Conceição.

A jovem contraiu o vírus HIV ao nascer. A mãe havia contraído a doença em uma transfusão de sangue durante a gravidez.

Luciane deu à luz uma menina em 2008. Apesar da mãe e da avó serem soropositivas, a criança nasceu sem a doença.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a causa da morte foi infecção generalizada e Aids.

O enterro de Luciane Aparecida Conceição está marcado para este sábado (6), às 8h, no cemitério Santo Antônio.

Fonte: G1

Estudo: novo coquetel reduz risco de mãe transmitir HIV para bebê

Após dez anos de pesquisa, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a Universidade da Califórnia (Ucla), feito na África do Sul, Argentina, nos Estados Unidos e no Brasil, aponta que a combinação de dois ou três antirretrovirais diminui o risco de mães portadoras do vírus HIV contaminarem seus bebês recém-nascidos. A pesquisa foi publicada na revista científica The New England Journal of Medicine.

O protocolo até então adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a chamada transmissão vertical, quando o vírus vai da mãe para o bebê durante a gestação, era iniciar o tratamento do recém-nascido com o antirretroviral AZT em até 48 horas depois do parto. Essa medida reduz o risco de contaminação da criança para 5%.

Uma das coordenadoras gerais da pesquisa, a médica infectologista Valdiléa Veloso, diretora do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), explica que participaram do estudo mulheres que não sabiam da condição de soropositivas durante a gestação e descobriram a doença pouco antes do parto. Portanto, não foram tratadas com o AZT durante a gravidez.

“Para essas crianças cujas mães são diagnosticadas muito tardiamente, dando uma combinação de medicamentos, em parte, compensa-se o tratamento da mãe que não foi feito. Assim, se consegue proteger melhor essas crianças”, explicou Valdiléa Veloso.

A pesquisa foi feita com 1.684 crianças, separadas em três grupos. O primeiro foi tratado apenas com o AZT. O segundo grupo recebeu AZT e nevirapina. O terceiro grupo recebeu AZT, nelfinavir e lamivudina. Em todos os casos, a primeira dose foi ministrada nas primeiras 48 horas de vida da criança, e o tratamento durou seis semanas.

O resultado mostrou que 140 bebês foram contaminados antes do tratamento, sendo 97 durante a gestação e 43 no parto. Três meses depois do tratamento, 4,8% dos bebês que tomaram apenas AZT tinham sido contaminados. Entre os que receberam dois medicamentos, o índice caiu para 2,2% e, entre os que tomaram a combinação de três antirretrovirais, a taxa de contaminação ficou em 2,8%, sendo essa terapia a mais tóxica.

A pesquisadora lembra que filhos de mães soropositivas tratadas durante a gestação já apresentam menos de 1% de chance de serem contaminados. Sem o tratamento, o risco chega a 25% e sobe para 40% no caso da mãe amamentar a criança.

Valdiléa lembra que o protocolo de prevenção e tratamento da aids no Brasil existe desde 1994, mas nem sempre é seguido. “Infelizmente, nem todas fazem o pré-natal, nem todas que fazem o pré-natal fazem o teste, nem todas que fazem o teste recebem o resultado a tempo de serem medicadas, nem todas que são indicadas para o tratamento dão continuidade ao tratamento durante o pré-natal. Então, a gente vai perdendo um pouquinho em cada etapa. E o mais grave é que, infelizmente, em uma parte das mulheres, ainda, o diagnóstico é feito ali, na hora que ela chega na maternidade já em trabalho de parto”.

De acordo com a médica, os padrões de tratamento no mundo já mudaram com base nesses resultados, sendo recomendados oficialmente pela OMS e adotados nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil.

Fonte: Portal Terra

A Aids que (ainda) mata

Dois conhecidos morreram em decorrência da Aids na ultima semana. Um com 29 anos e outro com 33. Ambos bem bonitos e animados. Eu nem imaginava que eles tinham o vírus. E nem eles. Em comum, ambos morreram porque não sabiam que estavam infectados. Esse é, hoje, o maior problema da Aids: morre quem não sabe que tem o vírus e quando descobre é tarde demais.

Vou explicar melhor: esses dois amigos já chegaram ao hospital com alguma doença oportunista (no caso, pneumonia). No hospital, como é praxe, os médicos pediram a coleta de sangue e só então eles souberam que tinham o HIV. E, pior, que o sistema imunológico já havia sido afetado de tal forma que o corpo não conseguia mais lutar contra a doença oportunista. Ainda que os médicos administrasseem o coquetel anti-HIV em altas doses, o corpo não reagiria a tempo. A pneumonia levou ambos a insuficiência respiratória e, consequentemente, à morte.

Por outro lado, tenho amigos (e são vários) que convivem muito bem com o tratamento anti-HIV e levam uma vida bem próxima do normal. Mas, claro, não é fácil para eles: são doses cavalares de remédios diários, exames periódicos e o preconceito todo que ainda sofrem. Ainda que com todos esses percalços, nunca vi nenhum deles que se tratam de forma séria ser internado ou ficar doente. Portanto, mil vezes saber que está com HIV e se tratar do que não saber e acabar no leito de um hospital entre a vida e a morte.

Passado o susto de saber que se está com HIV (ou o alívio de não estar) vem a hora de enfrentar o novo momento e há uma rede enorme de assistência médica e psicológica no Brasil para isso. Não tenha medo e vá se testar.

Escrito por Marcelo Cia

Fonte: MIX Brasil

Coquetel antiaids possibilita vida normal

O tratamento da Aids também evoluiu nos últimos anos. O coquetel com os antiretrovirais ainda provoca muitos efeitos colaterais, segundo a coordenadora de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde, Sandra Gomes, mas possibilita a boa parte dos portadores do HIV, uma vida normal de trabalho e lazer. “Há pessoas que convivem bem com o vírus há mais de 20 anos”, diz ela, alertando que, para isso, é preciso evitar os excessos e adotar os cuidados necessários a evitar a transmissão do vírus para outras pessoas. Cuidados estes, aliás, que devem ser de todos, para não transmitir ou não pegar o vírus da Aids e outras doenças.

O uso da camisinha é fundamental, desde o início da vida sexual. E para os usuários de drogas injetáveis, a seringa deve ser de uso individual. Uma única vez que se deixe de usar a camisinha ou que se compartilhe uma seringa, pode ser exatamente a vez de contrair o vírus, se a outra pessoa estiver infectada. E como ninguém tem isso na cara, prevenir é o caminho. “O preço da doença é muito alto para a vida de qualquer cidadão”, destaca Sandra Gomes.

Fonte: Gazeta de Alagoas WEB

Fiocruz adquire tecnologia para produzir remédio contra a Aids

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) assinou na última sexta-feira (11) uma parceria para produzir no Brasil um dos remédios usados no tratamento contra a Aids. O atazanavir faz parte do coquetel de drogas usadas no combate ao vírus HIV e é produzido pelo laboratório norte-americano Bristol-Myers.

Com o acordo, a tecnologia será transferida ao Instituto de Tecnologia em Fármacos da Fiocruz, conhecido como Farmanguinhos. De acordo com o diretor da unidade, Hayne Felipe, o acordo deve durar até 2017 – tempo necessário para que todo o conhecimento sobre o medicamento seja aprendido pelos profissionais no Brasil e o remédio seja fabricado totalmente em território nacional.

“Esse tempo é normal para a transferência de uma tecnologia deste tipo e é também quando termina a patente do produto”, explica. Já em 2013, o laboratório norte-americano irá produzir o remédio com a identidade nacional da Farmanguinhos. Dois anos mais tarde, o instituto brasileiro já estará respondendo por 50% da produção do atazanavir.

Vendida com o nome de Reyataz, a droga é classificada como um antirretroviral inibidor de protease, um tipo de remédio que impede o amadurecimento do vírus e que ele infecte outras células.

O Ministério da Saúde espera reduzir em 41% seus gastos com o atazanavir. Além disso, a pasta vê o domínio tecnológico como uma garantia de acesso do paciente ao medicamento. Somente em 2011, o governo federal gastou R$ 128,2 milhões para comprar mais de 25 milhões de cápsulas do medicamento. Cerca de 43 mil pessoal foram beneficiadas no período.

Para 2012, a Fiocruz ainda deverá debater com o Ministério da Saúde sobre qual será a demanda. “Nós vamos conversar, talvez o Ministério precise adquirir até mais do que neste ano que estamos”, afirma Hayne Felipe.

A nova tecnologia vai ajudar no desenvolvimento do laboratório nacional. “Nosso grande desafio é adquirir competitividade frente às grandes indústrias internacionais. Por outro lado, o acordo com a Bristol contribui para maior disponibilidade do medicamento”, argumenta.

Fonte: EPTV

Ativistas do Mercosul defendem parceria para compra e venda de antirretrovirais

Enquanto no Brasil são produzidos nacionalmente vários medicamentos que compõem o coquetel antiaids e, no caso de importação, a grande quantidade comprada pelo governo possibilita melhores condições de preços, em outros países da América Latina o custo dos antirretrovirais – essenciais para vida das pessoas com HIV – é bem mais alto.

Reunidos em São Paulo nessa sexta e sábado para a reunião do Fórum Mercosul, representantes da sociedade civil que atuam contra aids no Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Chile, Venezuela, Peru e Uruguai defenderam a possibilidade de uma negociação conjunta na compra de antirretrovirais importados, assim como a criação de meios que facilitem a venda do produto entre os países da América do Sul.

A ideia foi partilhada pela presidente do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA) de São Paulo, Áurea Abbade, aos internautas que assistiram ao programa Cidadania em Destaque neste domingo.

Além de Áurea, que é uma das organizadoras do Fórum Mercosul em São Paulo, participaram do programa transmitido pela AllTV, Mario Burgos, ativista na Argentina; Andrés Caballero (Bolívia), Mirta Diaz (Paraguai), Julia Campos (Peru), e Marisol Alves (Uruguai).

Entre os principais interesses em comum na região estão a sustentabilidade do tratamento antirretroviral e a prevenção do HIV nos jovens, sobretudo nas mulheres, e nos idosos.

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids) – órgão que financiou o Fórum Mercosul em São Paulo -, a prevalência média do HIV na região é bem parecida, variando, por exemplo, de 0.2% e 0.3% da população adulta na Bolívia e Paraguai, respectivamente, a 0.5% e 0.6% na Argentina e no Brasil.

O programa Cidadania em Destaque, produzido pelo Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, é apresentado pelo Presidente dessa rede de organizações não governamentais, Rodrigo Pinheiro, e transmitido sempre aos domingos às 11h.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Na luta contra a Aids

Com o advento do coquetel, a aids parece ter-se tornado uma preocupação secundária das pessoas, como se os medicamentos, por si só, pudessem resolver o problema. As estatísticas provam que o risco permanece, e atinge grupos que não são exatamente aqueles que, no passado, mais preocupavam os interessados na questão. Há 22 anos a ONG Grupo pela Vida luta para informar e conscientizar as pessoas. Há sete realiza a mostra Cinema contra a Aids. O evento deste ano começa hoje e vai até a próxima quinta em duas salas – Centro Cultural São Paulo e Cine Olido, onde você poderá assistir a cerca de 20 filmes, entre curtas, longas e documentários.

Divulgação
Rock Hudson. Galã saiu do armário ao admitir ser soropositivo

 

Dzi Croquettes ou Rock Hudson? Os dois. O documentário de Tatiana Issa e Raphael Alvarez reconstitui, por meio da história do grupo performático, um tanto da história do Brasil sob a ditadura militar, que eles afrontaram (e enfrentaram) com seu comportamento libertário. A riqueza do material iconográfico, somada a depoimentos emocionantes, transforma o filme num dos melhores documentários musicais produzidos no País (e no mundo). Rock Hudson, Belo e Enigmático, de Andrew Davies e Andre Schaffer, segue a via (quase) oposta. O que os Croquettes escrachavam, Hudson reprimia. Como galã de Hollywood, considerado um expoente de masculinidade, ele tinha de esconder sua opção sexual e só saiu do armário ao admitir, publicamente, que era soropositivo. O impacto foi grande sobre a opinião pública de todo o mundo.

Pela primeira vez, milhões de pessoas pararam para encarar a síndrome que não cessava de fazer vítimas. Hudson ganhou uma aliada -a estrela Elizabeth Taylor, com quem fez o clássico Assim Caminha a Humanidade, de George Stevens. Em apoio ao amigo, Liz tornou-se uma batalhadora contra a aids. Associando-se ao Festival de Cannes, o maior do mundo, criou a Gala Contra a Aids, que todo ano reúne celebridades num jantar beneficente para levantar fundos para a pesquisa. A própria Taylor, no entanto, dizia que o mais importante era vencer o preconceito. Durante muito tempo, o aidético foi discriminado como causador da própria desgraça.

Precisaram surgir outras formas de contaminação – por transfusão de sangue, como a que atingiu o cartunista Henfil. Chegou o momento em que a aids não podia ser considerada só a doença de um grupo, apenas. Não se pode esquecer que, nos primórdios, ela se manifestava como doença de pele e era chamada de câncer gay. Aids e Preconceito, Estado de Negação, HIViaids na Malásia, Rompendo o Silêncio – os títulos de alguns dos filmes mais atraentes da programação dão uma ideia do que o público vai encontrar. O ator Stephen Fry está agora no centro do documentário HIV and Me. Duas atrizes brasileiras, Sílvia Lourenço e Sabina Greve, assinam Under the Kin, Sob a Pele, que integra o filme coletânea Fucking Different São Paulo. Toda essa programação não visa atingir somente a um público militante. O cinéfilo pode embarcar sem medo. A programação oferece muita coisa de qualidade.

7º CINEMA MOSTRA AIDS

Cine Olido
(Avenida São João, 473, tel. 3331- 8399; grátis)

Hoje (19/08): 16h, Pedro, de Nick Oceano; 17h, Sexo Positivo, de Daryl Wein; 19h30, Under the Skin, de Silvia Lourenço e Sabrina Greve; e 68 Páginas, de Sridhar Ragayan

Amanhã (20/08): 15h, O Universo de Keith Harring, de Christina Clausen; 17h, Stephen Fry e a Aids, de Ross Wilson; 19h, Rock Hudson – Belo e Enigmático, de Andrew Davies e André Schäffer

Domingo (208)1: 15h, Meu Amigo Claudia, de Dácio Pinheiro; 17h, Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e
Raphael Alvarez

CCSP
(Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3397-4002; R$ 1)

Hoje (19/08): 16h, Defendendo a Verdade, de Tim Daniels; 18h, De Mãos Atadas, de Dan Wolman; 20h,
Amanhã (20/08): 16h, O Universo de Keith Harring, de Christina Clausen; 18h, Rock Hudson – Belo e Enigmático, de Andrew Davies e André Schäffer; 20h, Uma Dama de Ferro, de Vagner de Almeida

Domingo (21/08): 18h, Estado de Negação, de Elaine Epstein; 20h, Estão Voltando as Flores, de Ana Cristina Kleindienst, João Cotrim, Julia Alquéres e Natália Manczyk

Fonte: Estadão

Estudo revela como HIV se esconde dos remédios anti-Aids

O HIV está conseguindo escapar da ação de drogas antirretrovirais porque é capaz de passar diretamente de uma célula para outra.
A conclusão é de um novo estudo do laboratório do biólogo David Baltimore, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1975.
Realizando experimentos com culturas de células no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), o grupo do cientista oferece uma explicação de por que o coquetel anti-Aids reduz o número de vírus nos soropositivos, mas não cura a infecção.
Em geral, uma célula infectada se rompe e libera HIVs soltos no plasma sanguíneo.

Esses vírus vagam pelo sangue até encontrar outro linfócito T CD4+, a célula do sistema imune que o HIV ataca. É quando os vírus estão soltos que a droga age.

Baltimore e seus colegas, porém, mostraram que uma parcela menor da transmissão ocorre diretamente, de célula para célula, quando dois linfócitos entram em contato no sangue.

É nesses casos que os antirretrovirais falham. A infecção célula a célula não é tão frequente mas, quando ocorre, a quantidade de vírus transferida é grande. Explorando essa brecha de segurança, o vírus consegue sobreviver como um reservatório latente dentro das células, mesmo quando o sangue está repleto de moléculas das drogas antirretrovirais.

ESPERANÇA FRUSTRADA
“No início dos anos 1990, quando os inibidores de protease [primeira classe eficaz de droga anti-HIV] surgiram, os médicos estavam medindo o ritmo de queda da carga viral dos soropositivos e concluindo que, com tal redução, os pacientes estariam curados em alguns anos”, disse à Folha Alex Sigal, cientista que coordenou o trabalho.
“Algumas pessoas vêm sendo tratadas com antirretrovirais por mais de 15 anos, mas, se você para de administrar a droga, o vírus volta.”

Sigal descobriu o problema da transmissão célula a célula ao realizar um experimento em que cultivou linfócitos vivos num pires de laboratório para comparar os dois tipos de transmissão.

Quando as células estavam separadas, o efeito da droga sobre o HIV foi muito mais acentuado do que quando estavam juntas.
Segundo os cientistas, que descrevem o trabalho em um estudo publicado hoje na revista “Nature”, a descoberta é também uma má notícia para a criação de uma vacina terapêutica anti-HIV. Esse preparado estimularia o sistema imune a atacar o vírus, mas sua ação se limitaria ao exterior dos linfócitos. A transmissão célula a célula seria um problema.

Mas há esperança de que isso não ocorra no uso preventivo de uma vacina, afirma Sigal. Se o organismo conseguir combater o vírus logo que ele entra, não haveria brecha para a formação de um reservatório.

Estudos de opções terapêuticas no laboratório de Baltimore, porém, já sofreram uma mudança de abordagem.

“Estamos buscando inibidores de infecção do HIV que não funcionam da mesma maneira que as drogas antirretrovirais”, afirma Sigal.

“Essas novas drogas afetam a célula infectada. Assim, não importa quantos vírus estão dentro dela.”

Fonte: PauloRios.org

MÉDICOS ALERTAM QUE EFEITOS ORTOPÉDICOS DA AIDS ESTÃO SE MULTIPLICANDO

O aumento da expectativa da vida dos pacientes que convivem com HIV e mesmo dos pacientes que já registram manifestações clínicas da AIDS levou ao aparecimento de problemas ortopédicos decorrentes tanto da doença, como de efeitos colaterais do chamado “coquetel de drogas”. Entre os efeitos mais comuns estão a osteoporose, até mesmo num nível em que ocorrem fraturas espontâneas, sem que tenha havido queda e também necrose dos ossos, a osteonecrose dos joelhos e do fêmur, que exigem a colocação de próteses.
O alerta para que os médicos que atendem esse grupo de pacientes se preocupem com as alterações osteoarticulares relacionadas ao HIV foi publicado na Revista Brasileira de Ortopedia – RBO da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT e está inserido numa pesquisa da equipe da infectologista Ana Lúcia Munhoz Lima, que chefia o Serviço de Infecção da Ortopedia do Hospital das Clínicas, da USP.
Ana Lúcia explica que quando a epidemia surgiu, a sobrevida dos contaminados era relativamente curta, dificilmente chegando há dois anos. Depois de 1996, entretanto, com o surgimento de novas drogas antirretrovirais, “a sobrevida de um paciente que convive com HIV fica em aberto, desde que haja acompanhamento periódico e uso regular da medicação”. A própria Ana Lúcia tem pacientes contaminados há mais de 20 anos e que continuam com boa qualidade de vida, graças ao tratamento que mantém reduzida a quantidade de vírus no organismo, impedindo que o paciente perca sua imunidade.
O que tem ocorrido, explica a médica, é que com o vírus há muitos anos no organismo e o consumo também prolongado dos medicamentos provoca, com o tempo, efeitos colaterais que variam de paciente para paciente. Associado a alterações metabólicas, podem ocorrer alterações osteoarticulares, osteopenia e eventualmente osteoporose, o que significa que os ossos ficam mais porosos, a massa óssea se reduz e podem ocorrer fraturas. Também é frequente a necrose, isto é, a morte do tecido ósseo do joelho e do fêmur. Foi registrada também a síndrome do túnel do carpo e a capsulite adesiva glenoumeral.
O alerta da médica é que, como esses efeitos começaram a ser estudados mais recentemente, muitos médicos ainda não valorizam as queixas osteoarticulares dos pacientes, retardando a investigação do quadro ortopédico e é importante que o façam, insiste. “A Medicina tem várias armas para impedir ou retardar o agravamento de tais alterações mas, para tal, precisam ser diagnosticadas precocemente”. No caso da osteopenia e osteoporose, o aumento da ingestão de cálcio, de vitamina D, o uso de medicamentos já utilizados nas mulheres menopausadas e o exercício físico são a recomendação e, quando ocorre a osteonecrose, presente em 12% dos casos estudados pela equipe médica, a solução em graus avançados pode ser a colocação de uma prótese.
Os problemas têm solução, se diagnosticados no início, insiste Ana Lúcia, mas no Brasil, em áreas mais distantes dos grandes centros, ainda ocorrem casos de AIDS que demoram a ser diagnosticados e os pacientes só chegam aos centros que podem tratá-los quando já imunodeprimidos e com problemas que com o tempo se agravaram. A recomendação é que nesses casos, principalmente, não se deixe de pesquisar efeitos ortopédicos e, se necessário, que o paciente seja encaminhado a um ortopedista ou a um reumatologista.
Fonte: SEGS

Ativistas apontam dificuldade na reinserção de soropositivos no mercado de trabalho

Segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo e publicado nesta terça-feira, a Previdência Social poderá ter uma despesa adicional superior a R$ 1 bilhão por ano se o pagamento de auxílio-doença continuar aumentando no ritmo acelerado observado nos últimos meses. (Leia essa notícia na íntegra aqui)

De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde no final de 2009, 58% dos soropositivos que vivem no Brasil não trabalham. Se for feito um calculo de proporção tomando como base a estimativa do governo de que cerca de 630 mil pessoas têm HIV ou aids no país, aproximadamente 365 mil portadores do vírus estariam sem um emprego formal.

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pelo estudo, também revelam que mais de 20% dos 1.260 pacientes ouvidos perderam o emprego após o diagnóstico da doença.

Os homens citaram a aposentadoria por doença (31,3%), a incapacidade para o trabalho (14,7%) e o recebimento de auxílio-doença (24,6%) como os principais motivos para não estarem trabalhando.

No grupo de mulheres, 28% são donas de casa, 15,4% foram aposentadas por causa da aids, 11% relataram incapacidade para o trabalho e 15,4% recebem auxílio-doença.

Os pesquisadores analisaram ainda os principais fatores associados à autoavaliação do estado de saúde dos pacientes como excelente ou boa. Fatores sociais como escolaridade e renda tiveram impacto positivo.

Segundo o estudo, soropositivos com pelo menos o ensino fundamental completo têm 70% mais chances de fazer uma boa avaliação de sua saúde do que aqueles com ensino fundamental incompleto. Quem pertence às classes sociais A e B apresentam duas vezes mais chances de ter boa avaliação do que os das classes D ou E.

Ativistas apontam dificuldade na reinserção de soropositivos no mercado de trabalho

Formado em publicidade, Hugo Hagström, de 50 anos, integra a diretoria do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), de São Paulo. Para ele, a “desaposentadoria” das pessoas com HIV e aids é um dos principais desafios da resposta brasileira contra a epidemia.

“Conheço várias pessoas que estão tendo que voltar ao trabalho depois de anos fora. Agora, imagina, uma pessoa com 50 anos, há 15 anos sem um trabalho formal, totalmente defasada no mercado, tendo que voltar ao trabalho. Além de tudo isso, ela retorna com o rótulo de ser uma portadora do HIV”, conta.

Para ele, o governo precisa criar algum plano em conjunto com as empresas para absorver aqueles que se aposentaram por invalidez, mas que hoje, por conta dos avanços no tratamento da aids, se sentem bem para trabalhar. “Os portadores do HIV não mordem e não matam. Deveria haver uma política contra o estigma dentro e fora do local de trabalho”, comentou.

Silvia Almeida, de 47 anos, recebeu apoio da empresa que trabalha, a mineradora multinacional Anglo American, e não precisou se aposentar. “Esse apoio foi essencial para a minha saúde e para me tornar hoje uma militante pela causa da aids”, disse.

Desde 1992, a empresa presta atendimento aos empregados com HIV e aids, distribuindo medicamentos. Antes mesmo do governo brasileiro fornecer gratuitamente o coquetel antirretroviral para todos, a Anglo American já fornecia.

Com mais de 26 anos de empresa, Silvia foi promovida de telefonista para assistente de Responsabilidade Social e hoje coordena nacionalmente os projetos antiaids da Anglo American. No entanto, ela reconhece que o seu caso não é muito comum no país. “A reinserção dos soropositivos no mercado de trabalho ainda é um grande problema no Brasil”, finalizou.

Fonte: Agência de Notícias da Aids

Caixa com coquetel busca frear transmissão do HIV para bebês

Não é um grande avanço médico, apenas uma simples caixa colorida cheia de medicamentos contra o HIV, mas o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) espera que possa ajudar a finalmente interromper a transmissão do fatal vírus para os bebês.

O pacote mãe-bebê, chamado de “inovação para uma geração livre do HIV”, será distribuído a 30 mil mulheres grávidas no Quênia, Camarões, Lesoto e Zâmbia a partir deste mês.

Ele contém todos os remédios e instruções necessários para proteger uma mãe infectada com o HIV e seu recém-nascido, mesmo se ela nunca visitar uma clínica novamente depois do nascimento, e até mesmo se não souber ler corretamente.

“Não precisamos de qualquer avanço científico ou nova tecnologia para combater esse problema”, afirmou Jimmy Kolker, chefe dos segmentos de HIV e aids no Unicef. “O que precisamos é de uma maneira de capacitar as mulheres a tomar conta de si mesmas.”

Indícios nos países desenvolvidos, onde na atualidade praticamente não há transmissão do HIV (vírus da imunodeficiência humana) – que causa a transmissão da aids – de mães para bebês, mostram que, como Kolker disse, todos os medicamentos e atendimentos conhecidos já podem interromper a doença mundialmente.

Entregar os medicamentos certos, para as pessoas certas, na hora certa está provando ser a maior barreira para eliminar a transmissão do HIV de mães para filhos nos países mais pobres, uma meta que a ONU quer alcançar até 2015.

“No mundo desenvolvido, há atualmente poucos bebês nascidos com HIV positivo, mas na África ainda nascem mais de mil todos os dias”, afirmou Kolker à Reuters em uma entrevista. Eliminar as transmissões hereditárias até 2015 é uma “meta ambiciosa”, mas que pode ser alcançada com algumas novas ideias, disse.

Mais de 50 por cento das mulheres com HIV positivo na África subsaariana em 2008 não tomaram os medicamentos necessários para impedir a transmissão do vírus para suas crianças, de acordo com dados do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids).

O vírus está em cerca de 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo, e 22,4 milhões delas vivem na África subsaariana.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que cerca de 430 mil crianças foram infectadas com o vírus em 2008, a grande maioria delas por meio da transmissão de mãe para filho. Contudo, esse tipo de transmissão é evitável se os serviços corretos estiverem disponíveis para a população.

As crianças que nascem com o HIV enfrentarão a doença durante toda a vida e, se tiverem sorte, tomarão remédios por toda a vida. Na África, pelo menos metade delas morrerá antes do segundo aniversário caso não haja intervenção médica.

“Ainda estamos deixando de atender muitas mães que não voltam às clínicas, ou por que as clínicas têm poucos estoques de medicamentos, ou por que as mães não tomam os remédios quando deveriam”, afirmou Kolker.

Com o custo aproximado de 70 dólares por caixa, o pacote tem a metade do preço da quantidade de medicamentos necessários por um ano para um bebê com HIV positivo, diz a Unicef.

“Tem um bom custo-benefício sob todos os pontos de vista”, afirmou Kolker. “É algo que pode ser feito em vilarejos e acompanhado por um agende de saúde comunitário ou grupo de mães. Não precisa haver uma enfermeira ou de um médico acompanhando.”

O projeto-piloto do Unicef nos quatro países, no valor de 8 milhões de dólares, terá três fases, com cerca de 30 mil pacotes distribuídos em casa uma das fases, para atender a quase 100 mil mulheres até meados de 2011

Fonte: Agência Estado

Novo antirretroviral beneficiará pacientes com o vírus HIV resistente

Antirretroviral Etravirina, adquirido pelo Ministério da Saúde há cerca de duas semanas, deve chegar a Sergipe em novembro próximo
O antirretroviral Etravirina, adquirido pelo Ministério da Saúde há cerca de duas semanas, deve chegar a Sergipe em novembro próximo para somar-se aos 19 tipos de medicamentos já utilizados no país para o tratamento da Aids. A nova fórmula é mais uma alternativa para tratar os pacientes em que o vírus HIV criou resistências às 32 combinações de medicamentos já ministradas no Brasil.
 
Almir Santana, gerente do Programa de DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde (SES), esclarece que nem todos os pacientes atualmente submetidos ao tratamento receberão o Etravirina. “Hoje, cerca de 1.550 pessoas em Sergipe recebem os coquetéis, mas somente aquelas com comprovado insucesso no tratamento terão acesso ao novo medicamento”, explica o médico.
 
Ele acrescenta que essa comprovação é feita através do exame de genotipagem, que identifica se o vírus possui, ou não, resistência aos medicamentos existentes e às combinações de tratamento. “Somente depois disso é que faremos o cadastro dos pacientes, para que eles sejam beneficiados com o novo antirretroviral”, completou o gerente do Programa Estadual de DST/Aids.
 
A necessidade de cada paciente será avaliada pelo infectologista no atendimento ambulatorial realizado no Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar), localizado no bairro Siqueira Campos. “O exame será solicitado pelo médico durante a consulta. Caso o paciente esteja no Huse [Hospital de Urgência de Sergipe] ou no HU [Hospital Universitário], que são a referência em urgência para pessoas com Aids, o encaminhamento também se dará via Cemar”, informou Almir Santana.
 
Ao todo, desde 1987, foram registrados no estado 2.327 casos de Aids. Os principais motivos que levam o vírus a criar resistência aos medicamentos estão relacionados à forma como é conduzido o tratamento. “A falta de adesão do paciente ao tratamento é o principal fator. Por vários motivos, alguns não seguem a prescrição médica. Em um dia de festa, por exemplo, no qual o paciente queira fazer uso de bebida alcoólica, ele acaba deixando de tomar o coquetel”, lamentou.

Fonte: FAXAJU

Governo libera antirretroviral para prevenção de HIV

O Ministério da Saúde iniciou neste mês de outubro um novo trabalho de prevenção e tratamento da Aids no Brasil. Trata-se de uma cartilha de novas recomendações aos profissionais da saúde, que possibilita a ampliação no acesso ao coquetel antirretroviral – medicamento usado no combate à doença pelas pessoas que foram expostas ao vírus. Atualmente o acesso ao remédio é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às vítimas de violência sexual e aos profissionais de saúde que sofreram acidentes com seringas, por exemplo. A novidade é que, a partir deste mês, também terão acesso ao medicamento pessoas que forem expostas ao HIV por meio de relação sexual consentida em situações excepcionais. Um exemplo deste caso é quando o preservativo se rompe durante o ato sexual ou quando um dos parceiros não sabe se tem ou não a doença.

Segundo a nova cartilha, divulgada pelo governo federal no último dia 4, o objetivo é reforçar o acesso ao medicamento, tido como um dos métodos de prevenção da doença, já que o principal método ainda é a utilização do preservativo durante o ato sexual. Tudo isso porque o medicamento não tem caráter de cura; se ministrado nas primeiras duas horas após a exposição e até 72 horas depois, pode neutralizar o vírus no organismo humano antes que ele atinja as células saudáveis. O que também pode não acontecer, dependendo do tipo de exposição, do tempo entre a exposição e a ingestão do remédio e/ou ainda do organismo, caso esteja frágil. O fato é que, apesar do acesso agora estar focado na exposição em situações excepcionais de relações consentidas, a nova determinação do governo federal deve ampliar a demanda de trabalho nos 737 postos exclusivos de atendimento de Aids no País – onde há distribuição prescrita do coquetel.

Isso porque a nova cartilha, chamada de Consenso Terapêutico, também traz orientações de tratamento para casais que vivem ou convivem com o HIV e desejam ter filhos. Por essas razões também o consenso determina aos profissionais da saúde que orientem os futuros pacientes sobre os efeitos adversos da droga, assim como sua importância. O acolhimento, sem julgamento, durante o atendimento, também é determinado pelo Ministério. A intenção é não desfavorecer o trabalho educacional, desenvolvido no País há 30 anos, e assim, já no atendimento, potencializar as orientações de prevenção. Dessa forma, segundo o governo, para receber os medicamentos, a pessoa exposta deve procurar os Serviços de Atendimento Especializado (SAE) – que em Sorocaba é desenvolvido pela Clínica DST-Aids -, ou aqueles serviços que já atendem situações de urgência (como nos casos de acidente ocupacional ou de violência sexual), no caso, nos Pronto Atendimentos das Zonas Norte e Oeste.

Fonte: Jornal Cruzeiro

SP raciona remédio contra aids por falha logística

A falta do Lamivudina, um dos medicamentos do coquetel para tratamento da Aids, levou o programa do Estado de São Paulo contra Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) a fracionar comprimidos e a remanejar medicamentos para atender os ambulatórios estaduais. O medicamento, usado diariamente por soropositivos, está em falta no Estado. Desde o início de abril, é constatada a falta do produto nas regiões de Campinas, Marília, Sorocaba, Bauru e São José do Rio Preto.

A falta, que ocorre por problemas de logística na entrega dos medicamentos e pela adaptação do almoxarifado à mudanças do código de barras, foi agravada pelo feriadão da Páscoa, informou a diretora de Logística de Medicamentos do programa, Edjane Falcão. Segundo ela, para atender a todos, foram feitos remanejamentos de cargas de uma região para outra e fracionados comprimidos entregues aos ambulatórios.

O programa informou hoje que a normalização deve ocorrer até o início da semana que vem. “Disseram que nos mandariam o medicamento na segunda; a falta aqui ocorre desde terça-feira”, disse a coordenadora de Marília, Helena Shawitz. A previsão do programa estadual é de que a região de Sorocaba também seja abastecida a partir desta sexta-feira ou segunda, quando o município buscará o medicamento no aeroporto de Guarulhos.

Para segunda-feira também está prevista a normalização em Bauru. Já a região de Campinas, que possui a maior massa de soropositivos do Estado teria recebido os medicamentos na quarta-feira. “Aqui, conseguimos uma remessa que veio remanejada depois que ameaçamos entrar com centenas de ações na Justiça”, disse Júlio Caetano, do Grupo de Doentes de Aids, de São José do Rio Preto, região onde 1,2 mil soropositivos consomem 16 mil comprimidos por mês.

Fonte: G1