Possível cura para aids seria para poucos e muito arriscada

Ano passado, médicos em Berlim ganharam destaque internacional ao divulgar o caso de um paciente que foi declarado curado da aids. Agora, médicos do centro de câncer M. D. Anderson, em Houston, no Estado americano do Texas, pretendem desenvolver um tratamento para tentar curar portadores do HIV e de alguns tipos de câncer baseado no caso alemão. Contudo, o processo só seria aplicado em poucos pacientes, e seria perigoso. As informações são do site Live Science.

O paciente de Berlim foi curado da aids após receber um transplante de medula de uma pessoa que tem células resistentes ao HIV. Os médicos americanos esperam conseguir transformar células-tronco umbilicais em células da medula resistentes ao HIV para serem transplantadas nos pacientes. Contudo, afirmam os pesquisadores, cerca de um terço das pessoas que recebem doação de medula não sobrevivem ao transplante. Além disso, apenas um grupo pequeno de pacientes, que tenha HIV e tipos específicos de câncer, seria beneficiado.

Segundo os pesquisadores, o desenvolvimento desse tratamento seria uma evolução rumo ao fim das drogas contra a aids. Se por um lado os remédios garantem uma vida longa para a maioria dos portadores da doença, eles podem causar muitos efeitos colaterais, como diarreia e náusea e até problemas mais graves.

Resistência ao HIV
Os pesquisadores acreditam que menos de 1% da população mundial tenha resistência ao HIV. Essas pessoas têm uma mutação, chamada de delta-32, que afeta a proteína CCR5. Essa proteína é a porta da entrada do vírus nas células do sistema imunológico.

O geneticista Richard Behringer, que lidera o estudo, e sua equipe receberam cerca de 1,5 mil doações de cordões umbilicais de três hospitais de Houston. Dez eram de bebês resistentes ao HIV, duas não passaram no controle de qualidade para transplante e as oito restantes esperam um paciente em potencial para o transplante.

Riscos
Segundo Behringer, o transplante de medula apresenta diversos riscos. Além de uma possível rejeição, a medula transplantada pode “atacar” o resto do corpo. Devido ao alto risco de morte, os pacientes que têm apenas o HIV seriam descartados, sobrando aqueles que sofrem do vírus e que também precisam do transplante – sofrem de leucemia – e correm risco de morrer.

Transformação de células
O caso do paciente de Berlim já inspira outros estudos pelo planeta. Na própria Alemanha, pesquisadores tentam transformar células de portadores de HIV em resistentes ao vírus. Os pesquisadores, nesse caso, coletam células-tronco do próprio paciente e, após as transformarem, as reimplantariam na corrente sanguínea dele. Esta pesquisa, no entanto, está apenas no seu início e ainda não foi testada em humanos.

Outro estudo, do hospital da cidade de Hope, na Califórnia, com conceito similar, injetou células-tronco modificadas em pacientes. Contudo, essas células não tinham apenas o CCR5 modificado, mas sofreram também uma série de mudanças para evitar que o HIV se adaptasse.

Uma pesquisa da instituição de pesquisa Quest, em São Francisco, também nos Estados Unidos, dispensou as células-tronco e tentou modificar diretamente as células do sistema imunológico. Neste caso, apesar dos bons resultados, o tempo curto de vida dessas células leva os médicos a prever um tratamento mais longo e complicado.

De acordo com a reportagem, todos os pesquisadores concordam que há ainda um longo caminho para se chegar a uma cura definitiva da aids, mas o paciente de Berlim já deu uma grande esperança.

 

Fonte: Portal Terra

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