Reino Unido descobre gene que pode proteger humanos da Aids

Pesquisadores do Royal College of London, no Reino Unido, identificaram, pela primeira vez, um gene que pode proteger o organismo contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV). O MX2 é capaz de inibir eficazmente a capacidade do vírus se replicar uma vez introduzido na corrente sanguínea e ativar o mecanismo biológico de resistência ao HIV.

Esta capacidade pode ser a chave para o futuro aparecimento de uma terapia não tóxica baseada na ativação das defesas do próprio corpo para lutar contra o vírus que provoca a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids).

Mike Malim, principal autor do estudo, explicou que “até agora, sabíamos muito pouco sobre o gene MX2, mas agora descobrimos a função de proteção contra o vírus e sua capacidade de atacar o ponto mais vulnerável do ciclo de vida do vírus. Isso abre novas possibilidades para o desenvolvimento de métodos da terapia não tóxica”.

De acordo com o pesquisador, no futuro poderão surgir duas opções: ou criar uma substância que imite a função da proteína MX2 ou um fármaco que ative o gene MX2.

“O desenvolvimento de drogas que estimulam a defesa do organismo é muito importante, pois eles colocaram em marcha os processos naturais, além de eliminar o problema da resistência do vírus às drogas”, sublinhou Malim.

Fonte: Telesur

Transplante de medula elimina HIV do sangue de pacientes

Imagem

Dois portadores de HIV que receberam transplantes de medula óssea para tratamento de câncer no sangue estão livres do vírus há várias semanas, desde que o tratamento com antirretrovirais foi interrompido. Segundo os médicos, ainda é cedo para dizer que eles estão “curados”, mas os resultados, apresentados ontem numa conferência científica na Malásia, são vistos com muito interesse por pesquisadores que buscam uma cura para a aids.

Os dois pacientes – cujas identidades são mantidas em sigilo, por questões éticas – foram tratados num hospital de Boston, nos EUA. Eles tinham linfoma e receberam transplantes de medula óssea para curar o câncer, não a aids, mas o HIV desapareceu do seu sangue após a cirurgia.

Os transplantes foram realizados entre dois e cinco anos atrás, e os primeiros resultados do efeito sobre o HIV foram apresentados em julho do ano passado, mas naquele momento eles ainda estavam tomando antirretrovirais. A novidade agora é que os pacientes pararam de tomar as drogas – um deles há 15 semanas e o outro, há 7 – e, mesmo assim, não há níveis detectáveis do vírus no sangue deles.

Os novos dados foram publicados na revista Journal of Infectious Diseases e apresentados na reunião da Sociedade Internacional de Aids, em Kuala Lumpur, capital da Malásia.

“Não podemos ainda falar em cura. O tempo de acompanhamento é muito curto”, ressaltou a presidente da conferência, Françoise Barré-Sinoussi, que foi uma das cientistas responsáveis pela descoberta do HIV, nos anos 1980. Quando um paciente para de tomar os medicamentos, o vírus costuma reaparecer no sangue cerca de um mês depois, mas isso varia de pessoa para pessoa.

“A doença poderá voltar daqui uma semana, ou daqui seis meses. Só o tempo vai dizer”, ressaltou, também, um dos autores da pesquisa, o médico Timothy Henrich, da Faculdade de Medicina de Harvard e do Brigham and Women’s Hospital, em Boston.

“Não há prazo para declarar uma cura. Esses pacientes terão de ser acompanhados por toda a vida”, disse ao Estado o infectologista Alexandre Barbosa, da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu. “Por isso os resultados são bastante animadores, mas precisam ser vistos com cautela.”

A medula óssea é o tecido responsável pela produção das células do sangue e do sistema imunológico – que são as células que servem de reservatório e são atacadas pelo HIV. Para receber o transplante, os pacientes precisam ser imunossuprimidos, o que significa que seu sistema imunológico é quase que totalmente destruído, para depois ser reconstruído com as células do doador.

No caso do câncer no sangue, o procedimento serve para erradicar as células tumorais e substituí-las por células saudáveis. No caso da aids, ocorreria o mesmo com as células imunológicas infectadas pelo HIV.

Histórico. Os casos dos dois pacientes de Boston lembram o do famoso “paciente de Berlim”, Timothy Brown, que alguns anos atrás foi declarado “curado” da aids após um transplante de medula para tratamento de leucemia. A diferença crucial é que Brown recebeu a medula de um doador que era geneticamente imune ao HIV. Assim, seu sistema imunológico doente foi substituído por outro resistente ao vírus, e a doença desapareceu por completo (até agora, pelo menos).

Segundo Barbosa, cerca de 1% da população é portadora de uma mutação genética, chamada delta-32, que confere imunidade ao HIV. Elas não produzem uma proteína chamada CCR5, que é uma das “fechaduras” usadas pelo vírus para penetrar nas células humanas (a outra é chamada CD4). “Sem acesso a essas duas fechaduras ele não entra; ponto”, afirma Barbosa.

No caso dos pacientes de Boston, eles receberam medulas de pessoas “normais”, sem a mutação. Mesmo assim, o HIV desapareceu do sangue. Mas é possível que o vírus esteja “escondido” em certos tecidos do organismo e volte a se multiplicar com o tempo. Neurônios, por exemplo, também possuem os receptores CD4 e CCR5, e podem servir como reservatórios do vírus.

Implicações. Mesmo que os pacientes sejam eventualmente declarados “curados”, o procedimento não poderá ser usado em grande escala como uma terapia antiaids, alertam os especialistas. Isso porque o transplante de medula óssea é um procedimento de alto risco, com 10% de risco de morte do paciente. Em portadores do HIV, que já têm o sistema imunológico debilitado pela doença, esse risco é ainda maior. “É muito raro um paciente com HIV ser submetido a um transplante de medula. Só mesmo em casos extremos de vida ou morte, como estes de câncer no sangue”, explica Barbosa.

Ainda assim, para os pesquisadores, é um resultado importante que pode apontar o caminho para estratégias mais eficientes de controle da doença – ou até mesmo o desenvolvimento de vacinas.

(*Com informações do The New York Times e agências internacionais)

Fonte: OEstadão

Hoje é comemorado o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue

É comemorado hoje, 25 de novembro, o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue. Segundo a Fundação Pró-Sangue, órgão vinculado à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que o número de doadores de um país seja de 3% a 5% do total da população. Contudo, segundo dados do Ministério da Saúde, este índice no Brasil não chega a 2%. O dia foi criado para estimular a doação no País.

Segundo o site da campanha Amigo Doador, realizada pelo Hemocentro São Lucas, no Brasil apenas 1,5% da população doa sangue anualmente. Dentre a parcela doadora, 75% é de baixa renda e 70% estão na faixa etária de 26 a 45 anos. Os homens representam 78% das doações.

Dentre os impedimentos para fazer a doação estão ser portador do vírus da hepatites B e C, da aids, de doenças associadas aos vírus HTLV I e II e da doença de chagas. O uso de drogas ilícitas injetáveis também impede o procedimento.

A Portaria 1.353, publicada pelo Ministério da Saúde no dia 13 de junho de 2011, sobre Procedimentos Hemoterápicos, apesar de ter estabelecido que a orientação sexual (hetero, bi ou homossexualidade) não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue, também considerou inaptos temporariamente à doação os homens que fizeram sexo com outros homens e/ou as parceiras sexuais deles. O impedimento é pelo período de 12 meses após a relação sexual. Esta decisão foi considerada como discriminatória pelo presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Tonis Reis.

A Fundação Pró-Sangue aponta como requisitos básicos estar em boas condições de saúde; ter entre 16 e 67 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos – menores de 18 anos terão de apresentar documento de autorização; pesar no mínimo 50kg; estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas); e estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem o procedimento). Os impedimentos temporários são resfriado; gravidez; amamentação; ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação; e ter feito tatuagem nos últimos 12 meses.

Respeitando o intervalo de até 60 dias entre as doações, homens poderão passar pelo procedimento até 4 vezes por ano e mulheres, tendo um intervalo de 90 dias, poderão fazer até 3 doações por ano.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

14 DE JUNHO: DIA MUNDIAL DO DOADOR DE SANGUE

Apenas 2 entre 10 doadores de sangue são voluntários sem laço afetivo com receptores

Levantamento do Banco de Sangue do Hospital A.C.Camargo aponta que somente 20% dos doadores compatíveis procuram pelo serviço sem ter histórico pessoal com pacientes que necessitam de doação. Preocupação aumenta com a próxima das férias de julho e chegada do inverno, quando o número de voluntários costuma ser ainda menor. Banco do A.C.Camargo está operando com menos de dois terços de sua capacidade de armazenamento
Cirurgias com alta complexidade que demandam ampla reposição de sangue e também tratamentos radio ou quimioterápicos que podem afetar a medula óssea e assim alterar a produção de sangue, levando a quadros de anemia e níveis baixos de plaqueta. Estas situações são comuns no cotidiano de um hospital especializado em tratamento de câncer, como é o caso do A.C.Camargo. Desta forma, é fundamental que o Banco de Sangue seja constantemente abastecido para assim poder suprir a necessidade de reposição. Nesta quinta-feira, 14, é comemorado o Dia Mundial do Doador de Sangue.
O Banco do Hospital A.C.Camargo opera atualmente com apenas dois terços de sua capacidade total de armazenamento e há falta mais acentuada de alguns tipos sanguíneos, principalmente os de fator Rh negativo. Levantamento feito pela instituição identificou que o principal fator para o baixo volume de doação está na pequena procura pelos chamados voluntários, pessoas que se candidatam à doação sem ter qualquer vínculo afetivo com algum paciente. “Recebemos uma média de 60 a 70 doadores por dia e, infelizmente, apenas 20% deles são voluntários. Os outros 80% são fruto de ação interna que fazemos junto aos familiares e amigos com a proposta de sensibilizá-los”, destaca a hemoterapeuta/hematologista do A.C.Camargo, Rivânia Almeida de Andrade.
Ainda segundo Rivânia Andrade, é válido ressaltar que a busca espontânea pelo Banco de Sangue torna-se ainda mais primordial nesta época do ano, pois a sazonalidade é, historicamente, um fator que limita o interesse por fazer a doação. “Não podemos repetir o fato de haver queda do número de doadores durante as férias escolares de julho e chegada do inverno. A solidariedade precisa aquecer a boa vontade de todos”, destaca.
DIAGNÓSTICO PRECOCE DE CÂNCER – Além de ter a oportunidade de salvar vidas, o doador de sangue também pode ser beneficiado. Um dos diferenciais do Banco de Sangue do Hospital A.C.Camargo é a Campanha Gratuita pelo Diagnóstico Precoce de Câncer. Para participar, qualquer doador pode assinar um termo no qual autoriza a coleta de alguns tubos a mais para análise, nos quais serão feitos os exames de PSA (antígeno prostático específico) que é um dos meios para diagnóstico de câncer de próstata; além de exames que podem levar ao diagnóstico de câncer de pâncreas ou tireoide.
Ao receber os resultados dos exames, o doador é encaminhado ao serviço de triagem, no qual as informações serão analisadas e, em casa de suspeita de diagnóstico positivo de câncer, é feito o encaminhamento, também gratuito, para consulta com um especialista do A.C.Camargo. A campanha é motivada pelo fato de que, cada vez mais, o diagnóstico precoce é associado com maiores índices de cura. Como comparativo, o tipo mais comum de câncer na população masculina é o de próstata e os 90% de cura em fase inicial deixam longe os 40% registrados na década de 1980.
DIAGNÓSTICO DE AIDS E OUTRAS DOENÇAS – Ao ter o sangue coletado, o voluntário tem seu sangue criteriosamente avaliado por uma equipe especializada. Em até 30 dias, recebe em seu domicílio informações relevantes como a tipagem sanguínea e resultados dos testes de Hepatites B e C, HIV, HTLVI/II, doença de chagas, sífilis, dentre outras. Caso apresente algum resultado positivo, ele pode iniciar imediatamente o tratamento contra a doença em questão. Hepatites B e C, por exemplo, quando não tratadas podem levar a severos quadros de cirrose ou ao câncer de fígado. Para o HIV (vírus da AIDS) há tratamentos que oferecem grande controle da doença e aumentam a expectativa e qualidade de vida do paciente. Os vírus HTLVI/II oferecerem um risco aumento de desenvolvimento de uma doença chamada leucemia-linfoma de células T ou para uma doença neurológica conhecida como paraplegia espástica tropical.
IMPORTANTE SABER:
- A doação de sangue é segura e demora cerca de trinta minutos.
- Todo material utilizado na coleta do sangue é descartável, garantindo a segurança do doador.
- O volume de sangue total a ser coletado não pode exceder 8 ml/kg de peso para as mulheres e 9 ml/kg de peso para os homens. O volume admitido por doação é de 450 ml +/- 50ml, aos quais podem ser acrescidos até 30 ml para a realização dos exames laboratoriais exigidos pelas leis e normas técnicas.
- Doar sangue não altera a pressão arterial, não engrossa, nem modifica o sangue.
- O doador não tem qualquer obrigação de doar sangue novamente. Só faz isso se quiser, com intervalo de 60 dias para os homens e 90 dias para as mulheres.
- É necessário apresentar um documento de identificação com foto, emitido por órgão oficial, ou sua cópia autenticada.
PARA DOAR SANGUE É NECESSÁRIO:
- Ter entre 18 e 65 anos e mais de 55 quilos.
- Estar em boas condições de saúde e alimentado, mas não pode ter ingerido comida gordurosa nas últimas quatro horas.
- Não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação.
- Não ter tido gripe ou febre nos últimos sete dias.
- Ter feito a última doação há mais de 90 dias se for mulher ou 60 dias se for homem.
- Não ter feito tatuagem há menos de um ano.
- Não estar grávida ou ter tido parto ou aborto há menos de três meses.
- Não estar no período de amamentação.
- Não ter nenhuma doença crônica do tipo cardiopatia, diabetes, tuberculose, doença renal, epilepsia ou hepatite.
- Não ter antecedente ou apresentar fator de risco para doenças infecciosas transmissíveis por transfusão – sífilis, doença de Chagas, Aids, Hepatites B e C, malária, HTLV I/II.
Observação: O uso de medicamentos, vacinas, acupuntura e piercing serão avaliados individualmente.
CUIDADOS APÓS A DOAÇÃO
- A doação não traz riscos para o doador, mas eventualmente, após a coleta do sangue, a pessoa pode apresentar alguns sintomas: tontura, queda de pressão, desmaio, náuseas, vômitos, dor ou hematoma no local da punção.
- Alguns cuidados são necessários para diminuir os efeitos colaterais adversos após a doação: Ingerir bastante líquido, não tomar bebida alcoólica ou realizar exercícios físicos no dia da doação, não fazer força com o braço que foi puncionado, não fumar por no mínimo duas horas e aguardar 30 minutos para dirigir carro e 1 hora para dirigir motocicleta.
- Se o doador sentir alguns desses sintomas ou outros que não considere normal, deve comunicar imediatamente ou retornar ao Banco de Sangue para avaliação e orientação médica.
Sobre o Hospital A.C.Camargo – Instituição filantrópica criada em 1953 por Antônio e Carmen Prudente, o Hospital A.C.Camargo é um dos maiores centros de tratamento oncológico da América Latina. De forma integrada e multidisciplinar, atua na prevenção, diagnóstico e tratamento ambulatorial e cirúrgico dos mais de 800 tipos de câncer identificados pela Medicina, divididos em mais de 40 especialidades. A cada ano identifica e trata 15 mil novos pacientes de diversas partes do país e exterior, totalizando mais de um milhão de procedimentos (consultas, exames laboratoriais e por imagem, internações, cirurgias, quimioterapia e radioterapia, entre outros). Seu corpo clínico é composto por uma equipe fechada de mais de 500 especialistas, a maior parte com mestrado e doutorado. A dedicação e interação destes profissionais em atividades interdisciplinares resulta em um tratamento com melhores índices de sucesso, só comparáveis aos observados nos maiores centros oncológicos do mundo.
Na área de ensino, o A.C.Camargo criou a 1ª Residência em Oncologia do país, em 1953, tendo formado em 2010 o seu milésimo residente. É também responsável pela formação de um em cada três oncologistas em atividade no Brasil. Sua pós-graduação, criada em 1997, é a única em um hospital privado reconhecida pelo Ministério da Educação e foi avaliada com nota máxima durante toda essa década pela CAPES, tornando-se assim, entre escolas públicas e privadas, a melhor do país em Oncologia e uma das duas melhores em Medicina. Tem a maior produção científica da área, com mais de mil trabalhos publicados na última década nas principais revistas internacionais de alto impacto. Centralizou em 2000 o Genoma do Câncer no Brasil, financiado pela FAPESP e Instituto Ludwig. Em 2009, o Hospital foi apontado pela edição 500 Melhores Empresas da revista Istoé Dinheiro como uma das melhores em Saúde pelo terceiro ano consecutivo e pela segunda vez consecutiva entre as 10 melhores empresas de serviços médicos do Brasil na Gestão de
Pessoas, de acordo com o anuário Valor Carreira. Em 2011, o Hospital foi eleito pela terceira vez uma das melhores empresas para Você trabalhar do Guia Você S/A Exame e, em 2012, conquistou a Certificação Internacional pelo Canadian Council for Health Services Accreditation (CCHSA).
Fonte: SEGS

A Aids que (ainda) mata

Dois conhecidos morreram em decorrência da Aids na ultima semana. Um com 29 anos e outro com 33. Ambos bem bonitos e animados. Eu nem imaginava que eles tinham o vírus. E nem eles. Em comum, ambos morreram porque não sabiam que estavam infectados. Esse é, hoje, o maior problema da Aids: morre quem não sabe que tem o vírus e quando descobre é tarde demais.

Vou explicar melhor: esses dois amigos já chegaram ao hospital com alguma doença oportunista (no caso, pneumonia). No hospital, como é praxe, os médicos pediram a coleta de sangue e só então eles souberam que tinham o HIV. E, pior, que o sistema imunológico já havia sido afetado de tal forma que o corpo não conseguia mais lutar contra a doença oportunista. Ainda que os médicos administrasseem o coquetel anti-HIV em altas doses, o corpo não reagiria a tempo. A pneumonia levou ambos a insuficiência respiratória e, consequentemente, à morte.

Por outro lado, tenho amigos (e são vários) que convivem muito bem com o tratamento anti-HIV e levam uma vida bem próxima do normal. Mas, claro, não é fácil para eles: são doses cavalares de remédios diários, exames periódicos e o preconceito todo que ainda sofrem. Ainda que com todos esses percalços, nunca vi nenhum deles que se tratam de forma séria ser internado ou ficar doente. Portanto, mil vezes saber que está com HIV e se tratar do que não saber e acabar no leito de um hospital entre a vida e a morte.

Passado o susto de saber que se está com HIV (ou o alívio de não estar) vem a hora de enfrentar o novo momento e há uma rede enorme de assistência médica e psicológica no Brasil para isso. Não tenha medo e vá se testar.

Escrito por Marcelo Cia

Fonte: MIX Brasil

Tramandaí tem mais de 500 pacientes com Aids

A sigla Aids significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida e o vírus da Aids é conhecido como HIV, e encontra-se no sangue, no esperma, na secreção vaginal e no leite materno das mulheres infectadas pelo vírus. Objetos contaminados pelas substâncias citadas, também podem transmitir o HIV, caso haja contato direto com o sangue de uma pessoa. Apesar de todos os avanços da medicina, a Aids ainda não tem cura, apenas tratamento.
Após o contágio, a doença pode demorar até 10 anos para se manifestar, por isso, a pessoa pode ter o vírus HIV em seu corpo, mas ainda não ter Aids. Ao desenvolver a Aids, o HIV começa um processo de destruição dos glóbulos brancos do organismo da pessoa doente. Como esses glóbulos brancos fazem parte do sistema imunológico (de defesa) dos seres humanos, sem eles, o doente fica desprotegido e várias doenças oportunistas podem aparecer e complicar a saúde dos infectados pelo vírus. A pessoa portadora deste vírus, mesmo não tendo desenvolvido a doença, pode transmiti-la.

 

Segundo a coordenadora geral do DST/Aids em Tramandaí e no Estado, Sandra Catarina Roni, em tratamento no município de Tramandaí, existem 532 pacientes com Aids, e cerca de 1200 já contagiados com o vírus, ainda sem se manifestar. “A doença tem índice altíssimo em pacientes que têm relações estáveis, e índices baixos em usuários de drogas e profissionais do sexo, pois eles sabem que estão sujeitos, e se cuidam com mais intensidade”. Sandra esclarece que o maior perigo está nas meninas que frequentam as festas, e saem de lá acompanhadas de um parceiro, que mesmo sem saber, já está com o vírus do HIV e, de forma irresponsável, praticam sexo sem camisinha, passando o vírus para a parceira.
No município, a divulgação para a prevenção é realizada de varias formas, como por exemplo: folders, campanhas, palestras nas escolas, distribuição de camisinhas, CRAS – Centro de Referência de Assistência Social, Centro da Mulher, Assistência Social, o projeto ‘Extra Muros’ conta com profissionais que, de porta em porta, realizam campanhas de prevenção da doença. Cartazes e materiais de conhecimento público são depositados em diferentes lugares da cidade, como: a prefeitura, Postos de Saúde, entre outros.
O Centro de Testagem e Aconselhamento, localizado no Posto PAI (Posto de Atendimento Integrado), além dos Postos dos bairros: Agual, Tiroleza, São Francisco I, Cruzeiro do Sul e Indianópolis, realizam exames para a detecção do vírus, com apenas 20 minutos de espera, com demanda espontânea, sem necessidade de encaminhamento médico, com enfermeiras treinadas e devidamente capacitadas.

Fonte: Jornal Dimensão

Apesar de proibida a discriminação, homens gays não podem doar sangue

Motivado por uma campanha da empresa onde trabalha, em Belo Horizonte, o produtor cultural Danilo França, de 24 anos, decidiu doar sangue pela primeira vez. Junto com um grupo de colegas, seguiu as etapas previstas: preencheu a ficha de inscrição e foi para a entrevista com o médico do hemocentro. Na momento da conversa, França descobriu que não poderia doar sangue porque mantém um relacionamento homossexual. “Fiquei atordoado, sem graça. Fiquei chateado e me senti discriminado”, disse França.

Uma norma nacional considera inapto à doação qualquer homem que tenha se relacionado sexualmente com outro homem no período de 12 meses. O mesmo vale para heterossexuais que, no mesmo período, se relacionaram sexualmente com várias parceiras.

Entidades de defesa dos direitos dos homossexuais reclamam da restrição e querem reacender o debate sobre o tema. “A cada fato novo, a gente tem que abrir a discussão. Se a pessoa usa preservativo e não tem comportamento de risco, não pode ser impedida de doar”, argumenta Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

A regra do Ministério da Saúde, que vigora há mais de sete anos e vale para todos os hemocentros, foi baseada em estudos internacionais que apontam que o risco de contágio pelo vírus da aids (HIV) é 18 vezes maior nas relações entre homossexuais masculinos, na comparação com relações entre pessoas heterossexuais. O motivo é a prática do sexo anal, que aumenta o risco de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis (DST). Foi essa determinação que fez com que a Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (Hemominas) negasse ao produtor cultural a possibilidade de doar sangue.

Em junho de 2011, o ministério baixou uma portaria que proíbe os hemocentros de usar a orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) como critério para seleção de doadores de sangue. “Não deverá haver, no processo de triagem e coleta de sangue, manifestação de preconceito e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, hábitos de vida, atividade profissional, condição socioeconômica, raça, cor e etnia”. Mas, na prática, os homossexuais masculinos ativos sexualmente seguem impedidos de doar sangue. Para as lésbicas, não há restrições.

O coordenador de Sangue e Hemoderivados do ministério, Guilherme Genovez, alega que a norma brasileira é avançada quando comparada à legislação de outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, um homem que tenha tido, no mínimo, uma relação sexual com outro homem fica proibido de doar sangue pelo resto da vida. “Acima de tudo, está o direito de um paciente receber sangue seguro”, alega o coordenador, lembrando que os testes não identificam imediatamente a presença de vírus em uma bolsa de sangue.

Desde o ano passado, o governo federal está implantando o NAT, sigla em inglês para teste de ácido nucleico, para tornar mais segura a análise do sangue colhido pelos hemocentros. O exame reduz a chamada janela imunológica, que é o período de tempo entre a contaminação e a detecção da doença por testes laboratoriais. Com o NAT, o intervalo de detecção do vírus HIV cai de 21 para dez dias. Até agora, 59% do sangue doado no país passam pelo NAT. A previsão é que a tecnologia chegue a todos os hemocentros até julho.

Fonte: Agência Brasil