Barra Mansa/RJ registra um novo caso de HIV por semana

Uma pesquisa divulgada na última semana avaliou os serviços especializados em Aids oferecidos pelo Sistema Único de Saúde. A ‘Avaliação da qualidade dos serviços ambulatoriais do SUS que assistem adultos vivendo com HIV/Aids no Brasil’(Qualiaids) revelou que mais de 80% dos pacientes de HIV e Aids que procuram os serviços públicos especializados são atendidos no mesmo dia. Quando há necessidade de tratamento antirretroviral, 73% recebem medicamentos no momento da primeira prescrição médica. O A VOZ DA CIDADE fez um levantamento sobre o cenário dos atendimentos específicos na região.

Ainda de acordo com os dados da pesquisa, a região sudeste é a que conta com o maior número de unidades especializadas, com 372 das 712 existentes em todo o país. Essa distribuição é proporcional ao número de casos no país, já que esses locais também concentram 80% do número de registros da doença.

As atividades realizadas no primeiro atendimento incluem avaliação clínica, solicitação de exames e agendamento de consulta médica. Em 93% das unidades, o paciente sai da consulta inicial com o retorno agendado – o qual acontece em até 30 dias, na quase totalidade das vezes (92%). “Os dados mostram a qualidade da rede de assistência de Aids em todo o país e confirmam que essa área continua a ser prioritária”, ressaltou Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

O A VOZ DA CIDADE buscou informações sobre os serviços oferecidos em Barra Mansa, Volta Redonda, Resende e Angra dos Reis. Todas as cidades contam com unidades especializadas ao público soropositivo, que já chega a mais de 1800 pacientes.

Em Resende, 239 pacientes estão em tratamento contra o vírus HIV. Desses, existem duas gestantes em acompanhamento. Nove pacientes não precisam fazer uso da medicação. O programa DST/Aids do município funciona no Posto Resende, no centro histórico da cidade e conta com uma equipe composta por dois clínicos gerais, um médico infectologista e um pediatra.

Para receber os medicamentos distribuídos pelo Ministério da Saúde, é necessário realizar o cadastro no programa municipal. Os pacientes cadastrados recebem a medicação pelo dispensário de medicamentos.

Já em Angra dos Reis, não foi possível levantar o número de pacientes do programa, mas os usuários são atendidos por uma equipe que conta com médicos infectologistas, psicólogos, ginecologista e assistentes sociais, que oferecem a assistência técnica e médica.

A médica Cláudia Greco é responsável pelo setor. “Quando é constatado Aids nos atendimentos primários ou secundários, o paciente passa diretamente a ser atendido pelo programa DST/Aids, que oferece todo o suporte necessário, desde a parte clínica ao setor emocional, psicológicos, e social dessas pessoas, que recebe essa informação tão difícil de lidar”, comentou.

Para mais informações sobre o programa, a Fundação de Saúde de Angra dos Reis (Fusar) disponibiliza o telefone (24) 3377-1823. A sede da fundação fica no Balneário e está aberta à população.

Barra Mansa registra um novo caso soropositivo por semana

De acordo com o gerente do Programa DST/Aids de Barra Mansa, o médico infectologista Alberto Aldet, atualmente a iniciativa oferece tratamento a uma média de 600 pacientes. Mas desde o início deste ano, outro número tem impressionado: a cada semana, um novo caso de contaminação por HIV é diagnosticado na cidade. Só em agosto, foram registrados dez novos casos.

O infectologista explicou que esse não é um fenômeno característico de Barra Mansa. “Isso reflete o cenário de DSTs no Brasil. É difícil controlar, as pessoas iniciam a vida sexual cada vez mais cedo, exercem a multiplicidade de parceiros e ainda continuam tendo relações sem camisinha”, afirmou.

Dados que impressionam no programa da cidade é a queda da taxa de transmissão vertical, que representa a porcentagem de contaminação da mãe para o bebê. Segundo informações da iniciativa, nos últimos 12 anos, mais de 70 crianças foram livradas do vírus.

A qualidade de vida da população soropositiva mudou consideravelmente. Hoje em dia, “só morre quem não trata, quem não se cuida”. A afirmação é de um homem de 44 anos que convive com o vírus há 16. Apesar da maior abertura em falar do tema, ele ainda não se sentiu preparado para autorizar a publicação da identidade.

Ele faz parte da ONG RNP, Rede Nacional Positiva, há três anos e afirma que, em Barra Mansa, não faltam atendimentos nem medicação. “A distribuição dos medicamentos é gratuita e nós nunca tivemos problemas. O médico também é uma pessoa ótima, ele chega a atender no consultório dele se for necessário”, disse.

O homem cita ainda uma grande vitória para os pacientes e para as pessoas que suspeitavam estar com o vírus. “Agora os exames são feitos aqui. As pessoas não têm mais que ir ao Rio para saber se estão ou não contaminadas com o HIV, era muito sofrimento”, relatou.

A aceitação é difícil. Mesmo convivendo com essa realidade há mais de 10 anos, o rapaz afirmou que “a ficha só caiu de uns pra cá”. E finalizou, “Os coquetéis ajudam, mas tem que ter um tratamento constante, cuidar da alimentação. Se cumprir bem o tratamento, a qualidade de vida é 100%. Agora, se não tratar, o destino é mesmo um leito de hospital e aí não tem mais jeito”, disse.

O Programa DST/Aids de Barra Mansa fica no prédio da Secretaria de Saúde, na Rua Pinto Ribeiro, 65, Centro. O telefone é 33229192.

Já a ONG RNP, que atende a todo o Médio Paraíba, fica na Rua Barão de Guapi, 106, também no Centro.

Cidade do Aço contabilizou mais de 70 novos casos ano passado

Em Volta Redonda, a população conta com o Centro de Doenças Infecciosas Dr. Luiz Gonzaga de Souza Clímaco (CDI), onde funciona também o Programa DST/Aids. O CDI, que atende na Rua Dionéia Faria, 329, no bairro Aterrado e é uma unidade de referência voltada ao tratamento, prevenção e redução de danos quanto ao tratamento e acompanhamento dos portadores de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e HIV/AIDS, Hepatites Virais (B e C), Hanseníase e Tuberculose.

Os pacientes com DSTs são encaminhados através da Rede Assistencial do município, das Unidades Básicas de Saúde e Prontos Atendimentos. Em caso de suspeita dessas patologias, a pessoa deve procurar a Unidade Básica mais próxima de sua residência para uma Avaliação pela Equipe de Saúde.

A Unidade do CDI funciona de segunda a sexta-feira, de 7 às 17 horas e possui como rotina consultas de enfermagem e consultas médicas, agendadas de acordo com a necessidade do usuário. O teste HIV é feito às segundas, quartas, quintas e sextas-feiras, a partir das 7 horas. O usuário deve comparecer ao local em jejum. São realizados 25 atendimentos para o aconselhamento e solicitação do teste HIV.

Vale ressaltar que o CDI oferece serviços diversos à população, entre eles o Centro de Testagem Anônima (Teste HIV), Aconselhamento em HIV, Diagnóstico e tratamento dos pacientes e aos portadores do vírus HIV.

O CDI é composto de uma equipe multiprofissional contando com assistente social, auxiliar administrativo, Clínico Geral, dermatologista, enfermeiro, fisioterapeuta, gastroenterologista, pediatra, psicólogo, psiquiatra e técnicos de enfermagem.

Segundo dados do Programa de DST/Aids, em 2010, o programa registrou 89 casos novos de soropositivos, sendo 64 masculinos e 25 femininos. Em 2011, até novembro, foram registrados 75 casos novos, com 48 masculinos e 27 femininos. Atualmente Volta Redonda conta com cerca de mil pacientes cadastrados no programa, sendo que 450 estão recebendo medicamentos antirretrovirais. Nem todos precisam ser medicados.

Ministério da Saúde amplia uso precoce de antirretrovirais

Outra notícia veiculada na última semana que movimentou o cenário do tratamento brasileiro contra o vírus HIV é do Ministério da Saúde. O órgão divulgou que vai ampliar a indicação de uso do tratamento com antirretroviral, que poderá ser administrado de maneira precoce. A medida, que integra novo Consenso Terapêutico da doença, tem como objetivos reduzir a ocorrências de infecções associadas à Aids e minimizar a transmissão do vírus. A expectativa é beneficiar cerca de 35 mil pessoas que não estavam no grupo indicado para uso dos medicamentos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que a decisão foi tomada com base em “estudos recentes que demonstraram aumento na qualidade de vida e diminuição de eventos adversos imediatos e de longo prazo”. “O Brasil será o único país de grande dimensão que ofertará este tipo de tratamento, que reduz o risco de infecções oportunistas como a tuberculose, que é a infecção associada que causa maior mortalidade associada ao HIV no País”, afirmou.

Também como medida de prevenção, as novas recomendações do Ministério da Saúde incluem a possibilidade de antecipação do início do tratamento para evitar a transmissão entre parceiros sexuais fixos sorodiscordantes – relação em que um é soropositivo e o outro, não. A iniciativa complementa as estratégias de prevenção já existentes, com destaque para estímulo ao uso de preservativos.

A principal mudança das diretrizes é a expansão do tratamento antirretroviral para todas as pessoas com contagem de linfócitos CD4 – células de defesa do organismo que indicam o funcionamento do sistema imunológico – menor ou igual que 500 células/mm3.  Até a edição da mudança, o parâmetro para início do tratamento era menor ou igual que 350 células/mm3.

Outra ação para reforçar o enfrentamento à aids é a ampliação da testagem rápida, por meio da ação Fique Sabendo, que passará a contar com serviços móveis. O Ministério da Saúde vai autorizar que estados e municípios utilizem parte dos recursos repassados para o programa de combate à aids na compra de trailers, que serão usados para testagem, reforçando a rede de 345 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) que ofertam o serviço.

Desde a implantação do Fique Sabendo, em 2005, houve alta de 340% no número de testes ofertados – de 528 mil para 2,3 milhões. Para 2012, a meta é chegar à marca de 3 milhões de exames. Esta expansão contribuiu para

que cerca de um terço dos casos de HIV e Aids sejam descobertos precocemente no Brasil.

O investimento federal estimado para inclusão dos dois novos grupos de pacientes – tratamento precoce e casais sorodiscordantes – é de aproximadamente R$ 120 milhões ao ano.

Fonte: A Voz da Cidade

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