Alteração cerebral explica prática do bareback, destaca Folha de S.Paulo

 

Durante o 7º Congresso Brasileiro do Cérebro, Comportamento e Emoções, pesquisadores relacionaram o comportamento de risco ao HV a uma alteração cerebral dos sistemas de risco e prazer. Confira a notícia na íntegra a seguir..

Neurociência explica comportamento de risco sexual extremo

Por que alguém participa de uma orgia sexual sem camisinha que inclui sabidamente participantes contaminados com o HIV? É o que estudos de neurociência vem tentando explicar.

As convenções de “barebacking”, também conhecidas como “roletas-russas sexuais”, reúnem dois grupos de participantes (a maioria homens): os infectados com o vírus HIV e os não infectados.

O primeiro grupo é conhecido como “gift givers”. Os que “dão presentes”, em tradução literal. Eles estão dispostos a infectar outras pessoas com o HIV. Ou seja, entregar o “presente”.

A segunda categoria é conhecida como “chasers”: os caçadores do vírus HIV.

As convenções, marcadas por meio de fóruns na internet, exigem que todos fiquem nus e façam sexo em público. “Para quem faz parte dessas reuniões, é só o prazer que importa. Todos nós temos um mecanismo que nos faz avaliar se um comportamento vale a pena ou não. Para essas pessoas, sempre vale”, diz Alexandre Saadeh, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

Em palestra no “7º Congresso Brasileiro do Cérebro, Comportamento e Emoções”, que acabou ontem, em Gramado (RS), o psiquiatra apresentou uma abordagem científica para explicar a prática.

Prazer e perigo

Para o especialista, trata-se de uma alteração no sistema de recompensa do cérebro -o responsável por nos fazer sentir prazer.

“No cérebro, a região responsável pela sensação de perigo é muito próxima à do prazer. Então, existe uma interferência”, explica Saadeh.

“O mecanismo que leva à roleta-russa sexual é a excitação do perigo. É a mesma que faz alguém querer fazer sexo na rua ou no avião. A diferença é que, no primeiro caso, existe uma exacerbação extrema”, diz o psiquiatra.

Para Saadeh, com os avanços da medicina, os participantes já não encaram a aids como uma doença mortal.

Eles sabem que, se contaminados, poderão viver por muitos anos se usarem o coquetel contra o vírus. Por isso, passam a encarar a infecção de uma maneira positiva.

“Ser contaminado com o HIV representa o fim do medo. Como eles já estão infectados com o maior dos temores, acreditam que podem transar sem camisinha livremente”, diz Saadeh, que também coordena o Amtigos (Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual)

Só homens

Para o pesquisador, o fato de a prática ser mais masculina evidencia diferenças cerebrais em relação ao comportamento sexual. “A composição cerebral do homem aumenta sua tendência a essas compulsões pelo prazer.”

O tema é tabu nos consultórios. “Os pacientes relutam em falar. Só é possível abordar o tema depois de estabelecer uma forte relação de confiança”, disse Saadeh.

Fonte: Folha de São Paulo

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