Soropositivos chineses serão proibidos de frequentar banheiros públicos, informa periódico russo

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As autoridades chinesas pretendem proibir às pessoas infectadas com HIV o acesso a banheiros públicos. Isso provocou uma avalanche de críticas tanto das organizações defensoras dos direitos humanos, como da sociedade chinesa.

Segundo o projeto de lei intitulado Métodos Administrativos de Regulação da Indústria de Banheiros, que está sendo elaborado pelo Ministério do Comércio da China, as pessoas “com doenças venéreas, aids e doenças infeciosas cutâneas” serão proibidas de frequentar banheiros públicos, fontes termais, centros de spa e salões de massagem. Está prevista uma multa máxima, para os proprietários desse tipo de estabelecimentos que violem a proibição, no valor de 30 mil yuans (4,9 mil dólares).

A ideia apresentada para discussão pública recebeu imediatamente uma avaliação negativa por parte dos peritos do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids). Também na própria China a iniciativa foi recebida com hostilidade. “O único objetivo desse projeto de lei é a discriminação das pessoas doentes com aids”, declarou o diretor da ONG Justiça para Todos sediada na China Yu Fangqiang, tendo avisado que a sua organização, assim como outras cinco ONGs que lutam pelos direitos dos soropositivos, irão iniciar uma campanha pela anulação dessa decisão.

Segundo as estatísticas oficiais, em 2012 na China existiam 430 mil infectados pelo HIV. O número de mortes por aids aumentou 8% no ano passado vitimando mais de 17 mil pessoas. Mas muitos consideram que o verdadeiro número das pessoas infectadas seja muito superior. Segundo dados da Unaids, eles são na China na ordem das 780 mil pessoas, das quais cerca de 150 mil desenvolveram a aids. Segundo uma avaliação do antigo vice-ministro da Saúde Wang Longde, na China continental existe meio milhão de portadores do vírus do HIV registados e mais cerca de 300 mil de portadores não diagnosticados.

Ainda em 2003 as autoridades da China prometeram drogas antirretrovirais gratuitas para todos os infectados do país. Ainda não há medicamentos que cheguem para todos, mas já é visível um certo progresso: em 2012 o Unaids referiu que em vários anos a China conseguiu aumentar para o dobro o número de pessoas que recebem as drogas necessárias.

Entretanto, o problema principal, que é a relação da sociedade e das autoridades com os portadores do vírus, ainda está por resolver. Os soropositivos na China não podem ocupar cargos públicos, enquanto muitos portadores do HIV vivem sob a ameaça de demissão se os seus superiores vierem a ter conhecimento. Até 2010 a China tinha em vigor uma proibição de entrada a estrangeiros infectados com o HIV.

Em janeiro de 2013 as autoridades da província de Cantão (Guangdong) no sul da China pretendiam proibir por lei os soropositivos e as pessoas portadoras de doenças venéreas de exercer a atividade de professor. Contudo, passados quatro meses e sob pressão da opinião pública o governo local foi obrigado a desistir da sua intenção inicial.

Outro grande avanço dos portadores chineses na luta pelos seus direitos foi o caso ocorrido na província oriental de Jiangxi. No início do ano um homem, a quem tinha sido recusado o lugar de professor por estar infectado com HIV, conseguiu através do tribunal obter uma indemnização de 45 mil yuans (7.400 dólares) do comitê local de educação. Numa China, em que é rara a vítima que arrisca recorrer aos tribunais e onde é ainda mais raro ela ganhar a causa, esse caso se tornou sem precedentes que dá hoje esperanças aos adversários do “projeto de lei dos banhos”.

Fonte: Rádio Voz da Rússa via Agência de Notícias da AIDS

Aids está entre principais causas de doenças incapacitantes na A. Latina

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O comportamento da contaminação da aids está mudando no mundo, exigindo mais atenção e investimentos em países que há alguns anos registravam baixos índices e passaram a apresentar níveis epidêmicos. A informação faz parte do estudo O Peso do HIV: Percepções a partir do Estudo Global sobre o Peso de Doenças 2010, do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde (IHME, sigla em inglês), da Universidade de Washington.

Apesar da queda global generalizada nas taxas de mortalidade pela doença, entre 2006 e 2010, as mortes em decorrência da aids aumentaram em 98 países. O estudo mostra que a contaminação pelo vírus cresceu principalmente em nações que não tinham sido afetadas pela epidemia em décadas anteriores. O HIV é a principal causa do surgimento de doença em 21 países, concentrados em quatro regiões: África Oriental e Austral, África Central, Caribe e Sudeste Asiático.

De acordo com a pesquisa, em quatro dos 17 países da América Latina (Colômbia, Honduras, Panamá e Venezuela), a aids aparece como uma das dez principais causas de doenças incapacitantes e em outros sete países, está no ranking das 25 principais causas de enfermidades, como a Bolívia, o Brasil, Equador, a Guatemala, o Paraguai e Peru.

O estudo enfatiza que apesar dos progressos em políticas públicas no combate à mortalidade, a doença continua a ser uma das principais causas de perda de saúde, especialmente para pessoas com idades entre 25 e 45 anos.

A pesquisa considera como perda de saúde a relação entre os anos de vida perdidos por morte prematura e anos vividos com incapacidade por pessoas com o vírus da aids, o que permite comparações entre diferentes populações e condições de saúde.

Em 2010, 20% da perda de saúde devido ao HIV foram registrados em países onde o vírus não estava entre as dez principais causas de doenças. Em 2005, esse percentual era 15,5%. De acordo com o documento, a Venezuela está entre os países latino-americanos mais afetados pelo HIV. A doença foi responsável por 3,6% do surgimento de casos de outras enfermidades em 2010 no país.

“Houve uma redução no mundo da mortalidade por aids, que ainda é, no entanto, a principal responsável por doenças incapacitantes em 21 países – a maioria desses, africanos – mas também em locais como a Tailândia e diversos países do Caribe. Acredito que foi surpreendente ter tantos países afetados dessa forma pela aids na América Latina”, disse a pesquisadora do IHME e líder do estudo, Katrina Ortblad, à Agência Brasil.

“A principal mensagem do estudo é que o vírus HIV não desapareceu. Apesar de avanços, com esforços governamentais e mudança de comportamento da população, a aids é a quinta principal causa de doenças em todo o mundo, considerando tanto as mortes quanto os anos de incapacidade prematura”, acrescentou.

Apesar de ainda registrar taxas elevadas de contaminação, o Brasil e o México estão em uma tendência de queda acentuada, com redução da mortalidade em 45,3 % e 69,2 %, respectivamente, do ano de pico até 2010. De acordo com o instituto norte-americano, o Brasil atingiu o auge de contaminação em 1996, e o México em 1998.

“O Brasil tem feito grandes progressos no combate ao HIV, comparando com outros países latino-americanos a redução dos níveis de mortalidade é impressionante. Nós também comparamos os avanços do Brasil com os demais países do Brics, como China, Rússia e Índia’, destacou a pesquisadora.

Em 15 dos 17 países latino-americanos, a tendência é queda de mortalidade por aids. Chile e Guatemala são as exceções. Nesses países, as mortes pela doença ainda estão crescendo.

Na Argentina, embora a taxa de mortalidade tenha atingido o pico há 12 anos, a doença foi a sexta maior causa de problemas de saúde de homens e mulheres na faixa etária de 35 a 39 anos em 2010, aumento de 490% desde 1990.

Embora o estudo tenha detectado a alta de contaminação da doença em países da América Latina, ele não explica os motivos do aumento.

O estudo descreve avanços no cenário global da aids. Ao atingir o ápice mundial de contaminações em 2006, a doença está diminuindo a uma taxa média anual de 4,17%. Segundo a pesquisa, o bom resultado no combate pode ser atribuído ao financiamento global e à consciência política.

No entanto, a doença continua a ser uma ameaça à saúde na África, no Caribe e na Tailândia. O instituto estima que em 2012 ocorreram mortes em decorrência do vírus em 186 países.

A pesquisa faz parte de um projeto colaborativo de cerca de 500 pesquisadores de 50 países liderados pelo IHME, da Universidade de Washington. De acordo com o instituto, trata-se de um esforço científico sistemático para quantificar os níveis e as tendências de perda de saúde devido a doenças, ferimentos e fatores de risco.

Fonte: Portal Terra

ONU registra queda em casos de Aids pela primeira vez

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Pela primeira vez, a Organização das Nações Unidas (ONU) anuncia que o ritmo de registro de casos de aids no mundo teve uma queda. Em um desempenho considerado histórico, o número de novas infecções de pessoas com o HIV caiu 33% em pouco mais de uma década, entre 2001 e 2012, e o de mortes foi reduzido em 30%. Os novos casos de crianças infectadas também caíram 52%.

Os dados fazem parte de um informe divulgado hoje e no qual a Unaids – agência da ONU de combate à doença – apresenta novas projeções sobre a epidemia. Apesar dos resultados inéditos, a entidade alerta que o mundo precisa fazer mais.

Em 2001, 3,4 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV e, em 2012, a taxa caiu para 2,3 milhões. Em ao menos 26 países, a queda foi superior a 50%. No total, o número de pessoas infectadas, porém, continua subindo porque a sobrevida aumentou com o acesso ao tratamento. Em 2001, 30 milhões de pessoas no mundo viviam com o HIV – em 2012, eram 35,2 milhões. Desde o início da epidemia, 75 milhões de pessoas já foram infectadas.

Funcionários da ONU não escondem que os números são surpreendentes – há apenas alguns anos, poucos imaginariam que a redução seria possível. A mudança aconteceu em grande parte graças à decisão da entidade de adotar o modelo brasileiro de garantir acesso ao coquetel antirretroviral como uma estratégia mundial. O tratamento ajudou também a barrar a contaminação.

Em 2005, 1,3 milhão de pessoas tinham acesso a remédios no mundo. No fim do ano passado, o número chegou a 9,7 milhões. “Mas, apesar dos ganhos históricos em expandir os serviços de tratamento, o esforço para garantir um acesso universal enfrenta desafios consideráveis”, alerta a Unaids.

A mortalidade caiu de forma importante. Em 2001, 1,9 milhão de pessoas morreram em decorrência da aids e, em 2012, foram 1,6 milhão. Desde o pico da epidemia, em 2005, o número de mortes caiu 30%.

Um dos dados mais comemorados é o de casos de novas crianças infectadas. Entre 2001 e 2012, a redução foi de mais de 50%, para um total de 250 mil.

Investimento

Parte do sucesso obtido se deve ao volume de recursos destinados para o combate à aids. Em 2002, existiam US$ 3,8 bilhões para atacar a doença. Hoje, são quase US$ 19 bilhões. Para 2015, a Unaids estima que serão necessários até US$ 24 bilhões.

O Brasil aparece como o País com o maior orçamento nacional para o combate à doença entre as economias emergentes. Houve queda de 30% no número de mortes. Por ano, são mais de US$ 745 milhões – a China, com população seis vezes maior, investe US$ 497 milhões. A Unaids, porém, alerta que o País, mesmo com todo o dinheiro investido, corre o risco de não atingir algumas das metas mundiais de redução até 2015.

No caso do Brasil, a agência mostra que o total da população contaminada não mudou entre 2001 e 2012, com 0,4% dos brasileiros sendo registrados como portador do vírus. Em números absolutos, houve um aumento. Em 2001, estimava-se que entre 430 mil e 520 mil pessoas viviam com aids no Brasil. Em 2012, o volume subiu para um intervalo entre 540 mil e 660 mil.

Mas, assim como no caso mundial, o aumento no número de pessoas vivendo com o vírus da aids no Brasil em parte também é resultado de um prolongamento da vida daqueles afetados pela doença. Os números de mortes anuais no Brasil por causa da doença passaram de um máximo de 27 mil, em 2001, para 19 mil em 2012. A queda estimada é de 29,6%.

Se a redução no Brasil segue a tendência mundial, a Unaids deixa claro que o governo precisa fazer novos esforços para conseguir avançar com o tratamento, ainda que o País seja considerado o modelo que inspirou toda a resposta internacional da última década.

Hoje, cerca de 307 mil adultos recebem gratuitamente o tratamento contra a aids, mas o número de pessoas precisando de assistência pode chegar a 370 mil em 2015. A agência da ONU recomenda que o Brasil concentre seus esforços em garantir um acesso pleno ao tratamento até 2015.

Fonte: UOL

Epidemia de aids pode chegar ao fim em 2030, diz ONU

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A luta contra a Aids entrou em uma nova fase – e já é possível vislumbrar o fim da epidemia em 2030, afirmou Luis Loures, diretor-executivo-adjunto da Unaids, programa da Organização das Nações Unidas destinado a combater a doença. “Eu penso que 2030 é uma meta viável para dizer que chegamos ao fim da epidemia. O HIV vai continuar existindo com um caso aqui e outro ali, mas não no nível epidêmico como temos hoje”, disse Loures, durante um encontro com jornalistas no Panamá.

Segundo dados da Unaids, todos os anos são registradas 3 milhões de novas infecções com o HIV no mundo, provocando a morte de 1,7 milhão de pessoas anualmente. Mas, em decorrência dos avanços recentes no combate à doença, esse número pode estar prestes a mudar. “Podemos chegar ao fim da epidemia porque temos tratamento e forma de controlar as infecções. Estamos avançando, não há dúvidas”, afirmou Loures, que está no Panamá para discutir com agências das Nações Unidas na América Latina novas estratégias para combater a doença.

 

Esse avanço recente na luta contra a doença ocorre graças a um acesso maior aos medicamentos e a uma queda considerável em seu custo. Há 20 anos, o tratamento anual para uma pessoa com HIV custava em média 17.000 dólares. Hoje, o custo é de apenas 150 dólares anuais, o que se deve, em grande parte, à introdução dos remédios genéricos. Além disso, as pessoas com o HIV iniciam os tratamentos cada vez mais cedo, o que retarda o aparecimento da doença.

Segundo a Unaids, o número de novas infecções anuais caiu 20% na última década e, em uma lista mais restrita de 25 países (13 deles da África subsaariana), caiu 50%. Além disso, em apenas 24 meses, o número de pessoas com acesso ao tratamento para o HIV aumentou 60%. Luis Loures afirmou que, apesar dos avanços, o desafio atual no combate à doença é atingir os grupos mais vulneráveis, como os homossexuais masculinos, trabalhadores sexuais e consumidores de drogas — que não têm um maior acesso aos tratamentos por medo de serem discriminados e criminalizados. “Se não conseguirmos controlar a epidemia nesses grupos, a aids continuará conosco”, disse.

No final de 2011, 34 milhões de pessoas viviam com o HIV em todo o mundo, a maioria (69%) na África Subsaariana, onde um em cada 20 adultos vive com a doença.  Essa região africana é seguida pelo Caribe, Leste Europeu e Ásia central, onde em 2011, 1% dos adultos vivia com HIV.

Fonte: VEJA

Fundo Global de combate à aids, tuberculose e malária: US$ 15 bi em 3 anos salvarão milhões de vidas

Com um investimento de 15 bilhões de dólares ao longo dos próximos três anos, a comunidade internacional pode fazer grandes progressos no combate a pandemias, salvando milhões de vidas e economizando muito dinheiro. A avaliação está no relatório do Fundo Global, apoiado pela ONU, para combater HIV/aids, Tuberculose e Malária.

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O estudo divulgado nesta quinta-feira (12) adverte que se o financiamento global para as três doenças infecciosas acabar, graves consequências humanitárias serão desencadeadas e combatê-las poderá custar até 47 bilhões de dólares.

O documento “O Custo da Inação” afirma que, sem o financiamento, a cada ano 2,6 milhões de pessoas seriam infectadas com HIV, 3 milhões de pessoas não receberiam o tratamento para tuberculose e 1 milhão morreria por causa disso. Outras 196 mil morreriam de malária.

“Há três fatores convincentes que tornam esta uma oportunidade única para lutar e derrotar essas doenças”, disse o diretor executivo do Fundo Global, Mark Dybul, falando sobre a experiência, novas ferramentas científicas e a compreensão epidemiológica. “Nós podemos fazer uma diferença transformadora e, se não agirmos agora, as consequências serão atordoantes.”

Fonte: ONU

Brasil vence Espanha na final da Copa das Confederações. Países têm ações parecidas no combate ao HIV

Na final inédita valendo  o título da Copa das Confederações,  Brasil venceu a Espanha no Maracanã por 3 a 0. Os dois países têm ações parecidas no combate ao HIV/Aids. 

Na Espanha, de acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), aproximadamente 150 mil adultos estão infectados, o que representa uma prevalência média de 0,4%, a mesma taxa observada no Brasil.

Os medicamentos antirretrovirais também são distribuídos gratuitamente no país desde 1996 pelo governo. No entanto, a lipodistrofia tem se tornado um grande desafio para o enfrentamento do estigma. Uma pesquisa feita no país, em 2000, mostrou que 24% dos soropositivos já sofrerem discriminação no trabalho. Destes, 16% atribuíram o fato devido à lipodistrofia. 

Nos próximos 25 anos, especialistas alertam que a Espanha poderá ter 100 mil novas infecções por HIV, mesmo que a informação sobre a aids seja acessível a todas as pessoas. 

Esta previsão pode acontecer, segundo eles, porque uma margem de 35% a 50% das pessoas com o vírus hoje não sabem da sorologia e podem infectar outras pessoas por falta de prevenção.

No Brasil, que tem 193 milhões de habitantes, são cerca de 530 mil pessoas vivendo com o HIV, segundo o Ministério da Saúde, o que representa uma incidência de 0,42% na população. A previsão do Unaids é mais otimista e calcula 0,3% da populaçaõ infectada. 

Um levantamento feito pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde em 2012, com mais de 35 mil adolescentes e jovens de 17 a 20 anos de idade, mostrou que a prevalência do HIV nessa população passou de 0,09% para 0,12% em cinco anos. Os números estão ligados às relações homossexuais ou um número maior de parceiros sexuais.

Para casos de aids apenas, ou seja, pessoas que já apresentam sintomas da doença, a média nacional, segundo o Ministério da Saúde, é de 20 notificações para cada grupo de 100 mil habitantes.

De 2006 para 2011, o montante de soropositivos que começaram a fazer o tratamento antirretroviral precocemente (com mais de 500 cópias de células de defesa do organismo para cada mililitro cúbico de sangue) passou de 32% para 36,7%. Durante o mesmo período, a porcentagem de pacientes que ficou com a carga do vírus HIV indetectável após seis meses de tratamento subiu de 63,8% para 72,4%.

Fonte: Agência de Noticias da AIDS

Informação precoce é arma contra a Aids

O ano de 2005 bateu o recorde de novos casos de contaminação pelo HIV: 4,9 milhões de pessoas foram infectadas no mundo, segundo levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgado há uma semana.

Reunidos no 14º Congresso Brasileiro de Infectologia, que acontece em Belo Horizonte, especialistas avaliam que, para barrar o avanço da doença, é necessário antecipar as ações educativas e preventivas tendo como principal alvo os pré-adolescentes, ou seja, aqueles que ainda não iniciaram sua vida sexual.

“É preciso mudar o comportamento de quem já iniciou a vida sexual, mas é fundamental criar um novo comportamento entre os mais jovens para que eles cresçam sabendo como lidar com a doença”, afirmou Luiz Antônio Loures, vice-diretor da Unaids, organismo da ONU de combate à Aids.

Segundo o especialista, o entrave à prevenção não é a falta de informação e sim os tabus sociais envolvendo a questão do sexo, o que dificulta colocar em prática o conhecimento adquirido.

Para o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Antônio Toledo, o combate à doença deve, também, levar em conta o contexto socioeconômico do segmento social ao qual se dirige a campanha contra a Aids e critica os programas públicos de prevenção por ignorarem esse fato.

Preconceitos 
O presidente da comissão científica do congresso, Dirceu Bartolomeu Greco, compartilha dessa idéia. “Existe o problema do gênero. Por exemplo, o preconceito contra a mulher que anda com camisinha na bolsa”, disse.

Ele ainda chama a atenção para comportamentos comuns, mas perigosos, como o de pessoas que deixam de usar o preservativo por acreditar que a estabilidade da relação põe fim ao risco ou o de pessoas habituadas a usar o preservativo e que acabam abrindo exceções.

Os especialistas apontam, ainda, para outro desafio a ser vencido na luta contra o HIV: o problema da discriminação. “As pessoas vêem a Aids como um problema alheio e os portadores como um problema para a sociedade”, afirma Loures.

A discriminação, informam, ocorre principalmente na América Latina, onde atualmente há o maior crescimento no número de contaminados: 200 mil novas infecções só em 2005.

Vacina 
Em 2005 a Aids, no mundo, consumiu investidos de US$ 8,3 bilhões. Um valor bem maior do que o de 1996, de US$ 300 milhões, e inferior ao previsto para 2007: US$ 20 bilhões.

Apesar do aumento nas cifras, Loures afirma que os recursos são insuficientes para buscar uma vacina e não arrisca fazer previsões para a descoberta do medicamento. Por outro lado, o especialista explica que houve um avanço científico, resultando em tratamentos mais efetivos e menos tóxicos ao paciente.

O problema dos medicamentos mais recentes é o preço, o que restringe seu consumo em países economicamente atrasados. A solução para isso, segundo o especialista, seria existir uma maior solidariedade internacional, além da busca de formas alternativas para baratear o custo dos medicamentos como a produção de genéricos.

Os especialistas continuam reunidos até o próximo dia 30, no Minascentro. Além da Aids, durante o evento também serão debatidos temas como doenças emergentes ” como a gripe aviária “, transmissão de tuberculose e tratamento de hepatite.

Fonte: O Tempo