Jovens que vivem com Aids participam de encontro na Capital (Ceará)

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Para o funcionário público Leandro Costa, 26, descobrir ser portador do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) não foi o fim, mas um novo começo. As incertezas pós-diagnóstico deram lugar à busca por informações sobre o vírus e a doença causada por ele, a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids). Assim como Leandro, outras pessoas buscam conhecer mais sobre o problema no 1° Encontro Estadual de Jovens Vivendo com HIV/Aids, organizado pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP).

A programação do encontro aborda questões relativas a diagnóstico, tratamento, direitos civis dessa juventude e sua inserção no mercado de trabalho. O conjunto dessas informações foram determinantes para Leandro levar uma vida normal. “A falta de informações torna a sensação da descoberta do vírus muito pior. A desinformação também fortalece o preconceito”, avalia. Segundo Leandro, o apoio da família e dos amigos também foi um diferencial no processo de aceitação e busca por tratamento.

Para o membro do RNP, Rodrigo Alencar, 27, o mais importante é usar todo o aparato público para cuidar da doença e lutar por mais direitos para garantir qualidade de vida. “Eu podia ficar esperando a morte chegar ou ir à luta. Escolhi a segunda opção”, enfatiza.

De acordo com o Ministério da Saúde, há um aumento na incidência de infecção do HIV na população de 20 a 49 anos de idade. Segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (de fevereiro), existem 12.062 casos diagnosticados do vírus da Aids no Ceará, sendo 7.482 em Fortaleza.

 

Serviço

1° Encontro Estadual de Jovens Vivendo com HIV/Aids

Onde: Hotel Mareiro, avenida Beira Mar, 2380, 3° andar

Quando: até hoje

 

Centro de Testagem e Aconselhamento em HIV/Aids

Onde: Centro de Saúde da Família Carlos Ribeiro – rua Jacinto Matos, 944 (Jacarecanga)

Horários: 8h às 11h; 13h às 17h

Mais informações: 85 3452 6375/ 85 3452 6376/ 85 3283 5927

 

 Fonte: O POVO

Apesar da evolução no controle da AIDS, doença ainda traz desafios para governos

Trinta anos se passaram desde que uma equipe de pesquisadores franceses liderados por Luc Montagnier publicou um artigo identificando o vírus responsável pela recém-descoberta síndrome da imunodeficiência adquirida.

De sentença de morte, a aids evoluiu para uma doença controlável por medicamento, adquirindo status de crônica. Até casos de cura funcional já foram registrados, mas três décadas após o isolamento do HIV (quando ele ainda nem tinha esse nome, em 20 de maio de 1983), a doença segue trazendo desafios para a saúde pública.

Essa é a opinião de infectologistas brasileiros que investigam os rumos da epidemia. Uma velha tendência, por exemplo, que se julgava minimizada entre o fim da década de 1900 até o início dos anos 2000, está preocupando novamente.

“A cara da epidemia mudou, as pessoas não morrem mais, mas a principal população a ser afetada voltou a ser a de homens que fazem sexo com homens”, diz o infectologista Alexandre Naime Barbosa, pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu.

Não é mais uma questão de se falar em grupo de risco – como ocorreu no começo da epidemia e criou estigmas até hoje dolorosos -, mas entender quem está mais vulnerável, explica.

Segundo Barbosa, após o início brutal da epidemia entre a população homossexual – em São Francisco, Estados Unidos, por exemplo, eles eram 80% dos infectados, o que fez a doença ser chamada de câncer gay -, a incidência entre os heterossexuais se ampliou e chegou a ser maioria dos casos. Em meados dos anos 2000, porém, o quadro sofreu uma reversão.

Citando dados do Ministério da Saúde, Barbosa lembra que em 2005 entre homens de 15 a 24 anos infectados, 32% tinham sido contaminados em relações heterossexuais e 23,4% em homossexuais.

Em 2009, as relações heteros e homos respondiam, cada uma, por 24,3% dos casos. Já em 2010, eram, respectivamente, 21,5% e 26 9%. Nos dados mais recentes do Ministério da Saúde, de 2012, homens que fazem sexo com homens aparecem como de maior vulnerabilidade: 10,5% estão infectados. Na população em geral, a incidência é de menos de 0,5%.

Para Barbosa, como se avançou muito no controle da doença nos últimos anos, a ponto de que uma pessoa que tome rigorosamente sua medicação tenha uma expectativa de vida semelhante a de quem não tem HIV, houve uma certa redução da percepção do risco, deixando principalmente os jovens menos cautelosos.

Fora da agenda

Outro efeito colateral desse avanço no tratamento, opina o infectologista Ricardo Diaz, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é o risco de que a aids saia da agenda. “Mas não deveria, porque o problema ainda existe. A taxa de novos casos se mantém constante”, afirma. No Brasil, na última década, a incidência tem sido, em média, de 37 mil casos por ano.

Para Diaz, é preciso focar também nas mulheres. “A distribuição da doença entre os gêneros está quase igual”, diz. Se no início da epidemia chegou a ser de 28 homens para cada mulher, hoje, a cada 1,5 homem infectado, uma mulher também está. Outra recomendação é o teste universal. “Quanto mais gente for testada mais gente será colocada em tratamento. Só assim a transmissão vai diminuir.”

Fonte: Agência ESTADO

Informação precoce é arma contra a Aids

O ano de 2005 bateu o recorde de novos casos de contaminação pelo HIV: 4,9 milhões de pessoas foram infectadas no mundo, segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado há uma semana.

Reunidos no 14º Congresso Brasileiro de Infectologia, que acontece em Belo Horizonte, especialistas avaliam que, para barrar o avanço da doença, é necessário antecipar as ações educativas e preventivas tendo como principal alvo os pré-adolescentes, ou seja, aqueles que ainda não iniciaram sua vida sexual.

“É preciso mudar o comportamento de quem já iniciou a vida sexual, mas é fundamental criar um novo comportamento entre os mais jovens para que eles cresçam sabendo como lidar com a doença”, afirmou Luiz Antônio Loures, vice-diretor da Unaids, organismo da ONU de combate à Aids.

Segundo o especialista, o entrave à prevenção não é a falta de informação e sim os tabus sociais envolvendo a questão do sexo, o que dificulta colocar em prática o conhecimento adquirido.

Para o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Antônio Toledo, o combate à doença deve, também, levar em conta o contexto socioeconômico do segmento social ao qual se dirige a campanha contra a Aids e critica os programas públicos de prevenção por ignorarem esse fato.

Preconceitos 
O presidente da comissão científica do congresso, Dirceu Bartolomeu Greco, compartilha dessa idéia. “Existe o problema do gênero. Por exemplo, o preconceito contra a mulher que anda com camisinha na bolsa”, disse.

Ele ainda chama a atenção para comportamentos comuns, mas perigosos, como o de pessoas que deixam de usar o preservativo por acreditar que a estabilidade da relação põe fim ao risco ou o de pessoas habituadas a usar o preservativo e que acabam abrindo exceções.

Os especialistas apontam, ainda, para outro desafio a ser vencido na luta contra o HIV: o problema da discriminação. “As pessoas vêem a Aids como um problema alheio e os portadores como um problema para a sociedade”, afirma Loures.

A discriminação, informam, ocorre principalmente na América Latina, onde atualmente há o maior crescimento no número de contaminados: 200 mil novas infecções só em 2005.

Vacina 
Em 2005 a Aids, no mundo, consumiu investidos de US$ 8,3 bilhões. Um valor bem maior do que o de 1996, de US$ 300 milhões, e inferior ao previsto para 2007: US$ 20 bilhões.

Apesar do aumento nas cifras, Loures afirma que os recursos são insuficientes para buscar uma vacina e não arrisca fazer previsões para a descoberta do medicamento. Por outro lado, o especialista explica que houve um avanço científico, resultando em tratamentos mais efetivos e menos tóxicos ao paciente.

O problema dos medicamentos mais recentes é o preço, o que restringe seu consumo em países economicamente atrasados. A solução para isso, segundo o especialista, seria existir uma maior solidariedade internacional, além da busca de formas alternativas para baratear o custo dos medicamentos como a produção de genéricos.

Os especialistas continuam reunidos até o próximo dia 30, no Minascentro. Além da Aids, durante o evento também serão debatidos temas como doenças emergentes ” como a gripe aviária “, transmissão de tuberculose e tratamento de hepatite.

Fonte: O Tempo

PROCURA-SE URGENTE! JOVENS SOROPOSITIVOS PARA CAMPANHA MTV

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Uma de nossas amigas leitoras do blog está a procura de jovens soropositivos de até 27 anos, que morem em SP, para participar de matérias sobre Prevenção da Aids. Os depoimentos serão para a MTV. 

Por favor, quem puder ajudar entrem em contato com a Milene Ruiz pelo e-mail: mileneruiz.mrr@gmail.com até 25/05/2013 ou entrem em contato com a gente via inbox, no facebook.com/hivempauta

Novos casos de HIV dobram em 1 ano em Vila Velha, segundo prefeitura

O número de novos casos de infectados pelo vírus HIV mais que dobrou em Vila Velha, na região Metropolitana do Espírito Santo, segundo dados do Programa DST/AIDS da Secretaria de Saúde do município. De 2011 para 2012, o número saltou de 41 para 103. E neste ano,já foram registrados 41 novos casos. Entre os jovens de 18 e 29 anos, a quantidade de exames positivos também aumentou. Em 2011, foram 21 casos. No ano seguinte, 43 eram jovens.

Para a médica responsável pelo programa, Nilzete Messner, os dados da pesquisa revelam que os jovens não têm mais medo da doença. “Não é como na década de 80, quando as pessoas morriam de AIDS rapidamente. Vários artistas morreram de AIDS e acho que isso fez aquela geração sentir mais medo da doença. Infelizmente esse medo já não é o mesmo nos dias de hoje”, afirmou. 

Uma das pessoas que enfrenta a doença tem 26 anos e prefere manter a identidade preservada. Ela contou que descobriu que era HIV positivo há dois meses, quando teve um problema de saúde. “Há dois anos eu estava em uma relação e acabei não usando preservativo com meu namorado. Depois disso, ele me contou que era HIV positivo. Por dois anos eu imaginei que também pudesse ter HIV, mas não fazia o teste por medo. Até que há dois meses eu tive um problema de saúde, que me fez fazer o teste. Não me surpreendi com o resultado positivo por que já desconfiava. Senti muita raiva dele, por ele ser da área de saúde e saber de sua condição”, disse.

 

A médica também pontuou que o os dois principais motivos para o aumento no número de casos são comportamento sexual de risco e a visibilidade do serviço de testagem rápida para HIV. “O que leva esses jovens a adotar um comportamento de risco é a falta de informação. É cultura antiga que ainda persiste. Em épocas passadas ninguém usava preservativo. Hoje, para iniciar a vida sexual usando camisinha, tem de ser conversado desde o início da adolescência, e isso falta. Falta muita conversa˜, completou.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Vila Velha, é possível realizar o teste gratuito no Centro de Testagem e Aconselhamento DST/AIDS, no prédio da secretaria, que fica no Centro de Vila Velha. O telefone para contato é o (27) 3139-9151.

Fonte: G1

Aids: quatro em cada dez jovens dispensam uso de camisinha em relacionamento estável

Quatro em cada dez jovens brasileiros acham que não precisam usar camisinha em um relacionamento estável. Além disso, três em cada dez ficariam desconfiados da fidelidade do parceiro caso ele propusesse sexo seguro. A conclusão é da pesquisa Juventude, Comportamento e DST/Aids realizada pela Caixa Seguros com o acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

O estudo ouviu 1.208 jovens com idades entre 18 e 29 anos em 15 estados (Rondônia, Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás) e no Distrito Federal. As mulheres correspondem a 55% da amostra e os homens, a 45%.

O estudo foi repassado à Agência Brasil para divulgação antecipada hoje (1º), Dia Mundial de Luta Contra a Aids. A pesquisa será oficialmente lançada na próxima segunda-feira (5).

Ao todo, 91% dos jovens entrevistados já tiveram relação sexual; 40% não consideram o uso de camisinha um método eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) ou gravidez; 36% não usaram preservativo na última vez que tiveram relações sexuais; e apenas 9,4% foram a um centro de saúde nos últimos 12 meses para obter informações ou tratamento para DSTs.

Os dados mostram que falta aos jovens brasileiros o conhecimento de algumas informações básicas, já que um em cada cinco acredita ser possível contrair o HIV utilizando os mesmos talheres ou copos de outras pessoas e 15% pensam que enfermidades como malária, dengue, hanseníase ou tuberculose são tipos de DSTs.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador da pesquisa, Miguel Fontes, destacou que o grau de escolaridade dos jovens também influencia na adoção de atitudes e práticas responsáveis em relação ao sexo seguro. Outra constatação, segundo ele, é que ter pais ou profissionais de saúde como principais fontes de informação sobre sexo é um fator determinante para que os jovens adotem melhores práticas em relação a DSTs.

“Notamos que os jovens menos vulneráveis são aqueles que conversam com os pais sobre sexualidade e que têm maior escolaridade. Mas pouquíssimos conversam com os pais sobre isso e a maioria não está estudando, repetiu alguns anos na escola. Embora eles não percebam, essa vulnerabilidade em relação à aids existe e é latente”, disse.

As recomendações feitas pelo estudo incluem maiores investimentos em conteúdos de qualidade sobre sexo e aids na internet; programas sociais que tenham a juventude como público-alvo e que envolvam a família dos participantes; estreitar laços com professores que trabalham com jovens, a fim de proporcionar algum tipo de formação ou capacitação para tratar temas relacionados a DST e aids; e massificar a informação de que existe uma relação direta entre o consumo de álcool e o aumento da vulnerabilidade dos jovens em relação ao sexo seguro.

“No lugar de campanhas massivas na TV e no rádio, precisamos de canais diretos na internet. Ela age hoje como um gancho muito forte e é necessário levá-la em consideração como uma ferramenta educativa, além de reforçar o papel dos pais, fonte de educação mais confiável, e dos profissionais de saúde. Muitas vezes, os amigos são a principal fonte de informação do jovem, mas isso não implica em um melhor nível de conhecimento”, ressaltou o coordenador do estudo.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que os brasileiros com idade entre 15 e 29 anos representam 40% da população, totalizando 50 milhões de jovens. Levantamentos do Ministério da Saúde mostram uma tendência de crescimento de novas infecções pelo HIV nessa faixa etária desde 2007, chegando a 44,35 registros para cada grupo de 100 mil pessoas.

Atualmente, entre 490 mil e 530 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 135 mil não sabem que têm o vírus. A incidência da aids no país, em 2011, chegou a 20,2 casos para cada 100 mil habitantes. No ano passado, foram registrados 38,8 mil novos casos da doença – a maioria nos grandes centros urbanos.

Fonte: Agência Brasil

Vítima obscura da Aids

Um composto que ajuda a salvar milhares de vidas todos os anos pode provocar sérios prejuízos à saúde auditiva de crianças e jovens. Pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP) apontou que o remédio lamivudina (3TC), utilizado no tratamento da Aids, aumenta em 5,8 vezes as chances de um paciente com HIV nessa faixa etária sofrer perda na audição.

O trabalho, realizado pela fonoaudióloga Aline Medeiros da Silva em seu doutorado, tinha como objetivo avaliar os prejuízos que o HIV traz para a audição de crianças e jovens. A pesquisa confirmou ainda que as perdas auditivas nesses pacientes também estão associadas a uma forma grave de otite, muito comum em quem tem HIV/Aids.

O estudo foi realizado com 106 crianças e adolescentes entre cinco e 19 anos que têm HIV e estão em tratamento contra o vírus. Para saber quais medicamentos eram utilizados e as durações das terapias, a pesquisadora analisou os prontuários dos pacientes. Além disso, todos passaram por uma avaliação auditiva, incluindo um exame de audiometria tonal, que verifica a qualidade da audição.

Os resultados desse teste foram enquadrados em duas classificações de surdez: Asha, que registra qualquer pequena alteração como perda auditiva; e Biap, menos rigorosa. Segundo esta última, 35,8% dos jovens analisados apresentaram perda de audição. Considerando os critérios da Asha, esse percentual sobe para 59,4%. Esses valores são equivalentes aos verificados em pesquisas anteriores. A ocorrência de problemas de audição afeta entre 2% e 24% das crianças e dos adolescentes saudáveis.

Com base na classificação Biap, o estudo constatou que 43,8% dos jovens que tomavam lamivudina sofreram perda auditiva. Esse percentual foi de 9,5% entre os que não usavam o medicamento.

Lamivudina x AZT

Os efeitos prejudiciais da lamivudina parecem atingir apenas crianças e adolescentes. Em estudos anteriores feitos com adultos, o medicamento não teve relação com danos aos ouvidos dos pacientes, mas a zidovudina (AZT), também usada no tratamento da Aids, sim.

“O motivo para isso pode ser a diferença entre as estruturas das orelhas, já que as dos jovens ainda estão em formação”, sugere Medeiros da Silva. Em sua pesquisa, o AZT era consumido por quase todos os pacientes, o que impossibilitou a análise do impacto dessa droga sobre a audição.

“O grande diferencial desse estudo foi ter trabalhado com jovens que utilizavam diversos remédios ao mesmo tempo”, afirma a pesquisadora. “Outros trabalhos haviam observado somente as relações entre um fármaco específico e a saúde do ouvido e quase sempre em adultos.”

Segundo a fonoaudióloga, ainda não é possível saber o motivo da relação entre a lamivudina e a ocorrência de perdas auditivas. Ela afirma que pretende realizar novas pesquisas utilizando um exame mais detalhado que a audiometria, que permite ver particularidades de cada região do sistema auditivo.

Outro fator responsável pela grande prevalência de perda auditiva em jovens com HIV é a ocorrência de otite média supurada, infecção que forma edemas, provoca secreção de pus dentro das orelhas e pode causar o rompimento dos tímpanos. “As otites são muito comuns em crianças e adolescentes, mas dificilmente se tornam tão graves em pessoas que não têm HIV/Aids”, afirma Medeiros da Silva.

Segundo a pesquisadora, essa forma severa de otite afeta apenas 5% da população saudável e cerca de 25% das pessoas com HIV/Aids. Essa maior suscetibilidade deve-se à debilidade do sistema imunológico e aos danos diretos às células receptoras de som causados pelo vírus. A ocorrência da infecção no ouvido aumenta em 5,7 vezes o risco de um jovem com HIV ter perda auditiva.

Considerando a classificação Biap, 69,2% das crianças e dos adolescentes analisados que tiveram otite média supurada sofreram prejuízos à audição, enquanto apenas 25% dos pacientes sem a infecção apresentaram perdas desse tipo. Entre os que tiveram essa forma grave de otite e também faziam uso de lamivudina, 70,8% desenvolveram problemas auditivos.

Cuidado constante

Medeiros da Silva ressalta que, embora pessoas com HIV/Aids mantenham uma rotina de acompanhamento médico, a saúde auditiva acaba ficando em segundo plano. Prova disso é que apenas 27,4% das crianças e dos jovens avaliados na pesquisa relataram problemas relacionados à audição, apesar de o percentual de perdas comprovadas ter sido bem maior.

“Normalmente, quando um jovem tem algum sintoma ou queixa auditiva, outros problemas estão acontecendo ao mesmo tempo, como doenças no fígado, que, naturalmente, chamam mais atenção”, diz.

Por isso, a fonoaudióloga recomenda que crianças e adolescentes com HIV façam um acompanhamento constante da saúde auditiva. “Se os exames de rotina forem realizados a cada seis meses, por exemplo, ficará muito mais fácil impedir ou amenizar as possíveis perdas auditivas”, conclui.

Fonte: Ciência Hoje