Número de mortos por Aids em 2013 em Araraquara já supera 2012 inteiro

O número de pessoas que morreram de Aids em Araraquara (SP) em 2013 já superou o total de mortes pelo mesmo motivo no ano passado inteiro. De janeiro a julho deste ano, 12 pessoas foram vítimas da doença, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. É o maior índice da região.

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Com medo de descobrir a Aids, muita gente prefere ficar na dúvida e não faz o teste de HIV. Quando a doença começa a apresentar os sinais, significa que o tempo de sobrevida da pessoa é menor.

A dona de casa Eliana Aparecida dos Santos fez o exame durante a gravidez. A princípio parecia tudo bem, mas um segundo o teste mudou tudo. “Eu já tinha feito exame no início da gravidez e não deu nada. E quando eu estava com oito meses, acho que minha resistência baixou e minhas glândulas começaram a inflamar, então o médico pediu um novo teste e aí deu que eu era soropositivo. Minha primeira reação foi achar que eu ia morrer”, contou.

Ela não se prevenia durante as relações sexuais e contraiu a doença do marido. Assim que soube, começou o tratamento, há 17 anos. O filho não tem o vírus e ela nem se lembra do problema. “Tem algumas coisas que é preciso ter medida, não pode extrapolar, mas eu vivo bem”, falou Eliana.

De acordo com dados do programa de combate à Aids na cidade, as mortes foram de pessoas que conviviam com o problema havia muitos anos. Mas o presidente de uma ONG de apoio a soropositivos diz que o número é preocupante.

“É um índice grande, é um índice de que as pessoas estão morrendo e a gente não sabe se é por conta da falta do tratamento porque elas não querem, ou se de fato é por conta do prazo da sobrevida”, analisou o presidente da RNP+Sol, Alberto Carlos Andreoni de Souza.

Terceira idade
Até hoje mais de 1,5 mil pessoas foram notificadas com o vírus em Araraquara, 68% homens. Um dado que chama a atenção é a quantidade de idosos: 10% detectaram a doença depois dos 60 anos. A coordenadora do programa DST/Aids, Elizane Regina Sandor, diz que no estado de São Paulo também foi registrado um aumento nessa faixa etária.

“As pessoas estão se conhecendo, se relacionando, só que não fazem o uso do preservativo e isso os coloca numa situação de maior vulnerabilidade, porque estão tendo mais acesso e se contaminando mais com o vírus HIV”, disse Elizane.

Prevenção
Como a forma de contágio mais frequente ainda é durante as relações sexuais, em vários prédios municipais é feita a distribuição de preservativos, mas agora por um método diferente, a própria pode retirar o seu, sem a necessidade de pedir a um funcionário. A iniciativa deu certo e ainda este ano vai ser expandida para pontos comerciais como casas noturnas.

“Fica num local mais discreto onde a pessoa tem o acesso, então nós percebemos uma procura maior em relação aos preservativos nesses locais”, comentou Elizane.

Fonte: G1

Ativistas estão em Brasília para pressionar aprovação de lei que criminaliza discriminação contra pessoas com HIV

Dirigentes do movimento de luta contra a aids estão nesta semana, em Brasília, se reunindo com parlamentares para tentar acelerar o processo de discussão da Emenda da Câmera dos Deputados (ECD) 51/2003, que define como crime a discriminação dos portadores do HIV e doentes de aids. O texto já foi votado na Câmara e, como teve emendas, retornou para avaliação no Senado.

Os ativistas vão se reunir com o vice-presidente da Frente Parlamentar de Aids, senador Paulo Paim (PT/RS), e o Senador Aloysio Nunes (PSDB/SP), que é membro da comissão.

Para o presidente do Fórum de ONG/Aids do estado de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, a importância de uma legislação que iniba as formas de discriminação se reflete nos relatos que o grupo recebe constantemente. “Ainda existem locais, escolas e. sobretudo, empresas que discriminam as pessoas vivendo com HIV e aids, impedindo acesso ao trabalho, promoções ou pressionando para demissões espontâneas”, afirma.

Outro tema a ser discutido é a sucessão na Frente Parlamentar de Aids. “O Deputado Chico D’angelo se licenciou do mandato para assumir a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, e as atividades da Frente não podem parar”, explica William Amaral, representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids núcleo Rio de Janeiro.

Audiência Pública

A preocupação com a destinação dos recursos para as ações de enfrentamento da aids levou os ativistas a também propor, em Brasília, a realização de uma audiência pública com parlamentares, gestores dos Programas de Aids, representantes da sociedade civil, pessoas vivendo com HIV e aids, entre outros interessados, a fim de discutir a inserção de ações através do novo sistema de financiamento da saúde, o Contrato Organizativo da Ação Pública da Saúde (COAP).

“A intenção é garantir a aplicação de recursos específicos via o novo sistema, inclusive com a sociedade civil, propondo ações dentro dos planos municipais e estaduais”, explica Márcia Leão, presidente do Fórum de ONG Aids do Rio Grande do Sul.

Os novos rostos da epidemia de aids

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Bernardo é homossexual, universitário, tem 20 anos, namora firme e é fã de música eletrônica. O manto do anonimato sobre a verdadeira identidade, no entanto, ele vestiu depois de não usar camisinha no relacionamento fixo.

O jovem entrou para os números da aids no Brasil em 2012 e personifica o rosto da epidemia brasileira desenhado a partir dos registros mais recentes. No País, segundo balanço provisório do Ministério da Saúde, é crescente a parcela de homossexuais com menos de 24 anos contaminados pelo vírus HIV .

“Há 10 anos, os homens jovens que fazem sexo com homens representavam 40% dos novos registros em menores de 24 anos. Hoje, os gays já são metade destes novos casos, de acordo com nossas informações, ainda provisórias”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Oficialmente, pelos dados já tabulados, as relações homossexuais e bissexuais representam 32,2% das formas de contaminação masculinas em qualquer idade.

A maior participação dos homossexuais nos números repete o início da epidemia nacional, nos anos 1980, quando os gays eram o alvo principal das infecção, que destruía o organismo e condenava os soropositivos a uma curta sobrevivência – no máximo 2 anos.

Neste Dia Mundial de Luta Contra a Aids, os especialistas comemoram os avanços na medicina que ampliaram a sobrevivência dos infectados e sabem que associar a doença à homossexualidade é errada, preconceituosa e fadada ao fracasso.

A própria história da aids confirma isso. Há 30 anos, no início do contágio pelo vírus HIV, a doença chegou a ser chamada de “peste gay” e deu falsa a sensação de imunidade aos homens heterossexuais e às mulheres. A ideia, no entanto, caiu por terra em menos de três anos. Os homens que fazem sexo com mulheres foram somados aos 34,2 milhões de habitantes do planeta que hoje vivem com o vírus HIV e, no Brasil, 48% dos pacientes do sexo masculino contraíram a doença em relações heterossexuais desprotegidas.

“Deste total de 34 milhões com aids no mundo, 47% são do sexo feminino e na África, 65% dos casos são em mulheres”, ressalta Pedro Chequer, coordenador da Unaids no Brasil, entidade das Nações Unidas que trata da aids.

O consenso entre os estudiosos é de que o retorno dos homossexuais para o epicentro da aids não significa que os outros grupos possam ser excluídos das campanhas preventivas. Porém, é consenso também que os jovens gays precisam de atenção especial nas divulgações preventivas que reforçam a importância de não negligenciar o preservativo.

“Meus amigos heteros dizem que usam camisinha, mas a única preocupação é com a gravidez fora de hora. Como entre os gays não há possibilidade de gestação, o preservativo fica de lado. É um erro enorme e eu acho que nunca vou me perdoar por ter cometido esta falha”, diz Bernardo que foi contaminado pelo namorado, em uma relação estável e que o deixou “perigosamente confortável” para abandonar a prevenção.

O companheiro também descobriu ser soropositivo quase de forma simultânea à revelação de Bernardo. Juntos, eles precisaram superar o “autopreconceito” e as novas demandas no relacionamento impostas pela doença.

 

Múltiplas faces:

“Esta geração não perdeu ídolos para a aids”, sentenciou Padilha, tentando desvendar os motivos para metade dos jovens brasileiros admitir que não usa camisinha logo na primeira relação sexual, independentemente do sexo do parceiro.

Eles nasceram em uma época em que as feridas da aids foram cicatrizadas com a criação de medicamentos eficazes, que permitem vida praticamente normal aos portadores. Cresceram em meio aos estudos científicos que apontam como realidade possível uma vacina preventiva da doença .

Mas também são estes fatores, já alertou a fundadora do Instituto Cultural Barong, Marta McBritton – ela organiza caravanas pelo Brasil todo para distribuir camisinhas e explicar como usá-las – que deixaram o perfil da aids multifacetado.

Jovens gays dividem espaço nos registros com idosos que passaram a usar medicamentos para a disfunção erétil, voltaram à vida sexual ativa, mas temem que o preservativo ameace a potência sexual. Também dão rosto aos casos nacionais as mulheres com mais de 60 anos, que contraíram aids do marido, mas nem desconfiam estarem infectadas.

O governo federal também alerta para as meninas com menos de 20 anos, mais numerosas na aids, fazendo com que a faixa etária seja a única em que a proporção de infectadas é maior do que a de infectados: 1,4 casos entre elas para 1 caso entre eles (no restante do recorte etário a incidência é inversa, sendo os homens maioria).

Mais recentemente, usuários de crack – que somam 1,2 milhão no País – também ingressaram para o grupo de vulneráveis ao HIV.

“Os usuários de droga ainda representam quase 20% do total de formas de transmissão”, alertou Chequer.

“Já sabemos que não apenas os dependentes de drogas injetáveis (que compartilham seringas) correm risco. As nações já estão preocupadas com os que usam crack, já que a droga (fumada em cachimbo) favorece o comportamento sexual de risco.”

Costurados pelo preconceito

A linha que costura todos estes rostos à epidemia de aids, avalia Bernardo, é o preconceito. “Eu mesmo só atestei o quanto era preconceituoso depois que descobri ser soropositivo”, diz ele, sem reservas.

“Sou estudante da área da saúde mas, assim como muita gente, acreditava que aids só era problema dos promíscuos, dos baderneiros ou dos miseráveis. Fiz o teste da aids tendo certeza que o resultado era negativo. Quando o ‘positivo’ apareceu senti nojo de mim. Era raiva, culpa e medo. Medo de que me olhassem como eu olhava para quem tem HIV.”

São 11 meses vivendo com HIV, em um sigilo absoluto, com medo do julgamento alheio, o que justifica a opção de manter a doença em segredo para pais, irmão e amigos mais próximos.

“Pensei em suicídio, virei um nada. Daí descobri que a vida com o HIV pode ser mais leve e fiz um site para ajudar e desabafar com as pessoas, inúmeras, em situação parecida com a minha, o soropositivonet “.

“A minha vida está mais calma, tenho muitos planos. O HIV acabou me unindo ainda mais ao meu namorado. Mas não é nada bom ter o vírus. O melhor é usar camisinha”, diz Bernardo, esperando que a mensagem chegue aos homossexuais, heterossexuais, jovens, idosos, meninos, meninas e aos 135 mil brasileiros que têm aids e nem imaginam ser portadores do vírus .

Fonte: IG

Somos jovens, temos aids e sabemos conviver com ela

Há quatro anos, o garçom Émerson Correia, 23, costuma brincar que comemora “duas vezes o aniversário”. No dia 3 de novembro de 2008, o rapaz deveria estar celebrando os 19 anos de juventude. Deveria, mas o direito lhe foi roubado pela doença. Sintomas de pneumonia o impediram. Naquela data, o jovem de corpo alongado e sorriso largo recebeu no colo o pior dos presentes: o resultado positivo no teste Anti-HIV.

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Com quadro de perda de peso, acentuado pela pneumonia, o garçom – que já desconfiava de infecção pelo vírus – esbarrou no limite do desconforto da doença, coincidindo com o dia do próprio aniversário. A data marcou o momento de busca pelo diagnóstico de saúde no Hospital São José, instituição de referência no tratamento de pacientes com HIV positivo. Nem mesmo com o resultado do teste em mão, ele saiu do estado de inércia. “A ficha não caiu”. Retornou para casa pensando nas possíveis explicações para a contaminação, quando lembrou das relações sexuais mantidas com outras pessoas fora do namoro.

Na época, Émerson se relacionava com um rapaz havia cinco anos, a quem o garçom primeiro revelou o diagnóstico. “Ele teve medo, receio de transar comigo. Eu queria continuar o namoro, mas não tinha tanta informação. Procurei folhetos, li, tentei conversar com ele sobre isso. Mas, depois da descoberta da contaminação, nossa relação não durou seis meses”, lamenta o jovem.

Émerson levou um ano para revelar o diagnóstico aos pais. “Com medo de ser rejeitado e de que eles separassem copos, colheres e toalhas”, começou preparando a mãe, à época, com 60 anos. Explicou sobre a Organização Não Governamental na qual começou a trabalhar, a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids e, depois de um ano guardando o segredo, finalmente expurgou. “Ela disse: ‘Você está com uma doença, então é se cuidar. Apoio da família você vai ter’. Isso me deixou muito calmo”.

De acordo com a psicóloga clínica e hospitalar Jandira Laprovítera, alguns jovens se negam a aceitar o diagnóstico e resistem “totalmente”. Ela destaca também a dificuldade em contar aos pais; e destes aceitarem. “A fase adolescente é naturalmente difícil. Se descobrir com o vírus sem a maturidade, mais ainda. A contaminação é permeada por sentimento de culpa dos pais. Se a família participar do tratamento e estimular, é de outra maneira que vai receber o diagnóstico”.

Émerson, o garçom, coordena hoje a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids e atua apoiando adolescentes que se descobrem com o vírus. A principal bandeira de luta é o fim do preconceito: “Vivemos uma briga diária por novos direitos e de fazer valer os direitos que já existem. Quem tem preconceito, das duas, uma: ou tem medo ou tem pena. E é ruim. Você se sente um nada, um monstro, só pelo olhar com que te olham”. (Juliana Diógenes)

 

Dúvidas frequentes sobre HIV/Aids

O que é HIV?

Causador da aids, HIV significa “vírus da imunodeficiência humana”. Recebe esse nome por destruir o sistema imunológico.

O que é aids?

Aids é a Síndrome da Imunodeficiência Humana. Caracteriza-se pelo enfraquecimento do sistema de defesa do corpo e pelo aparecimento das doenças oportunistas.

Como se pega o HIV?

Fazendo sexo sem camisinha (oral, vaginal ou anal);

Compartilhando agulhas e seringas contaminadas;

Da mãe para o bebê durante a gravidez, na hora do parto e/ou amamentação.

É possível viver bem com a aids?

Hoje, existem os medicamentos antirretrovirais – coquetéis antiaids que aumentam a sobrevida dos soropositivos. Há também outras atitudes que oferecem qualidade de vida, como praticar exercícios e ter uma alimentação equilibrada. Quem tem HIV namora, beija na boca e transa, assim como todo mundo. Não deve esquecer, entretanto, de usar camisinha sempre.

Como sei se tenho HIV?

Basta fazer um dos testes existentes para diagnosticar a doença. São gratuitos e o resultado é seguro e sigiloso. É realizado a partir da coleta de sangue. Se der negativo, a pessoa não foi infectada pelo vírus. Pacientes que tiverem o resultado positivo devem fazer acompanhamento médico.

Fonte: O Povo

Pornografia e aids: uma história

O casal britânico formado por Suze Randall e Humphry Knipe é um dos pioneiros do pornô no sul da Califórnia. Randall, 66 anos, ex-enfermeira e ex-modelo, tirou fotos nua para a página três do “The Sun” e se tornou a primeira fotógrafa da equipe da “Playboy” e, mais tarde, da “Hustler”. Ela passou para os filmes de 16 mm e agora tem um famoso site de sexo explícito, Suze.net. Knipe, escritor e roteirista, é seu gerente de negócios.

Holly, a filha, também faz parte do negócio. No mês passado, ela dirigiu um filme pornográfico na remota fazenda da família nas montanhas acima de Malibu.

Eles se lembram da torrente de medo quando os artistas começaram a morrer de aids na década de 1980.

“Era de petrificar”, disse Randall. “Você não quer ser o responsável por alguém fazer amor e depois sofrer com uma morte demorada. A doença acabou com a graça da coisa.”

O primeiro teste para aids foi lançado em 1985 e o setor o adotou, mas não com muita eficácia.

‘A gente tinha o ‘Furgão do Sangue’ na escolha do elenco’, contou Knipe. ‘Era uma ambulância que tirava sangue, mas o resultado só saía depois de duas semanas.’

Para piorar, os primeiros testes eram para anticorpos do vírus que só se desenvolviam meses após a contaminação.

Os atores heterossexuais sabiam que a doença era mais comum entre homens gays e viciados em drogas, mas quem fazia filmes gays e heterossexuais os preocupava. John C. Holmes, por exemplo, o mais famoso ator daquela época, também fez filmes gays. Ele teve a aids diagnosticada em 1985, murchou até pesar 40 quilos e morreu três anos mais tarde.

‘Éramos um setor pequeno e fofoqueiro’, disse Knipe. ‘Quando se ficava sabendo que um cara era bi ou tomava drogas, nenhuma garota trabalhava com o sujeito.’

Alguns produtores, entre eles o casal, pararam de filmar cenas de penetração.

Alguns atores mudaram de hábito.

Nina Hartley, enfermeira diplomada e atriz desde 1984, disse que não deixa um ator ejacular dentro dela desde 1986.

‘Simplesmente é arriscado demais’, ela declarou.

Os filmes pornôs costumam terminar com ejaculação sobre a atriz; embora as feministas considerem isso aviltante, para Hartley, esse ‘recurso’ salvou dezenas de vidas entre 1984, quando a aids passou a fazer parte do cenário, e 1998, quando foi imposto o teste regulamentado pelo setor.

Naquele ano, 1998, aconteceu o maior escândalo da área. Até então, os produtores aceitavam resultados de testes no papel de muitos médicos. Então, uma mulher após a outra começou receber testes positivos para o HIV. Sharon Mitchell, ex-atriz com doutorado em sexualidade humana e capacitada a coletar amostras de sangue, foi contratada pelo setor para investigar o caso. Ela descobriu que as oito mulheres tinham feito cenas de sexo anal com o ator Marc Wallice, com quem a própria Mitchell já havia trabalhado.

Durante entrevista, ela contou que fez os produtores de Wallice o atraírem a sua sala com uma oferta de US$ 10 mil.

‘Então, nós praticamente o sequestramos e eu tirei o sangue dele. O resultado chegou com uma carga viral muito alta.’

Durante coletiva de imprensa na clínica Adult Industry Medical, em Sherman Oaks, Califórnia, aberta por ela com o apoio do setor, ela apontou Wallice como o provável ‘paciente zero’. Em entrevistas dadas na época a publicações ligadas ao entretenimento adulto, Wallice negou as acusações de haver mudado o resultado positivo de uma clínica obscura de Burbank para negativo.

Os estúdios passaram a filmar cenas somente com preservativo, mas a prática caiu quando a clínica de Mitchell acelerou os testes. O consultório chegou a fazer 1.200 exames por mês e contava com um banco de dados que poderia ser consultado pelos produtores.

Ela se recorda de haver examinado Darren James, em 2004, após este ter filmado no Brasil e, novamente, 26 dias mais tarde. O primeiro teste deu negativo, mas segundo Mitchell, o ator não parecia bem.

‘Eu pedi para ele parar de trabalhar, mas ele ejaculou dentro de 13 mulheres. Quando soube disse, logo vi que entre três e cinco delas testariam positivo, e três estavam infectadas.’

Foram as últimas transmissões confirmadas no setor. Desde então, James apoiou a campanha para tornar as camisinhas obrigatórias nos sets de filmes pornográficos.

Então, no ano passado, o banco de dados da clínica foi invadido por hackers; os registros médicos, nomes e endereços de centenas de artistas foram publicados na internet, provocando um furor. Os atores ameaçaram processos por invasão de privacidade e o Estado determinou que Mitchell obtivesse um novo alvará para a clínica. Em vez disso, ela a fechou.

Em janeiro, o setor criou um novo sistema, supervisionado por um especialista em doenças contagiosas, Dr. Peter Miao. O sistema certifica quais laboratórios podem fazer os testes e o banco de dados conta com apenas duas informações: um tique verde indicando um resultado negativo nos últimos 14 ou 28 dias ou um xis vermelho avisando aos produtores que o ator está indisponível; o artista pode se listar como indisponível por qualquer motivo, inclusive férias.

Os novos testes constatam HIV e sífilis após 14 dias de contato.

‘Não é perfeito, é claro’, disse Miao. ‘Porém, a janela fica mais fechada.’

Fonte: MSN / The New York Times

Paraíba tem o segundo menor número de casos de AIDS do Brasil

Entre 490 mil e 530 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 135 mil não sabem que têm o vírus, de acordo com dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde e pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). Isso significa que um em cada quatro brasileiros (25,5%) infectados desconhece sua situação de risco.

 

A Paraíba é o 2º  em número de casos, com uma taxa de incidência de 10.4 por 100 mil habitantes. Este ano foram registrados 426 novos casos no Estado.

 

O levantamento mostra que a incidência da aids no País, em 2011, foi 20,2 casos para cada 100 mil habitantes. No mesmo período, foram registrados 38,8 mil novos casos da doença – a maioria nos grandes centros urbanos.

Enquanto o Sudeste apresenta redução na taxa de incidência de 27,5, em 2002, para 21, em 2011, as regiões Sul, Norte e Nordeste registraram tendência de aumento de casos. No Centro-Oeste, a epidemia é considerada estável.

 

Segundo o balanço, o coeficiente nacional de mortalidade caiu de 6,3 mortes para cada 100 mil habitantes, em 2000, para 5,6, em 2011. Na última década, o País apresentou uma média de 11.300 mortes por ano provocadas pela aids.

Outro dado de destaque trata do acesso de gestantes ao teste rápido de diagnóstico durante o pré-natal. Em 2004, a cobertura era 63%, e passou para 84% no ano passado.

 

Atualmente, 217 mil brasileiros com o vírus HIV estão em tratamento. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliou que o País registra forte adesão à terapia antirretroviral, pois mais de 70% dos pacientes apresentam carga viral indetectável após seis meses de tratamento.

 

Em 2006, 32% dos pacientes soropositivos chegavam ao serviço de saúde com contagem das células CD4 superior a 500 por milímetros cúbicos (mm³), indicativo de que o sistema imunológico ainda não está comprometido. Em 2010, o percentual subiu para 37%.

 

Ainda assim, a estimativa do governo brasileiro é que 30% dos infectados chegam ao serviço de saúde tardiamente. Por esta razão, a campanha deste ano pretende mobilizar estados, municípios e a sociedade civil, até o próximo dia 1º.

 

Durante os próximos dez dias, as pessoas que desejarem saber se têm o vírus devem procurar as unidades da rede pública de saúde e os centros de Testagem e Aconselhamento.

 

A campanha visa alertar a população, mas com enfoque nos grupos em situação de maior vulnerabilidade, como homens que fazem sexo com homens, travestis e profissionais do sexo. O governo também quer incentivar profissionais de saúde a recomendar o teste, independente de gênero, orientação sexual ou comportamento.
Fonte: Paraíba

Um quarto dos brasileiros com HIV não sabe que está infectado

Um em cada quatro brasileiros infectados com o vírus HIV desconhece sua situação. A estimativa é do Ministério da Saúde, que lançou campanha nesta terça-feira (20) para diagnóstico e tratamento de casos de Aids –o título da iniciativa é “Eu vivo com HIV e descobri a tempo de me cuidar”.

Segundo números da pasta, há atualmente 530 mil pessoas com HIV no Brasil. Desse total, 135 mil (25,4%) não têm essa informação. Para Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em saúde do ministério, fatores como preconceito e barreiras culturais prejudicam o diagnóstico precoce da doença.

O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou que nos últimos anos houve avanços no monitoramento clínico desses brasileiros. Há cinco anos, 32% dos casos foram diagnosticados precocemente. Em 2011, o índice subiu para 36,7%.

“Esse é um resultado que queremos perseguir fortemente. É bom para o paciente, porque isso pode permitir uma melhor qualidade de vida (…) e muito bom para o enfrentamento [da epidemia], porque reduz o risco de transmissão”, disse o ministro em coletiva de imprensa.

A campanha do ministério inclui a oferta na rede pública de saúde de teste rápido para HIV/aids, sífilis e hepatites B e C – o resultado do exame, implantando em 2005, fica pronto em 30 minutos. Até setembro deste ano, já foram distribuídos 2,1 milhões de unidades do exame.

NOVOS CASOS

Em 2011, foram registrados 38.776 novos casos de Aids no país –o que corresponde ao surgimento de 20,2 casos por 100 mil habitantes. O número é o maior ao menos desde 2008, quando foram registrados 38.529 novos casos.

Naquele ano, entretanto, a taxa de incidência da doença, que leva em conta o número de casos pelo tamanho da população, era um pouco maior: 20,3 novos casos por 100 mil habitantes.

Houve pequena queda, por outro lado, da mortalidade: de 5,7 casos por 100 mil habitantes em 2010 para 5,6 casos no ano passado.

Segundo dados da Unaids, no ano passado 34 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo. Em 2011, segundo o órgão, 7.000 novas infecções ocorreram por dia.

NORTE E NORDESTE

Embora o Sudeste ainda concentre maior número de casos, o ministério identificou maior ocorrência em outras regiões do país. “O Sudeste tem uma tendência de redução do peso ao longo do tempo, porque outras regiões, principalmente Norte e Nordeste, têm tido crescimento de casos de Aids”, disse o ministro.

Além do aumento de casos nessas regiões, a pasta ainda identificou crescimento da taxa de mortalidade. Para o secretário Jarbas Barbosa, esse movimento ocorre, principalmente, devido a dois fatores: o fato de a doença ter chegado mais tarde nessas regiões do que em outras, como o Sudeste, e a dificuldade de acesso em determinadas localidades a diagnóstico e prevenção.

O ministro Alexandre Padilha reconheceu a necessidade de ampliar a realização de testes rápidos nas regiões e melhorar a qualidade dos serviços de saúde. “Temos que reforçar a interiorização dos serviços de tratamento.”

JOVENS GAYS

O secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Jarbas Barbosa, destacou ainda a preocupação com casos de infecção por HIV entre homens jovens gays. No ano passado, esse público foi o alvo principal de campanha do governo.

Os homens gays representam pouco mais da metade do universo de jovens entre 15 a 24 anos infectados com HIV. “Além de ser a maior proporção de casos nesse grupo, tem uma tendência de crescimento”, disse Barbosa.

COPA

O secretário afirmou que o ministério quer que, até o próximo ano, todas as capitais tenham um equipamento móvel com o teste rápido do HIV. Em vans, profissionais da saúde podem dar aconselhamentos e realizar testes perto de bares e boates gays.

A intenção, disse Barbosa, é atingir “grupos mais vulneráveis”. Segundo o secretário, esse atendimento móvel acontece hoje como um projeto-piloto em cinco capitais. Esse atendimento, afirma, poderá ser realizado no próximo ano, por exemplo, perto dos estádios que sediarão a copa das confederações.

Fonte: FOLHA