Informação precoce é arma contra a Aids

O ano de 2005 bateu o recorde de novos casos de contaminação pelo HIV: 4,9 milhões de pessoas foram infectadas no mundo, segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado há uma semana.

Reunidos no 14º Congresso Brasileiro de Infectologia, que acontece em Belo Horizonte, especialistas avaliam que, para barrar o avanço da doença, é necessário antecipar as ações educativas e preventivas tendo como principal alvo os pré-adolescentes, ou seja, aqueles que ainda não iniciaram sua vida sexual.

“É preciso mudar o comportamento de quem já iniciou a vida sexual, mas é fundamental criar um novo comportamento entre os mais jovens para que eles cresçam sabendo como lidar com a doença”, afirmou Luiz Antônio Loures, vice-diretor da Unaids, organismo da ONU de combate à Aids.

Segundo o especialista, o entrave à prevenção não é a falta de informação e sim os tabus sociais envolvendo a questão do sexo, o que dificulta colocar em prática o conhecimento adquirido.

Para o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Antônio Toledo, o combate à doença deve, também, levar em conta o contexto socioeconômico do segmento social ao qual se dirige a campanha contra a Aids e critica os programas públicos de prevenção por ignorarem esse fato.

Preconceitos 
O presidente da comissão científica do congresso, Dirceu Bartolomeu Greco, compartilha dessa idéia. “Existe o problema do gênero. Por exemplo, o preconceito contra a mulher que anda com camisinha na bolsa”, disse.

Ele ainda chama a atenção para comportamentos comuns, mas perigosos, como o de pessoas que deixam de usar o preservativo por acreditar que a estabilidade da relação põe fim ao risco ou o de pessoas habituadas a usar o preservativo e que acabam abrindo exceções.

Os especialistas apontam, ainda, para outro desafio a ser vencido na luta contra o HIV: o problema da discriminação. “As pessoas vêem a Aids como um problema alheio e os portadores como um problema para a sociedade”, afirma Loures.

A discriminação, informam, ocorre principalmente na América Latina, onde atualmente há o maior crescimento no número de contaminados: 200 mil novas infecções só em 2005.

Vacina 
Em 2005 a Aids, no mundo, consumiu investidos de US$ 8,3 bilhões. Um valor bem maior do que o de 1996, de US$ 300 milhões, e inferior ao previsto para 2007: US$ 20 bilhões.

Apesar do aumento nas cifras, Loures afirma que os recursos são insuficientes para buscar uma vacina e não arrisca fazer previsões para a descoberta do medicamento. Por outro lado, o especialista explica que houve um avanço científico, resultando em tratamentos mais efetivos e menos tóxicos ao paciente.

O problema dos medicamentos mais recentes é o preço, o que restringe seu consumo em países economicamente atrasados. A solução para isso, segundo o especialista, seria existir uma maior solidariedade internacional, além da busca de formas alternativas para baratear o custo dos medicamentos como a produção de genéricos.

Os especialistas continuam reunidos até o próximo dia 30, no Minascentro. Além da Aids, durante o evento também serão debatidos temas como doenças emergentes ” como a gripe aviária “, transmissão de tuberculose e tratamento de hepatite.

Fonte: O Tempo

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