Ministério da Saúde prepara plano emergencial para enfrentar epidemia de aids no Rio Grande do Sul

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Um Grupo de Trabalho reuniu-se na última sexta-feira, em Porto Alegre (RS) para discutir um plano de ação para o enfrentamento da situação epidemiológica do estado. Atualmente, o Rio Grande do Sul é o estado com as maiores taxas de detecção de aids no país, ocupando o primeiro lugar entre as Unidades da Federação desde 2006, com taxa atual de 40,2 por 100 mil habitantes. A taxa geral do Brasil é de 20,2.

Para Fábio Mesquita, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o Rio Grande do Sul “apresenta um panorama epidêmico muito particular, com concentração em populações específicas e tendência de crescimento para além das populações mais vulneráveis”. Essa situação emergencial levou o Ministério da Saúde a instituir uma Cooperação Interfederativa entre os governos estadual, municipal e federal, em conjunto com representantes locais da sociedade civil, como universidades, a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids, o Movimento da Cidadãs Positivas, a Rede de Jovens Vivendo e Convivendo com HIV e Aids e o Fórum ONG/Aids do Estado.

Ricardo Kuchenbecker, coordenador geral do Grupo de Trabalho, destacou “o caráter inédito da iniciativa do Ministério da Saúde, que pela primeira vez reúne uma gama ampla de atores envolvidos na resposta à epidemia para, num plano de emergência, enfrentar as peculiaridades da situação epidemiológica do estado”. Kuchenbecker disse ainda que, num primeiro momento, será criada uma sala de situação que irá monitorar a assistência, prevenção e a gestão dos serviços, de forma a se ter um panorama geral da situação. A partir daí, a meta é estabelecer um plano de trabalho para, em 120 dias, fazer um diagnóstico da situação e um plano de trabalho para estabelecimento de ações nos próximos 12 meses, explicou o coordenador.

Nas discussões desta sexta-feira, ficou acertada como ação de emergência a ampliação da testagem e da oferta do diagnóstico, de forma a iniciar imediatamente o tratamento das pessoas infectadas. Além disso, foi definido como eixo prioritário o combate ao estigma e preconceito, integrado à incorporação de novas tecnologias. O grupo reunido nesta sexta-feira apontou, como principal tarefa para responder à epidemia no RS, a mudança de paradigma de uma “lógica da prestação de serviços para a lógica das redes de atenção”. O movimento social presente manifestou a posição de que as ações relacionadas às novas tecnologias sejam realizadas dentro das estruturas do sistema de saúde existentes.

Também fazem parte do grupo de trabalho reunido hoje representantes do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e dos Programas de DST e Aids de municípios prioritários como Porto Alegre, Caxias do Sul, Rio Grande, São Leopoldo e Viamão. O grupo, que reuniu cerca de 40 pessoas, conta com assessoria de um grupo de apoio técnico especializado, composto por Paulo Roberto Teixeira, do programa estadual de DST e Aids do estado de São Paulo; Ésper Georges Kallas, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Valdiléia Gonçalves Veloso dos Santos, da Fiocruz; e Amilcar Tanuri, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Situação epidemiológica – O estado do Rio Grande do Sul identificou (de 1983 a junho de 2012) 65.852 casos de aids, representando 50,3% dos casos acumulados na Região Sul e 10,0% dos casos identificados no Brasil. Em 2011, a população do estado representava cerca de 5,6% da população do Brasil e seu número de casos para o mesmo ano representava 11,1% do total de casos do país.

De 2002 a 2011, o estado apresentou as maiores taxas de detecção de aids do país, quando comparadas às taxas observadas nas demais Unidades da Federação e às taxas do Brasil e da Região Sul. De 2009 a 2011, as taxas de detecção do Rio Grande do Sul foram duas vezes maiores do que as taxas do país.

Fonte: Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais 

Epidemia de aids pode chegar ao fim em 2030, diz ONU

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A luta contra a Aids entrou em uma nova fase – e já é possível vislumbrar o fim da epidemia em 2030, afirmou Luis Loures, diretor-executivo-adjunto da Unaids, programa da Organização das Nações Unidas destinado a combater a doença. “Eu penso que 2030 é uma meta viável para dizer que chegamos ao fim da epidemia. O HIV vai continuar existindo com um caso aqui e outro ali, mas não no nível epidêmico como temos hoje”, disse Loures, durante um encontro com jornalistas no Panamá.

Segundo dados da Unaids, todos os anos são registradas 3 milhões de novas infecções com o HIV no mundo, provocando a morte de 1,7 milhão de pessoas anualmente. Mas, em decorrência dos avanços recentes no combate à doença, esse número pode estar prestes a mudar. “Podemos chegar ao fim da epidemia porque temos tratamento e forma de controlar as infecções. Estamos avançando, não há dúvidas”, afirmou Loures, que está no Panamá para discutir com agências das Nações Unidas na América Latina novas estratégias para combater a doença.

 

Esse avanço recente na luta contra a doença ocorre graças a um acesso maior aos medicamentos e a uma queda considerável em seu custo. Há 20 anos, o tratamento anual para uma pessoa com HIV custava em média 17.000 dólares. Hoje, o custo é de apenas 150 dólares anuais, o que se deve, em grande parte, à introdução dos remédios genéricos. Além disso, as pessoas com o HIV iniciam os tratamentos cada vez mais cedo, o que retarda o aparecimento da doença.

Segundo a Unaids, o número de novas infecções anuais caiu 20% na última década e, em uma lista mais restrita de 25 países (13 deles da África subsaariana), caiu 50%. Além disso, em apenas 24 meses, o número de pessoas com acesso ao tratamento para o HIV aumentou 60%. Luis Loures afirmou que, apesar dos avanços, o desafio atual no combate à doença é atingir os grupos mais vulneráveis, como os homossexuais masculinos, trabalhadores sexuais e consumidores de drogas — que não têm um maior acesso aos tratamentos por medo de serem discriminados e criminalizados. “Se não conseguirmos controlar a epidemia nesses grupos, a aids continuará conosco”, disse.

No final de 2011, 34 milhões de pessoas viviam com o HIV em todo o mundo, a maioria (69%) na África Subsaariana, onde um em cada 20 adultos vive com a doença.  Essa região africana é seguida pelo Caribe, Leste Europeu e Ásia central, onde em 2011, 1% dos adultos vivia com HIV.

Fonte: VEJA

Governo e sociedade civil discutem estratégias de prevenção no combate à aids na cidade de São Paulo

Com o tema “Prefeitura de São Paulo e Sociedade Civil – Resposta à epidemia de HIV/aids no município”, movimento social e governo se reuniram nesta terça-feira, 13 de agosto, na região central de São Paulo, para discutir e socializar os resultados e desafios que as ONGs enfrentam na luta contra aids na cidade.

Durante o Seminário, os 19 projetos de ação comunitária das organizações da sociedade civil aprovados na seleção pública de 2012, foram apresentados em cinco painéis: “Atenção às Pessoas Vivendo com HIV/aids”, “Prevenção com Jovens na Zona Sul”, “Mulheres e Homens”, “Centro de São Paulo na Prevenção” e “Prevenção na Comunidade e Controle Social”.

Um dos debates que mais despertou atenção foi o que abordou a saúde do homem. A presidente do Instituto Cultural Barong, Marta McBritton, apresentou no painel “Mulheres e Homens”, o projeto “Cuidando Dele”, que visa conscientizar, prevenir e promover a saúde do homem.

“É difícil trabalhar prevenção do HIV com a população masculina, mas nós do Barong descobrimos que é possível desde que a informação seja facilitada para este público”, declarou. Marta conta que uma das estratégias usadas pela ONG para conscientizar esta população é abordá-los durante a entrada ou saída do trabalho.

“O homem é educado, desde criança, para ser super homem e não enxergar a própria vulnerabilidade, o que normalmente não acontece com mulheres e gays. Quando meninos eles vão ao pediatra, mas quando se tornam adolescentes ou adultos raramente procuram um médico”, explica a especialista em prevenção em saúde.

Ela esclarece ainda que foram essas atitudes que a motivaram a pensar em um guia para homens. O material dá dicas para um bom desempenho sexual e informa sobre planejamento familiar, doenças sexualmente transmissíveis, entre outros assuntos. 

Além deste debate, o dia foi marcado também por discussões sobre atenção às pessoas vivendo com HIV/aids, diversidade na região central do município e o trabalho de prevenção que as ONGs/aids realizam nas periferias. 

A coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Eliana Battaggia Gutierrez, considerou o evento bastante proveitoso, tendo ampliado a compreensão sobre os trabalhos desenvolvidos. 

“Não foi por acaso que este seminário aconteceu, essa é uma preparação para a Conferência Municipal de Saúde. Discutimos uma série de questões e nossa intenção é socializar o maior número possível de informações, propostas e projetos para que os representantes dos usuários e dos profissionais de saúde discutam as recomendações na Conferência”, finalizou.

O material usado pelas ONGs nas apresentações dos painéis estarão disponíveis em breve no site do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo. 

Fonte: Agência de Noticias da AIDS

Apesar da evolução no controle da AIDS, doença ainda traz desafios para governos

Trinta anos se passaram desde que uma equipe de pesquisadores franceses liderados por Luc Montagnier publicou um artigo identificando o vírus responsável pela recém-descoberta síndrome da imunodeficiência adquirida.

De sentença de morte, a aids evoluiu para uma doença controlável por medicamento, adquirindo status de crônica. Até casos de cura funcional já foram registrados, mas três décadas após o isolamento do HIV (quando ele ainda nem tinha esse nome, em 20 de maio de 1983), a doença segue trazendo desafios para a saúde pública.

Essa é a opinião de infectologistas brasileiros que investigam os rumos da epidemia. Uma velha tendência, por exemplo, que se julgava minimizada entre o fim da década de 1900 até o início dos anos 2000, está preocupando novamente.

“A cara da epidemia mudou, as pessoas não morrem mais, mas a principal população a ser afetada voltou a ser a de homens que fazem sexo com homens”, diz o infectologista Alexandre Naime Barbosa, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

Não é mais uma questão de se falar em grupo de risco – como ocorreu no começo da epidemia e criou estigmas até hoje dolorosos -, mas entender quem está mais vulnerável, explica.

Segundo Barbosa, após o início brutal da epidemia entre a população homossexual – em São Francisco, Estados Unidos, por exemplo, eles eram 80% dos infectados, o que fez a doença ser chamada de câncer gay -, a incidência entre os heterossexuais se ampliou e chegou a ser maioria dos casos. Em meados dos anos 2000, porém, o quadro sofreu uma reversão.

Citando dados do Ministério da Saúde, Barbosa lembra que em 2005 entre homens de 15 a 24 anos infectados, 32% tinham sido contaminados em relações heterossexuais e 23,4% em homossexuais.

Em 2009, as relações heteros e homos respondiam, cada uma, por 24,3% dos casos. Já em 2010, eram, respectivamente, 21,5% e 26 9%. Nos dados mais recentes do Ministério da Saúde, de 2012, homens que fazem sexo com homens aparecem como de maior vulnerabilidade: 10,5% estão infectados. Na população em geral, a incidência é de menos de 0,5%.

Para Barbosa, como se avançou muito no controle da doença nos últimos anos, a ponto de que uma pessoa que tome rigorosamente sua medicação tenha uma expectativa de vida semelhante a de quem não tem HIV, houve uma certa redução da percepção do risco, deixando principalmente os jovens menos cautelosos.

Fora da agenda

Outro efeito colateral desse avanço no tratamento, opina o infectologista Ricardo Diaz, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é o risco de que a aids saia da agenda. “Mas não deveria, porque o problema ainda existe. A taxa de novos casos se mantém constante”, afirma. No Brasil, na última década, a incidência tem sido, em média, de 37 mil casos por ano.

Para Diaz, é preciso focar também nas mulheres. “A distribuição da doença entre os gêneros está quase igual”, diz. Se no início da epidemia chegou a ser de 28 homens para cada mulher, hoje, a cada 1,5 homem infectado, uma mulher também está. Outra recomendação é o teste universal. “Quanto mais gente for testada mais gente será colocada em tratamento. Só assim a transmissão vai diminuir.”

Fonte: Agência ESTADO

Descoberta do vírus da Aids pelos franceses completa 30 anos

Em 2011, o mundo registrou os 30 anos da epidemia da Aids, já que em 1981 foram notificados os primeiros casos da doença que causava imunodeficiência severa e afetava especialmente homens gays. Mas foi em 20 de maio de 1983 que o cientista Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França,  isolou pela primeira vez o vírus causador da doença – uma história que ficou marcada pela rivalidade com o americano Robert Gallo, então ligado ao Instituto Nacional do Câncer dos EUA.

Desde o início da década de 1980, Montagnier e Gallo estavam debruçados em estudos para descobrir o causador da doença, transmitida sexualmente e por sangue contaminado. Ambos sabiam que se tratava de um retrovírus e chegaram a trocar amostras. Alguns meses após o relato do cientista francês, em abril de 1984, os EUA divulgaram que Gallo havia descoberto o vírus da Aids, e que ele seria diferente do identificado pelos pesquisadores franceses, que reagiram. 

Descobriu-se, mais tarde, que o americano estava trabalhando com uma amostra que tinha sido contaminada no laboratório de Montagnier. No final das contas, o mérito da descoberta acabou dividido entre o Instituto Nacional de Saúde dos EUA e o Instituto Pasteur.

Só em 2008, contudo, que a disputa teve um ponto final, com a entrega do Nobel de Medicina a Montagnier e sua colega, Françoise Barre-Sinoussi. Os cientistas franceses foram gentis e disseram que Gallo era igualmente merecedor do prêmio. O americano também foi educado e parabenizou a dupla pela “honraria”. 

Três décadas depois, a Aids continua a ser uma doença sem cura, que causou a morte de mais de 30 milhões de indivíduos. Apesar dos avanços inegáveis no que se refere ao tratamento e na qualidade de vida dos pacientes, a Unaids (departamento das Nações Unidas voltado para a doença) alerta que há 34 milhões de pessoas convivendo com a enfermidade no mundo. E que, em países em desenvolvimento, ainda há muita gente sem acesso aos antirretrovirais. 

Fonte: UOL

ONGs do Pará alertam para crescimento da epidemia de aids no estado

Em nota enviada à imprensa, o fórum de ONGs/Aids do estado do Pará alerta para o aumento do número de casos de infecção pelo HIV no estado. Segundo o documento enviado por email, o Ministério da Saúde indica que o número de óbitos por HIV/aids em Belém, atualmente é duas vezes maior que a taxa brasileira, que é de 6,31 por 100.000 habitantes. De janeiro até junho de 2012, Belém teve uma taxa de 13,71 casos por 100.000 habitantes

Segundo o grupo, os dados evidenciam o crescimento da epidemia no Pará, e, com isso, a vulnerabilidade do sistema de assistência à saúde em todo o Estado. Confira outras informações divulgadas pelos ativistas:

No período de 1980 a 2010, ocorreram 8.154 óbitos tendo como causa básica a aids, na Região Norte, sendo a maioria no Estado do Pará (4.186 óbitos; 51,3%), no Amazonas (2.117; 26%), e em Rondônia (820; 10,1%). No ano de 2010, ocorreram 923 óbitos na Região Norte, sendo 480 (52,0%) no Pará, 277 (30,0%) no Amazonas, 71 (7,7%) em Rondônia, 37 (4,0%) no Tocantins, 32 (3,5%) em Roraima, 14 (1,5%) no Acre e 12 (1,3%) no Amapá.

Segundo informações do DAME – HUJBB, a taxa de óbitos por aids em mulheres aumentou desde 2010, quando foi de aproximadamente de 22,34% do total de óbitos, para 28,12% em 2011, atingindo 31,74% apenas no primeiro semestre de 2012.

Considerando que a reforma do espaço físico do hospital obrigou à redução do números de leitos para pacientes com HIV aids de 30 para 20 isso indica que há mais mulheres sendo internadas em estado grave com aids no hospital; que há o diagnóstico tardio de HIV-aids em mulheres; a existência da feminização da epidemia; e a vulnerabilidade do programa de aids em Belém.

Com relação aos homens, de acordo com os dados fornecidos pelo DAME-HUJBB, a taxa de óbitos por aids, que em 2010, foi de 77/65% caiu levemente para 71,87% em 2011, atingindo o valor alarmante de 46,51%, só no primeiro semestre de 2012.

Considerando que o hospital HUJBB é referência regional no atendimento de pacientes com aids, e que vários casos tem o diagnóstico definido apenas na internação hospitalar, constata-se que a rede básica de saúde do município de Belém não é eficiente na detecção precoce do HIV. O diagnóstico tardio é uma realidade em Belém. No Hospital Barros Barreto de cada três altas de aids uma delas é por óbito, nos três últimos anos.

O diagnóstico tardio compromete severamente o tratamento do paciente, já que este é admitido no hospital com um quadro clínico gravíssimo. Muitas vezes o usuário descobre não apenas uma doença oportunista grave, mas a sua própria condição de soropositivo já no hospital.

Considerando que 42% das mulheres e 25% de homens investigados, no período de 2010 ao 1° semestre de 2012, procedem do interior do Estado, isso indica a deficiência de diagnóstico de HIV no interior do Estado do Pará. O Estado, que possui 144 municípios, registra apenas 57 CTA’s, sendo 7 na região metropolitana e 50 para atender aos demais municípios paraenses, significando que 2/3 do Estados estão sem cobertura para o diagnóstico de HIV-Aids.
No período de 1998 a 2010, pode-se observar um aumento na taxa de incidência de aids na Região Norte, passando de 6,1/100.000 habitantes em 1998 para 20,6 em 2010, o que corresponde a um crescimento de 237,7%. No Pará, em 2010, a taxa de incidência de aids, aumentou para 19,5; ultrapassando a média nacional (17,9).

Belém (41,3) é a 3° capital em incidência de casos de aids na Região Norte. E nos municípios com mais de 50 mil habitantes, destacam-se: Paragominas/PA (54,2), Benevides/PA (40,7), Redenção/PA (35,7), Marituba/PA (32,3), Ananindeua/PA (27,5), e Bragança/PA (27,4).

LEITOS
O Pará tem um hospital de referência para tratamento de HIV/aids, o Hospital Universitário João de Barros Barreto, do SUS, que dispõe de um total de 30 leitos para a síndrome. Em Belém, mais quatro hospitais públicos oferecem leitos do SUS para HIV, são eles: Hospital de Clínicas (4 leitos), Fundação Santa Casa (4 leitos), Hospital Dom Luis – Beneficência Portuguesa (2 leitos), Hospital da Ordem Terceira ( 2 Leitos) totalizando 42 leitos de HIV aids para a capital do Estado, Belém, para onde se dirigem a maioria de usuários.

Apenas dois hospitais privados destinam leitos para tratamento de casos de HIV/aids, são eles: Hospital Porto Dias (2 leitos) e Hospital Adventista de Belém (3 Leitos).

No interior do Estado estão 26 leitos disponíveis para o SUS, em diferentes hospitais nas cidades de Alenquer, Altamira, Ananindeua, Aurora do Pará, Barcarena, Bragança, Castanhal, Marabá, Marituba, Redenção, Santarém e Tucurui. Todo o SUS no Estado do Pará dispõe, em dados oficiais, de 68 leitos, sendo 42 na capital e 26 no interior.

Considerando, portanto, que só existem 68 leitos hospitalares para pacientes HIV em todo o Estado, que tem uma população de 7.065.573 habitantes pode-se dimensionar a extensão da tragédia e compreender porque aids ainda significa morte na mentalidade dos paraenses.

Fonte: Agencia de Noticias da AIDS

Os novos rostos da epidemia de aids

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Bernardo é homossexual, universitário, tem 20 anos, namora firme e é fã de música eletrônica. O manto do anonimato sobre a verdadeira identidade, no entanto, ele vestiu depois de não usar camisinha no relacionamento fixo.

O jovem entrou para os números da aids no Brasil em 2012 e personifica o rosto da epidemia brasileira desenhado a partir dos registros mais recentes. No País, segundo balanço provisório do Ministério da Saúde, é crescente a parcela de homossexuais com menos de 24 anos contaminados pelo vírus HIV .

“Há 10 anos, os homens jovens que fazem sexo com homens representavam 40% dos novos registros em menores de 24 anos. Hoje, os gays já são metade destes novos casos, de acordo com nossas informações, ainda provisórias”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Oficialmente, pelos dados já tabulados, as relações homossexuais e bissexuais representam 32,2% das formas de contaminação masculinas em qualquer idade.

A maior participação dos homossexuais nos números repete o início da epidemia nacional, nos anos 1980, quando os gays eram o alvo principal das infecção, que destruía o organismo e condenava os soropositivos a uma curta sobrevivência – no máximo 2 anos.

Neste Dia Mundial de Luta Contra a Aids, os especialistas comemoram os avanços na medicina que ampliaram a sobrevivência dos infectados e sabem que associar a doença à homossexualidade é errada, preconceituosa e fadada ao fracasso.

A própria história da aids confirma isso. Há 30 anos, no início do contágio pelo vírus HIV, a doença chegou a ser chamada de “peste gay” e deu falsa a sensação de imunidade aos homens heterossexuais e às mulheres. A ideia, no entanto, caiu por terra em menos de três anos. Os homens que fazem sexo com mulheres foram somados aos 34,2 milhões de habitantes do planeta que hoje vivem com o vírus HIV e, no Brasil, 48% dos pacientes do sexo masculino contraíram a doença em relações heterossexuais desprotegidas.

“Deste total de 34 milhões com aids no mundo, 47% são do sexo feminino e na África, 65% dos casos são em mulheres”, ressalta Pedro Chequer, coordenador da Unaids no Brasil, entidade das Nações Unidas que trata da aids.

O consenso entre os estudiosos é de que o retorno dos homossexuais para o epicentro da aids não significa que os outros grupos possam ser excluídos das campanhas preventivas. Porém, é consenso também que os jovens gays precisam de atenção especial nas divulgações preventivas que reforçam a importância de não negligenciar o preservativo.

“Meus amigos heteros dizem que usam camisinha, mas a única preocupação é com a gravidez fora de hora. Como entre os gays não há possibilidade de gestação, o preservativo fica de lado. É um erro enorme e eu acho que nunca vou me perdoar por ter cometido esta falha”, diz Bernardo que foi contaminado pelo namorado, em uma relação estável e que o deixou “perigosamente confortável” para abandonar a prevenção.

O companheiro também descobriu ser soropositivo quase de forma simultânea à revelação de Bernardo. Juntos, eles precisaram superar o “autopreconceito” e as novas demandas no relacionamento impostas pela doença.

 

Múltiplas faces:

“Esta geração não perdeu ídolos para a aids”, sentenciou Padilha, tentando desvendar os motivos para metade dos jovens brasileiros admitir que não usa camisinha logo na primeira relação sexual, independentemente do sexo do parceiro.

Eles nasceram em uma época em que as feridas da aids foram cicatrizadas com a criação de medicamentos eficazes, que permitem vida praticamente normal aos portadores. Cresceram em meio aos estudos científicos que apontam como realidade possível uma vacina preventiva da doença .

Mas também são estes fatores, já alertou a fundadora do Instituto Cultural Barong, Marta McBritton – ela organiza caravanas pelo Brasil todo para distribuir camisinhas e explicar como usá-las – que deixaram o perfil da aids multifacetado.

Jovens gays dividem espaço nos registros com idosos que passaram a usar medicamentos para a disfunção erétil, voltaram à vida sexual ativa, mas temem que o preservativo ameace a potência sexual. Também dão rosto aos casos nacionais as mulheres com mais de 60 anos, que contraíram aids do marido, mas nem desconfiam estarem infectadas.

O governo federal também alerta para as meninas com menos de 20 anos, mais numerosas na aids, fazendo com que a faixa etária seja a única em que a proporção de infectadas é maior do que a de infectados: 1,4 casos entre elas para 1 caso entre eles (no restante do recorte etário a incidência é inversa, sendo os homens maioria).

Mais recentemente, usuários de crack – que somam 1,2 milhão no País – também ingressaram para o grupo de vulneráveis ao HIV.

“Os usuários de droga ainda representam quase 20% do total de formas de transmissão”, alertou Chequer.

“Já sabemos que não apenas os dependentes de drogas injetáveis (que compartilham seringas) correm risco. As nações já estão preocupadas com os que usam crack, já que a droga (fumada em cachimbo) favorece o comportamento sexual de risco.”

Costurados pelo preconceito

A linha que costura todos estes rostos à epidemia de aids, avalia Bernardo, é o preconceito. “Eu mesmo só atestei o quanto era preconceituoso depois que descobri ser soropositivo”, diz ele, sem reservas.

“Sou estudante da área da saúde mas, assim como muita gente, acreditava que aids só era problema dos promíscuos, dos baderneiros ou dos miseráveis. Fiz o teste da aids tendo certeza que o resultado era negativo. Quando o ‘positivo’ apareceu senti nojo de mim. Era raiva, culpa e medo. Medo de que me olhassem como eu olhava para quem tem HIV.”

São 11 meses vivendo com HIV, em um sigilo absoluto, com medo do julgamento alheio, o que justifica a opção de manter a doença em segredo para pais, irmão e amigos mais próximos.

“Pensei em suicídio, virei um nada. Daí descobri que a vida com o HIV pode ser mais leve e fiz um site para ajudar e desabafar com as pessoas, inúmeras, em situação parecida com a minha, o soropositivonet “.

“A minha vida está mais calma, tenho muitos planos. O HIV acabou me unindo ainda mais ao meu namorado. Mas não é nada bom ter o vírus. O melhor é usar camisinha”, diz Bernardo, esperando que a mensagem chegue aos homossexuais, heterossexuais, jovens, idosos, meninos, meninas e aos 135 mil brasileiros que têm aids e nem imaginam ser portadores do vírus .

Fonte: IG