Sorocaba fez 30 exames de HIV por dia

Um balanço da Secretaria de Estado da Saúde – com base nos dados do Disque-DST/Aids, serviço telefônico gratuito para orientações à população -, revela que a procura de paulistas com dúvidas sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis e locais que fazem testes de HIV chega a crescer 60% logo após o Carnaval. Em Sorocaba, não há registro de aumento especificamente nesse período do ano, mas conforme a coordenadora do programa DST/Aids na cidade, Maria Tereza Morales Dib, é cada vez mais notório o crescimento da procura pelos exames. Ela acredita que isso se deve às campanhas de esclarecimento à população, que estão sendo realizadas com mais frequência. Para se ter ideia do aumento da procura pelos testes, a Secretaria da Saúde de Sorocaba realizou 16.801 exames de HIV em 2010. No ano anterior, 2009, foram feitos 13.023 testes, o que aponta um crescimento de 30% na procura por esses exames em Sorocaba. Do total de testes de HIV realizados na cidade no ano passado, foram registrados 84 diagnósticos de pacientes soropositivos.

 

Entre as ações de orientação, a campanha “Fique Sabendo” é permanente em Sorocaba e tem como objetivo incentivar a realização de testes de HIV. “Durante o período de Carnaval, demos continuidade a esse trabalho nos ônibus Rosa, para o público feminino, e no Azul, para o masculino. O fato é que estamos colhendo mais exames ao longo do ano por conta dessa iniciativa”, diz Maria Tereza, que atribui essa alta nos testes, ainda, ao que chama de “efeito Varela”, por conta das reportagens divulgadas pelo médico Dráuzio Varela no Fantástico esclarecendo sobre a Aids.

 

Durante os quatro dias de Carnaval, foram realizados em Sorocaba uma média de 20 a 30 exames de HIV por dia. “É um número razoável, mas que temos alcançado em outros momentos e datas comemorativas. Quando levamos os ônibus para os terminais ou à praça central, também aumenta muito, pelo alto fluxo de pessoas”, afirma Maria Tereza.

 

A campanha no período de Carnaval distribuiu ainda 60 mil preservativos. Desse total, uma parte foi para o reabastecimento das Unidades Básicas de Saúde e outros 15 mil foram distribuídos na rua e em eventos realizados pelas indústrias. “Teve atividade bastante intensa na rua, inclusive com atuação das ONGs Lua Nova, que fez orientação de redução de danos com usuários de drogas, e a Pode Crer, que divulgou informações sobre as DSTs”, completa a coordenadora do programa DST/Aids na cidade.

 

 

O exame

 

 

Para verificar se uma pessoa é portadora do vírus HIV, é necessário fazer um exame de sangue específico. Não é preciso estar em jejum. No caso de uma relação sexual desprotegida, não adianta correr fazer o teste para saber se contraiu o vírus, isso porque ele se manifesta no corpo depois de 60 a 90 dias. O teste é oferecido gratuitamente pela rede municipal de saúde durante o ano todo (confira os locais no quadro abaixo).

 

Maria Tereza esclarece que detectar se tem ou não o vírus é diferente de ter Aids. “A Aids é consequência do vírus, que destrói o sistema imunológico, e pode se manifestar na pessoa até os próximos 15 anos depois de ela ter contraído o HIV”, esclarece.

 

Mesmo não sendo possível detectar o HIV de imediato depois da relação sexual desprotegida, a orientação é que as pessoas que tiverem dúvidas façam o teste. “A campanha do Ministério da Saúde orienta que as pessoas façam o teste, mesmo porque terão de repetir depois de 60 dias”, explica.

 

A relação sexual desprotegida não expõe somente ao HIV, mas a outras doenças sexualmente transmissíveis como a hepatite, sífilis e gonorréia, entre outras. “Tem uma série de doenças que precisam ser tratadas, senão a pessoa vai continuar passando para seus parceiros. O importante é o diagnóstico, não importa se vai ter cura ou não, nossa intenção é interromper a transmissão. De qualquer forma, as pessoas têm de saber que qualquer que seja a doença, existe tratamento”.

 

A coordenadora do programa DST/Aids na cidade acredita que a ciência está em busca da cura para a Aids e principalmente de algo que faça com que a prevenção seja mais eficiente. “Hoje trabalhamos a prevenção na base do comportamento, mas quem é que coloca o preservativo na relação? É você, portanto você é que tem de mudar. Agora se existir uma vacina, ela já ajudará a interromper a transmissão. Hoje em dia não temos dúvida que para evitar o HIV é necessário usar o preservativo, que está disponível gratuitamente em todos os serviços de saúde”, enfatiza.

 

Por conta de muita gente ainda praticar sexo desprotegido, Maria Tereza considera importantes os programas que levam o preservativo para as escolas. “O que estou falando não é colocar o preservativo na mão de cada aluno, é informar, orientar, para que, se ele for for fazer sexo, que faça sexo seguro. O estudante também tem de saber como usar a camisinha, colocar corretamente, e o principal, saber que ele tem alguém na escola que possa ajudar em suas dúvidas”, afirma.

 

Ainda conforme Maria Tereza, achar que o jovem não faz sexo, ao passo que aparecem muitas adolescentes grávidas, é não querer ver a realidade. “A gravidez, aliás, é a melhor coisa ainda que pode acontecer para quem faz sexo desprotegido. Poderia ser pior, o diagnóstico poderia ser de HIV. Então, esse jovem tem de saber que quando for se relacionar, que o faça com segurança. Eu acredito que o preservativo disponível nas escolas faz diferença para o adolescente que tem dificuldade para ir a um centro de saúde, por exemplo”.

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

 

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