Governo vai cadastrar todos os brasileiros diagnosticados com HIV

O Ministério da Saúde cadastrará todos os brasileiros diagnosticados com HIV. Médicos e laboratórios que fizerem exames de detecção do vírus serão obrigados a repassar os dados do paciente, em caso de resultado positivo. Atualmente, as informações só são notificadas no caso de o paciente soropositivo desenvolver Aids.

“A informação será sigilosa”, diz a epidemiologista Maria Amélia Veras, da Santa Casa de SP. Ela fez parte do grupo que formulou com o ministério a nova diretriz, do qual fizeram parte instituições como a UFBA, a UFMG e a FioCruz.

O intuito do registro é conhecer o perfil dos portadores do HIV para formular políticas públicas que tentem diminuir o contágio pelo vírus. O ministério diz não ter prazo para a inclusão do HIV no sistema de vigilância epidemiológica.

Fonte: Folha de São Paulo / Monica Bergamo

Saúde: rótulo nacional em remédios de Aids e Câncer

Em 2013 começa a distribuição na rede pública de saúde  de um novo medicamento com rótulo nacional para o tratamento da Aids: o Sulfato de Atazanavir. No dia 30 de novembro, véspera do Dia Mundial da Luta Contra a Aids, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve na cerimônia de oficialização do processo de transferência de tecnologia para a produção do medicamento no País.

Em 19 de dezembro de 2012, Padilha oficializou também o recebimento do primeiro lote nacional do medicamento biotecnológico oncológico Mesilato de Imatinibe, indicado para o tratamento de Leucemia Mielóide Crônica (LMC) e Estroma Gastrointestinal (tumor maligno do intestino).

O Mesilato de Imatinibe será suficiente para atender a toda a demanda do Sistema Único de Saúde – aproximadamente oito mil pacientes hospitalizados. A previsão para 2013 é que sejam entregues ao SUS cerca de 4 milhões de comprimidos do remédio. Já o antirretroviral, também distribuído aos pacientes do SUS, hoje é utilizado por aproximadamente 45 mil pessoas, cerca de 20% do total de pacientes.

A produção nacional do Atazanavir foi originada a partir da Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) firmada entre o Ministério da Saúde – por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – e o laboratório internacional Bristol-Myers Squibb. O medicamento oncológico também é fruto de uma PDP que envolve os mesmos laboratórios da Fiocruz e o Instituto Vital Brazil da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, além de cinco empresas privadas.

Com a iniciativa, estima-se que a economia para o Sistema Único de Saúde chegue a R$ 337 milhões, em cinco anos, com o Mesilato de Imatinibe, e a R$ 385 milhões com o Atazanavir. “O ministério reforça o compromisso de fortalecer o Complexo Industrial de Saúde e aumentar, progressivamente, a autonomia do país na produção de medicamentos”, afirmou o ministro, durante o evento em que recebeu os remédios para tratamento do câncer (leucemia e tumor maligno do intestino) realizado em dezembro, no Palácio da Guanabara, no Rio de Janeiro.

Fonte: JB

Notificação de infecção pelo HIV no Brasil passará a ser obrigatória

O Ministério da Saúde vai tornar compulsória a notificação de todas as pessoas infectadas com o vírus HIV, mesmo as que não desenvolveram a doença. A portaria ministerial que trata da obrigatoriedade de aviso de todos os casos de detecção do vírus da aids no País deve ser publicada em janeiro. Atualmente, médicos e laboratórios informam ao Ministério da Saúde apenas os casos de pacientes que possuem o HIV e tenham, necessariamente, manifestado a doença.

Os dados serão mantidos em sigilo. Somente as informações de perfil (sem a identificação do nome) poderão ser divulgadas para fins estatísticos. Hoje, o governo monitora os soropositivos sem aids de maneira indireta. As informações disponíveis são de pessoas que fizeram a contagem de células de defesa nos serviços públicos ou estão cadastradas para receber antirretrovirais pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O novo banco de dados será usado para planejamento de políticas públicas de prevenção e tratamento da aids. “Para a saúde pública é extremamente importante, porque nós vamos poder saber realmente quantas pessoas estão infectadas e o tipo de serviços que vamos precisar”, explica Dirceu Grego, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

A mudança ocorre quatro meses após o governo anunciar a ampliação do acesso ao tratamento com medicação antirretroviral oferecido pelo SUS. A prescrição passou a ser feita em estágios menos avançados da aids. Desde então, casais com um dos parceiros soropositivo passaram a ter acesso à terapia em qualquer estágio da doença.

O Ministério também recomendou que a droga seja ministrada de forma mais precoce para quem não têm sintomas de aids, mas possui o vírus no organismo – uma tendência na abordagem da doença, reforçada na última Conferência Internacional de Aids, realizada em julho deste ano nos Estados Unidos. À época, o Ministério calculou que o número de brasileiros com HIV fazendo uso dos antirretrovirais aumentaria em 35 mil.

Atualmente, são cerca de 220 mil pacientes com aids. Outras 135 mil pessoas, estima o governo, têm o HIV, mas não sabem. Elas estão no foco da mudança na obrigatoriedade de notificação, porque não foram ainda diagnosticadas. Segundo Grego, essas pessoas devem ser incorporadas ao tratamento. Assim como ocorre quando os pacientes são diagnosticados com aids, caberá aos médicos e laboratórios avisar ao ministério sobre a descoberta de pessoas infectadas – os soropositivos.

Risco
Greco explica que como o tratamento passou a ser indicado antecipadamente, para pessoas que têm contagem de células de defesa igual ou menor que 500/mm3 e não só ao atingir 350/mm3 (quando há sintomas claros da aids), era necessário ampliar a notificação. Isso porque o uso de antirretrovirais pode fazer com que a aids não se manifeste, mantendo número de CD4 (células de defesa do organismo) acima de 350/mm3, e os casos ficariam sem registro. “Era grande o risco de começarem a desaparecer os casos de aids no Brasil”, diz o diretor.

“Porque se a gente diagnosticar mais precocemente o HIV e começar a tratar com antirretrovirais, a quantidade de células nunca vai chegar a 350/mm3. Então, os casos não seriam notificados.” Ele diz que a notificação compulsória ajudará a monitorar o avanço do combate à aids com “transparência”. “O HIV não desapareceu. É importante que a infecção seja parte do processo, para mostrar que o problema precisa ser resolvido e as pessoas têm de se tratar. O tratamento precoce é um caminho para controle da epidemia”, diz. O País registrou 38.776 novos casos de aids em 2011 – houve um caso por dia de transmissão de mãe e para filho.

Fonte: Correio 24 horas

ONU: Brasil pode ser o 1º país a derrotar a Aids

O Brasil tem condições de ser o primeiro país a declarar o fim da Aids. Essa é a opinião de um brasileiro, que acaba de ser escolhido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, para coordenar as políticas públicas da Unaids (braço da organização contra a Aids).

Luiz Loures vai assumir em janeiro a vice-diretoria executiva dos programas da entidade e também um cargo mais político, o de secretário-geral assistente da ONU. O médico foi um dos pioneiros no cuidado a pacientes com Aids no Brasil.

Loures está há 16 anos na Unaids, hoje em Genebra. Ele diz que espera ver o fim da epidemia da Aids em 15 anos. Mas, para isso, é preciso quase dobrar o número de pessoas em tratamento, investir em diagnóstico precoce e no fim do preconceito.

Segundo o médico brasileiro, está havendo uma mudança na etapa de combate a doença. “Começamos a falar do fim da epidemia. O progresso científico permite isso. E estou sendo colocado neste posto para mudar e intensificar os programas e levar o maior número de países a essa meta que, agora, a gente pode começar a estimar”, observa.

Na visão de Loures, serão necessários muitos e muitos anos para erradicar o vírus, contudo, em relação à epidemia, esse horizonte seria bem mais curto e otimista. “Eu penso em 15 anos. A Aids vai continuar existindo provavelmente, a não ser que se consiga erradicar o vírus – o que é uma questão para o futuro muito mais distante. Mas vamos poder dizer que não há mais epidemia. Talvez não em todos os países ao mesmo tempo”.

Brasil

O médico brasileiro afirma não ter dúvidas de que o Brasil seja um dos líderes mundiais nesse processo. Na opinião dele, é o país que apresenta as políticas de Aids mais avançadas e mais inclusivas do mundo.

Ele se baseia nas estatísticas de acesso ao tratamento no Brasil, relatando que as coberturas são as mais altas entre as mais elevadas do mundo. Segundo o médico, isso ocorre exatamente porque o Brasil foi o primeiro país a despontar no tratamento.

“Seguindo esse parâmetro, não tenho dúvida de dizer que o Brasil tem condições de ser o primeiro país a declarar o fim da Aids”, revela, ressaltando que é preciso continuar e até intensificar essa política quem tem dado certo durante todos esses anos.

“Claro que é um país continental, complexo. E não que seja uma tarefa fácil, mas não foi fácil em nenhum momento. A trajetória do Brasil nessa área foi marcada pela coragem”, afirmou.

Fonte: Diário do Nordeste

Médico brasileiro comandará ações contra a aids no mundo

O médico brasileiro Luiz Loures foi nomeado pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, subsecretário-geral da ONU e vice-diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). Ele já fala na nova fase de combate à doença e no fim de seu estágio como epidemia até 2030. “Estamos iniciando o que seria a fase final da epidemia e será nesse contexto que vou atuar”, declarou. Ao assumir a função em 2013, ele será o brasileiro com posto mais alto na hierarquia da ONU.

 

Em sua avaliação, o progresso científico, o maior consenso internacional sobre o tratamento e a mobilização da sociedade abriu o caminho para que a guerra contra a aids inicie sua fase final. Pelo menos como epidemia, de 25 anos para cá. “Temos uma grande oportunidade. Como epidemia, minha previsão é de que a aids tenha seu fim em 15 anos”, declarou. Um ponto que promete ser revolucionário é o fato de que portadores do vírus que estejam sob tratamento têm redução de 96% nas chances de transmissão. “Com o tratamento chegando a número cada vez maior de pessoas, será dado grande passo para frear essa transmissão. Obviamente que casos vão continuar a surgir, mas acredito que poderemos deixar de chamar a doença de epidemia em 15 anos se os avanços forem mantidos”, disse.

 

Segundo ele, a tarefa até lá é “imensa” e o combate terá de avançar rápido. “Ainda temos 2,5 milhões de novos infectados por ano e 1,7 milhão de mortes”, adiantou. Um dos riscos, em sua avaliação, é de que a aids deixe de estar entre as prioridades na agenda internacional, cedendo lugar ao clima e outras crises. Loures foi um dos criadores do programa brasileiro de combate à aids. Mas alerta que nem sempre o Brasil foi exemplo. Ele lembra de que, no final dos anos 1990, ele era o único em reuniões da OMS a defender a democratização do acesso aos remédios e tratamentos para todos. “Naquele momento, só eu e o Brasil defendíamos essa posição. Hoje, ela é um consenso internacional”, lembrou. O médico vai comandar os programas que já existem na ONU e garantir que o acesso aos remédios seja o mais amplo possível. (das agências de notícias)

 

ENTENDA A NOTÍCIA

Loures vai comandar os programas que já existem na ONU e garantir que o acesso aos remédios seja o mais amplo possível. “Todos precisarão passar por uma mudança profunda na forma de lidar com a doença”, afirma.

Fonte: O Povo

DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS: FOTOS

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Estudantes indianos de medicina seguram velas em Dia Mundial de Luta contra a Aids, na cidade de Amritsar, na Índia.

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Homem caminha ao lado de preservativo gigante durante evento de celebração do Dia Mundial de Luta contra a Aids, na cidade de Bruxelas, Bélgica.

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136 voluntários dão as mãos para criar uma corrente humana em celebração ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, na cidade de Paris, França.

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Alunas do curso de medicina da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) distribuem camisinhas masculinas e femininas e dão orientações no Dia Mundial de Combate a Aids, celebrado neste sábado (1º), no centro de Ribeirão Preto (SP).

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Estudantes formam um lanço em celebração ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, na cidade de Agra, na Índia.

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Jovens seguram velas acessas durante celebração do Dia Mundial de Luta contra a Aids, na cidade Sófia, Bulgária.

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Estátua Manneken Pis, na Bélgica, é vestida com “preservativo” durante o Dia Mundial de Luta contra a Aids, na cidade de Bruxelas.

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Centenas de velas acessas celebram o Dia Mundial de Luta contra a Aids na cidade de Copenhagen, Dinamarca.

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O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, ganhou iluminação vermelha neste sábado, em homenagem ao Dia Mundial de Luta contra a AIDS.

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Ativistas participam de ato em celebração ao Dia Mundial de Luta contra a Aids, na cidade de San Salvador, em El Salvador.

Fonte: UOL

Os novos rostos da epidemia de aids

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Bernardo é homossexual, universitário, tem 20 anos, namora firme e é fã de música eletrônica. O manto do anonimato sobre a verdadeira identidade, no entanto, ele vestiu depois de não usar camisinha no relacionamento fixo.

O jovem entrou para os números da aids no Brasil em 2012 e personifica o rosto da epidemia brasileira desenhado a partir dos registros mais recentes. No País, segundo balanço provisório do Ministério da Saúde, é crescente a parcela de homossexuais com menos de 24 anos contaminados pelo vírus HIV .

“Há 10 anos, os homens jovens que fazem sexo com homens representavam 40% dos novos registros em menores de 24 anos. Hoje, os gays já são metade destes novos casos, de acordo com nossas informações, ainda provisórias”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Oficialmente, pelos dados já tabulados, as relações homossexuais e bissexuais representam 32,2% das formas de contaminação masculinas em qualquer idade.

A maior participação dos homossexuais nos números repete o início da epidemia nacional, nos anos 1980, quando os gays eram o alvo principal das infecção, que destruía o organismo e condenava os soropositivos a uma curta sobrevivência – no máximo 2 anos.

Neste Dia Mundial de Luta Contra a Aids, os especialistas comemoram os avanços na medicina que ampliaram a sobrevivência dos infectados e sabem que associar a doença à homossexualidade é errada, preconceituosa e fadada ao fracasso.

A própria história da aids confirma isso. Há 30 anos, no início do contágio pelo vírus HIV, a doença chegou a ser chamada de “peste gay” e deu falsa a sensação de imunidade aos homens heterossexuais e às mulheres. A ideia, no entanto, caiu por terra em menos de três anos. Os homens que fazem sexo com mulheres foram somados aos 34,2 milhões de habitantes do planeta que hoje vivem com o vírus HIV e, no Brasil, 48% dos pacientes do sexo masculino contraíram a doença em relações heterossexuais desprotegidas.

“Deste total de 34 milhões com aids no mundo, 47% são do sexo feminino e na África, 65% dos casos são em mulheres”, ressalta Pedro Chequer, coordenador da Unaids no Brasil, entidade das Nações Unidas que trata da aids.

O consenso entre os estudiosos é de que o retorno dos homossexuais para o epicentro da aids não significa que os outros grupos possam ser excluídos das campanhas preventivas. Porém, é consenso também que os jovens gays precisam de atenção especial nas divulgações preventivas que reforçam a importância de não negligenciar o preservativo.

“Meus amigos heteros dizem que usam camisinha, mas a única preocupação é com a gravidez fora de hora. Como entre os gays não há possibilidade de gestação, o preservativo fica de lado. É um erro enorme e eu acho que nunca vou me perdoar por ter cometido esta falha”, diz Bernardo que foi contaminado pelo namorado, em uma relação estável e que o deixou “perigosamente confortável” para abandonar a prevenção.

O companheiro também descobriu ser soropositivo quase de forma simultânea à revelação de Bernardo. Juntos, eles precisaram superar o “autopreconceito” e as novas demandas no relacionamento impostas pela doença.

 

Múltiplas faces:

“Esta geração não perdeu ídolos para a aids”, sentenciou Padilha, tentando desvendar os motivos para metade dos jovens brasileiros admitir que não usa camisinha logo na primeira relação sexual, independentemente do sexo do parceiro.

Eles nasceram em uma época em que as feridas da aids foram cicatrizadas com a criação de medicamentos eficazes, que permitem vida praticamente normal aos portadores. Cresceram em meio aos estudos científicos que apontam como realidade possível uma vacina preventiva da doença .

Mas também são estes fatores, já alertou a fundadora do Instituto Cultural Barong, Marta McBritton – ela organiza caravanas pelo Brasil todo para distribuir camisinhas e explicar como usá-las – que deixaram o perfil da aids multifacetado.

Jovens gays dividem espaço nos registros com idosos que passaram a usar medicamentos para a disfunção erétil, voltaram à vida sexual ativa, mas temem que o preservativo ameace a potência sexual. Também dão rosto aos casos nacionais as mulheres com mais de 60 anos, que contraíram aids do marido, mas nem desconfiam estarem infectadas.

O governo federal também alerta para as meninas com menos de 20 anos, mais numerosas na aids, fazendo com que a faixa etária seja a única em que a proporção de infectadas é maior do que a de infectados: 1,4 casos entre elas para 1 caso entre eles (no restante do recorte etário a incidência é inversa, sendo os homens maioria).

Mais recentemente, usuários de crack – que somam 1,2 milhão no País – também ingressaram para o grupo de vulneráveis ao HIV.

“Os usuários de droga ainda representam quase 20% do total de formas de transmissão”, alertou Chequer.

“Já sabemos que não apenas os dependentes de drogas injetáveis (que compartilham seringas) correm risco. As nações já estão preocupadas com os que usam crack, já que a droga (fumada em cachimbo) favorece o comportamento sexual de risco.”

Costurados pelo preconceito

A linha que costura todos estes rostos à epidemia de aids, avalia Bernardo, é o preconceito. “Eu mesmo só atestei o quanto era preconceituoso depois que descobri ser soropositivo”, diz ele, sem reservas.

“Sou estudante da área da saúde mas, assim como muita gente, acreditava que aids só era problema dos promíscuos, dos baderneiros ou dos miseráveis. Fiz o teste da aids tendo certeza que o resultado era negativo. Quando o ‘positivo’ apareceu senti nojo de mim. Era raiva, culpa e medo. Medo de que me olhassem como eu olhava para quem tem HIV.”

São 11 meses vivendo com HIV, em um sigilo absoluto, com medo do julgamento alheio, o que justifica a opção de manter a doença em segredo para pais, irmão e amigos mais próximos.

“Pensei em suicídio, virei um nada. Daí descobri que a vida com o HIV pode ser mais leve e fiz um site para ajudar e desabafar com as pessoas, inúmeras, em situação parecida com a minha, o soropositivonet “.

“A minha vida está mais calma, tenho muitos planos. O HIV acabou me unindo ainda mais ao meu namorado. Mas não é nada bom ter o vírus. O melhor é usar camisinha”, diz Bernardo, esperando que a mensagem chegue aos homossexuais, heterossexuais, jovens, idosos, meninos, meninas e aos 135 mil brasileiros que têm aids e nem imaginam ser portadores do vírus .

Fonte: IG