Governo quer avaliar capacidade nacional para produzir vacinas anti-HIV/aids

Nos últimos quatro anos, o Brasil teve pelo menos cerca de 250 pesquisas envolvendo a área de HIV/aids. O governo lançou nesse período 14 editais, sendo sete de apoio a pesquisas de vacinas terapêuticas contra o vírus – elas serviriam para quando a pessoa já está infectada. A capacidade nacional na produção e a atração de investimentos externos no Brasil contra a epidemia foram destaque na manhã desta quinta-feira do “Seminário sobre Novidades na Prevenção do HIV”.

Com a perspectiva de levantar dados sobre a capacidade nacional em realizar pesquisas na área, o Brasil lançou um plano, tendo como um dos objetivos mapear a produção em território brasileiro. O projeto foi lançado em 2008 e vai até 2012. A iniciativa é realizada em uma parceria do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Queremos descobrir quais são os gargalos existentes hoje e estruturar uma plataforma de incentivo, desde a pesquisa básica até o desenvolvimento de um ensaio clínico”, explicou o professor do departamento de genética da UFRJ Rodrigo Brindeiro.

O mapeamento tem também o apoio da Iavi (Iniciativa Internacional de Vacina contra a Aids). Pelo menos 200 pesquisadores foram convidados a responder um questionário online na primeira etapa do mapeamento. O resultado deve ser divulgado no ano que vem para agências financiadoras e comunidade de especialistas.

Burocracia

Outro assunto que ganhou destaque no seminário foram críticas à demora do País em aprovar projetos de pesquisa e ensaios clínicos. Segundo a Mônica Barbosa, uma das coordenadoras do projeto Praça Onze (nome dado a uma série de pesquisas em HIV/aids) na UFRJ, há casos que podem levar até um ano e meio. “Isso quando não enfrentamos alguma greve de servidores públicos, o que paralisa todos os projetos em análise”, disse. Segundo ela, o Peru consegue aprovar propostas em cerca de seis meses e por isso consegue atrair mais financiamentos e propostas de pesquisa.

Os projetos devem passar, em média, por cinco órgãos diferentes para conseguir aprovação. “Essas instâncias são essenciais e ninguém quer retirá-las, o que defendemos é uma agilidade maior na análise de propostas”, disse Rodrigo Brindeiro. Outra reclamação frequente do setor, segundo o professor, é na questão de importação de insumos do exterior. “A burocracia nessa parte também interfere negativamente no andamento dos processos.”

De acordo com ativistas no seminário, o destaque do Brasil na economia mundial também fez o País perder financiamentos importantes em diversas áreas de HIV/aids e, por isso, fica difícil levantar debates no País que envolvam o tema. A pesquisadora da Fiocruz e assessora técnica do Departamento de DST/Aids Cristina Possas acredita que a sociedade civil deva fazer mais pressão em níveis locais e nacional para mudar essa realidade. Mas, os militantes discordaram afirmando que nem tudo é “cargo”da sociedade civil.

O “Seminário sobre Novidades na Prevenção do HIV” termina nesta sexta e tem apoio da Iavi (Iniciativa Internacional de Vacina contra a Aids), da Avac (Coalização para Promoção da Vacina Contra a Aids), da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids).

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

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