Vacina brasileira contra aids testada em macacos pode esbarrar na falta de financiamento, informa agência EFE

macaco

O Brasil começou a testar em primatas uma nova vacina contra a aids que utiliza partes do vírus HIV inalteráveis, ao contrário da maioria de pesquisas realizadas até o momento nas quais são utilizadas a proteína inteira, mas a iniciativa pode acabar esbarrando na falta de financiamento, informou a agência de notícias EFE.

A vacina, que está sendo desenvolvida pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) junto com o Instituto Butantan, tem como objetivo encontrar um método seguro e eficaz de imunização contra a aids para ser usado em seres humanos, declarou à EFE o pesquisador Edécio Cunha Neto.

“Todas as vacinas que foram testadas em humanos estavam baseadas em proteínas inteiras do vírus e nós não queríamos isso. Primeiro, porque as análises não tinham dado resultados e segundo porque a proteína inteira do vírus está altamente especializada em esconder-se da resposta efetiva do sistema imune”, explicou Cunha Neto, um dos responsáveis do projeto.

A opção escolhida pelos pesquisadores brasileiros, que foi aplicada em quatro macacos-rhesus adultos de entre dois e sete anos, foi a de isolar regiões constantes do subtipo mais comum do vírus e escolher dentro delas as mais “identificáveis” pelo sistema imune.

Durante a primeira fase dos testes, serão aplicadas nos macacos quatro doses, das quais três contêm fragmentos do HIV, enquanto a quarta tem como vetor um vírus que causa resfriado. A combinação de ambos os vírus causa uma resposta imune mais eficaz.

O objetivo dos testes, iniciadas no princípio de mês, é começar a identificar como o sistema imunológico responderá à vacina, que a partir do ano que vem começará a ser testada em um número maior de 28 primatas.

Nesta nova etapa, que durará dois anos, serão analisadas as combinações de três vírus diferentes compatíveis com os fragmentos do HIV usados na imunização dos animais.

No entanto, após a polêmica levantada pelas recentes invasões de ativistas no Instituto Royal, Cunha Neto lembrou que em nenhum momento os animais serão sacrificados.

“Como esses vetores virais já foram muito testados em macacos, nossa expectativa é que induzam a uma boa resposta”, declarou.

No entanto, a continuidade do projeto dependerá por último da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o financiamento para os testes clínicos em seres humanos, última fase antes do chamado “teste de eficácia” em grupo de população com risco de contrair o vírus.

Caso os testes tenham êxito, a vacina aumentaria as reações dos imunizados ao vírus, a capacidade de transmissão a outras pessoas, assim como uma melhora na qualidade de vida dos pacientes, embora seja pouco provável que erradique a infecção.

“O que vai acontecer no final da linha é que, se tivermos êxito, vamos ter uma vacina testada em um estudo clínico de fase 1 com um bom resultado, mas que vai depender do interesse de investidores e do governo para passar ao teste de eficácia”, disse o cientista.

Neste sentido, o pesquisador não confia na chegada de investimento privado já que, segundo sua opinião, além do custo e o risco de não funcionar, a vacina apresenta oportunidades de lucros “limitadas”.

“Seria uma vacina que depois sofreria uma pressão social muito grande para que o acesso chegue a países pobres, o que não pode ser um bom negócio para as empresas”, acrescentou.

Por este motivo, para Cunha Neto há poucas oportunidades reais de chegar ao último degrau previsto para 2020.

“Para ser realista, a oportunidade de chegar à fase três vai de mais para menos que de menos para mais. Mas, de minha parte, o que eu puder fazer para chegar a este ponto vou fazer”, lembrou.

Em sua opinião, até o momento só o governo brasileiro poderia ser um “potencial investidor” para a quantia exigida que o financiamento do projeto requer, já que só o investimento inicial para os “testes de eficácia” é de US$ 100 milhões.

“Eu não tenho como solicitar esse dinheiro às agências de fomento. Eu posso tentar convencer o governo a financiar esse tipo de despesa, mas para este tipo teste o valor geralmente não é atribuído”, lamentou Cunha Neto.

Fonte: EFE

Vacina contra AIDS cura macacos

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Saúde de Oregon, nos EUA, desenvolveram uma vacina contra o HIV.

De acordo com o site O Globo, os testes têm obtido bons resultados e foram publicados na revista “Nature”.

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A vacina remove totalmente o HIV do corpo

Ainda de acordo com o site a vacina está sendo testada numa forma do vírus que ocorre em primatas, o vírus da imunodeficiência símia (SIV, na sigla em inglês).

De acordo com o diretor da Universidade de Oregon, Louis Picker, até agora, apenas casos clínicos raros foram curados da Aids.

Ainda de acordo com o diretor esta pesquisa sugere que certas respostas do sistema imune provocadas pela vacina podem remover completamente o HIV do corpo, curando assim o portador do vírus.

Procedimento científico

No estudo, cerca de 50% dos macacos infectados que receberam o patógeno acabaram eliminando todos os traços do vírus, ou seja, foram curados “funcionalmente”, explicou Picker.

“Estamos esperançosos de que parear o CMV modificado com o HIV poderá nos levar a resultados similares em humanos”, ressalta o diretor da Universidade responsável pela pesquisa.

Fonte: O POVO Online / O Globo

Nova vacina pode eliminar traços de vírus da aids por toda a vida

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Cientistas divulgaram nesta quarta-feira que uma vacina experimental contra a aids conseguiu livrar um grupo de animais do vírus da imunodeficiência símia (SIV, similar à “versão” humana, o HIV). Além disso, o resultado se mostrou persistente: alguns dos animais já estão há três anos sem sinais do SIV e isso, afirmam os cientistas, pode persistir por toda a vida deles. O estudo foi divulgado na revista especializada Nature.

 

Os cientistas usaram uma versão mais agressiva do SIV para infectar um grupo de macacos-rhesus. Após a doença se manifestar, os animais foram vacinados e metade deles não teve melhoras, mas os demais foram “curados funcionalmente”, ou seja, não têm traços detectáveis do vírus no corpo. 

Os cientistas explicam que a diferença dessa substância é que ela usa um vírus (citamegalovirus, conhecido como CMV) para “entregar” a vacina ao corpo. “Ela usa um agente persistente (CMV) como vetor da vacina. O CMV persiste indefinitivamente no corpo em níveis muito pequenos (…) o que provê estimulação antigênica suficiente para o sistema imunológico manter altas frequências de células T diferenciadas. Para usar uma analogia militar, este nível de estimulação imunológica é o suficiente para manter armados soldados anti-SIV patrulhando todos os tecidos nos quais células infectadas pelo SIV possam estar”, diz ao Terra Louis Picker, da Universidade da Oregon Health & Science University, nos Estados Unidos.

 

Picker explica que as demais vacinas não persistem no corpo e a quantidade de “tropas” anti-SIV diminui. O problema com o HIV e o seu “irmão” símio é que esses vírus mantêm “reservas” que se manifestam após o sistema imunológico voltar ao normal. “Resumindo, essa habilidade de manter células T efetoras anti-SIV em alta frequência é o porquê de o vetor CMV ter extraído respostas imunológicas e ter uma habilidade única de ‘limpar’ um vírus causador da aids.”

 

Apesar de metade dos macacos ter sido considerada curada funcionalmente, o cientista afirma que isso pode ser devido ao uso de um vírus mais potente no estudo. “Nós usamos um SIV que causa aids em macacos em entre um e dois anos de infecção – enquanto infecções não tratadas de HIV levam cerca de 10 ou 11 anos. As características deste vírus (chamado de SIVmac239) são muito similares ao HIV, exceto por sua maior agressividade.”

 

Os cientistas concluem que o uso do CMV é um forte candidato para desenvolver uma vacina definitiva para a aids. “Em suma, a habilidade dos vetores de CMV de implementar vigilância antipatogênica imune contínua, a longo prazo e potente faz deles candidatos promissores para estratégias de vacina que pretendem prevenir e curar HIV/aids assim como outras infecções crônicas”, diz o artigo assinado por Picker e colegas.

Fonte: Portal Terra

Vacina contra a AIDS passa por primeira fase de testes em humanos com sucesso

A companhia farmacêutica Sumagen Canada, cuja origem é sul coreana, anunciou ontem que a Fase 1 de testes clínicos da SAV001-H, vacina contra o HIV e AIDS, foi concluída com sucesso. As aplicações e análises duraram um ano, desde março de 2012 até o mês passado, e tinham como objetivo verificar a “segurança, tolerância e respostas imunológicas” da droga em seres humanos.

A SAV001-H obteve êxito pleno em testes de seleção aleatória, estudo duplo-cego, testes controlados por placebo, com homens e mulheres assintomáticos, sem apresentar nenhum evento adverso grave. Isso significa que a Fase 2, na qual vai ser verificada a eficiência da medicação, pode ter início.

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O estudo vem sendo desenvolvido pelo Dr. Chil-Yong Kang e sua equipe da Escola de Medicina e Odontologia Western’s Schulich, em parceria com o laboratório sul-coreano, e é visto com esperança, mas certa apreensão pela comunidade científica. Isso porque a vacina inclui uma versão “morta” do vírus HIV. Para a maioria das pessoas, a ideia de ter um vírus HIV injetado em sua corrente sanguínea não é lá muito atraente, mas isso faz parte do processo de fabricação da droga.

Explicando em palavras simples: os cientistas separaram o vírus HIV ativo e modificam sua estrutura genética afim de eliminar sua patogenicidade, que é a habilidade de fazer a pessoa falar com voz de pato. Mentira, é a capacidade do agente invasor em causar a doença com suas manifestações clínicas entre os hospedeiros suscetíveis. Após tratamento químico, os vírus são irradiados com raios gama até que se tenha certeza que eles estão mortos. Bem mortos.

Outros pesquisadores tentaram criar uma vacina contra o HIV/AIDS sem o vírus morto, mas a maioria dos experimentos falharam na Fase 3. De qualquer forma, a Sumagen está otimista à respeito de seu produto, baseados no sucesso obtido em outras vacinas feitas com processos semelhantes, como Pólio, Influenza, Raiva e Hepatite A, que trabalham com o mesmo princípio.

Pode parecer prematuro se empolgar demais sobre a SAV001-H, uma vez que ela ainda precisa passar pelas Fase 2 e Fase 3. Mas quando a gente lembra que 35 milhões de pessoas já morreram de AIDS no mundo todo, e quase esse mesmo número se apresenta infectado, buscamos o mínimo de esperança. Vale lembrar também que 40% das novas infecções acontecem em pessoas com idades entre 15 e 24 anos.

Segundo a Sumagen, quando essa vacina chegar ao mercado (e, tudo indica que vai chegar), isso pode representar a erradicação da AIDS entre seres humanos. Erradicação. Pra sempre. Finito. Kaput.

Fontes: Western’s Schulich e Sumagen Canadá.

Vacina brasileira contra a Aids será testada em macacos

Uma vacina brasileira contra o vírus HIV, causador da Aids, começará a ser testada em macacos no segundo semestre deste ano. Com duração prevista de 24 meses, os experimentos têm o objetivo de encontrar o método de imunização mais eficaz para ser usado em humanos. Concluída essa fase, e se houver financiamento suficiente, poderão ter início os primeiros ensaios clínicos.

Denominado HIVBr18, o imunizante foi desenvolvido e patenteado pelos pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Edecio Cunha Neto, Jorge Kalil e Simone Fonseca. 

A pesquisa foi baseada no sistema imunológico de um grupo especial de portadores do vírus que mantêm o HIV sob controle por mais tempo e demoram para adoecer. No sangue dessas pessoas, a quantidade de linfócitos T (tipo de células de defesa) do tipo CD4 – o principal alvo do HIV – permanece mais elevada que o normal.

“Já se sabia que as células TCD4 são responsáveis por acionar os linfócitos T do tipo CD8, produtores de toxinas que matam as células infectadas. As TCD4 acionam também os linfócitos B, produtores de anticorpos. Mas estudos posteriores mostraram que um tipo específico de linfócito TCD4 poderia também ter ação citotóxica sobre as células infectadas. Os portadores de HIV que tinham as TCD4 citotóxicas conseguiam manter a quantidade de vírus sob controle na fase crônica da doença”, contou Cunha Neto à Agência Fapesp.

Os pesquisadores, então, isolaram pequenos pedaços de proteínas das áreas mais preservadas do vírus HIV – aquelas que se mantêm estáveis em quase todas as cepas. Com auxílio de um programa de computador, selecionaram os peptídeos que tinham mais chance de ser reconhecidos pelos linfócitos TCD4 da maioria dos pacientes. Os 18 peptídeos escolhidos foram recriados em laboratório.

Testes in vitro feitos com amostras de sangue de 32 portadores de HIV com condições genéticas e imunológicas bastante variadas mostraram que, em mais de 90% dos casos, pelo menos um dos peptídeos foi reconhecido pelas células TCD4. Em 40% dos casos, mais de cinco peptídeos foram identificados. Os resultados foram divulgados em 2006 na revista Aids.

Em outro experimento divulgado em 2010 na PLoSOne, em parceria com Daniela Rosa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e Susan Ribeiro, da FMUSP, os peptídeos foram administrados a camundongos geneticamente modificados. Nesse caso, 16 dos 18 peptídeos foram reconhecidos e ativaram tanto os linfócitos TCD4 como os TCD8.

O grupo, então, desenvolveu uma nova versão da vacina com elementos conservados de todos os subtipos do HIV do grupo principal, chamado grupo M, que mostrou-se capaz de induzir respostas imunes contra fragmentos de todos os subtipos testados até o momento. “Os resultados sugerem que uma única vacina poderia, em tese, ser usada em diversas regiões do mundo, onde diferentes subtipos do HIV são prevalentes”, afirmou Cunha Neto.

No teste mais recente, feito com camundongos e ainda não publicado, os pesquisadores avaliaram a capacidade dessa nova vacina de reduzir a carga viral no organismo. “O HIV normalmente não infecta camundongos, então nós pegamos um vírus chamado vaccinia – que é aparentado do causador da varíola – e colocamos dentro dele antígenos do HIV”, contou Cunha Neto.

Nos animais imunizados com a vacina, a quantidade do vírus modificado encontrada foi 50 vezes menor que a do grupo controle. Agora estão sendo realizados experimentos para descobrir se, de fato, a destruição viral aconteceu por causa da ativação das células TCD4 citotóxicas.

Os cientistas estimam que, no estágio atual de desenvolvimento, a vacina não eliminaria totalmente o vírus do organismo, mas poderia manter a carga viral reduzida ao ponto de a pessoa infectada não desenvolver a imunodeficiência e não transmitir o vírus.

Segundo Cunha Neto, a HIVBr18 também poderia ser usada para fortalecer o efeito de outras vacinas contra a Aids, como a desenvolvida pelo grupo do imunologista Michel Nussenzweig, da Rockefeller University, de Nova York, feita com uma proteína do HIV chamada gp140.

Macacos 

A última etapa do teste pré-clínico será realizada na colônia de macacos Rhesus do Instituto Butantan. A vantagem de fazer testes em primatas é a semelhança com o sistema imunológico humano e o fato de eles serem suscetíveis ao SIV, vírus que deu origem ao HIV.

O ensaio clínico de fase 1 deverá abranger uma população saudável e com baixo risco de contrair o HIV, que será acompanhada de perto por vários anos. Nesse primeiro momento, além de avaliar a segurança do imunizante, o objetivo é verificar a magnitude da resposta imune que ele é capaz de desencadear e por quanto tempo os anticorpos permanecem no organismo.

Se a HIVBr18 for bem-sucedida nessa primeira etapa da fase clínica, poderá despertar interesse comercial. A esperança dos cientistas é atrair investidores privados, uma vez que o custo estimado para chegar até terceira fase dos testes clínicos é de R$ 250 milhões. Até o momento, somando o financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo) e do governo federal, foi investido cerca de R$ 1 milhão no projeto. 

Fonte: Agência FAPESP

Brasileiro desenvolve vacina experimental mais eficaz contra vírus da Aids

Uma vacina com a combinação de cinco anticorpos conseguiu manter os níveis do vírus da Aids (HIV-1) abaixo dos detectáveis durante mais tempo que os tratamentos atuais, informou nesta quarta-feira (24) a revista Nature. O estudo fo feito pelo imunologista brasileiro Michel Nussenzweig, membro da Academia Americana de Ciências na Universidade Rockefeller, em Nova York.

O tratamento experimental é composto por cinco potentes anticorpos monoclonais, idênticos entre si porque são produzidos pelo mesmo tipo de célula do sistema imunológico, e foi administrado em ratos “humanizados” – ou seja, que dispõem de um sistema imunológico idêntico ao humano, permitindo que sejam infectados com o vírus HIV. Estima-se que esta é uma fórmula que poderia evitar a infecção de novas células.

Nussenzweig observou que, desde que foi iniciado o tratamento, a carga viral tinha caído para níveis abaixo dos detectáveis e assim se mantiveram por até 60 dias após o término do tratamento. Em seguida, o cientista brasileiro comparou resultados ao tratar ratos com uma combinação de três anticorpos monoclonais e, também, com um tratamento baseado em um único anticorpo.

Ao tratar os roedores com uma vacina com três anticorpos, o HIV se manteve em níveis baixos até 40 dias após o fim do tratamento, enquanto a monoterapia só permitiu que o vírus não fosse detectado durante o tempo em que o rato estava recebendo o tratamento, cerca de duas semanas.

“O experimento demonstrou que combinações distintas de anticorpos monoclonais são eficazes na hora de suprimir a replicação do HIV em ratos ‘humanizados’, por isso podem prevenir a infecção e servir para o desenvolvimento de novos tratamentos”, defendeu o especialista em seu artigo.

Na atualidade, o tratamento anti-retroviral em humanos consiste em combinar pelo menos três drogas antivirais para minimizar o surgimento de vírus mutantes resistentes aos remédios.

No entanto, o HIV se armazena em uma espécie de “depósito” ou reservatório viral, o que faz com que a carga viral do paciente se eleve quando o tratamento farmacológico é interrompido, e o vírus volta a aparecer depois de 21 dias.

Apesar dos resultados promissores de Nussenzweig, ainda serão necessários testes clínicos que permitam avaliar a eficácia do tratamento em humanos e medir os efeitos sobre a infecção em longo prazo.

Fonte: Uol

Brasileira: pesquisa aponta novo caminho para vacina da aids

Descobertas recentes tornam a cura da aids visível no horizonte. Hoje se sabe muito mais sobre a síndrome da imunodeficiência adquirida do que há 30 anos, quando ela foi descoberta. O resultado desse conhecimento e das campanhas de conscientização é que o número de novos casos tem diminuído ano após ano, em todo o mundo. Com o subsídio dos governos ao coquetel de medicamentos necessário para o portador combater o vírus, os índices de mortalidade caem consideravelmente. Ninguém se arrisca, no entanto, a dizer que esse é um cenário animador, pois não se consegue erradicar a doença apenas com campanhas preventivas. Por isso, a grande batalha científica concentra-se na busca de uma cura para a doença e na produção de vacinas imunizadoras.

A revista científica Nature destacou, em setembro, uma nova técnica que renova essas esperanças. Uma equipe liderada pelo pesquisador David Watkins, da Universidade de Washington, com a participação de cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), identificou uma característica particular nos controladores de elite. Assim são chamadas as pessoas que possuem o vírus HIV, causador da aids, mas não adquirem a doença. A descoberta é que isso acontece pela ação das células T CD8 protetoras, que, nessas pessoas, atuam matando as células T CD4, que são infectadas pelo HIV.

Embora já houvesse estudos indicando o papel das células T CD8, as pesquisas, até agora, focavam na função dos anticorpos no combate à doença, e pela primeira vez é mostrado que a resposta dessas células pode ser suficiente para o controle do vírus, impedindo a sua progressão. “É como se, na rodovia do estudo de vacinas para a aids, estivéssemos fixando uma placa nova, apontando para um novo caminho, baseado na abordagem celular”, explica a pesquisadora Myrna Bonaldo, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Flavírus do Instituto Oswaldo Cruz e uma das colaboradoras do projeto.

Além dela, participam também Ricardo Galler e Marlon Santana, da Fiocruz, e o também brasileiro Maurício Martins, que faz parte da equipe de Watkins nos Estados Unidos. “O nosso trabalho tem um mecanismo de base celular, mediante o estímulo de produção de células T CD8. Este é um conhecimento que contribui para que se descubra o que é importante no desenvolvimento de uma vacina eficaz”, completa Myrna. Portanto ainda não se pode dizer que se está prestes a descobrir uma cura. Isso ainda vai depender de mais pesquisas – e tempo. “Os resultados obtidos neste estudo podem em muito ajudar o estabelecimento de estratégias de vacinação para o HIV. Entretanto é prematuro demais falar em uma potencial formulação de vacina”, diz a pesquisadora.

T CD8
A pessoa se torna portadora do vírus HIV quando este infecta as células T CD4, nas quais irá se replicar, gerando mais vírus, que infectarão mais células do mesmo tipo. Nas pessoas em que o HIV é controlado, as células T CD8 atuam como assassinas, matando as células contaminadas. “São células com capacidade citotóxica, isto é, que podem reconhecer células com alterações, como as cancerosas ou infectadas com um vírus, por exemplo, e eliminá-las do organismo, matando-as”, explica Myrna Bonaldo, lembrando que um em cada 300 pacientes é controlador de elite e não precisa de medicamentos para ter a doença sob controle.

A pesquisa originou-se de um estudo da própria Myrna, patenteado pela Fiocruz em 2005, que propunha a engenharia de novas vacinas a partir da introdução de modificações genéticas. Para o trabalho liderado por Watkins, foi inserido em um grupo de macacos o vírus SIV, semelhante ao HIV, e parte deles recebeu compostos indutores de produção de células T CD8. Esses tiveram a replicação viral reduzida substancialmente. Segundo Myrna, foi identificado nesse estudo que o aumento na produção das T CD8 ocorre de forma independente à ação dos anticorpos.

A DOENÇA
O vírus da imunodeficiência humana, HIV, é o causador da aids. Quando uma pessoa é infectada, o vírus reduz progressivamente a eficácia do sistema imunológico. Dessa forma, alguma infecção oportunista que, em outras pessoas, poderia ser apenas um incômodo, a um portador de aids pode ser fatal, dependendo do estágio da enfermidade. Apesar de ter sido descoberto apenas em 1981, estima-se que o HIV exista desde o final do século 19 ou início do 20. Ele descende do vírus da imunodeficiência símia, o SIV, que teve origem na África. Quem tem acesso ao coquetel de medicamentos que compõem o tratamento antirretroviral tem prolongada a sua vida e sofre muito menos. Apesar de retardar o curso da doença, não se trata de uma cura ou vacina.

fita vermelha tornou-se o símbolo da luta contra a aids em 1991, quando a doença ultrapassou a marca dos 10 milhões de infectados no mundo. Hoje, estima-se que sejam 34 milhões, dos quais 90% estão no continente africano. De acordo com o boletim epidemiológico de 2011, divulgado pelo Ministério da Saúde brasileiro, o país tem 608 mil portadores do vírus.

PESQUISAS Desde a descoberta da doença, o desenvolvimento de sua cura virou um dos grandes objetivos da medicina no mundo todo. Um caso que se tornou um símbolo dessa luta – e desse avanço científico – foi o do americano Timothy Brown, também conhecido como o “Paciente de Berlim”, que em 2007 recebeu células-tronco de um doador que possuía uma mutação genética que o tornava resistente ao vírus. As células T CD4 do doador, que são infectadas pelo HIV, não possuíam o receptor CCR5, a porta de entrada do vírus. Brown foi diagnosticado então como curado, pois o vírus não se manifestou mais. Entretanto ainda não é possível que o procedimento seja feito em larga escala, pois os custos são altos, o transplante é arriscado e é muito difícil encontrar doadores compatíveis.

“A descoberta de uma vacina é a grande esperança de conter a epidemia, mas o seu desenvolvimento demanda um esforço coletivo internacional, que envolve pesquisadores, sociedade civil, instituições governamentais, acadêmicas, iniciativa privada e pessoas vivendo com HIV e aids”, diz José Carlos Veloso, ex-presidente do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (Gapa) de São Paulo. O professor Enrique Roberto Argañaraz, do Departamento de Farmácia da Universidade de Brasília, é otimista em relação às pesquisas, mas pensa que o Brasil poderia participar mais. “Várias vacinas foram desenvolvidas nos últimos anos com resultados promissores em testes com macacos. Existe uma intensa atividade de pesquisa nessa área, o que lamentavelmente não acontece aqui no Brasil.”

Entre os pesquisadores, a descoberta da cura é geralmente tratada com muita cautela. O próprio David Watkins, depois de anunciar a nova abordagem proposta, lembrou que, após a descoberta do vírus, em 1981, falou-se que em dois anos se chegaria a sua cura. “Este é um percurso difícil e ainda temos muito chão a percorrer. Trata-se de um vírus com altíssima variabilidade genética, portanto é como se tentássemos atingir um alvo que se movimenta”, opina Myrna Bonaldo.

Enquanto isso, a virologista francesa Françoise Barre-Sinoussi, vencedora do prêmio Nobel da Medicina e uma das pesquisadoras da equipe que descobriu o vírus, dá manifestações de que a cura está à vista, mostrando-se otimista com o caso do paciente de Berlim. Ele concorda: “Há muito ceticismo, mas quero deixar claro: agora sou HIV negativo”, declarou Timothy Brown na 19ª Conferência Internacional sobre a Aids, em julho deste ano. Ao lançar sua própria fundação de pesquisas sobre a doença, ele afirmou: “A esperança está viva, e a cura, no horizonte”.

Fonte: Portal Terra