Saque do FGTS para tratar câncer, moléstias terminais e aids cresce 59% no AM

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O número de saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para custeio de despesas com saúde, no Amazonas, cresceu 59%, no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2012. Segundo os dados do conselho curador do FGTS, 1.818 trabalhadores receberam o benefício até junho, contra 1.142 anteriormente.

Em vigor, desde 1990, quando a Lei nº 8.036 foi sancionada pelo então presidente Fernando Collor, a legislação, em 2013, fez os saques por doença chegarem ao patamar de R$ 2.094.411,13 milhões.

Os trabalhadores portadores do vírus HIV/aids, com 1.480 registros, foram os que mais contribuíram para o aumento de 59% no número de retiradas em comparação com o mesmo período do ano passado; seguidos pelos trabalhadores acometidos por câncer (262) e trabalhadores com dependentes vítimas de neoplasia maligna (57), HIV (16) e moléstia em estágio terminal (3).

Levando em consideração o período de maior demanda pelo benefício, março (710) ocupou o primeiro lugar no ranking em saques, segundo a administradora do fundo. Em seguida estão os meses de maio (343), janeiro (299), junho (292), fevereiro (287) e abril (242).

No primeiro semestre deste ano, 241,8 mil trabalhadores do Amazonas já sacaram o benefício por diversos motivos, totalizando R$ 428,2 milhões.

Fragilizados e impactados pelo diagnóstico de uma doença grave, o que muitos trabalhadores ou parentes de dependentes com câncer, moléstias terminais e HIV/aids não sabem é que, o dinheiro do FGTS pode ser sacado por motivo de doença, com o objetivo de custear os gastos inesperados.

Mãe de cinco filhos e morando de aluguel, a desempregada Cláudia Gomes, 40, conta que se não fosse o valor de R$ 648 retirado do FGTS, em abril deste ano, estaria passando necessidade com a família. Com o aluguel atrasado há dois meses e comprando fiado na taberna próxima de casa, Cláudia teve a filha caçula de 16 anos de idade diagnosticada com câncer de ovário, em 2011.

“Trabalhei por quatro anos como serviços gerais em uma empresa e pedi demissão para ingressar em outra, perdendo o direito de sacar o benefício”, afirma, ressaltando que pouco mais de um ano e meio após sua nova admissão, descobriu o câncer da filha.

Sem transporte próprio para garantir a ida da jovem às seções de quimioterapia na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado (FCecon), Cláudia afirma que, por dois anos, dependeu da carona de amigos, mediante o custeio do combustível para dar mais conforto à filha.

“O dinheiro que saquei na época foi pouco, mas serviu para pagar a luz e comprar comida. Hoje, o Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC) nos fornece um rancho, os suplementos que ela precisa e o transporte”, afirma ela, destacando que abriu mão do trabalho para cuidar da filha.

Três meses de quimioterapia, sendo as sessões a cada 20 dias, com duração de seis horas cada e um mês de radioterapia fazem parte da batalha da filha de Claúdia, atualmente com a metástase já presente no pulmão, coluna e pernas.

Apesar da relativa rapidez na liberação do Fundo de Garantia, a desempregada afirma que a falta de informações da Caixa Econômica quanto aos documentos necessários para retirar o benefício prejudicam quem precisa do recurso.

“Em uns 12 dias, estava com o dinheiro em mãos, mas dei pelo menos umas três viagens na agência porque sempre a atendente pedia um novo documento”, contou.

Diagnosticado como soro-positivo em novembro de 2010, meses após a morte de um amigo por HIV/aids, o profissional liberal Efraim Lisboa, 27, conta que a necessidade de sacar o FGTS foi fruto da sua demissão por estar doente.

“Trabalhava como gerente de uma loja, há dois anos, e quando a diretoria soube da minha condição, me demitiu alegando que eu não teria mais capacidade para ocupar o cargo”, lembra, ressaltando que processou a firma.

Orientado sobre a possibilidade de sacar os R$ 2 mil que tinha depositado, por uma assistente social da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT/AM), Efraim afirma que com o dinheiro custeou a alimentação e o transporte necessário durante as duas semanas que precisou comparecer à FMT para a realização de exames complementares.

“Logo que saí o resultado, ficava o dia todo na Fundação para fazer os exames e como eles não dão refeição, precisava pagar não só o ônibus como o almoço”, afirmou.

Apesar do acolhimento recebido na FMT, o profissional liberal afirma que foi no próprio ambiente do hospital que foi vítima do primeiro julgamento da sociedade.

“Lembro que cheguei às 7h e o resultado saiu às 17h. A psicóloga me chamou, virou a tela do computador e disse para eu ler o que estava escrito quando eu vi a palavra positivo ela disse: tá vendo, não se cuidou”, contou.

Levando uma vida normal, precisando tomar apenas o antiretroviral, Efraim trabalha atualmente como voluntário na FMT, acolhendo os pacientes diagnosticados com HIV/aids.

Fonte: D24AM

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