COLUNA: A odontologia e o atendimento aos pacientes com Aids e outras DST no Município de São Paulo

A epidemia de aids completa três décadas, e junto com ela, ocorreram muitas conquistas e muitas perdas, e ainda respostas à epidemia que mexeram com aspectos sociais, culturais, crenças religiosas e verdades científicas.

A luta contra a aids está longe do fim. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 40 milhões de pessoas estejam infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana no mundo e que 16 mil novas infecções ocorrem a cada dia, sendo a quarta causa de morte no mundo. Tal mortalidade vem caindo significativamente em função das terapias antirretrovirais existentes atualmente e da adesão a essas terapias.

Desde o início da epidemia, a aids vem sofrendo mudanças importantes. O primeiro ciclo foi caracterizado pela infecção majoritária de homossexuais ou bissexuais masculinos (HSH). O segundo, marcado pelo incremento significativo da categoria usuário de droga injetável (UDI), e da heterossexualização da epidemia (HET). No terceiro, observamos um avanço acentuado de transmissão heterossexual, e o crescimento nos casos de mulheres soropositivas, e em consequência a ocorrência da transmissão vertical. No atual momento da epidemia, assiste-se um avanço da aids nos adolescentes iniciando sexualmente e principalmente na terceira idade.

No começo da epidemia, os pacientes muitas vezes não viviam mais do que dois anos após desenvolver a doença. Atualmente ao estudar o modo como o vírus ataca as células imunológicas, os cientistas desenvolveram categorias de drogas que evitam a multiplicação do vírus HIV que usadas em combinações conhecidas como “coquetel”, ajudam os pacientes a viverem por um período maior de tempo e com melhor qualidade de vida.

As manifestações bucais da infecção pelo HIV são frequentes e podem representar os primeiros sinais clínicos da doença. Podem ser indicadoras de comprometimento imunológico, minimizando o tempo de evolução da doença até a fase de aids. Desde o início da epidemia, muitas manifestações bucais foram relacionadas à infecção pelo HIV. Diversos autores relatam que o estudo dessas manifestações bucais são fundamentais para auxiliar o entendimento da epidemiologia da aids.

Com o início da terapia antirretroviral altamente potente (HAART), pesquisadores verificaram a redução acentuada na ocorrência de infecções oportunistas, mas outras manifestações e complicações, relacionados aos efeitos adversos causados pela HAART, tornaram-se muito frequentes, sendo as sialolitíases, as xerostomias, aumento volumétrico da parótida, os líquen planos, as pigmentações mucosas medicamentosas, as mucoceles, as rânulas, e os hemangiomas.

Ocorrem ainda alterações metabólicas importantes como o diabetes mellitus, do trabeculado ósseo, e da lipodistrofia, conjunto esse de alterações denominado síndrome lipodistrofia, e a odontologia se faz presente a todo momento diagnosticando, intervindo preventivamente e no tratamento reparador desses pacientes.

Mesmo assim, ainda as manifestações bucais podem representar os primeiros sinais clínicos da doença, sendo indicadoras de comprometimento imunológico, do tempo de evolução da doença, como marcadores de infecção, como avaliadores da adesão dos pacientes aos esquemas terapêuticos, do diagnóstico precoce das infecções e indicadores da falência terapêutica.

Além da aids, muitas outras doenças sexualmente transmissíveis proliferam desordenadamente, e segundo a OMS existem 340 milhões de casos no mundo, sendo registrados 685 mil casos diariamente.

Outros tantos milhões de DST não curáveis, ocorrem anualmente, como o Herpes genital e oral (HSV-2), o Papiloma Vírus Humano (HPV), a Sífilis, a Tuberculose, as Hepatites, e todas com repercussões na cavidade bucal. Só 200 mil casos são notificados por ano no Brasil.

As DST de notificação compulsória são aids, HIV na gestante/criança exposta, sífilis na gestação e sífilis congênita. Para as outras DST não há um sistema de notificação, dificultando a sua visibilidade. As DST funcionam como co-fator para transmissão do HIV, sendo que as úlceras orais e genitais facilitam e aumentam em 4,7 vezes a infecção, a gonorréia em 4,7 vezes, o herpes em 3,3 vezes, e a sífilis em 3 vezes. Importante ressaltar que o HPV é um importante facilitador em 3,7 vezes, e comprovadamente hoje ele é um dos grandes responsáveis pelo câncer em cavidade bucal, pois os pares 16 e 18 diagnosticados como responsáveis pelo câncer de colo de útero são os mesmos.

O cirurgião dentista tem um papel importante no diagnóstico das manifestações oportunistas, na descrição clínica do paciente e no diagnóstico da infecção pelo HIV. Para tanto, deve o cirurgião dentista estar treinado e capacitado sobre as intercorrências dessas patologias, sabendo diagnosticá-las e tratá-las a contento.
Devemos ressaltar a importância vital que o Programa Municipal em DST/Aids, tem, junto aos Serviços de Saúde, pois com os seus 15 Centros de Atendimentos Especializados, compõem também no seu quadro de recursos humanos, cirurgiões dentistas.

A coordenadora do Programa DST/Aids do Município de São Paulo, Maria Cristina Abbate, preocupada em melhorar as condições do atendimento odontológico a esses pacientes investiu em educação permanente, capacitandos-os, treinandos-os, e na aquisição de consultórios novos totalmente equipados para todos os serviços, permitindo um inestimável acesso à integração de todos os serviços no diagnóstico e tratamento desses pacientes, sem distinção das diferenças sociais, das adversidades, dos preconceitos banais, dos medos, dos estigmas, dessa comunidade tão carente de atendimento, vivenciando assim experiências grandiosíssimas no campo da saúde compreendendo todos os setores e a interligação entre todas as especialidades inclusive a odontologia, visto que o Programa a qual referimos, tem hoje um inquestionável atendimento por excelência.

A meta atual do programa é a confecção de próteses bucais (totais e parciais) atendendo a reposição dos elementos dentais a todos os pacientes, principalmente os acometidos pelos efeitos adversos da HAART (lipodistrofia facial) melhorando as condições da fonética, da alimentação e de estética desses pacientes.

Hoje, o serviço de odontologia apresenta pesquisas em vários congressos nacionais e internacionais, inclusive no III Congresso dos Países de Língua Portuguesa em DST/Aids, que aconteceu em Lisboa – Portugal, em março de 2010.

A atuação direta junto a estes grupos de trabalho surtiu importantes frutos na área do conhecimento, sendo esses conhecimentos aplicados com a finalidade da promoção da saúde, bem estar e melhorias na qualidade de vida, frente aos sofrimentos humanos.

Dr. Elcio Magdalena Giovani é cirurgião dentista da unidade Butantã do Serviço de Atendimento de Assistência Especializada em DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Cientistas ligam vírus da Aids a infecção por salmonela

Cientistas americanos descobriram a forma como pessoas portadoras do vírus HIV se tornam mais vulneráveis a infecções causadas pela bactéria salmonela. O achado, obtido por uma pesquisa realizada com homens africanos, confirma que os anticorpos da Aids (moléculas responsáveis por desencadear a defesa do corpo contra infecções) neutralizam a ação dos outros, que deveriam lutar contra a bactéria.

Em um relatório publicado nesta quinta-feira (22) pela revista americana Science, os cientistas da Universidade do Alabama (EUA) afirmaram que a descoberta explica por que os portadores do vírus HIV têm uma alta taxa de mortalidade ao serem infectados pela salmonela. Além disso, eles preveem que a descoberta vai ajudar a criar vacinas mais efetivas contra o HIV.

A salmonelose de tipo não contagiosa causa vômitos e diarréias e é contraída pelo consumo de alimentos infectados com a bactéria. Também pode provocar infecções na corrente sanguínea em pessoas com problemas no sistema imunológico, como os portadores do HIV ou crianças com malária, anemia ou desnutrição.

No estudo, os pesquisadores determinaram que os portadores do vírus têm altos níveis de anticorpos contra a salmonela. No entanto, ao contrário do que ocorre nos adultos saudáveis, eles não eliminam a bactéria. Os anticorpos desses pacientes com o HIV impedem que o sistema elimine a bactéria da salmonelose ao ligar-se a uma estrutura da superfície do micróbio – com isso, bloqueiam a ação dos anticorpos, diz Cal MacLennan, principal autor da pesquisa.

– Achávamos que os pacientes de HIV eram mais suscetíveis às infecções bacterianas devido a deficiências em seu sistema de imunização. Mas nesse estudo determinamos que, na realidade, o que causa o problema é o excesso de anticorpos.

Fonte: R7

Cerca de duas mil pessoas em Sergipe são portadoras do HIV e não sabem

O coordenador do Programa Estadual de DSTs e Aids, Almir Santana, informa: cerca de duas mil pessoas em Sergipe são portadoras do HIV e não sabem. Segundo Almir, essas pessoas estão nessa situação por não terem coragem de fazer o exame para conhecerem a sorologia delas, e não mais pelo preconceito e o estigma da doença.

“O preconceito hoje ainda existe, mas é muito menor do que há 20 anos atrás, mas as pessoas não fazem o teste por medo do resultado mesmo”, alertou, ao frisar que até o momento foram registrados no Estado 2.240 casos, com 800 mortes por Aids.

Almir informou que, hoje, fazer o teste é fácil, já que o Programa de DSTs e Aids do Estado está levando o teste rápido para todos os eventos que tem grande concentração de pessoas. Com esse exame o resultado sai em 15 minutos, sendo o diagnóstico 100% seguro.

Em Aracaju, Andrey Lemos, coordenador do Programa Municipal de DST/Aids e Hepatites Virais, informou que o número de casos registrados da doença do ano de 1987 até agora é de 1.028, com 315 mortes. No Brasil, a estimativa do Ministério da Saúde é de que 255 mil pessoas tenham HIV e não saibam. Trata-se de pessoas de todas as faixas da população: pobres e ricos, homens e mulheres, gays e heterossexuais. Mas Andrey prefere não quantificar esse percentual para Aracaju por acreditar que hoje, apesar de ainda existir um aumento significativo do número de casos, esse crescimento é bem mais modesto do que há dez anos.

“Outra previsão do MS é de que se os números seguirem a tendência da última década, em 2010 pelo menos 11 mil brasileiros vão morrer por causa da Aids, mas nós também não tomamos isso como base para a nossa estatística por acreditar que hoje as pessoas estão se cuidando mais e que o número de infectados que surgirão será inferior ao registrado há dez anos.

Os coordenadores Almir e Andrey são unânimes em afirmar que o número de mortes por Aids se dá devido à não realização do exame e ao diagnóstico tardio da doença que não tem cura e pode levar a óbito caso não seja tratada corretamente. Almir salientou que muita gente ainda deixa de fazer o exame por medo do diagnóstico ou por achar que a Aids está fora da sua realidade e, com isso, acabam descobrindo a doença quando as infecções oportunistas começam a aparecer.

“Isso além de prejudicar o tratamento pode levar o paciente a óbito”, alertou. Com o desenvolvimento de drogas cada vez mais poderosas no combate à Aids, a sobrevida dos pacientes tem crescido tanto que já não se consegue quantificar em número de anos. “Hoje já temos pacientes idosos portadores do HIV sendo tratados e que apresentaram os primeiros sinais da doença há muito mais de dez anos”, relatou Almir Santana.

O coordenador estadual destacou que os medicamentos utilizados para o tratamento da doença hoje oferecem ao paciente de Aids uma sobrevida cada vez melhor, fazendo com que não se tenha mais como prever por quantos anos ele poderá viver com a doença, já que existem pacientes vivendo muitos anos. Andrey destacou que muitas pessoas ainda acham que a Aids está longe da realidade delas e que a doença só atinge prostitutas, homossexuais e travestis. “Mas hoje esse perfil mudou e a Aids, em Aracaju, tem crescido principalmente entre os adolescentes, e nesse grupo o aumento se dá no sexo feminino e nos gays”, ressaltou, ao frisar que a falta de informação com relação à necessidade do uso do preservativo faz com que os adolescentes tornem-se vulneráveis.

Fonte: Correio de Sergipe

Sesau realiza oficina sobre prevenção das DST’s e Aids

Técnicos do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST’s/Aids) realizaram nesta quinta-feira (22), no Hotel Verde Mar, em Maceió, uma oficina sobre prevenção das DST’s e Aids. O evento foi destinado aos profissionais da atenção básica de 52 municípios alagoanos, onde foram traçadas estratégias inovadoras para prevenir a proliferação do vírus HIV, que somente até junho do ano passado já infectou 2.739 alagoanos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Entre as medidas discutidas, foi ressaltada a intensificação da conscientização sobre o estímulo ao uso dos preservativos masculino e feminino, de jogos e materiais educativos. Isso porque, a Aids representa uma epidemia em crescimento no Estado, de acordo com a coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids, Fátima Rodrigues, que foi uma das palestrantes da oficina.

Durante a oficina, também foi evidenciada a operacionalização do Plano Nacional de Enfrentamento da Epidemia de Aids e DST’s entre gays, Homens que fazem Sexo com outros Homens (HSH) e travestis. O perfil epidemiológico da Aids em Alagoas aponta que, atualmente 52,51% das pessoas com o vírus HIV se dizem heterossexuais e 45,1% homossexuais, evidenciando que a doença não é mais caracterizada como uma epidemia homossexual.

“Temos que continuar na luta permanente para conscientizar a população sobre o uso do preservativo durante o ato sexual. Mas, além disso, há a necessidade de assegurar políticas públicas para que os direitos sejam assegurados, a exemplo do acesso ao teste rápido, onde é possível se detectar a contaminação pelo vírus HIV”, salientou Fátima Rodrigues.

Fonte: Jornal Primeira Edição

GAPA lança livro em homenagem aos pioneiros da luta contra a aids no Brasil

A ideia, segundo a presidente do GAPA-SP, Áurea Abbade, é manter viva a memória daqueles que foram pioneiros na resposta contra a doença e que contribuíram para que o país se tornasse referência mundial no assunto.

“Muitas delas não existem mais, porém não podemos nos esquecer, por exemplo, que em 1988 o ativista Ubiratã Costa e Silva já fazia visitas domiciliares aos soropositivos”, comentou Abbade. “Sempre tive vontade de colocar minhas lembranças no papel para que os trabalhos de todas elas nunca sejam esquecidos”, acrescentou.

José Carlos Veloso, vice-presidente da instituição, explica que os 100 nomes, que na verdade são 101 no livro, contribuíram de alguma forma com o trabalho do GAPA-SP.

“Demos preferência para aqueles que começaram na luta contra aids, mas se fossemos colocar todos que nos ajudaram ou que foram importantes, seria muito mais que 100 ou 101’”, comentou.

Para montar o perfil de cada homenageado, o GAPA-SP utilizou documentos redigidos pelas próprias pessoas ou por amigos, parentes e colaboradores.

Abbade e Fátima Baião foram as organizadoras do projeto e Paulo Giacomini o editor do livro, que teve financiamento do Programa Estadual de DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.

Os 100 nomes escolhidos foram:

Adelmo Turra, Adriana (Valdo Pereira), Andrea Domanico, Antônio Alves Ferreira, Artur Kalichman, Áurea Celeste Da Silva Abbade, Aureliano Biancarelli, Bernardo Galvão Castro Filho, Brenda Lee (Cícero Caetano Leonardo), Caio Rosenthal, Candelária (Maria Niziana Castelino), Carlos Alberto Saleme, Cazuza (Agenor De Miranda Araújo Neto), David Capistrano Da Costa Filho, Dira Leila Moretti, Dirceu Greco, Edward Batista Mcrae, Elcio Leal, Elvira Filipe, Euclides Ayres De Castilho, Ezio Távora, Fábio Mesquita, Gabriela Leite, Gerson Barreto Winkler, Guahyra Yara Araújo Mendes, Guido Levi, Harley Henriques, Helena Edilia Lima Pires, Herbert Daniel, Herbert José De Souza (Betinho), Humberto Barreto De Jesus, Iáris Ramalho Cortês, Jacqueline Rocha Côrtes, Jacques Charles Bouchara, Jads Francisco Baião, Jamal Suleiman, Jane Galvão, Jorge Beloqui, José Araújo De Lima Filho, José Carlos Veloso Pereira Da Silva, José Roberto Peruzzo, Julio R. Lancellotti (Padre Julio), Laércio Zaniquelli, Lair Guerra De Macedo, Letânia Menezes, Lourdes Barreto, Luciano Toledo, Luiz Mott, Lurdes S. Tiago Da Silva Sardá, Marcelo Dealtry Turra, Marcelo Moscogliato, Marcia Rachid, Maria Clara Gianna, Maria Eugênia Lemos Fernandes, Marinella Della Negra, Mário Scheffer, Mary Jane Spink, Miriam Ventura, Mytsi Nunes, Nair Brito, Nanci Alonso, Nelson Solano, Nivaldo Aguiar, Paulo César Santos Bonfim, Paulo Longo, Paulo Proto, Paulo Roberto Teixeira, Paulo (Fatal) Silva De Oliveira, Paulo Teixeira, Pedro Chequer, Raldo Bonifácio Costa Filho, Regina Célia Pedrosa Vieira, Regina Helena Brito De Souza, Regina Maria Barbosa, Roberto Chateaubriand Domingues, Rogério Costa Gondim, Ronaldo Mussauer De Lima, Rosana Del Bianco, Sandra Pazin, Sandra Verônica Cureau, Sergio Candio, Sergio Rena, Telma Cavalheiro, Teresinha Cristina Reis Pinto, Theodoro Israel Pluciennik, Thereza De Jesus Castro Santos, Toni Reis, Ubiratan Costa E Silva, Valéria Petri, Veriano Terto Júnior, Vicente Amato Neto, Wagner Do Carmo Fernandes, Walkyria Pereira Pinto, Wildney Feres Contrera, Wilza Vieira Villela, Yara Aparecida De Arruda, Zeca Nogueira.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Presidente da África do Sul diz que não tem Aids

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que tem enfrentando críticas de que sua vida amorosa enfraquece as campanhas de sexo seguro no país, revelou resultados de testes no domingo mostrando que ele é HIV negativo.

Zuma, que tem três esposas, gerou controvérsia por ter um filho fora da vida conjugal e por ter admitido relações sexuais com uma mulher portadora do vírus da Aids.

Críticos têm acusado o presidente de mostrar desdém por movimentos pregando sexo seguro, incluindo as campanhas governamentais, em um país com um dos maiores índices de contaminação por HIV.

“Depois de uma cuidadosa avaliação, eu decidi compartilhar os resultados dos meus testes com os sul-africanos”, disse Zuma no lançamento de mais uma campanha sobre a Aids em um hospital no leste de Johanesburgo.

“Meus resultados de abril, assim como três outros que realizei anteriormente, deram negativo para HIV”, afirmou.

Cerca de 1.000 pessoas morrem de Aids na África do Sul todos os dias. Mais de 10 por cento da população do país que sediará a Copa do Mundo a partir de junho possui o vírus.

Fonte: Agência GLOBO

No caso da Aids, falar em culpa é obsoleto

Já não se ouve mais tanta coisa sobre a Aids nos Estados Unidos.


As poucas manchetes são reservadas para relatos do mundo em desenvolvimento, onde os jovens morrendo ainda têm apelo de partir o coração. Mas a Aids persiste bem aqui nos Estados Unidos: nossas clínicas estão explodindo de pacientes e novos casos aparecem diariamente.


Um milhão de histórias não são contadas, mas elas não são as tragédias gregas com a qual nos acostumamos.


Em vez disso, como ilustra o relatório da semana passada sobre um atleta da Flórida acusado de transmitir deliberadamente o HIV, o vírus causador da Aids, essas são fábulas sutis e complicadas, com questões morais que vão além da própria doença.


O atleta, Darren Chiacchia, cavaleiro que ganhou medalha olímpica de bronze, foi acusado, alguns meses atrás, de algo considerado crime capital de primeiro grau na Flórida: expor repetidamente um parceiro sexual ao HIV. Chiacchia recebeu seu primeiro teste positivo para o vírus em 2008, e seu parceiro, diz-se, tinha recebido resultado negativo quando a relação deles começou, no começo de 2009. O relacionamento acabou com muita hostilidade, seis meses depois, e o parceiro entrou com uma queixa junto ao xerife, alegando que Chiacchia nunca tinha revelado sua infecção – que o parceiro só descobriu quando viu papéis médicos confirmando a doença.


Não se sabe se o parceiro realmente contraiu HIV durante esse tempo. Mas o julgamento de Chiacchia começa em junho.


A maioria dos estados decretou legislação punitiva nos dias de histeria em relação à Aids, um período que durou aproximadamente de 1981, quando os primeiros relatos sobre a síndrome foram publicados, até 1996, quando os “coquetéis” de drogas se mostraram notavelmente eficazes contra o HIV.


Na época, transmitir a doença para um parceiro sexual que não sabia era considerado equivalente a tentativa de assassinato.


Esses estatutos inda estão em livros antigos, mas a ciência por trás deles mudou radicalmente.
As pessoas ainda morrem de Aids nos Estados Unidos – o índice de mortalidade, depois de cair no final da década de 1990, tem permanecido constantes, em 16 mil por ano.


Mas, para uma pessoa infectada em 2009 morrer de Aids no futuro, provavelmente seria necessária uma grande quantidade de insensatez ou falta de sorte: os medicamentos, se adequadamente prescritos e adequadamente tomados, parecem quase infalíveis.

Se fosse apenas uma questão de ciência, todos esses estatutos envolvendo a Aids seriam anulados amanhã mesmo.

Mas a ciência foi apenas uma pequena parte do pânico criado.

E o tratamento eficaz não alterou o resto dessa poderosa mistura emocional: o vírus ainda espalha terror, incertezas, vergonha e complicações infindáveis, seja a infecção escondida ou revelada.

Todos nós, não importa o grau de instrução, carregamos uma criatura eternamente primitiva no cérebro: é um homúnculo que sempre irá reagir a doenças – qualquer doença – com raiva, descrença e a busca por um culpado.

Séculos atrás, queimamos bruxas e infiéis por envenenarem nossos poços; as doenças eram culpa dos inimigos (no século 15, a sífilis era considerada uma doença italiana na França e uma doença francesa na Itália).

Agora achamos que sabemos mais…

Mas será que sabemos mesmo? Culpamos aquela mulher que tossiu no metrô por nossa gripe, a gigante produtora de carne por nossa intoxicação alimentar, todos os tipos de químicos e radiação eletromagnética por nosso câncer, e cadeias de fast-food por nosso diabetes e doença cardíaca.

Não conseguimos ficar doente sem procurar um culpado.

Ao mesmo tempo, acreditamos profundamente na prevenção.

Obviamente, se observamos nossa dieta e fizermos nossas mamografias e colonoscopias, lavarmos as mãos, tomarmos a vitamina mais badalada e comermos nossos hambúrgueres bem-passados, podemos evitar coisas ruins.

Gerações inteiras cresceram sabendo que gente sensata “não se arrisca”, com a implicação de que, você pegar uma doença sexualmente transmissível, o único culpado é você mesmo.

Assim, de quem é realmente a culpa por uma nova infecção por HIV? É minha, por transmiti-la para você, ou sua, por ser estúpido e arrogante o suficiente para pegá-la? O tribunal vai acabar resolvendo o caso da Flórida, onde, apesar das particularidades, o caso envolve menos infecção do que o velho lamento “Eu confiei em você e você me traiu”.

Mas as questões mais amplas perduram e eu desconfio que esses estatutos obsoletos sobre HIV também persistam.

A Aids é apenas uma de centenas de infecções que podem ser transmitidas de uma pessoa para outra.

Algumas viajam pelo ar, como a tuberculose; algumas pelo contato, como estafilococo.
O ar que respiramos e as mãos que apertamos nunca serão seguros, assim como o sexo seguro não é inteiramente seguro.

Enquanto formos seres humanos falíveis e litigiosos, alguns de nós irão para os tribunais e citarão uma lei de saúde pública bem antiga para satisfazer àquele primitivo monstrinho da culpa que mora na nossa cabeça.

Quanto à Aids, o fato é que, no caso da maioria das novas infecções, a linguagem da culpabilidade simplesmente não se aplica mais.

Como Dr. Wafaa El-Sadr, vencedor do MacArthur e especialista em Aids da Columbia University, escreveu com colegas no “The New England Journal of Medicine” do mês passado, novas infecções por HIV estão hoje cada vez mais concentradas em bolsões específicos dos Estados Unidos.

Elas são transmitidas entre os mais pobres, as pessoas sem direitos civis e socialmente marginalizadas, onde a educação abaixo do padrão significa que não há escapatória.

Nesses locais, a prevalência da doença é tão alta (Washington tem índices tão altos quanto alguns países africanos) que só estar vivo já traz um risco de infecção.

Em outras palavras: se você é uma mulher que mora em determinado CEP, se apaixona e casa, e não tem nenhum parceiro sexual a não ser seu próprio marido, você tem risco de contrair HIV.

Vemos essas mulheres em nossas clínicas, cada vez mais, mas não as vemos nos tribunais.

Quem elas deveriam processar? © 2010 New York Times News Service Tradução: Gabriela d’Ávila

Fonte: NEW YORK TIMES e YAHOO