Cerca de 8 mil pessoas têm aids em Bauru, diz Sapab

Juliana tem 17 anos. Faz curso profissionalizante, tem aulas de inglês e está na fase dos vestibulares. Bonita, é elogiada por sua inteligência. Mas Juliana não é seu nome verdadeiro. O que impede a garota repleta de qualidades de revelar sua identidade é que ela é uma das cerca de 8 mil pessoas infectadas com o vírus HIV em Bauru. Um sonho? “Queria que não houvesse mais preconceito”.

Durante esta semana, vários pontos de Bauru receberam ações educativas sobre a doença durante a campanha que termina hoje, no Dia Mundial de Combate a Aids.

De acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade de Apoio à Pessoa com Aids de Bauru (Sapab), a cidade tinha, até junho de 2011 (última atualização), 1.932 casos de pessoas infectadas.

Porém, o número de diagnósticos confirmados é muito aquém da realidade. Estimativas do próprio Ministério da Saúde apontam que, para cada diagnóstico confirmado, há três pessoas que possuem a doença e não sabem. Os dados são nacionais, porém, trazidos a Bauru, a soma chega a aproximadamente 8 mil.

A Sapab completou exatamente 20 anos de luta contra a doença no dia 25  e, mesmo depois de tanto tempo, um dos principais obstáculos a ser combatido é o preconceito.

“Imagine você estar em uma balada. Você se interessa por uma garota. Ela vira para você e diz que é HIV positivo. O que você faria? Não precisa falar. Só pensa”, questiona a coordenadora administrativa e de prevenção da Sapab, Márcia Pereira da Silva, para exemplificar como o preconceito ainda existe na maioria de nós.

 

Dificuldades

E o preconceito atrapalha em muito o trabalho da associação, que atende tanto crianças quanto adultos. “Há uma diferença entre como as pessoas olham as crianças e os adultos com aids. As crianças são vistas como vítimas. Já os adultos, como culpados. Por isso, é até difícil achar voluntários para trabalhar com adultos”, revela.

E essa discriminação, que parte de amigos, familiares e chega até ao mercado de trabalho, não tem origem somente externa. Muitas pessoas que suspeitam estar com HIV não fazem o exame com medo da confirmação. Segundo Márcia da Silva, o diagnóstico tardio é muito prejudicial ao tratamento. “A pessoa tem que se tratar, porém, ainda não fizeram uma pílula contra o preconceito”.

 

Risco

Ao longo de todos esses anos lutando contra a aids, a Sapab afirma que houve uma migração de um grupo de risco para um comportamento de risco. Ainda hoje, a forma prevalente de infecção é por meio de relações sexuais desprotegidas.

“Antigamente, havia determinados grupos de risco. Hoje, isso não existe mais. Todo mundo está suscetível. Para se ter uma ideia, a quantidade de homens e mulheres com a doença é pareada. O que ocorre não são grupos, mas comportamentos de risco. É preciso ter conscientização”, aponta a coordenadora da Sapab.

Em relação aos medicamentos antirretrovirais – os chamados coquetéis -, houve ampla evolução durante todo esse tempo. Porém, o próprio vírus acompanhou esse processo. “Costumamos dizer que o vírus é inteligente. Ele tenta sobreviver. Por isso, os pacientes precisam passar por exames periódicos que medem a imunidade e a carga viral. Dependendo, a medicação precisa ser trocada”, conclui a coordenadora administrativa e de prevenção da Sapab, Márcia Pereira da Silva.

Fonte: JCNET

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