Pesquisadores brasileiros e estrangeiros se reúnem em Conferência no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro sediará, entre os dias 17 e 19 de abril, a XI Conferência Brasil John Hopkins University em HIV/Aids. 

O evento é voltado para médicos e demais pesquisadores e contará, ao longo dos três dias, com palestras sobre a epidemia entre os homens que fazem sexo com homens (HSH), tratamento em mulheres, HIV em idosos, pacientes pediátricos e adolescentes, câncer anal e tuberculose, além de debater os próximos desafios no combate à aids e as questões éticas que envolvem a profilaxia pré-exposição (PrEP). 

Antes do início do evento, estão sendo oferecidas oficinas aos participantes sobre os temas: Resistência a antirretrovirais e tratamento do paciente previamente exposto a antirretrovirais; Complicações do tratamento de HIV: renal, ósseo e metabólico; Oficina para profissionais de saúde não médicos e Coinfecção hepatite / HIV.

Durante a Conferência, será relançado ainda o Guia de Investigação, Manejo e Prevenção das Comorbidades Associadas ao HIV, produzido por profissionais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas de São Paulo. A segunda edição do Guia conta com dois novos capítulos, sobre Hipogonadismo e Carcinoma de Canal Anal. 

A publicação visa auxiliar os médicos na prevenção, investigação diagnóstica e manejo terapêutico das principais comorbidades identificadas em pacientes com HIV e será distribuída gratuitamente no evento. 

A conferência é uma realização do Hospital Federal dos Servidores do Estado, do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC) – Fiocruz, da Johns Hopkins University e da Universidade Federal do Rio de Janeiro e conta com o apoio da Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. 

John Hopkins

A John Hopkins University é uma instituição de ensino superior privada situada em Baltimore, nos Estados Unidos. Foi fundada em 1876 por Daniel Coit Gilman. 
A missão da Universidade é educar os estudantes e cultivar sua capacidade para um aprendizado para a vida toda, fomentar pesquisas originais e independentes e trazer os benefícios das descobertas para o mundo. 

A univerisidade conta com mais de 5 mil alunos de 71 países e possui pesquisas nas mais diversas áreas do conhecimento. Quatro ganhadores do prêmio Nobel são ex-alunos da instituição.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Conferência Internacional de Aids: contradições entre discurso e ação

Com o subtítulo de “Mudando a maré juntos”, a 19ª Conferência Internacional de Aids, realizada em Washington DC em julho, pautou o que a sociedade civil diz há anos: apenas uma aproximação maior entre a perspectiva biomédica e comunitária pode alcançar resultados efetivos em programas de prevenção ao vírus, e ao tratamento e apoio às pessoas vivendo com HIV. Mas, mesmo não sendo uma novidade, foi muito importante que esta certeza estivesse presente no discurso de autoridades políticas relevantes.

A Conferência abriu e fechou com falas convergentes entre ciência e política – iniciando pela Secretária de Estado americana, Hillary Clinton e concluindo com a maravilhosa e a recém-empossada diretora da Sociedade Internacional de Aids (IAS) e uma das descobridoras do HIV, Dra. Françoise Barré-Sinoussi que destacaram que uma articulação efetiva entre ciência, mobilização comunitária, se adequadamente financiada, pode tornar real o sonho de novas gerações viverem livres da aids. Elton John, Bill Gates e o presidente francês François Hollande fizeram coro: para mitigar os efeitos da epidemia é preciso expandir o acesso ao tratamento em todo o mundo e aumentar esforços coletivos e articulados.

O resultado do estudo HPTN052, por exemplo, que demonstrou a eficácia do acesso a tratamento como uma ferramenta de prevenção, foi debatido em várias sessões. Porém, como foi mostrado em artigo da publicação científica The Lancet, não se trata apenas de tornar pílulas disponíveis às pessoas. Os meios biomédicos não podem ser isolados das ações comunitárias de educação para promover comportamentos preventivos que incluam diferentes alternativas – desde o contínuo uso de preservativos até os consistentes programas de redução de danos para as populações usuárias de drogas injetáveis.

Nesse contexto de expansão do tratamento e prevenção, foi interessante também notar o reconhecimento formal da comunidade científica de que há uma enorme lacuna a ser suprida no campo das pesquisas com foco na mulher. Isso é especialmente importante ao considerarmos que, ao longo dos anos, a infecção pelo HIV vem crescendo entre as mulheres em todo o mundo. Na América Latina, como destacou o Coordenador Regional do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), César Nuñez, as mulheres representam um terço do um milhão e meio de pessoas infectadas.

Mas, como falar em expansão e sustentabilidade das respostas ao HIV em um cenário de crise mundial?

Esse foi um tema que permeou muitos dos debates em Washington e logo na abertura, a Secretária Clinton anunciou a doação de dois milhões de dólares para o Fundo Robert Carr, voltado a projetos de base comunitária em redes. Já o Presidente François Hollande declarou publicamente seu compromisso em direcionar dez por cento dos recursos obtidos com os Tributos sobre Transações Financeiras (TTFs) criados na França para o combate à pobreza e às vulnerabilidades sociais e ambientais, como também para projetos de expansão do acesso a tratamento ao HIV em países com alto grau de infecção. As TTFs, aliás, foi um dos temas novos desta Conferência. Além de serem sugeridas em diferentes ocasiões como mecanismo inovador de financiamento pelo Diretor Executivo do Unaids e sub-secretário geral da ONU, Michel Sidibé, e ter um dos grandes blocos da marcha da aids pelas ruas da capital norte-americana, foi alvo de sessões organizadas pela sociedade civil – duas, inclusive organizadas pela LACCASO (www.laccaso.org).

Mas, claro, nem tudo são flores. E, como sempre, coube às organizações da sociedade civil chamar atenção para as contradições entre os discursos oficiais e as práticas nos países. Profissionais do sexo e pessoas que usam drogas continuam impedidas de entrarem nos Estados Unidos apesar dos Direitos Humanos, por exemplo, terem sido celebrados em todas as sessões. Além disso, em vários painéis foram apresentadas situações nas quais, apesar da comprovação de que o ambiente jurídico deve ser um garantidor de direitos ao invés de incentivador de estigma e discriminação, países continuam sem reconhecer que a falta de garantia dos Direitos Humanos são evidentes barreiras tanto para a prevenção quanto ao acesso a tratamento.

A sociedade civil também destacou que os impactos dos acordos econômicos de zonas de livre comércio, que reforçam as teses de propriedade intelectual, continuam a dificultar o acesso a medicamentos genéricos para o tratamento ao HIV. Houve grande ênfase na cobrança de maior responsabilidade e coerência entre os discursos e ações dos países doadores – a União Europeia, por exemplo, está em negociação com a indústria farmacêutica para o endurecimento de leis de propriedade intelectual para medicamentos.

Finalmente, reforçando a demanda pelo monitoramento dos acordos internacionais para enfrentar o HIV e a aids, a Gestos, LACCASO e ITPC soltaram o teaser da campanha 15 milhões de pessoas até 2015 – “15 até 15: Não esqueceremos. Não perdoaremos”, que seré lançada em dezembro, em Genebra.

Mesmo com os discursos enfáticos durante toda a Conferência de políticos e gestores, também continua óbvio que sem superar as barreiras legais e de financiamento, sem diminuir o estigma e discriminação e sem melhorar significativamente a gestão da saúde, promovendo uma real interface com outros setores, as metas acordadas não serão alcançadas. No entanto, apenas em um painel, organizado pela delegação da sociedade civil no Conselho do Unaids, debateu-se sobre o futuro dos compromissos após 2015.

A 19ª Conferência deixou claro que a aids continuará sendo um desafio excepcional ainda por muitas décadas. A nossa sessão, porém, mostrou que infelizmente nas Nações Unidas ainda não se sabe como pautar o tema na agenda que agora se firma como Pós-2015 e que será mais disputado com a Rio+20. O aprofundamento deste debate, certamente, foi uma das grandes lacunas em Washington.

*Alessandra Nilo teve apoio de Claudio Fernandes na producção deste arigo

Alessandra Nilo é jornalista e coordenadora de Políticas Estratégicas da Gestos, Secretária Regional da LACCASO (Conselho Latinoamericano e do Caribe de ONG/AIDS) e representante da América Latina na delegação da sociedade civil no PCB Unaids (Conselho Diretor do Unaids).

Claudio Fernandes é economista e ativista voluntário da Gestos e LACCASO.

Fonte: Agência de Noticias da AIDS

Conferência internacional aponta avanços rumo à cura da aids, publica Estadão

Após décadas sendo desafiados pela complexidade do vírus HIV, os cientistas estão avançando em várias frentes rumo à cura da aids, segundo participantes de uma conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, nos EUA. As informações foram publicadas no site do Estadão. 

Táticas promissoras incluem a “limpeza” do HIV escondido nas células e a retirada de todas as células imunológicas do paciente, tornando-as resistentes ao vírus antes de serem devolvidas ao organismo.

De acordo com os pesquisadores, um importante empecilho é o fato de o HIV poder ficar latente em reservatórios que nem as drogas mais poderosas são capazes de atacar. “Precisamos fazer o vírus sair do estado latente, e então confiar no sistema imunológico ou em algum outro tratamento para matar o vírus”, disse Kevin De Cock, diretor do Centro para a Saúde Global, ligado ao Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA.

Surgido há pouco mais de 30 anos, o HIV infecta atualmente mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo. Graças a medidas preventivas, à detecção precoce e ao desenvolvimento de drogas antirretrovirais, o diagnóstico da doença não é mais uma sentença de morte, embora ainda não haja cura.

No entanto, o custo, os efeitos colaterais e a resistência viral às drogas fazem dos antiretrovirais uma solução aquém da ideal.

No ano passado, a Sociedade Internacional da Aids incluiu formalmente a cura da doença entre suas metas – que anteriormente se limitavam a prevenção, tratamento e cuidados.

Testes preliminares de possíveis vacinas preventivas ou terapêuticas contra o HIV tiveram resultados frustrantes. O HIV é um “pró-vírus”, integrado ao DNA da célula hospedeira, onde ele pode permanecer latente e posteriormente se reativar.

“Tem se provado um desafio incrivelmente formidável desenvolver uma vacina”, disse John Coffin, professor de biologia molecular da Universidade Tufts, em Boston. “Nos últimos anos, o pêndulo tem oscilado de volta.”

Avanços na engenharia molecular permitem que os pesquisadores conheçam melhor o mecanismo do HIV. “As vacinas funcionam reconhecendo a superfície do vírus e eliminando-o”, explicou Dennis Burton, professor de imunologia e ciência microbiana do Instituto Scripps de Pesquisas, de La Jolla, Califórnia. “O HIV é um vírus altamente evoluído, que desenvolveu uma superfície que incorpora características que evitam as reações dos anticorpos”.

O laboratório Merck apresentou dados revelando pela primeira vez que seu medicamento Zolinza (vorinostat), contra o câncer, pode atrapalhar o desenvolvimento do HIV latente. 

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

A evolução do estudo da Aids, por um de seus codescobridores

A quantidade e qualidade das pesquisas realizadas sobre o vírus HIV e sobre a Aids hoje no mundo contrasta com o verdadeiro mistério que essa doença representava para a ciência apenas 30 anos atrás. A história da descoberta do vírus foi tema da conferência apresentada pelo pesquisador francês Willy Rozenbaum, um dos codescobridores do HIV e atual presidente do Conselho Nacional de Aids da França, em conferência nesta terça-feira, 24/05, no Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Ele recordou os principais passos que levaram à identificação do retrovírus e abordou avanços, descobertas e os grandes desafios ainda representados pela doença.

Participaram da conferência – em edição extraordinária do Centro de Estudos do IOC, integrada aos Seminários de Imunologia –, os pesquisadores Bernardo Galvão, da Fiocruz-Bahia, um dos responsáveis pelo isolamento do vírus no Brasil, em 1986, e Valéria Rolla, do Instituto de Pesqusias Clínicas Evandro Chagas (Ipec/Fiocruz), que investiga a coinfecção tuberculose-HIV e foi membro da equipe de Willy. A abertura do evento contou com os pesquisadores Mariza Morgado, vice-diretora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico e chefe do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC, referência nacional em CD4, Análise Viral e Genotipagem do HIV, e Claudio Ribeiro, anfitrião da conferência e um dos cientistas envolvidos no isolamento do HIV no Brasil.

Nos meses seguintes, surgiram hipóteses relacionando a doença a algum tipo de vírus transmitido pelas relações sexuais e pelo uso de drogas intravenosas, mesmas vias de transmissão do vírus da hepatite B, identificado em 1975. “Essa ideia foi reforçada pela identificação do primeiro retrovírus humano, também no início da década de 1980. Em 1983, a hipótese foi confirmada ao conseguirmos isolar o retrovírus responsável pela doença, o HIV, um vírus completamente diferente de todos os conhecidos até o momento” conta Willy.

A evolução da pesquisa em Aids

A partir daí, a comunidade científica se dedicou ao estudo do ciclo da doença, desenvolvendo testes capazes de indicar a infecção pelo vírus antes dos primeiros sintomas clínicos, bem como formas de tratamento e prevenção. “No início, o diagnóstico era apenas clínico e só acontecia com a doença já avançada. Ao entender o ciclo de replicação viral e principalmente após a criação das modernas técnicas de PCR, no início da década de 1990, foi possível desenvolver testes sorológicos para o diagnóstico da Aids e relacionar o desenvolvimento da doença com o aumento da carga viral e a queda dos níveis do linfócito CD4, uma de nossas mais importantes células de defesa”, explicou Willy. “Esse conhecimento permitiu avaliar a evolução da doença no organismo, além de possibilitar o  tratamento e a prevenção das infecções oportunistas a partir dos níveis de anticorpos, melhorando a qualidade de vida das pessoas que viviam com HIV”, afirmou.

Alternativas para o tratamento da infecção pelo vírus também não demoraram a aparecer, mas os resultados a médio prazo frustraram as expectativas dos pesquisadores.
“O AZT, medicamento capaz de suprimir a replicação viral, foi desenvolvido em 1986 e rapidamente colocado à disposição dos pacientes. Porém, apesar da grande melhora apresentada no início da utilização, em 20 semanas os pacientes retornavam à mesma condição anterior ao tratamento. Isso nos mostrou um grande desafio, pois as drogas selecionavam as mutações do vírus menos sensíveis, fazendo com que o AZT parasse de funcionar”, recordou Willy.

Nos anos seguintes, foram criadas outras drogas e as primeiras estratégicas de combinação entre elas, mas o resultado nunca era duradouro. A situação mudou na década de 1990, com o desenvolvimento de novas gerações de medicamentos inibidores de proteases. “Atuando diretamente na capacidade do vírus de penetrar nas células de defesa, eles apresentavam resultados melhores na redução de carga viral e efeitos mais permanentes”, explicou. Hoje, cerca de 25 drogas são utilizadas no tratamento da doença, combinadas em estratégias terapêuticas que visam controlar a carga viral e os níveis de CD4.

Desafios ainda maiores

Além de relembrar a evolução das pesquisas sobre o HIV nas últimas três décadas, Willy também abordou os desafios que a Aids ainda representa nos dias de hoje. “Apesar da queda acentuada de mortes e de infecções oportunistas associadas à doença, muito relacionada aos avanços no tratamento, o número de casos continua aumentando. Hoje são 30 milhões de pessoas vivendo com o HIV e, neste ritmo, em 2030 serão 60 milhões. Talvez a explicação para isso seja a grande parcela da população que tem o vírus, mas não sabe”, avalia.

“Ainda não estamos próximos de uma vacina, mas temos apresentado avanços no estudo de microbicidas, tratamentos de pré e pós-exposição, e estratégias de prevenção da transmissão vertical. É importante entender que só o preservativo não basta, é preciso combinar diversas estratégias de prevenção, controle e tratamento da doença. Lidar com a questão do preconceito, que ainda é grande, e transformar as inovações em alternativas de tratamento e prevenção disponíveis a toda a população também são questão fundamentais para os próximos anos”, acredita o francês.

HIV no Brasil

Bernardo Galvão, hoje pesquisador da Fiocruz-Bahia e um dos responsáveis pelo isolamento pioneiro do HIV no Brasil, realizado no Instituto Oswaldo Cruz em 1987, destacou a capacidade brasileira de responder ao surgimento da Aids e abordou os avanços nacionais na luta contra a doença. “O isolamento do vírus foi um marco da pesquisa nacional, mostrou como é fundamental investir em saúde e ciência para preparar o país para o surgimento de novas doenças. A partir dele foi possível desenvolver, por exemplo, um sistema de triagem dos bancos de sangue do país, conquista que colocou o Brasil no cenário mundial de luta contra a doença, rendendo à Fiocruz participação na Rede Internacional de Isolamento e Caracterização do HIV”, lembrou Galvão. “Hoje, a sociedade brasileira conquistou acesso ao tratamento gratuito para a doença através do Sistema Único de Saúde e nossos pesquisadores continuam produzindo conhecimento científico de ponta sobre a Aids”, concluiu.

Mariza Morgado destacou a importância do trabalho realizado por Willy e seus colaboradores no momento em que perceberam estar diante de uma nova doença, muito diferente de todas que existiam até então. “Estes foram momentos únicos e decisivos no estudo da Aids, em que a pesquisa superou o medo e o preconceito, possibilitando todos os avanços conquistados nestes últimos 30 anos”, afirmou. Para Claudio Ribeiro, a importância da atuação do francês extrapola as bancadas do laboratório. “Além de grande pesquisador clínico, Willy sempre desempenhou papel fundamental na produção de informação sobre o vírus, atuando na superação de preconceitos e no esclarecimento da população”, afirmou.

Descoberta

Na conferência HIV 1981 – 2011: Pesquisa, Descoberta e Perspectivas, Willy recordou o momento em que um estranho dado epidemiológico fez sua carreira de clínico interessado na epidemiologia de doenças infecciosas mudar de rumos. “No início dos anos 1980, começaram a ser registradas muitas infecções oportunistas, como linfomas, em pacientes que não tinham nenhum motivo para apresentarem seu sistema imunológico debilitado. Primeiro, o único fator em comum entre quase todos eles era a homossexualidade, mas em pouco tempo os heterossexuais já representavam cerca de 10% das pessoas com essa imunodeficiência de origem desconhecida”, descreveu o pesquisador.

Valéria Rolla, do Ipec/Fiocruz, encerrou o evento relembrando os momentos que vivenciou ao lado de Willy durante a preparação de sua tese de doutorado, no Hospital Rotchild, na França. A pesquisadora destacou a dedicação do francês aos estudos pioneiros sobre o HIV e a multidisciplinaridade de sua abordagem. “Nossa equipe era formada por profissionais de diversas áreas, que constantemente trocavam conhecimento e informação, enriquecendo o processo de compreensão da Aids. Como uma doença muito complexa, o tratamento e a prevenção da Aids também precisam de abordagens variadas”, defendeu.

Fonte: Correio do Estado

Hong Kong organiza primeira conferência da Ásia sobre Aids entre homossexuais masculinos

Cerca de 140 especialistas da área de Aids se reuniram hoje (7) em Hong Kong para uma conferência de três dias na qual discutirão a prevenção de infeção do HIV (vírus da imunodeficiência humana) entre homens que têm relações sexuais com homens (MSM, na sigla em inglês) e o fortalecimento dos esforços no tratamento, proteção e apoio a essas pessoas.

É a primeira conferência desse tipo na Ásia com o objetivo de elevar os esforços na prevenção e tratamento da infeção do HIV e na proteção e suporte aos MSM e à população transgênera.

Intitulado “Reunião de Planejamento de Ações da Iniciativa HIV de Multicidades para MSM e Populações Transgêneras”, o evento é organizado conjuntamente pelo Departamento de Saúde de Hong Kong, a Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional, as organizações subordinadas ao sistema das Nações Unidas e outros parceiros regionais.

Ao discursar na cerimônia de abertura, o diretor de Saúde de Hong Kong, PY Lam, disse que o crescimento de infecções do HIV entre MSM durante os últimos anos em Hong Kong e nas outras regiões vizinhas alerta-nos sobre a importância de vigilância.

Em Hong Kong, as pesquisas revelaram que a prevalência do HIV na comunidade de MSM é muito mais alta que as outras populações em perigo, como os usuários clínicos de metadona e os usuários clínicos de higiene social.

Fonte: CRI ONLINE

 

 

Hong Kong organiza primeira conferência da Ásia sobre Aids entre homossexuais masculinos

Cerca de 140 especialistas da área de Aids se reuniram hoje (7) em Hong Kong para uma conferência de três dias na qual discutirão a prevenção de infeção do HIV (vírus da imunodeficiência humana) entre homens que têm relações sexuais com homens (MSM, na sigla em inglês) e o fortalecimento dos esforços no tratamento, proteção e apoio a essas pessoas.

É a primeira conferência desse tipo na Ásia com o objetivo de elevar os esforços na prevenção e tratamento da infeção do HIV e na proteção e suporte aos MSM e à população transgênera.

Intitulado “Reunião de Planejamento de Ações da Iniciativa HIV de Multicidades para MSM e Populações Transgêneras”, o evento é organizado conjuntamente pelo Departamento de Saúde de Hong Kong, a Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional, as organizações subordinadas ao sistema das Nações Unidas e outros parceiros regionais.

Ao discursar na cerimônia de abertura, o diretor de Saúde de Hong Kong, PY Lam, disse que o crescimento de infecções do HIV entre MSM durante os últimos anos em Hong Kong e nas outras regiões vizinhas alerta-nos sobre a importância de vigilância.

Em Hong Kong, as pesquisas revelaram que a prevalência do HIV na comunidade de MSM é muito mais alta que as outras populações em perigo, como os usuários clínicos de metadona e os usuários clínicos de higiene social.

Fonte: CRI ONLINE

 

 

ÁFRICA: CIRCUNCISÃO REDUZ O RISCO DA AIDS, MAS É FACA DE DOIS GUMES

A notícia de que a circuncisão poderia reduzir o risco de contrair a Aids, emergiu durante a III Conferência Internacional sobre a Aids, realizada de 24 a 27 de julho de 2005, no Rio de Janeiro.

Na época, falou-se de uma diminuição de 65% da possibilidade de contrair o vírus HIV, por razões, sobretudo, de higiene e, portanto, “mecânica”, porque se limitaria a evitar a ulceração das mucosas, e consequentemente, o surgimento de microferidas através das quais o vírus poderia penetrar na corrente sanguínea. Desde então, o sistema foi adotado em diversas partes do mundo, com resultados confortadores.

Os estudiosos da agência francesa Inserm monitoraram, em 2006, três mil homens não contagiados, de idades compreendidas entre 18 e 24 anos, na província de Guateng, na África do Sul, onde o índice de difusão do vírus é de 32%.

Parte dos homens havia sido circuncidada antes do início do estudo; os demais o foram 21 meses após o início do mesmo. No final da pesquisa, os dados demonstraram que 69 homens haviam sido contagiados pelo HIV, mas apenas 18 dos soropositivos pertenciam ao grupo circuncidado antes do início da pesquisa.

Mais recentemente, na Suazilândia – um dos países do sul da África dentre os mais atingidos pela pandemia – a redução do contágio do HIV entre os circuncidados foi de 60%.

Este ano, durante a Conferência sobre a Aids, em Viena, Áustria, Bill Clinton e Robert Gates falaram a favor da circuncisão masculina, indicando-a como uma das soluções mais econômicas e eficazes na prevenção da Aids.

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceram que a circuncisão pode reduzir os casos de infecção, embora se manifestem prudentes quanto à sua real eficácia, por temerem que quem tenha sido circuncidado possa sentir-se autorizado a adotar comportamentos arriscados, que antes eram evitados. Neste caso – afirma a OMS – o remédio seria “pior que o mal em si mesmo”, ou seja, “pior a emenda que o soneto”, como dizemos no Brasil.

Fonte: Rádio Vaticana