Apesar de avanços, cura da Aids para maioria ‘ainda está longe’

Médicos dos Estados Unidos conseguiram o que está sendo chamado de cura “funcional” do vírus HIV em uma criança de 2 anos. De acordo com os americanos, uma menina soropositiva do Estado do Mississippi (sul do país) não demonstra sinais de infecção pelo vírus após deixar o tratamento por cerca de um ano.

A cura livrou a criança de uma vida que seria marcada pelo alto consumo de medicamentos, o preconceito e o dilema de contar a amigos e familiares sobre a doença. Mas, além da história de triunfo dos médicos, surge uma grande questão: esta descoberta coloca o mundo mais perto de uma cura para a aids?

No caso da garota americana existem circunstâncias especiais: os médicos conseguiram atingir o vírus muito cedo e com muita força. Isto não é possível em adultos, que descobrem que contraíram pelo HIV meses e até anos depois da contaminação, quando o vírus já está completamente estabelecido.

Também não se sabe ainda como o sistema imunológico de um bebê recém-nascido pode afetar o tratamento. Bebês conseguem grande parte da sua proteção contra doenças a partir do leite materno.

Uma coisa é certa – esta abordagem não irá curar a grande maioria dos portadores do vírus. O que levanta a dúvida: haverá um dia esperança para os que vivem há décadas com o HIV?

 

Tratamento 
O vírus da aids não é mais o assassino que costumava ser. Ele apareceu primeiro na África no começo do século 20 e se transformou em um problema de saúde global na década de 1980. Nos primeiros anos da epidemia, não havia tratamento.

O vírus matou mais de 25 milhões de pessoas nas últimas três décadas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A partir da metade da década de 1990 surgiram as terapias com antiretrovirais, e o impacto que tiveram no número de mortes por Aids foi dramático.

As pessoas infectadas com o HIV que têm acesso a esse tratamento podem ter uma expectativa de vida normal, mas nem todas conseguem. Cerca de 70% das pessoas que vivem com o HIV estão na África ao sul do deserto do Saara, onde o acesso aos medicamentos é relativamente limitado.

A busca pela cura continua. “Sempre presumimos que era impossível, mas começamos a descobrir coisas que não sabíamos antes, e (isso) está abrindo uma fenda na blindagem”, disse à BBC o pesquisador John Frater, da Universidade de Oxford.

 

Escondido 
Depois que uma pessoa é infectada pelo HIV, o vírus se espalha rapidamente, infectando células em todo o corpo. Ele se esconde dentro do DNA, onde não será afetado pelas terapias.
Já existem agora medicamentos experimentais para tratamento de câncer que poderiam tornar o vírus mais vulnerável. 

“Este é um momento muito animador, mas não é a resposta no mundo atual. Temo que por querer uma cura tão desesperadamente nos esqueçamos das questões de custo e eficiência, que fazem a diferença”, disse Jane Anderson, professora do Hospital Homerton, em Londres 

“(O medicamento) ataca o vírus dentro da célula e o deixa visível para o sistema imunológico. Poderemos alcançá-lo com uma vacina”, afirmou Frater.

No entanto, a abordagem requer medicamentos que façam com que o vírus fique ativo e uma vacina que treine o sistema imunológico para acabar com ele. E isso não é algo que está próximo de ser descoberto.

Outro caminho sendo considerado envolve uma mutação rara que faz com que as pessoas fiquem resistentes à infecção. Em 2007, Timothy Ray Brown se transformou no primeiro paciente que teria erradicado o vírus. 

Seu sistema imunológico foi destruído como parte de um tratamento de leucemia. Em seguida, ele foi restaurado graças a um transplante de células-tronco de um paciente com a mutação.

Um pouco de engenharia genética também poderia ajudar a modificar o sistema imunológico do próprio paciente, para que ele adquira a mutação protetora. Mas, novamente, esta é uma perspectiva distante. 

 

Medicina experimental 
Para o presidente do programa de vacina da aids da Grã-Bretanha, Jonathan Weber, professor da universidade Imperial College, no sul da Inglaterra, não há um consenso nos tratamentos para os que já estão infectados.

“Para a infecção estabelecida nós temos algumas ideias, mas tudo ainda nos domínios da medicina experimental. Não há um consenso e nenhum caminho claro (a ser seguido)”, afirmou.

Para Weber, uma cura seria a solução para o problema dos gastos, já que dar remédios para as pessoas todos os dias para o resto de suas vidas pode ser muito caro.

A professora Jane Anderson, do Hospital Homerton, em Londres, prefere ser mais cautelosa sobre a possibilidade de uma cura para a Aids depois do caso nos Estados Unidos. “Este é um momento muito animador, mas não é a resposta no mundo atual. Temo que, por querer uma cura tão desesperadamente, nos esqueçamos das questões de custo e eficiência, que fazem a diferença”, afirmou.

Quase todos os casos de transmissão do HIV da mãe para a criança podem ser evitados com medicamentos, com a escolha pela cesariana e evitando que a mãe amamente o filho.
Em adultos, a maioria dos casos de infecção por HIV ocorre como resultado de sexo sem o uso de preservativos. 

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Fonte: Terra

Por dia, uma mãe transmite Aids ao filho no Brasil

O Brasil registrou um caso novo por dia de transmissão de aids da mãe para o bebê em 2011. Apesar de ser possível reduzir para zero esse contágio, foram 469 confirmações em crianças de várias faixas etárias – algumas convivendo por anos com a doença, sem diagnóstico nem tratamento.

O Brasil ainda contabiliza 5,4 novas infecções entre menores de cinco anos a cada 100 mil habitantes – proporção idêntica à registrada em 2006. Os dados constam do Boletim Epidemiológico de DST-Aids, divulgado ontem.

“Essas infecções são inaceitáveis, vamos melhorar”, disse o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. A transmissão da mãe para o bebê – chamada de vertical – pode ser evitada quando a mulher passa a usar remédios antiaids na gravidez ou, quando isso não é possível, durante o parto.

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Alexandre Grangeiro avalia que os altos indicadores refletem falhas graves nas estratégias de prevenção e de atendimento. “No Brasil, 90% dos partos são hospitalares, as mulheres fazem pelo menos uma consulta de pré-natal. Esse número já deveria ter sido zerado”, afirma.

Barbosa disse acreditar que as taxas de infecção vertical devam cair com Rede Cegonha e com a ampliação do teste rápido para HIV. “O uso desse exame ainda é limitado, há muita resistência nas cidades, muita pressão corporativa para que mantenhamos os exames tradicionais”, disse.

Falta de diagnóstico – O teste rápido também é considerado ferramenta essencial para reduzir o alto número de pessoas que desconhecem ser portadoras do vírus. Estima-se que existam no País 530 mil pessoas com HIV – 130 mil, ou o equivalente a 24%, não sabem que estão infectadas. Ontem, o Ministério da Saúde iniciou uma mobilização para testagem de HIV em todo o País.

“Por preconceito, pessoas ainda resistem em fazer o teste”, disse Barbosa. Uma das ações que serão realizadas para romper essa barreira serão unidades móveis com kits de diagnóstico que devem circular em áreas frequentadas por grupos considerados mais vulneráveis: homens que fazem sexo com homens, travestis e profissionais do sexo.

Cinco unidades estão em funcionamento. A ideia é que em 2013 todas as capitais estejam com veículos nas ruas. “Pretendemos que todas as cidades-sede da Copa das Confederações disponham do serviço.”

Aumento – De acordo com o boletim, 38.776 novos casos de aids no Brasil foram registrados no País em 2011. O número é ligeiramente maior do que o de 2010, quando 37.358 pessoas tiveram a infecção confirmada.

A tendência de aumento foi registrada em todas as regiões. No Nordeste, a incidência passou de 13,7 casos a cada 100 mil habitantes para 13,9 entre 2010 e 2011. No Sudeste, a taxa passou de 20,6 para 21; no Sul, de 29,1 para 30,9 e no Centro-Oeste, de 16,4 para 17,5.

Apenas o Norte apresentou variação para menos: de 20,9 para 20,8. Apesar disso, a incidência atual é três vezes maior do que a apresentada em 2000, quando 6,9 casos por 100 mil habitantes eram identificados.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse ser essencial a adoção de medidas para reduzir o avanço da doença entre jovens. “A população jovem de homens que fazem sexo com homens é responsável por mais da metade dos casos novos”, disse. Ele avalia ser necessário “despertar novas atitudes” entre esses grupos.

Fonte: Agência Estado

Estrela de Bollywood será embaixadora da ONU contra a Aids

A ONU nomeou a atriz indiana Aishwarya Rai Bachchan como sua embaixadora honorária com a missão de combater a transmissão da Aids para crianças e promover a universalização do tratamento com antirretrovirais.

Rai, que deu à luz pela primeira vez em novembro, vai trabalhar com a Unaids (programa da ONU para o combate à Aids), defendendo o “plano global para a eliminação das novas infecções entre crianças e para manter suas mães vivas”.

“Conscientizar sobre questões de saúde, especialmente relativas a mulheres e crianças, sempre foi uma prioridade para mim”, disse a atriz de Bollywood em nota. “E agora, como uma nova mãe, posso me identificar pessoalmente com isso – as alegrias e preocupações de cada mãe e as esperanças que temos pra os nossos filhos.”

O plano com o qual ela se envolverá abrange 22 países, inclusive a Índia, que juntos respondem por mais de 90 por cento das novas infecções pelo vírus HIV entre crianças. Os demais 21 países ficam na África Subsaariana.

Rai, que costuma aparecer na lista das mulheres mais bonitas da Índia e é casada com o ator Abhishek Bachchan, ganhou o concurso Miss Mundo em 1994 e depois fez carreira de sucesso no cinema popular indiano. Também atuou em filmes de Hollywood, como “A Pantera Cor-de-Rosa 2”, e é presença habitual no Festival de Cinema de Cannes.

Fonte: Portal Terra

Mais da metade das infecções pediátricas é causada pelo HIV, informa Correio Braziliense

Reportagens do jornal Correio Braziliense tratam da transmissão vertical do HIV. Segundo o jornal, o leite materno é a principal fonte de nutrição e proteção imunológica do recém-nascido, tendo sido capaz de prevenir 15 milhões de óbitos em uma única década. No entanto, a transmissão do HIV pela amamentação também é responsável por mais da metade do volume de novas infecções pediátricas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que seja considerada a modificação das práticas atuais para prevenção da transmissão vertical do HIV. Confira a matéria:

A duplicidade na ação do leite materno de gestantes portadoras do vírus desafia a comunidade médica mundial a buscar novas estratégias para o uso mais efetivo da medicação antirretroviral. A preocupação de impedir completamente a transmissão do vírus ao bebê é um dos principais temas discutidos na 19ª Conferência Internacional de Aids 2012, em Washington DC, nos Estados Unidos.

A transmissão vertical também foi o tema de destaque da última edição da revista especializada Science Translational Medicine. Philippe Van de Perre e sua equipe mostraram que a existência de reservatórios de HIV no leite materno pode ajudar a entender os fatores que influenciam a transmissão do vírus da mãe para o feto. Segundo o pesquisador da universidade francesa de Montpellier, mulheres com respostas bem-sucedidas à terapia antirretroviral e taxas indetectáveis de HIV no plasma sanguíneo e no leite materno não podem ser consideradas livres do HIV replicante, que transmite o vírus ao bebê.

Ainda que a terapia resulte em uma grande queda na presença do HIV, células que carregam secretamente o vírus podem ser detectadas em todas as mulheres infectadas, até mesmo aquelas tratadas com a medicação adequada. “Essas células podem ser as responsáveis por uma transmissão viral residual de mãe para filho”, afirma o artigo. Dessa forma, a equipe sugere que novas abordagens de terapia profilática são necessárias para prevenir a transmissão de HIV a crianças durante a amamentação.

A busca por uma estratégia de prevenção efetiva é o objeto de um estudo conduzido pela professora de medicina da divisão de HIV da Universidade da Califórnia (EUA) Monica Gandhi, em conjunto com profissionais da Universidade de Makerere, na Uganda. Os pesquisadores querem entender a quantidade de medicação antirretroviral no organismo do bebê e o momento em que ele foi exposto, se na gestação e/ou durante a amamentação. Para isso, os cientistas analisaram amostras de cabelo e do plasma sanguíneo de crianças de 3 meses de idade, nascidas e amamentadas por mães soropositivas. Eles perceberam que dois dos medicamentos tomados pelas gestantes foram transferidos aos filhos somente pela placenta, e um terceiro por meio também da amamentação.

Um nível único de plasma sanguíneo é capaz de refletir a exposição à droga ao longo de aproximadamente 24 horas, enquanto a amostra de cabelo revela a exposição por todo o mês anterior. A partir dos fios, é possível examinar a exposição antes do nascimento da criança. Os bebês no grupo das gestantes que receberam o antirretroviral Lopinavir registraram o equivalente a 87% dos níveis da droga encontrados no cabelo de suas mães. Os índices de Ritonavir – antirretroviral que tem o uso associado ao Lopinavir – foram cerca de 45%. No entanto, quando as amostras de sangue foram estudadas, os níveis nos exemplares das mães estavam como esperado, mas nada foi encontrado na concentração plasmática dos bebês.

A incapacidade de encontrar drogas no sangue dos bebês, mas, sim, nas amostras de cabelo, indica que não houve uma exposição recente. Sendo assim, a amamentação não transferiu as drogas para as crianças. As duas medicações, na verdade, foram passadas ainda no útero. “Talvez esse resultado nos mostre que, para conseguir proteção, não precisamos que o bebê seja exposto a tanto Lopinavir, por exemplo, durante a gravidez, ou ainda que devêssemos usar outro agente. Essa transferência muito alta durante a gravidez pode levar a efeitos tóxicos.” No caso da terceira droga analisada, Efavirenz, os registros nas mechas de cabelo era cerca de 40% do encontrado nas das mães, e os níveis no sangue foram de aproximadamente 15%, demonstrando uma transferência moderada, tanto no útero quanto durante a amamentação. Gandhi afirma que uma das conclusões possíveis é que talvez não se deveria usar o Efavirenz durante a amamentação, pois a transferência é moderada. É possível que, se o bebê for infectado, os baixos níveis da medicação em seu corpo levem à resistência aos medicamentos. Gandhi reforça que ainda não é possível saber precisamente qual o mecanismo de proteção nos bebês dos Antirretrovirais tomados pela mãe.

O infectologista Francisco Ivanildo da Silveira Júnior, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, explica que os dois estudos afirmam que somente tomar o antirretroviral na gestação ou na amamentação – seja por indicação clínica ou por profilaxia – não é o suficiente. Algumas medicações não são transferidas pelo leite materno e não estão protegendo a criança. “Isso se mostra importante, porque vemos no outro estudo que, mesmo em uma situação de baixa concentração viral, ainda existe HIV dentro de algumas células no leite, e a terapia da mãe não consegue exterminá-lo. Se o bebê não estiver sob profilaxia, esse é o gargalo que justifica a mãe passar o vírus para ele”, diz. Segundo Silveira, a questão é descobrir qual o melhor antirretroviral. “Dependendo do tipo de medicação anti-HIV que é administrada, o coquetel não passa para o bebê, então o risco de overdose é eliminado, mas também é preciso que o antirretroviral não seja tóxico ao recém-nascido. Já existem alguns remédios sob estudo”, conta.

A OMS estima que, em dezembro de 2009, a taxa global de transmissão de HIV de mãe para filho era de 27%. O objetivo é reduzir esse índice para menos de 5% até 2015, diminuindo o número de novas infecções pediátricas para um valor abaixo de 40 mil.

O Brasil

O trabalho de Monica Gandhi será exibido hoje na 19ª Conferência Internacional de Aids 2012. No mesmo evento, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentará propostas do uso estratégico de Antirretrovirais para a redução significante da transmissão do vírus. A organização recomendará que seja considerada a modificação das práticas atuais para prevenção da transmissão vertical do HIV. A OMS traz como exemplo a oferta da terapia antirretroviral em Malaui, na África, a todas as gestantes infectadas com o HIV, independentemente da força do seu sistema imunológico. A medida não só trataria as mulheres infectadas pelo HIV, mas também preveniria a transmissão para seus filhos e parceiros.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que o bebê não seja amamentado pela mãe portadora do vírus. Em vez dessa fonte nutricional, a criança recebe um substitutivo ao leite materno com o objetivo de continuar protegido de uma possível infecção viral vinda da mãe. O infectologista Alberto Chebabo, do Laboratório Exame e do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ), explica que essa medida coloca o país em uma posição de vantagem frente às nações africanas. “No Brasil, conseguimos repor o leite materno com o material dos bancos de leite e com leite em pó. Mais do que a amamentação. Em qualquer mulher que chegue em trabalho de parto sem o pré-natal, um teste rápido de HIV é realizado. Se der positivo, iniciamos a administração de um antirretroviral no parto e orientamos para que não seja feita a amamentação”, detalha o médico.

Ele considera que essas medidas de precaução são os principais fatores que levam à baixa incidência de transmissão vertical no país. Nos países africanos, a amamentação da mãe infectada é aconselhada pelo alto custo da alimentação por fórmula. Além disso, falta água limpa para a manipulação, e o substitutivo não possui as vantagens de prevenção a outras infecções. Por esses motivos, no cenário de recursos limitados, mães infectadas pelo HIV são incentivadas a amamentar seus bebês. No entanto, para proteger a criança da infecção a partir do leite materno, ou a mãe deve receber os medicamentos Antirretrovirais para controlar a sua carga viral ou o bebê deve receber profilaticamente remédios que combatam o vírus.

Fonte: Correio Braziliense 

Leite materno bloqueia transmissão do HIV

Uma substância ainda desconhecida e presente  no leite materno teria a capacidade de “matar” o vírus da Aids, sugere pesquisadores norte-americanas. A amamentação pelo peito é uma das vias mais recorrentes de transmissão do HIV em bebês, que também podem se infectar quando ainda estão no útero da mãe ou durante o parto.

Os riscos do recém-nascido de tomar leite da mãe HIV positivo em um único dia são extremamente baixos. Esse quadro é diferente quando a quantidade e o período são maiores: entre 5% a 20% adquirem o vírus. Sem uma terapia antiviral, somente 65% das crianças infectadas com HIV sobrevivem até o primeiro ano de vida e menos da metade atinge os dois anos de idade.

Contraditoriamente, estudos anteriores já apontaram para as propriedades antivirais do leite materno. Quando tomado exclusivamente (sem qualquer outro líquido ou comida sólida na dieta do bebê), o leite reduz drasticamente a taxa de transmissão do HIV por leite materno.

A pesquisadora Angela Wahl e colegas, da Universidade da Carolina do Norte, criaram, pela primeira vez, cobaias “humanizadas” para estudar a transmissão oral do HIV em ambientes laboratoriais, o que não tinha sido feito antes.

Estudo nos EUA indica que leite materno bloqueia transmissão do HIV em ratos ´humanizados´

Um experimento realizado na Universidade da Carolina do Norte mostrou que, em ratos “humanizados”, o leite materno humano impede a transmissão oral do vírus HIV, informou artigo publicado na revista científica Public Library of Science Pathogens. A notícia é da agência EFE e ganhou destaque no Brasil nos sites da revista Veja e do jornal O Estado de S.Paulo.

Segundo explicou a EFE o autor principal do estudo, J. Víctor García, primeiro, os ratos foram reconstituídos para que se tornassem suscetíveis a doenças humanas, como a aids. Entre aqueles que foram expostos ao vírus HIV, 100% foram infectados. Já quando os cientistas administraram o vírus misturado com leite materno humano saudável, 100% ficaram livres da infecção, destacou o pesquisador.

“Os ratos são, por essência, resistentes à maioria das doenças que afetam os humanos”, ressaltou García. “Para usá-los neste tipo de estudos, é preciso torná-los parcialmente humanos. Eles foram trabalhados um por um, introduzindo-lhes células-tronco da medula óssea humana às seis semanas de idade”, explicou o pesquisador. “As células humanas vão a todos os órgãos e áreas similares dos humanos como boca, esôfago, pulmões, intestino, fígado e sistemas reprodutivos que se enchem de células humanas”, acrescentou.

O HIV infecta somente os chimpanzés e os humanos, mas só deixa os humanos doentes. Com a reconfiguração de células humanas, os ratos tornam-se suscetíveis à infecção.

Em seguida, a equipe de García, que trabalhou com mais de 50 ratos “humanizados”, administrou em alguns deles o leite de mães saudáveis misturado com HIV, e a outros apenas o HIV, em ambos os casos por via oral. “Os ratos sensíveis à infecção e que receberam só o vírus adoeceram. Já os que receberam o vírus com leite materno não adoeceram”.

“A próxima etapa do estudo é determinar se o leite de mães infectadas tem o mesmo efeito”, anunciou o cientista. Mas, segundo ele, o que já foi estabelecido pela primeira parte do estudo dá novas pistas sobre o isolamento de produtos naturais que poderiam ser usados para combater o vírus.

As estatísticas indicam que mais de 15% das novas infecções com o HIV ocorrem em bebês e, sem tratamento, apenas 65% deles sobrevive mais de um ano, enquanto menos da metade chega aos dois anos de vida.

O artigo indica que, embora se atribua ao aleitamento um número significativo dessas infecções, a maioria dos bebês amamentados pelas mães soropositivas não tem a infecção, apesar da exposição prolongada e repetida.

Fonte: Agência EFE

Tratamento contra Aids na África do Sul reduz transmissão em bebês

Com apenas um ano de idade, Katakane ri e brinca nos braços da mãe soropositiva, enquanto um médico tenta examinar a menina no maior hospital público da África do Sul, em Soweto.

 

São apenas exames de rotina. A menininha é saudável, graças a um tratamento que salvou milhares de bebês nascidos de mães portadoras do vírus causador da Aids.

 

“Minha bebê está ótima! Ela brinca, diz ‘papai, mamãe’. Sim, ela está bem, está ótima”, contou, radiante, Nandi (nome fictício), de 32 anos, comentando o alívio que sentiu quando soube que a filha não tinha sido infectada com o HIV.

 

Dois anos atrás, enquanto estava grávida, Nandi ingressou em um programa de saúde pública concebido para evitar que mães soropositivas infectassem seus bebês com o vírus.

 

O tratamento salvou até 70 mil crianças ao ano, segundo autoridades, uma grande história de sucesso diante das quase seis milhões de pessoas que vivem com HIV e Aids no país.

 

Grávidas fazem o teste em clínicas de pré-natal, relatou a pediatra Avi Violari, no hospital Chris Hani Baragwanath, de Soweto.

 

“Se ela está contaminada com HIV, então oferecemos aconselhamento intensivo. E oferecemos tratamento durante a gravidez”, explicou, enquanto crianças se penduram nas cadeiras azuis da unidade de pesquisa, aguardando os pais que fazem testes ou tratamento.

 

As mães soropositivas recebem medicamentos antirretrovirais (ARV) durante a gravidez e após o nascimento, e possivelmente uma dose extra durante o trabalho de parto, dependendo a evolução o vírus. Tudo de graça.

 

‘É inacreditável’, diz. Os remédios reduzem a carga viral no corpo da mãe, que por sua vez diminui o risco de a criança contrair HIV através do cordão umbilical ou por exposição aos fluidos corpóreos da mãe durante o parto ou a amamentação.

 

O recém-nascido também recebe algumas gotas de ARV em xarope, como um reforço para combater a infecção.

 

O êxito do tratamento tem sido uma bênção em um país onde metade dos 50 milhões de habitantes vive com menos de US$2 (R$ 4) por dia. Embora os antirretrovirais tenham reduzido o perfil da Aids de doença mortal a crônica nos países mais ricos, permitindo aos infectados manter um estilo de vida normal, o mesmo não ocorre nos países mais pobres, onde a sobrevivência pode ser uma luta cruel e diária em busca de alimentação e medicamentos adequados.

 

Até uma década atrás, a África do Sul também era notoriamente resistente a fornecer medicamentos anti-Aids para as grávidas. O ex-presidente Thabo Mbeki, no poder na época, despertou críticas em todo o mundo por questionar se o HIV causava a Aids, bem como os diagnósticos e remédios ocidentais no combate ao vírus. Em 2002, no entanto, a Corte Constitucional determinou que os antirretrovirais fossem disponibilizados de graça para futuras mães com HIV.

 

Atualmente, o programa sul-africano de ARV foi além das grávidas e agora é oferecido a 1,3 milhão de pessoas, constituindo-se o maior programa do tipo no mundo.

 

Antes do lançamento do programa “Prevenção da Transmissão de Mãe para Filho (PMTCT, em inglês)”, quase um terço dos bebês do país nascia com HIV, contraído de suas mães. As taxas de infecção agora caíram para menos de 4%, segundo números oficiais divulgados no ano passado.

 

“É inacreditável como as taxas de transmissão caíram. É realmente dramático”, disse na capital, Pretória, Theresa Rossouw, doutora chefe em HIV do país.

 

Autoridades de saúde internacionais comemoram o sucesso do programa.

 

“O programa PMTCT é o carro-chefe do governo sul-africano. É algo sobre o que eles podem dizer, ‘Nós lideramos este programa'”, disse Thapelo Maotoe, médica na agência de ajuda americana USAID, que financiou com mais de US$3,3 bilhões o tratamento contra HIV/Aids na África do Sul desde 2004.

 

Os resultados representam uma boa notícia em um país onde a metade dos bebês soropositivos não consegue chegar aos cinco anos de idade, por causa da pobreza generalizada.

Fonte: Cenário MT