Pacientes com HIV/Aids de São Paulo também sofrem com lentidão e precariedade nos serviços municipais de saúde

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Segundo matéria divulgada na Folha de S. Paulo desta sexta-feira, 18 de janeiro, a cidade de São Paulo tem, na rede municipal, cerca de 661 mil pedidos de exames, consultas ou cirurgias a serem feitos e a espera por alguns deles pode chegar a 35 meses. O novo secretário de saúde, José de Filippi Junior, admitiu a gravidade da situação e disse só ter tomado conhecimento dela na última semana. 

No entanto, para pacientes que fazem o tratamento do HIV na cidade, a situação já é uma velha conhecida. Lucas Soler, representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+), explica que quando os pacientes saem da área da infectologia e dos serviços especializados e caem na rede básica de saúde, sentem na pele a precariedade do serviço. 

“A infectologia ainda é um serviço especializado para essa população, tem um suporte, uma base, e funciona apesar das adversidades. Mas quando caímos na rede básica, nos deparamos com as mesmas dificuldades que o resto da população e com o despreparo do serviço, inclusive despreparo com as pessoas vivendo com HIV/Aids”, conta. 

Nair Britto, do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), concorda e narra a mesma cena. “Eu, por exemplo, me trato no Centro de Referência e Tratamento (CRT) em DST/Aids da cidade, e lá conseguimos contar com vários especialistas, então vai rápido. Mas é só sair do CRT que nos deparamos com essa situação. Imagina como é para quem não tem esses especialistas, como nós temos”, diz a ativista. 

Os pacientes narram lentidão e outras falhas em mais de uma especialidade. Lucas Soler, por exemplo, esperou 4 meses por uma ressonância magnética, sob a justificativa que a máquina estava quebrada, até que resolveu fazer o exame pelo convênio. Já Nair relata que uma consulta com um endocrinologista leva, em média, 2 meses para acontecer. 

Já José Araújo Lima, da Associação de Espaço e Prevenção Humanizada (EPAH), destaca que a precariedade é um aspecto comum em todas as áreas, mas que a saúde mental e a correção da lipodistrofia são os maiores problemas enfrentados pelo portador de HIV. Segundo ele, é muito raro conseguir ser atendido por um profissional da área de saúde mental, havendo pouquíssimos disponíveis. 

“E no tratamento da lipodistrofia, embora seja de competência do estado, nós também sentimos a ausência do município”, diz ele. “Conheço casos de pacientes que levaram mais de 3 anos para conseguir a cirurgia de correção. Pra quem vive do SUS, esses dados são verdadeiros”, critica. 

Cid Carvalhaes, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), divulgou nota à imprensa sobre o assunto. Para ele, o quadro alarmante se dá pela precariedade do sistema resultante de diversas administrações que não tiveram a saúde como prioridade. 

“A realidade é que o serviço municipal de saúde está sucateado. Diariamente, a saúde pública foi sendo mais marginalizada pelos administradores até chegar ao estado caótico que encontramos hoje”, afirmou Carvalhaes. Um dos principais problemas avaliados pelo Simesp é a gestão de recursos, além da falta de fiscalização eficiente dos vínculos público-privados. 

Para Lucas Soler, a situação é ainda mais preocupante por causa dos rumores de que os serviços de DST/Aids seriam descentralizados para a atenção básica, o que faria com que estes pacientes passassem a depender ainda mais destes serviços. “A atenção básica está um caos, ela sofre com imensa desorganização, falta de profissionais e outros problemas, então ficamos muito preocupados com a possibilidade”, finaliza.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Governo do DF terá de indenizar criança que pegou o vírus da Aids em cirurgia nos SUS

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A 5ª Turma Cível do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios) condenou a Fundação Hemocentro e o DF a pagarem, solidariamente, R$ 100 mil de indenização por danos morais a uma paciente contaminada pelo vírus HIV durante realização de transfusão de sangue em um cirurgia de grande porte. Os réus terão ainda que arcar com pensão vitalícia equivalente a três salários mínimos (R$ 2.034), devida a partir da contaminação em 2001.

A autora da ação é menor de idade e foi representada pelos pais. Em 2001, com apenas dois meses de idade, a recém-nascida teve que se submeter a uma cirurgia de grande porte, na qual recebeu transfusão de sangue. A cirurgia foi realizada no HRAS (Hospital Regional da Asa Sul) e o sangue fornecido pela Fundação Hemocentro de Brasília. No procedimento, a bebê contraiu o vírus da AIDS.

Os pais pediram na Justiça a condenação dos requeridos ao pagamento de R$ 500 mil de indenização por danos morais e pensão vitalícia a título de danos materiais.

m contestação, o DF argumentou que fundação adotou todas as providências necessárias à coleta e ao fornecimento de sangue. Além disso, alegou a ocorrência de um acidente, já que a presença do vírus não foi detectada, porque o doador estava na fase denominada janela imunológica, o que excluiria a responsabilidade civil do Estado. Contestou ainda os valores pedidos a título de indenização material e moral, informando que a criança faz tratamento na rede pública de saúde.

Na 1ª instância, o juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública do DF julgou improcedentes os pedidos dos autores, que recorreram da sentença à 2ª Instância do TJDFT.

O colegiado da 5ª Turma Cível, por maioria, considerou devidos os pedidos de indenização por danos morais e materiais e afastou a tese de acidente. Prevaleceu o voto do relator, que condenou o DF e a Fundação Hemocentro.

Cabe recurso da decisão colegiada.

O R7 DF entrou em contato com o GDF, que ainda não se posicionou sobre o assunto.

Fonte: R7

Governo seleciona pesquisa em DST, aids e hepatite

O Ministério da Saúde lançou edital para selecionar pesquisas em DST, aids e hepatites virais. O edital, que contempla 23 linhas de pesquisa, prevê investimentos de R$ 4 milhões para o financiamento dos estudos. Os projetos devem escolher entre três temas: prevenção e epidemiologia; diagnóstico e desenvolvimento tecnológico; e gestão e avaliação de políticas públicas de saúde.

Metade dos recursos se destina a pesquisas voltadas para prevenção e epidemiologia. Uma das linhas de pesquisa nessa área é a aceitabilidade e a efetividade de novas tecnologias de prevenção ao HIV, como profilaxia pré-exposição sexual, circuncisão, tratamento como prevenção e microbicidas. As inscrições já estão abertas e o edital completo pode ser acessado no site do ministério.

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Entre as populações-alvo dos estudos estão profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, travestis e transgêneros. O investimento em pesquisas tem como foco, ainda, pessoas privadas de liberdade e população de rua.

“É fundamental conhecer as metodologias de intervenções locais bem-sucedidas, principalmente com foco em populações em situação de maior vulnerabilidade”, avalia o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco.

Segundo ele, o incentivo à pesquisa contribui para o aprimoramento da política brasileira de aids e hepatites virais, e para a implementação de políticas públicas de saúde. As inscrições serão recebidas até 11 de março de 2013. O resultado da seleção deve ser divulgado em 28 de março no site http://www.aids.gov.br.

Podem participar da seleção, instituições de ensino superior, institutos e centros de pesquisa e desenvolvimento públicos ou privados, sem fins lucrativos. Empresas públicas, organizações não governamentais e serviços de saúde que desenvolvam atividades de pesquisa, também podem concorrer ao financiamento.

Fonte: Info Abril

Estudo australiano aponta para cura potencial da Aids

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Um cientista australiano anunciou esta quarta-feira ter descoberto como fazer o vírus da Aids se voltar contra si próprio para evitar o progresso da Aids, e descreveu seu feito como um grande avanço na descoberta da cura para a doença.

David Harrich, do Instituto de Pesquisa Médica de Queensland, disse ter conseguido modificar uma proteína no HIV que o vírus precisava replicar e, ao contrário, fez inibir “potencialmente” seu crescimento.

“Eu nunca vi nada igual. A proteína modificada funciona sempre”, comemorou Harrich.

“Se este estudo se mantiver firme em seu caminho, tendo em mente de que há muitos obstáculos a superar, estamos olhando para a cura da Aids”, emendou.

Harrich explicou que a proteína modificada, que ele batizou de Nullbasic, demonstrou ter uma habilidade “notável” para conter o crescimento do HIV em laboratório e pode ter implicações animadoras tanto em conter a Aids quanto em tratar os infectados com HIV.

O estudioso descreveu a técnica como “combater fogo com fogo”.

“O vírus poderia infectar uma célula, mas não se disseminaria”, disse Harrich a respeito deste estudo, publicado na última edição do periódico Human Gene Therapy.

“O indivíduo ainda estaria infectado com HIV – não se trata de uma cura para o vírus -, mas o vírus permaneceria latente, não despertaria, portanto o paciente não desenvolveria a Aids”, acrescentou.

“Com um tratamento como este, seria possível manter saudável o sistema imunológico”, emendou.

Uma pessoa com HIV desenvolve a Aids quando sua contagem de células imunológicas CD4 cai abaixo de 200 por microlitro de sangue ou desenvolve algumas das chamadas doenças definidoras da Aids, quaisquer uma das 22 infecções oportunistas ou cânceres vinculados ao HIV.

Sem tratamento, a maioria das pessoas infectadas pode não desenvolver a Aids por 10 a 15 anos ou até mais, segundo a ONU. Mas o uso de medicamentos antirretrovirais pode prolongar sua vida ainda mais.

Se for comprovada, a terapia genética Nullbasic pode causar uma interrupção indefinida da escalada do HIV para Aids, pondo um fim à letalidade da doença.

Além disso, segundo Harrich, o potencial de uma única proteína ser tão eficaz para combater a doença representaria o fim de onerosas terapias com múltiplos medicamentos, o que significaria uma qualidade de vida melhor e custos menores para as pessoas e os governos.

Testes da proteína em animais estão previstos para começar este ano, mas ainda deve levar alguns anos para que se desenvolva um tratamento a partir dela.

Segundo os números mais recentes das Nações Unidas, o número de pessoas infectadas com HIV em todo o mundo subiu de 33,5 milhões em 2010 para 34 milhões em 2011.

A grande maioria dos infectados, 23,5 milhões de pessoas, vive na África subsaariana e outros 4,2 milhões no sul e no sudeste asiáticos.

Fonte: Exame