Depois Daquela Viagem: viver, fazer e acontecer – na companhia de um vírus chamado HIV. Dib Carneiro é jornalista e dramaturgo

O que mais me impressionou no livro best seller de Valéria Piassa Polizzi, DEPOIS DAQUELA VIAGEM (editora Ática), foi a palavra VIDA. Uma adolescente de 16 anos nos ensina o que deveria ser óbvio ululante: que um portador do vírus da aids pode, sim, usar muito mais o verbo VIVER do que o verbo MORRER em seu vocabulário. Pode, sim, fazer planos, fazer sexo, fazer amigos, fazer viagens, fazer, fazer, fazer…e acontecer.

Esta lição impactante e totalmente solar me fez voltar todos os esforços criativos de dramaturgo-aprendiz para uma adaptação teatral que fosse – como o livro de Valéria, como a VIDA de Valéria – um convite ao sol. Here comes the sun…

Valéria joga a vida para a frente, e seu livro tem um frescor narrativo que é impressionante. Por isso, procurei sugerir linguagens e estéticas que se aproximassem o mais possível da energia da juventude e desse lindo relato autobiográfico ‘imberbe’, carregado de hormônios e acnes, transbordante de cólicas, dúvidas e descobertas.

Fiz de tudo para manter na estrutura dramatúrgica o alto-astral que ela usa nos escritos do livro. Fiz de tudo para ampliar a questão de ‘saber lidar com o HIV dentro do corpo’ para além do universo (até hoje ainda sofrido e muitas vezes solitário) de quem convive com essa adversidade, pois, de novo, o livro também não se fecha apenas nessa questão.

Na verdade, ‘aprender a viver com o vírus da aids’ é um mote, um ponto de partida para que se discutam todos os tipos de preconceito que enfrentamos ao longo da existência. É um espetáculo que acaba se encaixando bem no tema tão explorado atualmente pela mídia que é o tal do bullying (assédio moral). É na adolescência que mais corremos o risco de enraizar dentro de nós os diversos tipos de preconceitos.

Espero que o espetáculo alerte sobre isso e abra um pouco mais a mente do público para as diferenças, sejam quais forem essas diferenças. Tanto que a peça, assim como a primeira página do livro, começa de forma bem esquemática, listando palavras que são perigosas porque podem ser usadas como rótulos cruéis: “rico, pobre, branco, preto, ruivo, gordo, vesgo, feio, careca, fanho, judeu, muçulmano, downiano, travesti, comunista, surdo, gago, aleijado, gay, idoso, corcunda” e assim por diante.

Também procurei fazer uma adaptação que, pretensiosamente, admito, resultasse em uma ‘peça para todos’, não só para adolescentes, pois não acredito, de forma alguma (e pratico isso em minha atividade como crítico de teatro), em acomodar a arte em gavetas castradoras e limitadoras. Quero que as peças sejam, antes de mais nada, boas, pois é isso que vai atrair público e não a divisão em faixas etárias.

Criei cenas ágeis e numerosas, tentando imprimir um ritmo bem vertiginoso à trama. Aposto em uma encenação que privilegie as intenções frenéticas dessas inúmeras cenas curtas que imaginei, uma atrás da outra, como são as coloridas e truncadas e desordenadas e confusas e espontâneas páginas de um diário de adolescente. Um diário de bordo, depois daquela viagem. Embarquem, desarmados, pois lá vem o sol…

Dib Carneiro é o autor da peça Depois Daquela Viagem, foi editor do “Caderno 2” do jornal O Estado de S.Paulo por quase vinte anos e integra a Associação Paulista de Críticos de Arte.

Serviço: Depois Daquela Viagem

O que:  Espetáculo
Quando: de 05 a 20 de outubro – quartas, às 20h e quintas, às 15h e 20h
Onde: SESC Consolação – Teatro Anchieta
Ingressos: R$ 10,00 (inteira)
R$ 5,00 (usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante)
R$ 2,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes)

Ficha Técnica

Texto:  Dib Carneiro, baseado no livro de Valéria Piassa Polizzi
Elenco: Camila Minhoto, Carol Capacle, Charlene Chagas, Daphne Bozaski, Eliot Tosta, Geraldo Rodrigues, Giovani Tozi, Leonardo Stefanini, Maria Bia Martins, Mariana Leme, Naiara de Castro, Osvaldo Antunes, Rafael Sola e Renata Fasanella.
Direção e direção musical: Abigail Wimer
Assistente de direção: Alcione Alves
Direção de ator: Silen de Castro
Direção de Produção: Roseli Tardelli
Cenografia e Figurinos: Márcio Medina
Iluminação: Domingos Quintiliano
Trilha Sonora: Ed Côrtes
Fotos: João Caldas
Ilustração: Gilberto Miadaira
Produção: Maurício Barreira
Assistente de Produção: Gabriela Palumbo
Assistente de Produção de Ensaio: Françoise Plas
Pré-produção de Casting: Jeanne de Castro
Assistente de Produção de Casting: Pedro Duarte
Preparação Corporal: Fernando del Santo e Helena Castro
Assessoria de imprensa: Arteplural

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Artistas e profissionais da beleza participam de calendário para arrecadar fundos para o combate à Aids

Em sua 4ª edição, a Campanha Cabeleireiros Contra AIDS, da L’Oréal, reúne um time de artistas e cabeleireiros tops em prol de uma mesma ação: a luta contra o vírus HIV. O calendário, projeto que nasceu no Brasil em 2009 e, em 2011, ganhou o mundo, conta com 12 fotos assinadas por fotógrafos de moda de celebridades brasileiras, com looks feitos por distintos cabeleireiros.

Cada mês é ilustrado por uma artista diferente e por uma mensagem de prevenção ao HIV/Aids. Com o slogan “Quem cuida da beleza, cuida da saúde”, os famosos vestem a camisa da campanha, criada especialmente pelo estilista Carlos Tufvesson.

Entre as celebridades que participaram desta edição estão Reynaldo Gianecchini, Larissa Maciel, Daniela Escobar, Geovanna Ewbank, Caio Blat, Bruna Linzmeyer, Lavínia Vlasak, Camila Pitanga, Monique Alfradique, Cínara leal e Tainá Muller. Já o time de cabeleireiros tops inclui Jô Nascimento, Wanderley Estrella, Hans Haln e assistente Ely Rodrigues, Ivaldo Lima, Silene Olmo, Matheus Vieira, Célio Faria, John Miyata, César Augusto, Claus Borges, João Coscardo e Edy Clemente.

Os calendários serão comercializado e toda renda revertida à Sociedade Viva Cazuza.

Fonte: Virgula

Pesquisadores desenvolvem nova vacina contra aids; confira mitos sobre doença

Uma equipe de pesquisadores espanhóis criou um protótipo de vacina contra o HIV “muito mais potente” que os desenvolvidos até agora ao redor do mundo e que conseguiu uma resposta imune para 90% das pessoas sadias que foram expostas ao vírus.

 

A descoberta foi apresentada nesta quarta-feira (28) em entrevista coletiva pelos responsáveis pela pesquisa, Mariano Esteban, do Centro Nacional de Biotecnologia do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC); Felipe García, do Hospital Clínic de Barcelona, e Juan Carlos López Bernaldo de Quirós, do Hospital Gregorio Marañón de Madri.

 

Após manifestarem uma grande eficácia em ratos e macacos, os testes começaram a ser aplicados em seres humanos há cerca de um ano. Nesta primeira fase, a vacina foi aplicada em 30 pessoas sadias, escolhidas entre 370 voluntários.

 

Durante o teste, seis pessoas receberam placebo e 24 a vacina. Estas últimas apresentaram “poucos” e “leves” efeitos secundários (cefaleias, dor na zona da injeção e mal-estar geral). Por isso, é possível afirmar que “a vacina é segura para continuar com o desenvolvimento clínico do produto”, ressaltou Quirós.

 

Em 95% dos pacientes, a vacina gerou defesa (normalmente atinge 25%) e, enquanto outras vacinas estimulam células ou anticorpos, este novo protótipo “conseguiu estimular ambos”, destacou Felipe García.

 

Para completar, em 85% dos pacientes as defesas geradas se mantiveram durante pelo menos um ano, “que neste campo significa bastante tempo”, acrescentou.

 

Na próxima etapa, os pesquisadores realizarão um novo teste clínico, desta vez com voluntários infectados pelo HIV. O objetivo é saber se o composto, além de prevenir, pode servir para tratar a doença.

 

“Já provamos que a vacina pode ser preventiva. Em outubro, vacinaremos pessoas infectadas com HIV para ver se serve para curar. Geralmente, os tratamentos antirretrovirais (combinação de três remédios) devem ser tomados rigorosamente, algo insustentável em lugares tão afetados pela aids como a África”, apontou García.


O protótipo da vacina, batizado como MVA-B, recebe o nome do vírus Vaccinia Modificado Ankara (MVA, na sigla em inglês), um vírus atenuado que serve como modelo na pesquisa de múltiplas vacinas Até agora, o único teste de vacina contra o HIV que chegou à terceira fase foi realizado na Tailândia. As duas primeiras fases testam a toxicidade do composto e sua eficácia, enquanto a terceira e a quarta examinam a posologia do remédio.

 

O protótipo da vacina, patenteado pelo CSIC espanhol, está sendo elaborado para combater o subtipo B do vírus da aids, de maior prevalência na Europa, Estados Unidos, América Central e do Sul, além do Caribe. Na África e Ásia, o vírus mais comum é o subtipo C.

 

 

Mitos e verdades da aids

 

Apesar da evolução nas formas de tratamento e prevenção, a aids continua sendo uma ameaça significativa aos brasileiros. Estima-se que existam entre 460 mil e 810 mil pessoas contaminadas pelo vírus, de acordo com as Nações Unidas.

 

Uma as principais formas de combater a doença é o investimento em prevenção, afirmam os especialistas. “Outra forma é com o diagnóstico precoce, para que o tratamento comece cedo e impeça que o vírus faça a doença se manifestar”, afirma o sanitarista Artur Kalichman, adjunto do Programa Estadual DST/AIDS.

 

Por conta do Dia Mundial de Luta contra AIDS, celebrado hoje (1/12), acontece em São Paulo a campanha “Fique Sabendo”, com testes rápidos em gratuitos em diversas cidades.

 

Mesmo com o primeiro diagnóstico da doença feito há quase 30 anos, ainda existem dúvidas e muito preconceito em torno da epidemia. O iG reuniu uma série de mitos e verdades, com material de entrevistas e do departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Tire suas dúvidas!

 

AIDS e HIV são a mesma coisa.

Errado. AIDS é a doença causada pelo vírus HIV, que ataca o sistema imunológico do portador. É possível passar muitos anos com o vírus e sem a doença manifestada. Mas isso não impede sua transmissão por relações sexuais ou pelo contato com sangue contaminado.

 

Ainda existem grupos de risco.

Errado. Hoje existem comportamentos de risco, como sexo desprotegido, uso de drogas injetáveis, contato com sangue ou com objetos cortantes contaminados. A ideia dos grupos de risco surgiu no início da epidemia, quando a doença se alastrava entre homossexuais, hemofílicos e dependentes químicos. Mas essa distinção logo se mostrou inapropriada.

 

 

Sexo oral transmite HIV.

Certo. O contato com os fluídos durante o sexo oral pode transmitir o vírus HIV. Tal prática deve ser realizada com preservativo.

 

O risco de contágio pelo sexo anal é maior.

Certo. Como a mucosa anal é mais frágil do que a vaginal, o risco de contágio é maior.

 

Toda gestante soropositiva vai transmitir o vírus HIV durante o nascimento.

Errado. É possível evitar a transmissão vertical (de mãe para filho) com pré-natal adequado. A mãe deve ter baixa carga viral e boa imunidade. São ministrados antirretrovirais ao longo da gestação.

 

A camisinha é segura contra o vírus HIV.

Certo. Estudos norte-americanos já ampliaram o látex, material do preservativo, em 30 mil vezes e não detectaram nenhum poro pelo qual o vírus pudesse passar. A camisinha continua sendo o método preventivo mais recomendado porque também evita outras doenças sexualmente transmissíveis e serve como forma barata e simples de evitar uma gravidez indesejada.

 

A manifestação da AIDS pode ser fatal para o portador.

Certo. A doença é marcada pela fase mais avançada da infecção, quando a imunidade se torna muito baixa e permite o ataque de doenças oportunistas. Debilitado, o paciente pode não resistir a problemas como hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. Mas há como impedir isso. Se o vírus for detectado na fase em que os sintomas não se manifestaram, é possível começar o tratamento para fortalecer o sistema imunológico e enfraquecer o vírus. Por isso é recomendado o teste sempre que a pessoa for exposta a alguma situação de risco.

 

Uma pessoa pode ser acusada na Justiça de transmitir o vírus HIV ao seu parceiro.

Certo. Existe essa possibilidade, mas ela requer algumas condições bem específicas. É preciso provar que houve intenção de contaminar o parceiro e que ele foi, de fato, contaminado ou exposto ao risco. A questão é polêmica e divide especialistas. O Ministério da Saúde, por exemplo, é contrário à criminalização do portador por julgar tal postura favorável ao aumenta da discriminação.

 

Quem é portador do HIV deve sempre revelar sua condição.

Errado. Como existe muita discriminação em torno da aids, os especialistas recomendam revelar a condição apenas quando o portador se sentir seguro para isso. O mesmo vale para relações amorosas, embora revelar a situação ao parceiro seja uma forma de compartilhar as dificuldades e de ter apoio contra a doença.

 

A AIDS também ameaça pessoas casadas ou em relacionamentos estáveis.

Certo. “A sociedade ainda é muito machista e permite ao homem determinados comportamentos não permitidos às mulheres”, afirma o sanitarista Artur Kalichman, adjunto do Programa DST/AIDS. Ele explica que as relações extraconjugais, muitas vezes, são a causa da entrada do vírus em relações estáveis. Cabe ao casal, segundo ele, estabelecer formas de prevenção e elos de confiança.

 

Os homossexuais têm uma prevalência alta do vírus HIV.

Certo. “Ela está em torno de 10% no País”, conta Kalichman. “Não é discriminação, é uma constatação que nos mostra a necessidade de políticas públicas voltadas a este público”, completa.

 

A circuncisão reduz o risco de contágio do HIV.

Certo. Pesquisas indicam que a circuncisão pode reduzir em cerca de 50% o risco de contágio em homens heterossexuais. Contudo, a melhor forma de prevenção ainda é o uso de preservativos.

 

Um beijo na boca pode transmitir HIV.

Errado. Isso só vai acontecer se a pessoa estiver com sangramento considerável, pois a saliva tem várias substâncias prejudiciais ao vírus. O risco é menor de 0,1%.

 

O “coquetel do dia seguinte” pode impedir o contágio após exposição ao vírus.

Certo. Mas nem sempre a medida é eficaz. Os antirretrovirais são usados na prevenção da transmissão vertical (mãe para filho, no nascimento) e em caso de violência sexual e de exposição de profissionais de saúde. Seu uso deve ser feito até 72 horas após a exposição.

Fonte: IG

Ministério da Saúde realiza teste de HIV no Rock in Rio

Com o objetivo de se aproximar do público jovem e de desmistificar o temor em relação à Aids, o Ministério da Saúde instalou um posto para realizar teste de HIV durante os sete dias do Rock in Rio.

Trabalham na coleta e no acompanhamento dos exames médicos, biomédicos, enfermeiros e psicólogos. Foram realizados entre ontem e hoje 200 testes. Apenas um deu positivo. Tratava-se de um homem de Goiás, que, segundo o ministério, já sabia da doença e já está em tratamento.

Segundo o ministério, a taxa registrada é similar à prevalência da Aids na população brasileira, de 0,6% –ou seja, inferior a um doente a cada grupo de 100 pessoas.

O teste é simples. Basta um pequeno furo no dedo para colher a amostra de sangue. O resultado sai em uma hora.

Em caso de dar positivo, o doente passa a ser acompanhado, recebe informações e uma lista de centro de referência para o tratamento.

O Ministério da Saúde já realizou a ação em outros grandes eventos, como a São Paulo Fashion Week, a Festa do Peão de Barretos e o Carnaval de Salvador.

Além dos testes, também estão sendo distribuídas cerca de 30 mil camisinhas por dia no Rock in Rio.

Fonte: Folha OnLine

Cientistas descobrem forma de ‘desarmar’ vírus da Aids

Cientistas afirmam que encontraram uma maneira de fazer com que o sistema imunológico combata o vírus HIV, da Aids, de forma mais eficaz.

A nova técnica, desenvolvida conjuntamente por pesquisadores norte-americanos e europeus, torna o HIV incapaz de provocar danos no sistema de defesa com a remoção do colesterol presente na membrana que circula o vírus.

Quando a pessoa é infectada pelo HIV, normalmente a defesa natural do corpo é ativada.

Mas alguns cientistas acreditam que o HIV origina também uma super-reação das células chamadas pDC (sigla em inglês de células dendríticas plasmocitoides), responsáveis pelo reconhecimento do vírus e a produção de moléculas interferons, que ativam a defesa imunológica.

Esse esforço redobrado para combater o vírus tornaria o mecanismo de proteção enfraquecido.

Adriano Boasso, do Imperial College London, que coordenou o trabalho, contou que o vírus não pôde mais ativar as células pDC quando o colesterol foi removido.

Dessa forma, o corpo estaria livre para atacar o vírus de forma mais eficiente sem que fosse sobrecarregado.

Três outras universidades participam do estudo –de Milão, Johns Hopkins e Innsbruck–, e os pesquisadores creem que a descoberta possa levar ao desenvolvimento de uma vacina contra a doença, que causa a morte de 1,8 milhão de pessoas no mundo todo anualmente.

O artigo sobre a descoberta foi publicada na segunda-feira (19) na revista “Blood”.

Fonte: Folha On Line

Projeto que proíbe máquinas de camisinhas nas escolas é aprovado

Com 14 votos favoráveis e apenas um contrário foi aprovado nesta quinta-feira (15), durante sessão ordinária da Câmara Municipal, o Projeto de Lei Complementar nº 276/10, que veda a instalação de máquinas dispensadoras de preservativos, em órgãos municipais, bem como, na rede pública e particular de ensino do município de Campo Grande/MS.

De autoria dos vereadores Paulo Siufi (PMDB), Herculano Borges (PSC) e João Rocha (PSDB), a proposta já foi objeto de discussão em audiência pública, na qual reuniu educadores, especialistas e demais segmentos voltados para a educação para contrapor a iniciativa do Ministério da Saúde que é em parceria com o Ministério da Educação.

A medida do governo federal, pretende oferecer preservativos aos alunos do Ensino Médio, como forma de prevenir doenças como a AIDS e outras sexualmente transmissíveis.“O Ministério da Educação deveria se preocupar com a elaboração do Enem, com cartilhas de prevenção e orientação a sexualidade que está cada vez pior neste paÍs. Recentemente, nós campo-grandenses presenciamos o “congresso do bolimento” envolvendo adolescentes, que disseram em seus depoimentos que tinham aulas de sexologia na escola, onde eram entregues camisinhas. Nós queremos uma cidadania na plenitude para que os jovens possam ter a sua cidadania preservada, não colocar máquinas de camisinhas para que eles[adolescentes] se sintam estimulados a praticar o sexo”, ressaltou Paulo Siufi.

Ao invés da instalação de máquinas dispensadoras de preservativos, o vereador Paulo Pedra (PDT) defendeu a aplicação de políticas públicas adequadas que promovam prevenção e cuidados para com a saúde dos jovens.

Único voto contrário, o vereador Loester – que também é médico – manifestou aversão à proposta dizendo que é necessário incentivar a cultura do uso de preservativos como forma de prevenção a doenças e gravidez indesejada. “Conheço a realidade deste país, chega doer o abandono dos pais. Sou uma pessoa totalmente favorável à camisinha. A inciativa é do governo federal e não sabemos se irá dar certo ou não. Vamos aguardar, não há necessidade de antecipar”, disse o vereador.

‘Porque não colocar os dispensadores de camisinhas nas boates noturnas, onde há adultos que, bebem e não sabem nem o que estão fazendo?”, questinou Herculano Borges (PSC).

“Estamos votando aqui qualquer tipo de preconceito , mas discutindo a questão do método de preparar, educar as nossas crianças; o estado é laico , mas não pode ser totalitário, não pode tolher a sociedade de ter ela a sua iniciativa de educar, construir”, resumiu Alex (PT).

Segundo a proposta do governo federal, as camisinhas deverão ser fornecidas mediante apresentação de senha, pelos estudantes.

Fonte: Correio do Estado

Dados de Aids são subnotificados no RN

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) tem duas certezas com relação ao número de infectados pelo vírus HIV no Rio Grande do Norte. A primeira certeza é preocupante. Ao todo, são 3.708 pessoas que convivem com a Aids em todo o estado. A segunda, é assustadora. Esse número é subnotificado e a Sesap não faz ideia de quantas pessoas vivem, sem ter conhecimento, com o vírus responsável por 697 mortes de potiguares nos últimos dez anos. “Não temos como dizer a estimativa dessa subnotificação. Leva-se um certo tempo declarar qual o percentual da população está infectada e não tem conhecimento”, diz Sônia Cristina, responsável técnica do Programa DST/Aids da Sesap.

De 2000 a 2010, o número de casos de Aids notificado pela Sesap aumentou mais de 50% [veja box]. Os dados fazem parte do Boletim Epidemiológico anual apresentado ontem pelo Programa Estadual de DST/Aids e Hepatites Virais da secretaria. Na década passada, foram registrados 2.723 casos da doença, a maioria, na Região Metropolitana de Natal.

Segundo o estudo, o RN ocupa a 21ª posição no ranking que classifica os estados com relação aos casos da doença. Para realizar a classificação, o Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais leva em conta o número de habitantes de cada estado. Para Sônia Cristina, não é possível dizer se a posição do estado é boa. “A epidemia está estabilizada, porém, não tem como dizer se isso é um número alto ou baixo, porque a gente acredita que ainda tem muitas pessoas que desconhecem seu estado sorológico”, afirma. Muitas vezes, explica a técnica, a descoberta que um indivíduo era portador do vírus HIV ocorre após a morte dele. “Na hora da declaração de óbito é que tem conhecimento que essa pessoa tinha HIV, sem  nunca ter passado pelo sistema de notificação e sem fazer tratamento”.

Para combater a doença, a Sesap recebe do Ministério da Saúde um repasse anual no valor de R$ 555 mil. O dinheiro é investido em ações de prevenção e assistência. Além desse valor, o Governo do Estado realiza pactuações que complementam o orçamento.

A perspectiva das autoridades na área da saúde é pessimista. O número de casos deve continuar aumentando nos próximos anos. Além disso, o número de notificações deverá ser mais fiel à realidade. “A infecção do HIV é difícil de combater porque as pessoas ainda fazem sexo sem camisinha. A curva do gráfico dos casos vai crescer porque estamos interiorizando os serviços e os casos serão notificados. Na medida que vamos ampliando o teste, a tendência e aumentar os números. O bom é que isso gera um diagnóstico precoce”, explica Sônia.

Até 2009, somente o Hospital Giselda Trigueiro, em Natal, e o Hospital  Rafael Fernandes, em Mossoró, distribuíam medicamentos para os aidéticos e realizam serviços especializados para esses pacientes. Atualmente, Natal conta com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e há equipes nos municípios de Macaíba, São José do Mipibu, São Gonçalo do Amarante, Parnamirim e Pau dos Ferros. Servidores da saúde em Santa Cruz e Caicó serão os próximos a receber treinamento e medicamentos destinados específicos contra o HIV.

Sífilis e Hepatites

Além da Aids, o relatório da Sesap trouxe os números da sífilis e hepatites tipo A, B e C. Desde 2007, a notificação dos casos de sífilis passou a ser obrigatório no Rio Grande do Norte. Até dezembro do ano passado, a Sesap registou 600 casos da doença sexualmente transmissível. “Esse número não corresponde à realidade. Ano passado foram 193 notificações e nós esperávamos pelo menos 20% a mais”, afirma Sônia.

Alvo de campanhas do Governo Federal, as hepatites virais despertam preocupação para a Sesap. Entre os anos de 2005 e 2010, a secretaria registrou 306 casos da hepatite C, 210 do tipo B e 2.167 casos da hepatite A. “Desde 2009, o programa contra hepatite se integrou ao combate das DST/Aids. Sendo assim, quando levamos uma ação de combate a Aids, também combatemos a hepatite”, ressalta a servidora da Sesap.

Pacientes sofrem com a falta de medicamentos

Os portadores do vírus da Aids do Rio Grande do Norte estão, há mais de seis meses, sem receber cerca de 20 medicamentos de combate à doenças oportunistas. A Sesap informa que um novo lote dos remédios está em fase de licitação mas não há data para o estoque ser regularizado.

Com a falta dos remédios, alguns usuários já sentem na pele as consequências. Foi o caso de Marcos Balarmino. Soropositivo há 11 anos, Marcos contraiu uma tuberculose há alguns meses. “Falta o remédio e ninguém faz nada. Estamos jogados ao léu e não vemos nenhuma atitude dos governantes”, reclama.

Além da falta de medicamentos, os portadores do vírus HIV sofrem com outros problemas. Pacientes que se deslocam do interior do estado para capital afim de se consultarem ou recolher o coquetel antiretroviral, muitas vezes não têm onde ficar. Foi pensando nessa deficiência, que, há quatro anos, Marcos Balarmino  criou a Casa de Apoio à Pessoa Covivendo com HIV. O local funcionava próximo ao viaduto do Baldo, porém, por falta de doações e apoio de autoridades, o contrato de aluguel não foi renovado e atualmente Marcos recebe as pessoas na sua própria residência. A casa recebe doações e o contato pode ser feito pelo telefone (84)8747-3836.

Fonte: Tribuna do Norte