`Celeiro de transmissão` de DST/aids, presídios ganham destaque na programação de Congressos em Salvador

Dez anos depois da criação do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário (PNSSP), o Ministério da Saúde prepara agora uma política para contemplar todo o itinerário das pessoas privadas de liberdade. 

“Estamos atualmente no processo de pactuar com as outras instâncias que atuam no sistema prisional essa nova política, cujo objetivo é melhorar as ações de prevenção e assistência a todos os presos, estejam eles nas cadeias ou nos presídios”, explicou o coordenador da área técnica de Saúde no Sistema Prisional do Ministério da Saúde, Marden Marques Soares Filho. 

A saúde da população encarcerada ganhou destaque na programação do IX Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e V Congresso Brasileiro de Aids, que acontecem até a próxima quarta-feira, 21 de agosto, em Salvador. Durante os três dias de evento haverá discussões sobre o tema.

Dr. Francisco Job Neto, também da área técnica de Saúde no Sistema Prisional do Ministério da Saúde, elogia os organizadores dos congressos por terem dado destaque ao assunto. “Isso é inédito, pois geralmente ninguém quer falar sobre a saúde dos presos”, comentou.

Segundo Job Neto, esta população merece atenção especial em relação às estratégias de saúde pública. “As prisões são como celeiros de transmissão das DSTs. Muitos ignoram os presos, querendo muitas vezes que eles morram, mas eles não morrem e voltam para as ruas piores do ponto de vista comportamental e de saúde”, comentou.

De acordo com o Sistema Integrado de Informações Penitenciárias do Ministério da Justiça, cerca de 520 mil pessoas vivem presas em 1.771 estabelecimentos penais espalhados pelo Brasil, onde haveria vaga para menos de 310 mil.

Essa população está muitas vezes sujeita a condições insalubres, o que a torna especialmente vulnerável a doenças como tuberculose, hanseníase, hepatites e aids. 

Dados do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde indicam que existem 250 equipes de saúde no sistema penitenciário, que garantem a cobertura de 30% da população prisional — menor do que a cobertura média da Estratégia Saúde da Família, voltada para o conjunto da população brasileira, que era de 40% em 2010.

O Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde definia população carcerária como uma de suas prioridades, ao lado de populações em situação de rua, indígenas e pessoas que vivem com HIV/aids. 

Boletim do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) indica que, numa prisão masculina de São Paulo, quase 6% da população tinham HIV; entre as mulheres de outro centro penitenciário da capital paulista, o índice chegava a 14%. Segundo o estudo, o nível de conhecimento sobre HIV era alto entre a população prisional, mas o acesso a ações de prevenção e assistência dentro das prisões foi considerado inadequado.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Encontro ‘Vivendo’ no Rio debate assistência e tratamento

A qualidade de vida das pessoas que fazem uso de medicamentos antirretrovirais e a reivindicação das mesmas de participarem dos espaços de decisão sobre estes temas foram os principais pontos de discussão do debate “Assistência e Tratamento: Perdas e Danos” realizado ontem, 23 de novembro, no Rio de Janeiro. O debate fez parte do segundo dia do XVI Encontro Nacional de ONGs/Aids.

O médico e técnico do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Ronaldo Hallal, afirmou que questões como lipodistrofia e efeitos colaterais estão sendo discutidos em grupos de trabalho (GTs) específicos que acompanham os casos. O ativista Beto Volpe, do Grupo Hipupiara de São Vicente, reivindicou a participação de pessoas que vivem com aids nestes GTs. “Somente quem vive a realidade cotidiana pode opinar levando a realidade para a mesa de discussões.”

Hallal também destacou que o consenso brasileiro já prevê inclusão do fármaco Maraviloc. Com esta inclusão, o SUS oferece agora 21 medicamentos.

Ações de profilaxia pós-exposição ao risco (PEP) e prevenção entre casais sorodiscordantes reuniram um grande número de participantes do encontro. A médica Débora Fontenelle enfatizou que não existe espaço nos serviços de saúde para discussão de prevenção entre casais sorodiscordantes. “O volume de trabalho e o sucateamento das estruturas acaba impedindo uma maior aproximação com o pacientes, o que prejudica a troca de informações e a escuta de problemas deste tipo”.

A falta de aplicação de critérios mais eficazes de uso da PEP e o despreparado dos profissionais de saúde foram identificados como complicadores para o acesso a este tipo de tecnologia de prevenção. O coordenador de mobilização social da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (Rede TB), Ézio Távora, apresentou um caso que vivenciou em busca de utilização dos medicamentos pós-exposição. Segundo seu relato, teve de percorrer cinco serviços de saúde no Rio de Janeiro e em nenhum deles teve atendimento. “Muitos dos profissionais com quem conversei haviam sido treinados há poucas semanas e não prestaram atendimento no meu caso.”

O moralismo e a falta de informações dos agentes públicos e profissionais de saúde foram apontados pelos participantes como um grande empecilho para que a efetividade desta possibilidade seja real.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Encontro ‘Vivendo’ inicia no Rio reivindicando mais atenção às pessoas com HIV e aids

Cerca de 350 pessoas participaram na noite dessa quinta-feira, 22 de novembro, da abertura do XVI Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com Aids, o Vivendo, promovido pelos Grupos Pela Vidda de Rio de Janeiro e Niterói. Esta é a primeira vez que o encontro foi precedido de encontros regionais, em Porto Alegre e Recife, destacando a política de descentralização das atividades e a visibilidade maior as pessoas infectadas.

O encontro iniciou com uma homenagem a Dayse Agra, voluntaria do Pela Vidda-RJ, falecida recentemente. Com a morte do filho em 1987, em virtudes de complicações de saúde pelo HIV, Dayse procurou a ONG e nela permaneceu por quase 15 anos. O documentário “E por Falar em Vida”, uma produção da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS), com depoimentos dela e de outras pessoas que enfrentaram o preconceito foi apresentado.

O Vivendo deste ano também marca os vinte anos de falecimento de Herbert Daniel, fundador do Pela Vidda e importante ativista dos Direitos Humanos no Brasil. Para discutir o tema, um mosaico de pessoas de diversas formações, segmentos e experiências de seu depoimento e fez sua analise.

A médica Marcia Rachid relembrou os primeiros casos de aids no Rio de Janeiro, no inicio da década de 1980, e a respostas que foram se criando contra a epidemia. Sua proximidade com Daniel a levou à militância e a participação na fundação do Pela Vidda. “Foi na antiga sede da ABIA, no Jardim Botânico, que as primeiras tratativas começaram com a intenção de criar um grupo voltado a pessoa que vive com aids, suas necessidades e cuidados”, conta.

O diretor adjunto do Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, destacou que “a forca das ONGs esta na motivação das pessoas que as compõe e que as ações do movimento sempre são importantes para a implementação e garantia de políticas publicas”.

Silvia Reis, ativista do movimento de trans de Roraima, destacou a necessidade de olhares e ações específicos a cada população afetada. “Nós existimos, travesti tem aids e é preciso que sejamos vistas”, declarou.

O Vivendo vai ate sábado na cidade do Rio de Janeiro. Na programação, “avaliações sobre os caminhos percorridos até hoje e os principais, afirma Márcio Villard, um dos organizadores do evento.

Herbert Daniel

Nascido em Belo Horizonte em 1946, Hebert Daniel abandonou a Faculdade de Medicina da UFMG para entrar na luta armada contra a ditadura militar brasileira. Em 1974, se exilou na França, onde foi jornalista.

Daniel foi o último exilado do regime militar instaurado em 1964 a ser anistiado. Em 1981 voltou ao Brasil, depois do princípio da redemocratização.

Militou no Partido dos Trabalhadores (PT) e participou da fundação do Partido Verde com outros dissidentes do PT. Em 1986, candidatou-se a deputado estadual pelo PT do Rio de Janeiro.

Foi também um ativista pela ecologia e direitos dos homossexuais, tendo ele mesmo um relacionamento de 20 anos com o artista gráfico Cláudio Mesquita.

Daniel participou como diretor da ABIA, associação fundada por Herbert de Souza, e foi presidente do grupo Pela Vidda, com núcleos atuantes em diversos estados do País.

Escreveu 13 livros, entre eles, passagem para o Próximo Sonho, Meu Corpo Daria um Romance e Vida antes da Morte, sendo os últimos três abordando as concepções solidárias por novas reflexões acerca da aids.

Faleceu no Rio de Janeiro em decorrência da aids em maço de 1992.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Pacientes com HIV pedem mais atenção aos profissionais de medicina

Filho de médico, o representante das pessoas vivendo com HIV e aids no Conselho Nacional de Saúde, Carlos Alberto Duarte, de Porto Alegre, conta que uma das discussões mais intensa que tem com seu pai, hoje com 83 anos, é sobre a mudança no perfil dos profissionais de medicina. “Meu pai não aceita quando eu digo que agora muitos médicos estão mais preocupados no que vão ganhar, seja financeiramente ou status, por exemplo, do que em salvar ou ajudar pessoas”, comenta.

Para Carlos Duarte, a aids veio mostrar aos médicos que o tratamento de uma doença pode exigir uma enorme integralidade de especialidades da área da saúde. “Nem sempre é apenas um infectologista tratando o HIV, mas sim infectologistas, cardiologistas, nutricionais, fisioterapeutas, entre outros profissionais, ajudando no tratamento da aids e nos efeitos adversos”, explicou.

O ativista acredita que essa complexidade para o tratamento da aids contribui para que muitos pacientes não recebam bons atendimentos médicos. “Muitos vezes, os pacientes com HIV são mal tratados. Os médicos acabam não seguindo toda essa demanda que exige a doença e só remediam. Os medicamentos antirretrovirais são essenciais, mas apenas eles não resolvem os problemas de saúde das pessoas com aids”, disse.

Em tratamento desde 1996, quando o coquetel antirretroviral se tornou gratuito no sistema público de saúde, Carlos Duarte, informa que até hoje teve apenas dois infectologistas e que sempre foi muito bem atendido. “Mas isso também tem o peso de eu ser filho de um médico que conhecia esse infectologistas”, justifica.

Nair Brito, liderança do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP), se trata em São Paulo com o mesmo médico há 15 anos. Nair é uma defensora da boa relação médico-paciente. “Tenho com meu médico uma relação de proximidade e conseguimos realmente conversar sobre o que é preciso. Ter um médico fixo dá mais conforto e praticidade na consulta e dá segurança para as duas partes”, diz.

A ativista reclama que os médicos que não têm familiaridade com o HIV deixam a desejar no atendimento, pedindo exames que não são necessários ou fazendo perguntas que já não se fazem mais, apenas pela condição de soropositiva. “É como se eu voltasse 30 anos no tempo”, critica. “Fora isso, não tenho confiança nos médicos e fico aborrecida com eles. Recentemente fui a um endocrinologista que me deixou apavorada com o resultado dos exames, e foi somente o meu médico fixo que me tranquilizou e explicou a situação. Esses médicos não têm a experiência em atendimento e acabam assustando o paciente”, complementa.

Beto Volpe, de São Vicente, está em tratamento há 23 anos e conta que já passou por médicos de todos os tipos. Na opinião do presidente do Grupo Hipupiara, a relação entre um paciente com HIV e seu médico é “até que a morte os separe”, e por isso é tão importante a união entre as duas partes. “O médico tem que ter uma escuta super atenta, tem que se libertar de muitos dogmas que aprende na faculdade de medicina e se abrir para outras percepções, e a aids mostra muito bem isso. Embora a doença seja a mesma, ela está ocorrendo em circunstâncias diferenciadas. É necessário ter essa abertura de pensamento e percepção, e que as partes se unam e dialoguem não só na questão clínica como política. O comprometimento tem que ser com a saúde e com a vida”, diz o ativista.

Uma das maiores preocupações de Beto Volpe é com os efeitos colaterais do HIV. Para ele, os médicos não estão conseguindo acompanhar a mudança de perfil da doença, por conta, entre outros fatores, de sua rotina super corrida. “Os efeitos adversos pegam os médicos de surpresa, são os médicos mais abertos que acabam trazendo essas informações, por isso essa necessidade da escuta atenta”, diz.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, em 2011, havia aproximadamente 371 mil médicos em exercício no Brasil, mas para se atingir a taxa de 2,5 médicos para cada mil habitantes – estabelecida pelo governo – a ser alcançada até 2020, o total de médicos precisa pular para 520 mil.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um médico para cada mil habitantes. Mas devido às características de sua demografia – com grupos isolados em diversos estados, contrastando com a grande densidade nas capitais – o Brasil tem áreas inteiras sem um único médico.

Dezoito de outubro foi escolhido como Dia do Médico por ser o dia de homenagem a São Lucas, padroeiro da medicina, conforme a tradição litúrgica. Segundo o catolicismo, São Lucas (ou Lucano) exercia a profissão de médico e também tinha vocação pela pintura. São Lucas nasceu na Turquia no século I, quando esta ainda se chamava Antióquia. Discípulo de São Paulo, ele o seguiu em missão, sendo chamado pelo religioso de “colaborador” e “médico amado”.

Fonte: Agênia de Notícias da AIDS

Para especialistas, antirretrovirais produzidos no Brasil fortalecem a indústria nacional, mas ainda são muito caros

Desde que começou a distribuir os antirretrovirais para o tratamento da aids gratuitamente em 1996, o governo brasileiro garantiu melhorias na qualidade de vida dos portadores do HIV. Hoje, 10 dos 20 remédios que compõem o coquetel antiaids são fabricados no Brasil e outros quatro estão em processo de transferência de tecnologia. A medida fortaleceu a indústria brasileira, mas especialistas questionam o preço desta produção nacional, pois acreditam que o valor está mais elevado do que no mercado internacional.

Felipe Carvalho atua na área de patentes da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), no Rio de Janeiro. Para ele,a produção nacional do antirretroviral Tenofovir é um bom exemplo desta relação entre o fortalecimento da indústria local e o preço gasto. “Não pagamos só pelo medicamento, mas também pelo conhecimento, e o Brasil também não tem competitividade de mercado para ter um preço tão baixo”, comenta.

Felipe, no entanto, afirma que o Tenofovir é um caso emblemático, pois a sociedade civil teve um papel importante no combate a seu monopólio. “Ele nem chegou a ser patenteado por causa da pressão exercida, mas realmente o que é produzido aqui é muito mais caro”, disse.

Segundo o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, a produção nacional do Tenofovir sai por R$4,02 cada comprimido, para um quantitativo de 39,6 milhões de comprimidos. O órgão informa queo remédio é adquirido por meio de Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), estabelecida em 2009, e que a economia gerada sobre o produto final é superior a R$ 100 milhões desde o início desta parceria, quando o custo por comprimido era de R$6,35 (na última compra realizada antes do acordo).

O consultor da ABIA alerta que mesmo que o custo deste antirretroviral ainda não esteja ameaçando a sustentabilidade do Programa de Aids, é necessário se atentar a ele, pois há uma expectativa de que o governo coloque mais pessoas em tratamento, já que as últimas recomendações do Ministério da Saúde são para que a terapia antirretroviral comece mais cedo. Segundo Felipe, a ABIA está tentando obter com o governo a explicação do porque do preço tão elevado do Tenofovir. “Queremos entender onde está o ponto que o encarece tanto”, disse.

Felipe reconhece que a produção local de medicamentos é uma estratégia que desenvolve a indústria nacional, mas acredita que é necessário manter um preço que não “estoure” o sistema. “Ainda não foi muito debatido qual o limite para isso, temos muitas dúvidas. Quando temos essa diferença tão grande de preços, questionamos até que ponto a produção nacional é uma escolha sábia”, resume.

No 6° Encontro Nacional de Inovação em Fármacos e Medicamentos (ENIFarMed), realizado em São Paulo no mês de agosto, a consultora de medicamentos e patentes Eloan Pinheiro também questionou o preço do Tenofovir. Elacitou “US$1500 pelo quilo”, o dobro do preço do mercado internacional. Para ela, o preço dos antirretrovirais brasileiros é sim competitivo com o mercado internacional, com exceção deste medicamento.

No entanto, Eloan acredita que o preço do produto acabado ainda está muito caro e que essa questão precisa ser olhada com mais cuidado pelo Ministério da Saúde: “afinal, se conseguirem diminuir o preço, você pode aumentar o número de pessoas em tratamento utilizando o mesmo orçamento”, defende.

“É preciso saber o porquê dos preços do Ministério não mudarem já há algum tempo, porque não tem lógica. O preço da matéria-prima dos produtos usados na fase inicial do tratamento antirretroviral, como a Lamivudina, é igual ao do mercado internacional. O Tenofovir tem a matéria prima custando duas vezes mais, mas ainda não justifica o preço final do produto, da formulação”, afirmou Eloan.

Em relação a este assunto, a assessoria de imprensa do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais informa que o Ministério acredita ser necessário o desenvolvimento e a produção do Insumo Farmacêutico Ativo em território nacional, conforme prevê a Parceria de Desenvolvimento Produtivo.

Para Eloan, “a produção nacional é absolutamente necessária”. Ela afirma que o Brasil tem pontos favoráveis, como o número de habitantes, um grande PIB, uma área de desenvolvimento razoável e grande formação técnica nas universidades, mas é muito dependente das matérias primas. “Para reverter essa situação o País tem que ter possibilidade de não ter dependência pelo menos daquilo que é absolutamente estratégico”, pontua.

Na opinião da consultora, os laboratórios públicos acabam sendo uma ferramenta do governo para equalizar preços, regular e identificar os problemas. “Eles fazem coisas e iniciam ações que só poderiam ser feitas por eles. Podem, por exemplo, induzir desenvolvimentos prioritários”.

O Ritonavir, outro antirretroviral disponibilizado pelo SUS, teve seu custo alterado recentemente, devido à troca do laboratório que o fornece ao governo. O medicamento era fornecido anteriormente pela Abbott internacional, mas mudanças nas regras do pregão de compras, baseadas no Tribunal de Contas da União (TCU), não permitiram que a empresa concorresse. Competindo com a Abbott Brasil, a Cristália, também brasileira, levou a melhor e passa agora a fornecer o medicamento.

No entanto, segundo o diretor técnico da Interfarma, Pedro Bernardo, o gasto pelo lote de 20.700 cápsulas passou de R$13,8 milhões para R$17,2 milhões. O governo afirma que o laboratório Cristália, vencedor do pregão, apresentou um valor 253% menor do que o concorrente.

De acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, “a produção nacional visa, entre outros benefícios, o desenvolvimento do complexo industrial do País, a redução de preços, o aumento ao acesso da população aos medicamentos e, principalmente, à maior autonomia do País frente ao mercado internacional”.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

Ativistas se reúnem para discutir articulação das redes de pessoas vivendo com HIV/aids

Cerca de 30 ativistas representando as diferentes redes de pessoas que vivem com HIV que existem em todo o Brasil (Movimento Nacional das Cidadãs Positivas, Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV e a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/aids) se reuniram no Congresso de prevenção a DST e Aids. A discussão foi sobre a unificação das redes para o fortalecimento do movimento social.

Discutiu-se sobre os encontros regionais de cada rede para que seja organizado o encontro nacional que una todas elas. É desejo dos ativistas também a criação de agenda em comum e respeitando a especificidade de cada rede, para que juntos possam ter a força necessária “para que possamos mudar o atual panorama da aids no Brasil e os novos desafios, tais como o envelhecimento precoce e efeitos adversos, melhora na qualidade do atendimento”, reformulando o movimento social da área no Brasil.

Fonte: Agência de Notícias da AIDS

EUA lançam projeto para incentivar testes rápidos de Aids em farmácias

Autoridades de saúde dos Estados Unidos lançaram, nesta quarta-feira (27), um programa para incentivar a implementação de testes rápidos de Aids em farmácias.

A campanha do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) vai oferecer gratuitamente exames que detectam a infecção em drogarias e clínicas dentro de lojas em 24 cidades e comunidades rurais.

As autoridades esperam que o teste para o vírus da Aids se torne um serviço de rotina em farmácias, como o aferimento da pressão arterial e a aplicação de vacinas contra a gripe.

“Ao trazer o teste do HIV para as farmácias, acreditamos que podemos alcançar mais pessoas, tornando o exame mais acessível e reduzindo o estigma associado à Aids”, afirma Kevin Fenton, responsável por supervisionar os programas de prevenção ao HIV do CDC.

Os testes já estão disponíveis em sete lugares, e a agência em breve pretende escolher 17 novos locais. O exame consiste na inserção de um cotonete no interior da boca e leva cerca de 20 minutos para obter um resultado preliminar.

 

Dia Nacional do Teste de HIV

O projeto foi lançado no Dia Nacional do Teste de HIV, 27 de junho, que tem como lema “Faça o teste. Assuma o controle.” (Take the test. Take control)

A CDC recomenda que todas as pessoas com idades entre 13 e 64 sejam testadas para o HIV pelo menos uma vez.

Muitas pessoas não sabem que têm o HIV. Mais de 1 milhão de pessoas vivem com a doença nos Estados Unidos, mas 1 em cada 5 não sabem que estão infectadas.

Este ano marca o 19º Dia Nacional do Teste de HIV, organizado anualmente pela Associação Nacional das Pessoas com AIDS com o apoio da CDC e AIDS.gov.

Segundo as autoridades, conhecer seu status de HIV é se capacitar. Quando uma pessoa sabe se está infectada ou não, ela pode cuidar melhor de si mesma.

Fonte: Cenário MT