Encontro ‘Vivendo’ inicia no Rio reivindicando mais atenção às pessoas com HIV e aids

Cerca de 350 pessoas participaram na noite dessa quinta-feira, 22 de novembro, da abertura do XVI Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com Aids, o Vivendo, promovido pelos Grupos Pela Vidda de Rio de Janeiro e Niterói. Esta é a primeira vez que o encontro foi precedido de encontros regionais, em Porto Alegre e Recife, destacando a política de descentralização das atividades e a visibilidade maior as pessoas infectadas.

O encontro iniciou com uma homenagem a Dayse Agra, voluntaria do Pela Vidda-RJ, falecida recentemente. Com a morte do filho em 1987, em virtudes de complicações de saúde pelo HIV, Dayse procurou a ONG e nela permaneceu por quase 15 anos. O documentário “E por Falar em Vida”, uma produção da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS), com depoimentos dela e de outras pessoas que enfrentaram o preconceito foi apresentado.

O Vivendo deste ano também marca os vinte anos de falecimento de Herbert Daniel, fundador do Pela Vidda e importante ativista dos Direitos Humanos no Brasil. Para discutir o tema, um mosaico de pessoas de diversas formações, segmentos e experiências de seu depoimento e fez sua analise.

A médica Marcia Rachid relembrou os primeiros casos de aids no Rio de Janeiro, no inicio da década de 1980, e a respostas que foram se criando contra a epidemia. Sua proximidade com Daniel a levou à militância e a participação na fundação do Pela Vidda. “Foi na antiga sede da ABIA, no Jardim Botânico, que as primeiras tratativas começaram com a intenção de criar um grupo voltado a pessoa que vive com aids, suas necessidades e cuidados”, conta.

O diretor adjunto do Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, destacou que “a forca das ONGs esta na motivação das pessoas que as compõe e que as ações do movimento sempre são importantes para a implementação e garantia de políticas publicas”.

Silvia Reis, ativista do movimento de trans de Roraima, destacou a necessidade de olhares e ações específicos a cada população afetada. “Nós existimos, travesti tem aids e é preciso que sejamos vistas”, declarou.

O Vivendo vai ate sábado na cidade do Rio de Janeiro. Na programação, “avaliações sobre os caminhos percorridos até hoje e os principais, afirma Márcio Villard, um dos organizadores do evento.

Herbert Daniel

Nascido em Belo Horizonte em 1946, Hebert Daniel abandonou a Faculdade de Medicina da UFMG para entrar na luta armada contra a ditadura militar brasileira. Em 1974, se exilou na França, onde foi jornalista.

Daniel foi o último exilado do regime militar instaurado em 1964 a ser anistiado. Em 1981 voltou ao Brasil, depois do princípio da redemocratização.

Militou no Partido dos Trabalhadores (PT) e participou da fundação do Partido Verde com outros dissidentes do PT. Em 1986, candidatou-se a deputado estadual pelo PT do Rio de Janeiro.

Foi também um ativista pela ecologia e direitos dos homossexuais, tendo ele mesmo um relacionamento de 20 anos com o artista gráfico Cláudio Mesquita.

Daniel participou como diretor da ABIA, associação fundada por Herbert de Souza, e foi presidente do grupo Pela Vidda, com núcleos atuantes em diversos estados do País.

Escreveu 13 livros, entre eles, passagem para o Próximo Sonho, Meu Corpo Daria um Romance e Vida antes da Morte, sendo os últimos três abordando as concepções solidárias por novas reflexões acerca da aids.

Faleceu no Rio de Janeiro em decorrência da aids em maço de 1992.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

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