Epidemia de aids em São Paulo é duas vezes maior na população negra do que na branca, mostra boletim municipal

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A vulnerabilidade da população negra à infecção pelo HIV/aids foi um dos temas discutidos nesta terça-feira, 27 de agosto, no seminário “O Perfil da Aids na cidade de São Paulo: da Informação para a ação”. Segundo o último Boletim Epidemiológico de Aids, HIV/DST e Hepatites B e C do Município de São Paulo, em 2010, o coeficiente de incidência de aids entre negros foi de 39,7 por 100 mil habitantes. Já entre os brancos, o índice é de 18,0 por 100 mil habitantes. Estes e outros dados foram debatidos por representantes do governo, da sociedade civil e especialistas. 

Apesar do desenvolvimento progressivo no cuidado às pessoas vivendo com HIV e aids, das ações de prevenção e da disponibilização de insumos, como preservativos, a epidemia da aids na cidade de São Paulo ainda é um importante problema de saúde pública. Desde 1996, quase 40 mil pessoas já morreram em decorrência do HIV.

Em 2011, 2.100 pessoas foram notificadas com aids na cidade de São Paulo. Segundo a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, Eliana Battaggia Gutierrez, um dos números que merece destaque é a razão de sexo dos casos notificados. Esta relação, que permanecia de 2 homens para 1 mulher de 1997 até 2010, em 2011 subiu para 3 homens /1 mulher. 

Ela destacou ainda o envelhecimento da doença. “O aumento da sobrevida das pessoas vivendo com HIV leva ao envelhecimento desta população que explica, em parte, o aumento dos casos notificados acima de 50 anos. A esta prevalência se somam os indivíduos que foram diagnosticados já nesta faixa etária”, afirma Gutierrez.

Eliana lembrou que já estamos na quarta década da epidemia de aids e que grandes desafios vão surgir. “Para alcançarmos os objetivos pactuados com o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/aids (Unaids), de zero novas infecções, zero mortes por aids e zero discriminação ao fim desta década, temos que investir em políticas mais adequadas na luta contra a doença”. 

A professora e integrante do Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (Nepaids), Vera Paiva, participou do debate sobre “Vulnerabilidade social e o risco acrescido à infecção pelo HIV”. A pesquisadora falou sobre o olhar qualitativo frente à epidemia. “Precisamos considerar cada pessoa como sujeito de direitos, mais do que a história natural da doença, precisamos contar a história social deste individuo”, explicou. 

Aids entre homens que fazem sexo com homens (HSH)

A Dra. Maria Amélia Veras, professora da Faculdade Santa Casa de São Paulo e um das coordenadoras do Projeto Sampa Centro falou sobre a epidemia entre os HSH.

Um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo apontou que 15% dos homens que fazem sexo com homens e frequentam a região central da cidade São Paulo estão infectados pelo vírus HIV. A pesquisa foi realizada entre novembro de 2011 e janeiro de 2012, com o objetivo de traçar um breve perfil da epidemia na população HSH que frequenta essa região.

De acordo com a Dra. Maria Amélia Veras, essa prevalência é bastante alta e se compara aos níveis encontrados em países da Europa, da América Latina e Estados Unidos, em que há epidemias concentradas em alguns grupos populacionais.

“Não é correto dizer que o homem que faz sexo com outro homem está em um grupo de risco. Todas as pessoas são suscetíveis à infecção pelo vírus, porém alguns grupos populacionais apresentam riscos mais elevados, devido a questões comportamentais, culturais, sociais”, diz a especialista.

Ela alerta: “O uso da camisinha tornou-se um sinônimo de cuidado com o outro”. 

O evento, promovido pelo Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, teve por objetivo apresentar e debater informações que subsidiem as estratégias de enfrentamento da epidemia no município de São Paulo. 

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

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