Somos jovens, temos aids e sabemos conviver com ela

Há quatro anos, o garçom Émerson Correia, 23, costuma brincar que comemora “duas vezes o aniversário”. No dia 3 de novembro de 2008, o rapaz deveria estar celebrando os 19 anos de juventude. Deveria, mas o direito lhe foi roubado pela doença. Sintomas de pneumonia o impediram. Naquela data, o jovem de corpo alongado e sorriso largo recebeu no colo o pior dos presentes: o resultado positivo no teste Anti-HIV.

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Com quadro de perda de peso, acentuado pela pneumonia, o garçom – que já desconfiava de infecção pelo vírus – esbarrou no limite do desconforto da doença, coincidindo com o dia do próprio aniversário. A data marcou o momento de busca pelo diagnóstico de saúde no Hospital São José, instituição de referência no tratamento de pacientes com HIV positivo. Nem mesmo com o resultado do teste em mão, ele saiu do estado de inércia. “A ficha não caiu”. Retornou para casa pensando nas possíveis explicações para a contaminação, quando lembrou das relações sexuais mantidas com outras pessoas fora do namoro.

Na época, Émerson se relacionava com um rapaz havia cinco anos, a quem o garçom primeiro revelou o diagnóstico. “Ele teve medo, receio de transar comigo. Eu queria continuar o namoro, mas não tinha tanta informação. Procurei folhetos, li, tentei conversar com ele sobre isso. Mas, depois da descoberta da contaminação, nossa relação não durou seis meses”, lamenta o jovem.

Émerson levou um ano para revelar o diagnóstico aos pais. “Com medo de ser rejeitado e de que eles separassem copos, colheres e toalhas”, começou preparando a mãe, à época, com 60 anos. Explicou sobre a Organização Não Governamental na qual começou a trabalhar, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids e, depois de um ano guardando o segredo, finalmente expurgou. “Ela disse: ‘Você está com uma doença, então é se cuidar. Apoio da família você vai ter’. Isso me deixou muito calmo”.

De acordo com a psicóloga clínica e hospitalar Jandira Laprovítera, alguns jovens se negam a aceitar o diagnóstico e resistem “totalmente”. Ela destaca também a dificuldade em contar aos pais; e destes aceitarem. “A fase adolescente é naturalmente difícil. Se descobrir com o vírus sem a maturidade, mais ainda. A contaminação é permeada por sentimento de culpa dos pais. Se a família participar do tratamento e estimular, é de outra maneira que vai receber o diagnóstico”.

Émerson, o garçom, coordena hoje a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids e atua apoiando adolescentes que se descobrem com o vírus. A principal bandeira de luta é o fim do preconceito: “Vivemos uma briga diária por novos direitos e de fazer valer os direitos que já existem. Quem tem preconceito, das duas, uma: ou tem medo ou tem pena. E é ruim. Você se sente um nada, um monstro, só pelo olhar com que te olham”. (Juliana Diógenes)

 

Dúvidas frequentes sobre HIV/Aids

O que é HIV?

Causador da aids, HIV significa “vírus da imunodeficiência humana”. Recebe esse nome por destruir o sistema imunológico.

O que é aids?

Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Humana. Caracteriza-se pelo enfraquecimento do sistema de defesa do corpo e pelo aparecimento das doenças oportunistas.

Como se pega o HIV?

Fazendo sexo sem camisinha (oral, vaginal ou anal);

Compartilhando agulhas e seringas contaminadas;

Da mãe para o bebê durante a gravidez, na hora do parto e/ou amamentação.

É possível viver bem com a aids?

Hoje, existem os medicamentos antirretrovirais – coquetéis antiaids que aumentam a sobrevida dos soropositivos. Há também outras atitudes que oferecem qualidade de vida, como praticar exercícios e ter uma alimentação equilibrada. Quem tem HIV namora, beija na boca e transa, assim como todo mundo. Não deve esquecer, entretanto, de usar camisinha sempre.

Como sei se tenho HIV?

Basta fazer um dos testes existentes para diagnosticar a doença. São gratuitos e o resultado é seguro e sigiloso. É realizado a partir da coleta de sangue. Se der negativo, a pessoa não foi infectada pelo vírus. Pacientes que tiverem o resultado positivo devem fazer acompanhamento médico.

Fonte: O Povo

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