Pela Vidda Rio de Janeiro comemora 22 anos de luta contra aids com homenagem especial aos voluntários do grupo

O presidente da organização, George Gouvêa, ressalta que a presença de tantos voluntários renova a vontade de continuar, mesmo quando a situação das ONGs/aids no Brasil é tão delicada. “Estar com vocês, parceiros e amigos, é uma injeção de sonhos e de utopia de um Brasil livre da epidemia, de um Sistema Único de Saúde que se realiza na prática, de cidadania plena”, afirmou.

E foi focado nesses voluntários e nomes que fizeram e fazem parte da memória institucional do Pela Vidda, que integrantes do grupo comemoraram, na noite dessa segunda-feira, os seus 22 anos de luta contra a aids – completados hoje, terça-feira, 24 de maio.

Ronaldo Mussauer, falecido em março, recebeu homenagem especial, tornando-se membro honorário do Pela Vidda-RJ. Ronaldo sofria de leucemia. Diagnosticado portador do HIV em 1989, ele iniciou seu ativismo em 1991 no grupo e, em 1993, assumiu a presidência da instituição. Ronaldo ainda foi responsável pela área de informática na então Coordenação Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde. Desde 2001, trabalhava como diretor de informática para a IAVI, ONG norte-americana atuante no campo de vacinas anti-HIV.

“Eu não consigo ter uma lembrança triste em relação ao Ronaldo. Ele era uma espécie de enzima poderosa que aglutinava energia e pessoas em busca de uma causa”, disse Ezio Távora, advogado que se dedica ao controle da tuberculose (TB) e co-infecção TB-HIV, também homenageado da noite. “O fato de ele ter se afastado fisicamente do nosso grupo não tirou o Pela Vidda do coração dele. Assim como o que ele representou e representa está absolutamente vivo entre nós”, completou Távora.

A médica Márcia Rachid, também homenageada na noite, lembrou da importância que Ronaldo e o escritor Herbert Daniel têm para o Pela Vidda e para a sua trajetória profissional. “Os dois estiveram muito presentes em meu caminho”, comentou. Márcia recordou quando Herbert Daniel a telefonou contando sobre a vontade de fundar a organização. “Foi um momento muito importante. Que bom que alguém estava pensando nisso. Logo fui participar da reunião”, disse.

Ela lembrou ainda como foi essencial a solidariedade dada às pessoas portadoras do HIV. “Aprendi a lidar com a morte. Se naquele momento não podíamos vencê-la, podíamos ser solidários às pessoas de diversas formas. Mudamos sim, a vida de muitas delas”, comentou.

Troca de experiências

Uma mesa de conversa com o médico e professor francês Willy Rozenbaum, presidente do Conseil nacional du SIDA (Conselho Nacional da Aids) na França, antecipou as comemorações pelos 22 anos do Pela Vidda-RJ.

Rozenbaum, integrante do grupo francês que descobriu o vírus HIV, trouxe aos participantes um pouco da experiência do seu país, lembrando que na França a luta é muito forte no campo das políticas públicas. O médico também se interessou pelo funcionamento do Pela Vidda.

Ezio Távora lembrou que a maior característica do grupo é, desde o seu surgimento, o acolhimento dado às pessoas vivendo com HIV e aids. “A organização passou a acolher pessoas que eram diagnosticadas e não tinham nenhum tipo de apoio. Muitos médicos chegavam a indicar o Pela Vidda para o acolhimento, que continua nos dias atuais”, finalizou.

O Pela Vidda foi um dos primeiros grupos fundados no Brasil por pessoas vivendo com HIV e aids, seus amigos e familiares.

Fonte: Agência de Notícias da Aids

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