PROCURA-SE URGENTE! JOVENS SOROPOSITIVOS PARA CAMPANHA MTV

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Uma de nossas amigas leitoras do blog está a procura de jovens soropositivos de até 27 anos, que morem em SP, para participar de matérias sobre Prevenção da Aids. Os depoimentos serão para a MTV. 

Por favor, quem puder ajudar entrem em contato com a Milene Ruiz pelo e-mail: mileneruiz.mrr@gmail.com até 25/05/2013 ou entrem em contato com a gente via inbox, no facebook.com/hivempauta

Para protagonistas da campanha do 1º de dezembro, ajudar na conscientização é mais importante que risco de sofrer preconceito

João Geraldo Netto, de 30 anos, mora em Petrópolis; Sílvia Almeida, 48, em São Paulo; e Manuela Estolano, 25, em Olinda. Os três foram selecionados, entre os mais de 500 mil brasileiros vivendo com HIV, para protagonizar a campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids deste ano.

A iniciativa, cujo lema é “Não fique na dúvida, fique sabendo”, mostra cenas reais da vida dos participantes e reforça que o diagnóstico precoce do HIV é essencial para o controle da doença. “Decidi participar desse projeto porque tinha muito a ver comigo. Sou uma mulher normal, mãe, avó e, acima de tudo, uma pessoa que não deixa de viver e ser feliz por conta um vírus”, comentou Sílvia.

Assistente de Responsabilidade Social da mineradora Anglo American, Sílvia é ativista e fala com frequência em público sobre sua soropositividade. Ela disse que nunca sofreu nenhum tipo de discriminação por ter HIV. “Pelo contrário, já fui elogiada por apoiar esta causa”, comentou.

O gerente de marketing João Geraldo afirma que não dá espaço para a aids.  “Nunca vivi pro HIV. Eu me cuido, me alimento bem, uso camisinha, mas sigo minha vida sem problemas”, disse.

Quando participou há alguns anos de uma campanha com outros jovens infectados, ele conta que vários familiares ficaram sabendo da sua sorologia. “Uma conhecida nos Estados Unidos viu uma foto minha na internet e ligou contando pra minha prima”, recorda. “Não me importei com o que falaram e o que vão falar agora, mas me importo em como essa iniciativa será útil para ajudar na conscientização”.

Para a produtora de eventos Manuela, que se descobriu portadora do HIV há apenas sete meses, a divulgação da campanha pode ter um impacto maior. Alguns tios, primos e o pai não sabem que ela tem o vírus causador da aids. “Pode ser que a revelação do meu diagnóstico seja sim mais impactante para eles, mas não tem problemas… Quem vai viver pra sempre com este vírus sou eu”, disse.

Os vídeos com a participação de João, Sílvia e Manuela já estão disponíveis no Youtube e estão aliados com a estratégia de mobilização nacional de aconselhamento e testagem voluntária para o HIV, sífilis e hepatites B e C.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Professor lança livro “Sexo e AIDS depois dos 50”

O Dr. Jean C. Gorinchteyn, médico infectologista e professor adjunto da disciplina de Doenças Infectoparasitarias (DIPA) do curso de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes, lançará no fim de outubro o livro “Sexo e AIDS depois dos 50”. A obra trás depoimentos de Lima Duarte, Adriane Galisteu, Paulo Goulart , Nicete Bruno, e é prefaciado pelo Dr. David Uip, um dos novos coordenadores do curso de Medicina da UMC, e uma autoridade da infectologia no Brasil.
 

“O tema do livro é inédito, e surgiu em 1995, 1996, enquanto eu trabalhava no ambulatório da terceira idade do Serviço Social do Comércio (SESC) e no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Fazendo a avaliação clínica dos associados acima de 60 anos do SESC, percebi o quanto pessoas dessa faixa são ativas, cheias de vontade de viver. Ao mesmo tempo, comecei a notar nos meus atendimentos no Emílio Ribas a chegada de pacientes acima dos 60 infectados pelo vírus da AIDS. Eu e meus colegas julgávamos a infecção como resultado de transfusões de sangue e seus derivados, já que na época essa forma de contágio representava um grande problema. O fator “sexo” não era considerado, e a realidade nos mostrou que estávamos redondamente enganados”, explica o professor Gorinchteyn.
 

A percepção de que a infecção pelo vírus HIV por meio sexual em pessoas acima de 50 anos era uma realidade levou o professor da UMC a pesquisar mais aprofundadamente o assunto. Ele estudou o histórico de 121 pacientes infectados com o vírus que passavam por tratamento no hospital Emilio Ribas. O resultado desse estudo concretizou-se na tese de mestrado do professor Gorinchteyn, defendida em 2003, e no livro “Sexo e AIDS depois dos 50”, publicado em 2010.
 

Como o autor escreve na contracapa da obra: “O livro mostra o impacto do HIV/AIDS em pessoas acima de 50 anos, o drama vivido por seus pacientes, muitos dos quais casados, com filhos e netos, revelando como a doença confere grande impacto psicológico, sendo mais doloroso e impetuoso, até, que as próprias doenças oportunistas ocasionadas pela doença. Revela exemplos de vida e superação de alguns pacientes, através de seus depoimentos, deixando uma marca maior que é o arrependimento de não ter se prevenido”.

Além de transcrever o depoimento de seis pacientes, em seus dez capítulos o livro traça o panorama sobre a AIDS no Brasil e no mundo, explicita o importante papel do Hospital Emílio Ribas, analisa o diferente impacto da doença nos homens e nas mulheres, esmiúça o tratamento e a influência que a doença exerce sobre o estilo de vida dos infectados pelo vírus, e tira as principais dúvidas sobre a AIDS, seu contagio, diagnóstico e tratamento.
 

O lançamento oficial do livro será no dia 21 de outubro, às 19h30, na livraria Saraiva do Shopping Higienópolis, em São Paulo.

Fonte: Portal Universidade

HIV EM PAUTA & FACEBOOK

O blog HIV EM PAUTA está no FACEBOOK! Você pode acessar conteúdos diversos através do grupo criado para multiplicar nossas ações e levar informação a todos, sobre AIDS e DST no Brasil e no mundo.

Já é possível conferir inúmeros vídeos sobre a doença, depoimentos de portadores e entender mais sobre o vírus do HIV.

Para acessar o grupo, o usuário deve ser cadastrado no site do FACEBOOK.

Acesse agora: HIV EM PAUTA / FACEBOOK.

Avanços da medicina ajudam portadores da Aids a viver normalmente

No início, era como uma sentença de morte. A certeza de que só restariam semanas, no máximo meses, de vida. Durante muito tempo, foi essa a situação enfrentada pelos pacientes com HIV, vírus causador da Aids. Mas, com os avanços no tratamento da doença e no desenvolvimento de novos medicamentos que controlam a sua evolução, os soropositivos descobriram que o diagnóstico do vírus não é mais sinônimo de morte, e que é, sim, possível conviver com a doença e levar uma vida feliz.

 
“Foi sorrindo que eu passei por tudo isso e é sorrindo que vou me manter viva”, diz Andréa, portadora de HIV/Aids

Quem vê o rosto sempre sorridente de Andréa*, 40 anos, não imagina a história de vida que ela carrega. Em 1998, foi diagnosticada como portadora do HIV. No entanto, como, na época, a doença ainda não era totalmente conhecida pelos médicos, ela não foi avisada que carregava o vírus, o que só aconteceu um ano depois. “Como eu não tinha nenhuma manifestação, não acharam que era preciso me avisar. Só no ano seguinte, quando os sintomas da Aids apareceram e eu tive minha primeira crise, foi que meu médico me contou que eu tinha a doença”, relembra.

Se o choque inicial é sempre impactante, quando essa nova realidade é acompanhada de uma série de problemas de saúde, a situação de complica ainda mais. “Eu tive todos os sintomas, fiquei semanas no hospital, cheguei a pensar que não sairia dali, mas eu tinha força de vontade, e nunca pensei em desistir”, conta Andréa. Meses depois de sair do hospital, outro acontecimento mudou a sua vida. Num acidente de carro em dezembro de 1999, ela perdeu o companheiro e a única filha. “Se não fosse pela ajuda da minha família, eu não sei se teria conseguido suportar, mas sempre tive muita força de vontade, que me fez seguir em frente”, conta.

Preconceito

Foi então que Andréa descobriu um dos lados mais difíceis da doença: o preconceito e a desinformação. “Quando chegamos ao hospital, depois do acidente, os socorristas não estavam de luvas, aí, logo que eles descobriram que eu sou portadora do vírus, falaram coisas absurdas, me chamaram de aidética e disseram que eu ia transmitir a doença para eles”, relembra.

Em 2003, teve outra recaída e, mais uma vez, chegou a passar semanas no hospital. Por causa da doença, não pode trabalhar, e as dívidas se acumularam. “Eu cheguei a ter a minha prisão decretada por falta de pagamento de uma dívida, por isso, mesmo muito mal, eu não podia me internar, pois seria presa imediatamente. Chegava a perder 3kg em uma só noite”, relembra. Em 2007, veio a terceira e mais forte crise. Andréa chegou a ter um derrame cerebral. “Quando foram me operar, os médicos me falaram claramente que eu não sobreviveria. Mais uma vez, eu tive fé que ia conseguir, que ia superar mais essa, e foi isso que aconteceu.”

Apesar do inesperado sucesso da cirurgia, ela ficou com uma sequela. Durante quase um ano, permaneceu sem a visão dos dois olhos, que aos poucos, foi recuperada. “Eu tenho uma filosofia de vida que diz que qualquer situação ruim pode ser administrada. Assim, eu me agarrava a Deus e sabia que tudo daria certo no final”, conta ela. “Eu raramente choro, tento sorrir o tempo todo, porque eu acredito que o sorriso cura. Foi sorrindo que eu passei por tudo isso e é sorrindo que eu me mantenho viva”, completa.

Há 10 anos, na época em que Andréa descobriu que tinha Aids, a informação sobre a doença ainda era pouca. O HIV ainda matava muito, e ainda existiam diversas dúvidas sobre como conviver com o vírus. Para ajudar quem passava por essa fase de aprendizado, surgiu a revista Saber Viver, editada por Sílvia Chalub e distribuída para pacientes de todo o país. “No início, as pessoas tinham muitas dúvidas sobre alimentação e cuidados com o corpo, e a revista veio para ajudar a resolver esse problema”, conta.

Com o tempo, Silvia descobriu outro problema que os portadores do vírus da Aids enfrentavam: a solidão. “Essas pessoas têm uma expectativa de vida cada vez mais alta, e muitos reclamavam que sentiam falta de amigos ou de relacionamentos. Foi aí que resolvemos criar uma sessão dedicada a isso, para que as pessoas pudessem se conhecer e trocar experiências”, conta, enquanto comemora o 10º aniversário da publicação, que é gratuita.

Nova fase

Para Ana Paula Prado, assessora técnica do Departamento de DST-AIDS do Ministério da Saúde, a melhoria da saúde desses pacientes resultou em uma nova fase, ainda mais difícil. “Há 13 anos, o Brasil universalizou o acesso aos medicamentos para a doença. Com isso, a expectativa de vida desse grupo cresceu muito, gerando um novo desafio, o de fazer com que essas pessoas tenham qualidade de vida”, conta.

Entre os obstáculos a serem enfrentados, Ana Paula Prado aponta o preconceito como o maior e mais difícil. “É uma questão de direitos humanos. A Aids sempre foi uma doença muito estigmatizada e, embora tenha diminuído um pouco nos últimos anos, o preconceito ainda persiste, só que de maneira mais sutil”, conta. “Se antes as pessoas nem chegavam perto, hoje elas já convivem no mesmo ambiente, abraçam e até compartilham copos e talheres. Porém, o preconceito na hora de beijar, por exemplo, ainda permanece forte” completa.

Gilson* , 46 anos, faz parte da geração que presenciou as mudanças no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes soropositivos. Diagnosticado há 14 anos, ele se lembra das dificuldades do tratamento no início, e comemora os avanços. “Quando eu comecei o tratamento, só havia o AZT, por isso eu tomava um coquetel com quase 30 comprimidos. Hoje, consigo controlar a doença só com seis”, comemora. “Não tem como negar que, nesse tempo, o tratamento para nós melhorou muito”, completa.

   
Gilson comemora os avanços no tratamento, mas ainda lamenta uma ferida difícil de sarar: o preconceito social

Ele e a mulher têm o vírus. As duas filhas do casal, que nasceram depois de eles contraírem a doença, são saudáveis. Para ele, enfrentar a doença é o mais fácil. Complicado mesmo é transpor as barreiras impostas pela sociedade. “Desde que fui diagnosticado, não trabalhei em emprego fixo mais; mesmo com tanta luta, as pessoas ainda têm preconceito. O mercado de trabalho ainda está fechado para nós”, conta.

Para tentar reverter essa situação, foi criada a Associação Brasiliense de Combate à Aids, conhecida como Grupo Arco-Íris. A organização não governamental desenvolve um trabalho de capacitação para o mercado de trabalho para quem tem a doença. “O HIV não é mais associado à morte por isso, as pessoas querem cada vez mais trabalhar, tocar suas vidas, viver de maneira normal”, conta a presidenta do grupo e assistente social Adilce da Conceição Silva Lima.

Ela acredita que qualidade de vida não é apenas saúde. “Nós achamos que, para ter uma vida saudável, além do acesso aos serviços de saúde, também são importantes outros aspectos, como a socialização, o conhecimento e o apoio da família”, completa Adilce, que também aponta o preconceito como a maior barreira a ser vencida. “As pessoas precisam entender que quem tem Ais não é uma ameaça para ninguém. Se não fosse assim, eu, que convivo com soropositivos há 15 anos, já teria me infectado”, completa.

» Os nomes são fictícios a pedido dos entrevistados

Fonte: Correio Braziliense