Como machão com aids, McConaughey ruma ao Oscar

O Oscar acontece só daqui a seis meses, mas Matthew McConaughey já guardou seu lugarzinho entre os indicados a melhor ator. O ex-galã está arrasador em Dallas Buyers Club, do canadense Jean-Marc Vallée, baseado na história real do eletricista e caubói texano Ron Woodroof, um tipo machão que descobre ter aids em 1986. Os médicos dizem que sua contagem de glóbulos brancos é tão baixa que é difícil entender como ainda está vivo. E lhe dão mais um mês apenas.

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Woodroof primeiro não acredita o diagnóstico. Na época, a aids era considerada uma doença que afetava apenas homossexuais e, em menor medida, quem usava drogas injetáveis. E era uma sentença de morte mesmo, porque o primeiro tratamento eficaz, feito à base da droga AZT, estava começando a ser testado. Woodroof não pode se arriscar a entrar no grupo que recebe o placebo do remédio, então começa a adquirir a droga ilegalmente de um funcionário do hospital, até a fonte secar. Ele então pesquisa como louco para descobrir que há tratamentos diferentes em outros países, como o México. Atravessa a fronteira e passa a contrabandear medicamentos para portadores do HIV no Texas, em troca de uma mensalidade de 400 dólares, burlando a burocracia da Food and Drug Administration (FDA), o órgão que controla drogas e alimentos nos Estados Unidos.

Rodado em estilo quase documental, com câmera na mão, Dallas Buyers Club apresenta Woodroof como uma espécie de Robin Hood disposto a salvar a própria pele, mas que acaba ajudando centenas de portadores do vírus que sofrem com a morosidade da FDA em aprovar novas drogas e a vontade da indústria farmacêutica de priorizar o AZT no mercado, mesmo com evidências de fortes efeitos colaterais, como a redução das defesas do organismo. Mas o estilo discreto da direção e do roteiro fazem com que o filme pareça tudo menos uma aula de moral e cívica ou um dramalhão novelesco.

McConaughey está irreconhecível depois de perder 17 quilos, com o rosto encovado, adornado por um bigodão e emoldurado por cabelos escuros. O mais impressionante, porém, é que ele não se apoia apenas no seu carisma para conquistar a plateia. Woodroof é machão e homofóbico, e seus primeiros contatos com a drag queen Rayon (Jared Leto) são raivosos e preconceituosos. Mas Rayon vira sua sócia na venda ilegal de drogas legais, e o relacionamento entre os dois se estreita. McConaughey dá show, mas Jared Leto não fica atrás como a delicada, depressiva e também divertida Rayon. Leto também entrou na corrida pelo Oscar, só que de ator coadjuvante.

Dallas Buyers Club estreia em novembro nos Estados Unidos e ainda não tem data de chegar ao Brasil.

Fonte: VEJA

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