Pacientes com HIV terão tratamento antecipado; pelo menos cem mil novos casos serão atendidos

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Pacientes adultos com HIV terão o tratamento antecipado no Brasil. O Ministério da Saúde ofertará a terapia com antirretrovirais assim que a infecção for identificada, qualquer que seja o estágio da doença. Com a mudança, a expectativa é de que pelo menos cem mil novos pacientes passem a fazer uso do remédio. Atualmente, são 313 mil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

“A nova estratégia coloca o País na vanguarda do tratamento”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A oferta de antiaids para todos os portadores do vírus é adotada somente pelos Estados Unidos e pela França. A mudança na indicação do uso do remédio deve ser posta em prática até o fim de 2013. Está prevista também a incorporação no protocolo de uma nova droga, combinada, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O três em um, composto por tenofovir, lamivudina e efavirenz, aguarda certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Assim que for liberado, o produto deverá ser indicado para pacientes no início de tratamento.

O tratamento precoce tem dois objetivos. O primeiro deles é ampliar a proteção do paciente com HIV. Pesquisadores concluíram que a estratégia melhora de forma significativa a qualidade de vida do soropositivo, além do efeito protetor. A medida também tem um caráter de saúde pública. Ao tomar o antirretroviral, os níveis de vírus no organismo são reduzidos de forma significativa, dificultando a infecção do parceiro, no caso de relação sexual sem camisinha.

“Isso não impede, mas reduz a transmissão”, afirmou. A coordenadora do Programa Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)-Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, disse considerar a antecipação do tratamento uma medida importante. “Não há dúvida de que é um avanço”, declarou. Maria Clara destacou no entanto ser necessário agora organizar o sistema de atendimento porque, “certamente”, a demanda nos serviços deverá crescer. De acordo com ela, um outro ponto importante é assegurar a precocidade no diagnóstico da doença. Caso contrário, ainda há uma legião de pacientes que não se beneficiará com a mudança da recomendação.

Padilha disse não haver, no momento, a estimativa de qual será o impacto no orçamento para ampliação da indicação do remédio. Atualmente, do R$ 1,2 bilhão reservado no orçamento para aids, R$ 770 milhões são destinados para medicamentos. O ministério afirmou que, para o cálculo exato, é preciso saber qual será o preço da droga combinada, produzida pela Fiocruz.

A política de antecipar o tratamento de pacientes com HIV é adotada pelo governo há alguns anos. Em 2012, o início do uso de drogas passou a ser indicado para pacientes com contagem de defesa no organismo (CD4) igual ou inferior a 500. Soropositivos com parceiros sem HIV também passaram a ter indicação do uso precoce do medicamento, independentemente da carga viral.

Fonte: O Estado de São Paulo

Anaids envia carta a Jarbas Barbosa questionando sobre mudança no atendimento de pessoas com HIV

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A Articulação Nacional de Luta Contra Aids (Anaids), colegiado que reúne os Fóruns de ONGs/Aids de todos os estados brasileiros, redes e demais representações do movimento social de luta contra a aids, enviou uma carta ao Secretário da Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, solicitando o posicionamento do órgão sobre a transferência dos atendimentos especializados em aids para os serviços de atenção básica. 

Na carta, os ativistas afirmam que a notícia tem circulado em diversos meios de discussão por intermédio dos gestores e que desde então tem causado estranhamento e apreensão ao movimento social.

O documento critica a possível alteração no atendimento às pessoas que vivem com HIV/Aids, que, caso efetivada, fará com que sejam atendidas na Atenção Básica e não mais junto às especialidades. “A resposta brasileira a epidemia da Aids teve uma de suas bases no fortalecimento da retaguarda de atendimento, que além de assegurar os bons níveis de saúde dos pacientes garante a tranquilidade necessária a qualquer tratamento de saúde, dentro do que supomos que seja saúde coletiva”.

“Reconhecemos os avanços da Atenção Básica em nosso pais e sua importância como porta de entrada do sistema, e em momentos importantes do tratamento como diagnóstico, acolhimento e direcionamento as áreas especializadas”, ressaltam.

Segundo o documento, “a sobrecarga, a falta de estrutura e a necessária capacitação dos profissionais iriam ocupar extenso espaço de tempo e de recursos para se adaptarem, onde elementos como criação de vinculo, acolhimento especializado, adesão e outras especificidades são respeitadas, sem mencionar o prejuízo das rotinas de tratamento, já iniciadas”.

Os ativistas finalizam a carta dizendo que a falta de informação causa apreensão e insegurança nos usuários.

“Desta forma reiteramos o pedido de um posicionamento efetivo sobre esta questão, a fim de que possamos ter uma definição sobre os rumos do que a Secretaria de Vigilância em Saúde, pretende dar aos atendimentos especializados em Aids”, dizem.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

`Celeiro de transmissão` de DST/aids, presídios ganham destaque na programação de Congressos em Salvador

Dez anos depois da criação do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP), o Ministério da Saúde prepara agora uma política para contemplar todo o itinerário das pessoas privadas de liberdade. 

“Estamos atualmente no processo de pactuar com as outras instâncias que atuam no sistema prisional essa nova política, cujo objetivo é melhorar as ações de prevenção e assistência a todos os presos, estejam eles nas cadeias ou nos presídios”, explicou o coordenador da área técnica de Saúde no Sistema Prisional do Ministério da Saúde, Marden Marques Soares Filho. 

A saúde da população encarcerada ganhou destaque na programação do IX Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e V Congresso Brasileiro de Aids, que acontecem até a próxima quarta-feira, 21 de agosto, em Salvador. Durante os três dias de evento haverá discussões sobre o tema.

Dr. Francisco Job Neto, também da área técnica de Saúde no Sistema Prisional do Ministério da Saúde, elogia os organizadores dos congressos por terem dado destaque ao assunto. “Isso é inédito, pois geralmente ninguém quer falar sobre a saúde dos presos”, comentou.

Segundo Job Neto, esta população merece atenção especial em relação às estratégias de saúde pública. “As prisões são como celeiros de transmissão das DSTs. Muitos ignoram os presos, querendo muitas vezes que eles morram, mas eles não morrem e voltam para as ruas piores do ponto de vista comportamental e de saúde”, comentou.

De acordo com o Sistema Integrado de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça, cerca de 520 mil pessoas vivem presas em 1.771 estabelecimentos penais espalhados pelo Brasil, onde haveria vaga para menos de 310 mil.

Essa população está muitas vezes sujeita a condições insalubres, o que a torna especialmente vulnerável a doenças como tuberculose, hanseníase, hepatites e aids. 

Dados do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde indicam que existem 250 equipes de saúde no sistema penitenciário, que garantem a cobertura de 30% da população prisional — menor do que a cobertura média da Estratégia Saúde da Família, voltada para o conjunto da população brasileira, que era de 40% em 2010.

O Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde definia população carcerária como uma de suas prioridades, ao lado de populações em situação de rua, indígenas e pessoas que vivem com HIV/aids. 

Boletim do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) indica que, numa prisão masculina de São Paulo, quase 6% da população tinham HIV; entre as mulheres de outro centro penitenciário da capital paulista, o índice chegava a 14%. Segundo o estudo, o nível de conhecimento sobre HIV era alto entre a população prisional, mas o acesso a ações de prevenção e assistência dentro das prisões foi considerado inadequado.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

“Dinheiro colocado em aids não é custo, é investimento”, diz ex-diretor do Departamento de DST/Aids, Dirceu Greco

Nesta terça-feira, 20 de agosto, o infectologista e ex-diretor do Departamento de DSTs, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, ministrou a conferência “A resposta à pandemia da aids, direitos humanos e o acesso universal à prevenção, diagnóstico e tratamento: um modelo para saúde pública” durante o XI Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e V Congresso Brasileiro de Aids, que ocorrem em Salvador. Dirceu frisou a necessidade de um Estado laico para uma resposta eficaz contra a aids. 

Segundo o infectologista, entre os maiores desafios atuais estão a extensão de todos os direitos para homens que fazem sexo com homens, travestis e profissionais do sexo, populações com taxas mais elevadas de HIV do que a população geral brasileira. Além disso, ele pensa que a escola é o lugar ideal para a prevenção das DSTs e aids, mas que sua execução depende de um Estado laico. “E vocês sabem, todos vimos que tivemos alguns episódios recentes de vetos em materiais educativos”, disse. 

Para Dirceu Greco, é fundamental pensar na emancipação de populações mais carentes para pensar em uma resposta de sucesso, tendo em mente que por conta da inequidade social, as pessoas com menor escolaridade e renda estão mais expostas à aids, o que não deve ser esquecido pelos profissionais de saúde. 

“Não sendo mais do governo, eu agora posso falar coisas que não podia antes”, brincou ele, dizendo que a resposta brasileira à aids é boa, mas ainda com muitos caminhos para avançar. 

Uma ação vista com entusiasmo pelo ex-diretor é o lançamento do antirretroviral 3 em 1, já que ele reduz o custo e facilita a adesão dos pacientes.Segundo ele, era um plano desde a sua gestão, e ele está ansioso por seu lançamento. Dirceu frisou também que os gastos com a prevenção e o tratamento da aids são vantajosos para o governo, que gasta menos em internações e outras áreas. “E dinheiro de aids não é custo, é investimento”, disse. 

Mídia

A mídia só lembra de aids no 1° de dezembro e no carnaval, além de ter parado de falar que a aids ainda mata, causando uma certa complacência na população e fazendo crer que o problema está resolvido. Esta é a avaliação de Dirceu Greco e uma das principais críticas feitas por ele sobre a resposta brasileira. “A aids e a resposta a ela não chamam atenção da mídia”, disse. 

Desafios

Na lista dos principais desafios futuros para a erradicação ou controle da epidemia, está a realização de ações para as populações mais vulneráveis. “Temos que fazer, sim, com toda a população, mas temos que focar em algumas. O problema é que esse foco traz questões de direitos humanos, pois focar demais faz com que se pense que só aquele grupo tem risco, pode trazer de volta essa ideia e o estigma”, pensa. 

Melhorar a qualidade de vida dos pacientes também foi uma meta destacada por Dirceu, que reconheceu a dificuldade de realização desse objetivo, pois os profissionais dos serviços de saúde estão sobrecarregados. 

“Quando nós começamos o acesso universal aos medicamentos nós éramos um país com poucos recursos e fizemos mesmo assim. Foi uma decisão política”, disse. 

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Ativistas se reúnem em Brasília para discutir metas para enfrentar o HIV e aids até 2015

O Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, realizou na quarta-feira, 29 de maio, em Brasília, a Consulta Nacional com representantes da sociedade civil, academia e gestores da área de saúde para avaliar as políticas sobre o HIV e aids no país no sentido de atingir as dez metas definidas pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) para 2015.

Durante a reunião, foram apresentadas informações sobre o Relatório de Meio Termo – Dez Metas pelo Unaids, que vem identificando os desafios e validando o conjunto de recomendações sugeridas pela sociedade civil, gestores de saúde e comunidade acadêmica para o País atingir as metas definidas pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids para 2015. O relatório discutido nesta reunião será apresentado na 68º Assembleia Geral das Nações Unidas dedicada às dez metas em HIV e aids, que acontecerá em Genebra, em setembro deste ano.

Para Ernandi Costa, representante da Comissão Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais, o reunião foi muito produtiva e trouxe uma série de contribuições importantes para o alcance das metas de forma a incrementar a estratégia nacional de enfrentamento do HIV, aids e hepatites virais.

Adele Swechwartz, representante do Unaids, apresentou os marcos e contextos dos compromissos assumidos para o enfrentamento da epidemia e ressaltou a importância da reunião para a discussão dos avanços e desafios que as metas trazem ao país entre todos os setores da sociedade envolvidos.

Veja abaixo as dez metas a serem globalmente alcançadas até 2015 por todos os países:

1 – Reduzir a transmissão sexual do HIV em 50%;
2 – Reduzir a transmissão do HIV entre pessoas usuárias de drogas em 50%;
3 – Eliminar a transmissão vertical com amis acesso aos medicamentos pelas crianças e incentivo à realização de3 pré-natal com testagem;
4 – Aumentar o acesso à terapia antirretroviral para alcançar 15 milhões de pessoas em tratamento;
5 – Reduzir pela metade a mortalidade por tuberculose em pessoas vivendo com HIV e aids em 50%;
6 – Reduzir a lacuna global de recursos para aids e reconhecer que o investimento na resposta é responsabilidade compartilhada;
7 – Eliminar as iniquidades e violências baseadas em gênero e fortalecer as capacidades de meninas e mulheres de se protegerem;
8 – Eliminar o estigma e discriminação contra pessoas vivendo ou afetadas pelo HIV, por meio da promoção de leis e políticas que assegurem a realização total dos direitos humanos e liberdades individuais;
9 – Eliminar as restrições de trânsito, permanência e residência re3alcionados ao HIV;
10 – Eliminar os sistemas paralelos e fortalecer ações integradas em HIV.

Fonte: Departamento de DSTs, aids e hepatites virais

Novos casos de HIV dobram em 1 ano em Vila Velha, segundo prefeitura

O número de novos casos de infectados pelo vírus HIV mais que dobrou em Vila Velha, na região Metropolitana do Espírito Santo, segundo dados do Programa DST/AIDS da Secretaria de Saúde do município. De 2011 para 2012, o número saltou de 41 para 103. E neste ano,já foram registrados 41 novos casos. Entre os jovens de 18 e 29 anos, a quantidade de exames positivos também aumentou. Em 2011, foram 21 casos. No ano seguinte, 43 eram jovens.

Para a médica responsável pelo programa, Nilzete Messner, os dados da pesquisa revelam que os jovens não têm mais medo da doença. “Não é como na década de 80, quando as pessoas morriam de AIDS rapidamente. Vários artistas morreram de AIDS e acho que isso fez aquela geração sentir mais medo da doença. Infelizmente esse medo já não é o mesmo nos dias de hoje”, afirmou. 

Uma das pessoas que enfrenta a doença tem 26 anos e prefere manter a identidade preservada. Ela contou que descobriu que era HIV positivo há dois meses, quando teve um problema de saúde. “Há dois anos eu estava em uma relação e acabei não usando preservativo com meu namorado. Depois disso, ele me contou que era HIV positivo. Por dois anos eu imaginei que também pudesse ter HIV, mas não fazia o teste por medo. Até que há dois meses eu tive um problema de saúde, que me fez fazer o teste. Não me surpreendi com o resultado positivo por que já desconfiava. Senti muita raiva dele, por ele ser da área de saúde e saber de sua condição”, disse.

 

A médica também pontuou que o os dois principais motivos para o aumento no número de casos são comportamento sexual de risco e a visibilidade do serviço de testagem rápida para HIV. “O que leva esses jovens a adotar um comportamento de risco é a falta de informação. É cultura antiga que ainda persiste. Em épocas passadas ninguém usava preservativo. Hoje, para iniciar a vida sexual usando camisinha, tem de ser conversado desde o início da adolescência, e isso falta. Falta muita conversa˜, completou.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Vila Velha, é possível realizar o teste gratuito no Centro de Testagem e Aconselhamento DST/AIDS, no prédio da secretaria, que fica no Centro de Vila Velha. O telefone para contato é o (27) 3139-9151.

Fonte: G1

Rússia: pessoas HIV-positivas serão autorizadas a adotar crianças

O Ministério da Saúde da Rússia está disposto a permitir que os pacientes infectados pelo HIV e pela hepatite adotem as crianças, escreve o jornal Kommersant.

Segundo a publicação, o Ministério da Saúde enviou ao aparato governamental uma proposta para eliminar o HIV e hepatites crônicas B e C a partir da lista de doenças que proíbem a adoção.

“Se o Ministério da Saúde acreditar que estas doenças de pais adotivos não são perigosas para a criança, esta opção será considerada”, declarou Alexei Levchenko, o porta-voz da vice-primeira-ministra para os Assuntos Sociais, Olga Golodets.

Fonte: VOZ da Russia