Grupos católicos que atuam contra a aids esperam do novo papa mais abertura e diálogo com toda a sociedade

O cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, é o novo papa, segundo anúncio feito nesta quarta-feira, 13 de março, no Vaticano. Para representantes de organizações católicas que atuam contra a aids no Brasil, o pontífice,  chamado por Francisco , pode trazer mais atenção à América do Sul, mas deve estar aberto a dialogar com toda a sociedade.

Frei José Bernardi é secretário executivo da Pastoral da Aids no Brasil, instituição da Igreja que desde 1999 atua no enfrentamento da epidemia no País. Para ele, Francisco I deve aumentar o diálogo com povos de fora da Europa.

“Isso supõe que ele deve ter capacidade de conversas com outras culturas e responder a demandas diferentes das europeias. Internamente, o papa terá a responsabilidade de modernizar os procedimentos da Cúria Romana, além de solucionar problemas administrativos”, diz. 

No que diz respeito à aids, Frei Bernardi lembra que há um histórico envolvimento da Igreja no enfrentamento da pandemia, sendo ela a única responsável por fornecer tratamento e acompanhamento aos soropositivos em alguns países africanos, por exemplo. Ele acredita que este compromisso não mudará com o novo papa, até porque é mantido por instâncias menores da Instituição. 

“Além desse trabalho direto, julgamos necessário a atuação nos espaços de controle social de forma crítica e construtiva, pois se sabe que as políticas públicas somente são implementadas e qualificadas quando há pressão social sobre os gestores”, diz ele.

Segundo Frei Bernardi, o papa, enquanto figura representativa da Igreja, acaba tendo também um papel importante, sobretudo no campo da comunicação com os milhares de fieis espalhados pelo mundo. “Eu acredito que o caminho do diálogo, do respeito, da acolhida mútua é o melhor jeito de construir uma sociedade com justiça social, solidariedade e paz”, resume. 

Irmã Margareth, coordenadora do Centro Franciscano de Luta contra a Aids (Cefran), concorda com Frei Bernardi. Ela ressalta a importância do novo pontífice ser aberto às novas realidades mundiais. 

“Sabemos que é difícil acompanhar as mudanças, que são rápidas, e estamos falando de uma igreja de milhares de anos presente no mundo todo, com muitas culturas diferentes, mas precisamos dessa abertura maior”, comentou.

A religiosa explica que há pessoas dentro da igreja lutando por causas como o aborto e o casamento homossexual, e que são favoráveis ao preservativo. “Francisco I tem que ter no mínimo abertura para acolher toda essa diversidade, tem que ter o coração aberto, porque não há como voltar atrás, não tem como fechar os olhos para isso”, diz ela. 

Na visão da coordenadora do Cefran, a proibição da Igreja em relação ao preservativo eventualmente irá cair, pois “ela quer que as pessoas se previnam, é claro, e o meio de fazer isso é com a camisinha. A Igreja não é contra a causa, a aids está aí”. 

Demonstrou carinho por doentes de aids, mas associou adoção gay à discriminação contra a criança

Segundo análise do National Catholic Reporter, jornal e site voltado à cobertura de temas católicos com base na cidade norte-americana de Kansas, Bergoglio é um religioso ortodoxo com posições contrárias ao aborto e ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Em 2010, ele afirmou que os gays ao adotarem crianças estariam cometendo um ato de discriminação e foi criticado, em público, pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

Ainda de acordo com o National Catholic Reporter, o cardeal argentino, no entanto, já demonstrou compaixão às pessoas vivendo com HIV. Em 2001, por exemplo, ao visitar um hospital para doentes de aids ele beijou e lavou os pés de 12 pacientes. 

Primeiro papa latino-americano da história da Igreja, Bergoglio nasceu, em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936. Foi ordenado sacerdote em 1969, nomeado bispo titular de Auca e auxiliar de Buenos Aires pelo papa João Paulo 2º em 1992. No mesmo ano, ele foi confirmado como bispo titular da capital argentina em junho.

A nomeação como arcebispo também foi feita por João Paulo 2º em 1997. Chegou ao posto de cardeal pelas mãos do mesmo papa em 2001.

Francisco I substitui o alemão Bento XVI, que deixou o mais alto posto da Igreja Católica alegando que não tinha mais forças para a tarefa de liderar o Vaticano. Seu pontificado foi marcado por várias crises, pelo escândalo do acobertamento da pedofilia e pelo vazamento de documentos secretos no chamado escândalo VatiLeaks.

Fonte: Agência de Noticias da AIDS

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