Vaticano estende autorização do uso da camisinha a heterossexuais e transexuais

O Papa Bento XVI reconhece que o uso de camisinhas é moralmente justificável para prevenir a Aids não apenas para garotos de programa homossexuais, mas também para heterossexuais e transexuais, disse o Vaticano nesta terça-feira. O esclarecimento, o mais recente passo em direção ao que já está sendo visto como uma mudança significativa na política da Igreja Católica, foi feito durante uma entrevista coletiva para divulgar o novo livro do Papa: “Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times” (Luz do Mundo: O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos).

– Perguntei ao Papa pessoalmente se havia uma distinção séria entre o uso do masculino ao invés do feminino e ele disse ‘não’ – disse o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.

O texto original em alemão do livro de entrevistas com Bento XVI, no qual o Papa justifica em “alguns casos” o uso do preservativo, fala de “prostituto” e não de “prostituta”, como foi traduzido por erro na versão italiana, segundo fontes eclesiásticas. No texto alemão, aprovado pelo Pontífice, o chefe da Igreja Católica considera que, em “alguns casos”, o uso do preservativo está justificado e dá como exemplo “quando um prostituto utiliza um profilático”.

– A questão é que (o uso da camisinha) deveria ser o primeiro passo em direção à responsabilidade de se tornar ciente do risco à vida de outra pessoa com quem se está tendo uma relação – disse Lombardi. – Se é um homem, uma mulher ou um transexual que faz isso, defendemos sempre o mesmo ponto, de que é o primeiro passo de responsabilidade para prevenir contra a transmissão de um grave risco ao outro.

As palavras do Papa e a explicação de Lombardi – apesar de não mudarem a proibição de métodos contraceptivos pela Igreja Católica – foram bem recebidos por ativistas e autoridades de saúde .

– Pela primeira vez o uso de camisinhas em circunstâncias especiais foi apoiado pelo Vaticano e isso é uma boa notícia e um bom começo para nós – disse Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde.

A Igreja vem dizendo há décadas que camisinhas não fazem parte da solução no combate à Aids, apesar de não existir nenhuma política formal sobre o assunto em qualquer documento do Vaticano. No livro, o Papa diz que o uso de camisinhas deveria ser visto como “o primeiro passo em direção à moralização”, mesmo que camisinhas “não sejam realmente a forma de lidar com o mal da infecção do HIV.”

Fonte: O GLOBO

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